Trema [¨]

 Trema [¨] é um sinal gráfico extinto na língua portuguesa desde a reforma ortográfica de 1990. Ele era usado sobre o “u” pronunciado nas formas “gue”, “gui”, “que”, “qui”. Assim, antes da reforma, palavras como “bilíngüe”, “angüiforme”, “eloqüente” e “lingüístico” usavam trema.

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Depois da reforma, tais palavras continuaram com a mesma pronúncia. Porém, não são mais escritas com trema: “bilíngue”, “anguiforme”, “eloquente” e “linguístico”. Atualmente, as únicas palavras que utilizam trema são aquelas derivadas de nomes próprios estrangeiros, como, por exemplo, “hübneriano” (de Hübner).

Leia também: Acento circunflexo [^] — sinal gráfico usado para indicar uma sonoridade fechada ou nasal

Resumo sobre o trema

  • O trema [¨] é um sinal gráfico que foi usado na língua portuguesa até o Acordo Ortográfico de 1990.

  • O trema era usado sobre a letra “u” das formas “gue”, “gui”, “que”, “qui”, quando esse “u” era pronunciado e átono (sem tonicidade, fraco).

  • Termos como “agüentar”, “lingüiça”, “conseqüência” e “tranqüilo” usavam trema, pois o “u” é pronunciado nessas palavras.

  • Com a extinção do trema, tais palavras continuaram a ser pronunciadas da mesma forma, mas passaram a ser escritas assim: “aguentar”, “linguiça”, “consequência” e “tranquilo”.

  • Após a reforma, o trema é usado APENAS em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros, como, por exemplo, “mülleriano” (de Müller).

Imagem explicando o que é trema e indicando seus usos antes e depois do Acordo Ortográfico de 1990.
O trema não é mais usado em palavras da língua portuguesa. (Créditos: Isa Galvão | Mundo Educação)

O que é trema?

O trema [¨] é um sinal gráfico usado em línguas como espanhol e alemão. No Brasil, nós também usávamos o trema, até ele ser abolido na reforma ortográfica de 1990. Na língua portuguesa, o trema era usado sobre a letra “u” das formas “gue”, “gui”, “que”, “qui”. Porém, isso só acontecia quando esse “u” era pronunciado e átono (sem tonicidade, sem força na pronúncia).

Assim, palavras como “guerra”, “guirlanda”, “quero” e “quilo” não levavam trema, já que o “u”, nessas palavras, não é pronunciado. No entanto, levavam trema palavras como “agüentar”, “lingüiça”, “eloqüência” e “tranqüilo”, já que, nesses casos, o “u” é pronunciado.

Atualmente, utilizamos trema, na língua portuguesa, apenas em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros que utilizam esse sinal gráfico. Um exemplo é “mülleriano”, termo originado do sobrenome alemão “Müller”.

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Por que o trema foi abolido?

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 não deixa claro o motivo de abolir o trema. Sua única justificativa é: “Generalizar a supressão do trema é eliminar mais um fator que perturba a unificação da ortografia portuguesa”. Isso sugere que não havia consenso, entre os usuários da língua, em relação ao uso do trema.

Já a palavra “generalizar”, aí utilizada, faz sentido se pensamos que, na reforma de 1943, foi eliminado outro uso do trema. Essa reforma só virou lei no Brasil em 18 de dezembro de 1971, a Lei N. 5.765, a qual decreta que: “fica abolido o trema nos hiatos átonos”. Isso porque se usava trema, facultativamente, em palavras como “saüdade” e “saüdar” (principalmente na poesia, para aumentar o número de sílabas), além de “paraïbano” e “depoïmento”, por exemplo.

E por falar em depoimento, lembro que, quando houve a última reforma, surgiram questionamentos sobre a pronúncia das palavras. Com o fim do trema, as pessoas iam parar de pronunciar o “u” em palavras como “linguiça” e “cinquenta”? Ou seja, iam pronunciar “cinkenta”?

Os defensores da reforma diziam que não. Para eles, mesmo sem o trema, as pessoas continuariam a pronunciar o “u” nessas palavras. Parece que eles estavam certos. Afinal, até o momento, ninguém está dizendo “elokente”, não é mesmo?

Quando o trema foi abolido?

O trema foi completamente abolido da língua portuguesa no Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990. Assim, o Decreto N. 6.583, de 29 de setembro de 2008, promulgou esse acordo no Brasil.

Veja também: Acento agudo [´] — sinal gráfico usado para indicar uma sonoridade aberta

Palavras com trema

Atualmente, só usamos trema em palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros, os quais, originalmente, apresentam trema:

  • brontëano, de Brontë (escritoras britânicas Charlotte, Emily e Anne Brontë);

  • düreriano, de Dürer (pintor alemão Albrecht Dürer);

  • hübneriano, de Hübner (entomologista alemão Jacob Hübner);

  • jürgeniano, de Jürgen (filósofo e sociólogo alemão Jürgen Habermas);

  • mülleriano, de Müller (naturalista teuto-brasileiro Fritz Müller);

  • schönberguiano, de Schönberg (compositor austríaco Arnold Schönberg);

  • stäeliano, de Stäel (escritora francesa Madame de Stäel) etc.

Palavras que perderam o trema

O trema foi extinto da língua portuguesa, com exceção das palavras derivadas de nomes próprios estrangeiros, como mostrei no tópico anterior. Isso quer dizer que a infinidade de palavras que usava esse sinal gráfico, antes da reforma ortográfica de 1990, não usa mais o trema.

Vou colocar, no quadro abaixo, exemplos de palavras que levavam trema antes do Acordo Ortográfico de 1990.

ANTES DO ACORDO ORTOGRÁFICO

DEPOIS DO ACORDO ORTOGRÁFICO

Agüentar

Aguentar

Angüiforme

Anguiforme

Antiqüíssimo

Antiquíssimo

Apropínqüe

Apropínque

Bilíngüe

Bilíngue

Cinqüenta

Cinquenta

Conseqüência

Consequência

Delinqüente

Delinquente

Deságüe

Deságue

Eloqüente

Eloquente

Enxágüe

Enxágue

Eqüestre

Equestre

Freqüente

Frequente

Iniqüidade

Iniquidade

Lingüeta

Lingueta

Lingüista

Linguista

Lingüístico

Linguístico

Pingüim

Pinguim

Quinqüênio

Quinquênio

Sagüi

Sagui

Seqüela

Sequela

Tranqüilo

Tranquilo

Trilíngüe

Trilíngue

Ubiqüidade

Ubiquidade

Fontes

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.

BRASIL. Acordo ortográfico da língua portuguesa: atos internacionais e normas correlatas. 2. ed. Brasília: Senado Federal, 2014.

BRASIL. Lei n. 5.765, de 18 de dezembro de 1971. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5765.htm.

NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa. 9. ed. São Paulo: Scipione, 1992.  

Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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