Iodo
O iodo é um elemento químico de número atômico 53 e símbolo I, localizado no quinto período do grupo dos halogênios. Seu nome vem do grego iodes, que significa violeta, em alusão à coloração dos seus vapores. É um elemento que, na sua forma pura, ocorre como moléculas de I2, apresentando-se na forma de cristais com brilho metálico e de sublimação em temperatura ambiente.
O iodo é um halogênio pouco reativo, mas que ocorre em altos estados de oxidação. É pouco solúvel em água e exige manipulação cuidadosa, já que é rapidamente absorvido pela pele e seus vapores são irritantes. O iodo possui diversas aplicações, destacando-se na confecção da tintura de iodo, na formulação de antissépticos e, também, no tratamento do câncer da tireoide. É um elemento essencial para nossa nutrição e sua deficiência traz diversos problemas, como o bócio e o cretinismo em crianças.
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Resumo sobre iodo (I)
- O iodo (símbolo I) é um elemento químico de número atômico 53, localizado no quinto período do grupo dos halogênios.
- Em condições ambiente, sua forma pura se trata de cristais com brilho metálico, de fácil sublimação, com fórmula molecular I2.
- É um halogênio pouco reativo, de baixa solubilidade em água, mas que pode ocorrer em diversos estados de oxidação.
- Dentre suas aplicações, destaca-se a tintura de iodo, a formulação de antissépticos e o tratamento do câncer da tireoide.
- É um elemento essencial para nossa nutrição, sendo que sua deficiência pode gerar diversos problemas de saúde, como o bócio e o cretinismo (em crianças).
O que é o iodo?
O iodo, elemento químico de símbolo I, é um ametal de número atômico 53, pertencente ao grupo dos halogênios (grupo 17) da tabela periódica, localizado no quinto período desse grupo. O nome iodo vem do grego iodes, que significa violeta. Sua descoberta foi iniciada em 1811, pelo químico francês Bernard Courtois.
Na ocasião, ao trabalhar com uma solução de diversos sais (cloretos, brometos, iodetos, sulfatos, etc) de sódio e potássio, Courtois acabou por adicionar uma quantidade maior de ácido sulfúrico. Para sua surpresa, viu surgir vapores violetas com um odor irritante que, ao entrarem em contato com superfícies frias, formavam cristais negros com um certo brilho metálico. Assim, Courtois suspeitou de que se tratava de um novo elemento, que foi confirmado pelos trabalhos de outros cientistas. Quando confirmado, esse elemento recebeu o nome de iodo, justamente em alusão aos seus vapores.
Estima-se que haja 0,14 mg∙kg−1 de iodo na crosta terrestre e cerca de 0,05 mg∙L−1 desse elemento na água do mar, sendo o segundo halogênio menos abundante (só é mais presente que o astato).
Propriedades do iodo
- Símbolo: I.
- Número atômico: 53.
- Massa atômica: 126,90447.
- Ponto de fusão: 113,7 °C.
- Ponto de ebulição: 184,4 °C.
- Densidade: 11,27 g/L (forma gasosa); 4,93 g/mL (forma sólida, 20 °C).
- Eletronegatividade: 2,7.
- Distribuição eletrônica: [Kr] 5s2 4d10 5p5.
- Série química: halogênios; ametais; elementos do grupo 17; elementos representativos.
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Principais características do iodo
Em temperatura ambiente, o iodo ocorre na forma pura como I2, que macroscopicamente se apresenta como cristais de cor violeta-escura, os quais sublimam rapidamente na pressão de 1 atm, com formação de vapores violeta. Embora seja um ametal, o I2 apresenta um brilho metálico e exibe uma condutividade elétrica apreciável em altas temperaturas. Inclusive, sob altíssimas temperaturas, o I2 se torna um condutor metálico.
Assim como os demais halogênios mais leves (Cl2 e Br2), o iodo também reage com H2, P4, S8 e boa parte dos metais (alcalinos, alcalino-terrosos, mercúrio, estanho e ferro, por exemplo). Entretanto, o I2 é o menos reativo dos três, apresentando também o menor poder oxidante. A reação com hidrogênio forma iodeto de hidrogênio (HI) e ocorre em elevadas temperaturas. O HI, quando dissolvido em água, forma o ácido iodídrico, um hidrácido muito forte.
Além disso, o iodo possui particularidades entre os demais halogênios, como o fato de ser mais facilmente oxidado a elevados estados de oxidação (o iodo pode existir nos estados +1, +3, +5 e +7), além de ser mais facilmente convertido a sais estáveis em que o iodo está no estado +1. Os iodetos (sais com a presença do ânion I−), em geral, são solúveis em água.
O I2 é pouco solúvel em água (a 25 °C, uma solução saturada de I2 em água possui uma concentração de 0,0013 mol∙L−1), onde a solução apresenta coloração castanha. A adição de iodeto de potássio, KI, faz aumentar a solubilidade do iodo, por conta da formação do íon tri-iodeto (I3−). O iodo é, entretanto, mais solúvel em solventes orgânicos, onde a sua solução adota coloração marrom quando os solventes são polares (como etanol, éter etílico, etc) e coloração violeta para solventes de baixa polaridade (como clorofórmio, tetracloreto de carbono e dissulfeto de carbono). A presença de iodo no amido faz surgir uma coloração azul característica.
A manipulação de iodo exige a utilização de equipamento de proteção individual adequado, como luvas, máscaras, óculos e jaleco, já que ele é rapidamente absorvido pela pele e seu vapor ser altamente irritante para mucosas e olhos.
Função do iodo
O iodo possui diversas aplicações. Um exemplo é o iodeto de potássio, o qual é empregado como agente expectorante quando na concentração de 20 g∙L−1. Existe também a iodopovidona, que é formada pela associação do iodo com a polivinilpirrolidona (PVP), a qual é empregada, na concentração de 10% em solução aquosa, em hospitais e clínicas como desinfetante para pele e no preparo pré-operatório.
Como boa parte do iodo é absorvido pela tireoide, é comum utilizar iodato de potássio, na forma de pastilhas, para que pessoas atingidas por radiação não tenham absorção significativa de iodo radioativo, assim, prevenindo o câncer nessa região.
Para fins mais acadêmicos, o iodo pode ser empregado para determinar o nível de insaturação de óleos e gorduras, assim como para identificação de pequenas quantidades de água em compostos orgânicos (método Karl Fischer). O iodo e compostos de iodo são também possíveis de serem utilizados em análises (como na titulação de oxirredução) e sínteses orgânicas.
Os isótopos radioativos do iodo (iodo-123 e iodo-131) são utilizados na medicina nuclear para diagnóstico e tratamento do câncer de tireoide. Isso porque esses radioisótopos, ao acumulares na glândula tireoide e emitirem radiação, permitem a obtenção de imagens da glândula tireoide, fazendo-se avaliação da sua forma e tamanho.
Como apresentam uma meia-vida muito curta (13,2 horas para o 123I e 8 dias para o 131I), acabam decaindo muito rapidamente. No caso do tratamento, pode-se utilizar o radioisótopo do iodo para garantir que o fármaco seja levado adequadamente à região da tireoide.
O que é a tintura de iodo?
A tintura de iodo consiste na mistura de uma solução alcoólica de iodo (I2) e de uma solução aquosa de iodeto de potássio (KI), a qual contém de 2 a 10% em massa de iodo. É um medicamento antisséptico de uso externo (tópico), usado para higienização de feridas, por exemplo, ou na higienização da água.
A tintura de iodo foi produzida inicialmente pelo químico francês Jean Baptiste André Dumas, no ano de 1819, pois ele objetivava a produção de um medicamento à base iodo para ser administrado, via oral, em paciências com bócio. As primeiras evidências científicas da ação germicida do iodo dataram de 1873, quando o bacteriologista francês Casimir Davaine conseguiu demonstrar que a tintura de iodo inibia a proliferação do Bacillus anthracis, causador do antraz.
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Iodo no corpo humano
O iodo é indispensável à dieta, sendo o elemento mais pesado encontrado nos animais. Seu interesse na alimentação data de 1895, quando se descobriu que tal elemento é utilizado pela tireoide. Um organismo adulto apresenta de 20 a 30 mg desse elemento, os quais estão concentrados majoritariamente nessa glândula.
No corpo humano, o iodo participa da formação dos hormônios tireoidianos T3 (tri-iodotironina) e T4 (tiroxina ou tetraiodotironina), os quais são responsáveis por estimular o metabolismo celular. Tais hormônios possuem sua síntese e secreção regulados pelo hormônio tireotropina, o TSH, que é produzido pela hipófise.
O principal distúrbio associado à tireoide é o bócio, que é um crescimento anormal da glândula tireoide, ocasionado principalmente pela deficiência de iodo, seja por baixa ingestão via alimentação, ou baixa absorção desse elemento pela glândula. Porém, os efeitos mais adversos da deficiência de iodo podem ocorrer na infância ou na gestação, por meio da ocorrência de retardamento mental e atraso no desenvolvimento físico e, na pior forma, de cretinismo.
Em adultos, a deficiência de iodo pode levar à diminuição da capacidade de aprendizado, além de promover a apatia. Quadros de deficiência de iodo moderada a severa podem aumentar o hipotireoidismo, além de tornar a glândula tireoide mais suscetível a danos.
Sendo um grande problema de saúde pública, a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas paras as Crianças (UNICEF) e o Conselho Internacional para o Controle de Distúrbio por Deficiência de iodo (ICCIDD) recomendaram, em 1993, a iodação universal do sal de cozinha, o tempero mais utilizado mundialmente, como sendo uma medida profilática e terapêutica para as doenças provocadas pela deficiência do iodo.
O iodo adicionado não altera as propriedades organolépticas do sal, sendo, portanto, uma medida bem-aceita, simples e com custo relativamente baixo. Porém, o alto consumo de sal acaba se tornando um problema. No Brasil, por exemplo, onde o consumo diário é de 10 a 12 gramas de sal, a ingestão de iodo (na forma de iodato), supera os níveis estabelecidos pela OMS. Com isso, ocorre um excesso na ingestão desse elemento, o que também traz problemas para a saúde (embora menores quando comparados com os potenciais danos causados pela sua deficiência).
Uma das condições da nutrição excessiva de iodo é a chamada tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune em que o organismo reconhece as glândulas tireoidianas como um corpo estranho, ativando o sistema imunológico para combatê-las.
Créditos da imagem
[1] Menno van der Haven / Shutterstock
Fontes
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