Taxonomia

A taxonomia é a área da Biologia que se dedica aos estudos sobre a classificação dos seres vivos. Atualmente, o método de classificação dos seres vivos utiliza como critério o parentesco, tendo como base a história evolutiva dos organismos. A investigação da morfologia, genética, ecologia e comportamento no contexto da taxonomia é voltada a encontrar evidências de parentesco.

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Os grupos taxonômicos contêm organismos que compartilham um ancestral comum e, quanto mais restrito o grupo taxonômico, mais recente é o ancestral compartilhado por seus integrantes. Existe uma hierarquia taxonômica, na qual os níveis de classificação são organizados respectivamente do mais amplo para o mais restrito em seres vivos, domínio, reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie.

Leia também: Quais são os níveis de organização dos seres vivos?

Resumo sobre taxonomia

  • Taxonomia é a área da Biologia que se dedica aos estudos sobre a classificação dos seres vivos.
  • As classificações taxonômicas possuem níveis hierárquicos nos quais um grupo mais amplo contém um grupo mais restrito.
  • Os níveis taxonômicos são organizados respectivamente do mais amplo para o mais restrito em: seres vivos, domínio, reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie.
  • O método atual de classificação é a sistemática filogenética e utiliza o parentesco como critério para formação de grupos.
  • Os grupos taxonômicos contêm organismos que compartilham um ancestral comum.
  • Quanto mais restrito o grupo taxonômico, mais recente é o ancestral compartilhado por seus integrantes.
  • Os seres humanos pertencem à espécie Homo sapiens e estão incluídos na família Hominidae junto aos bonobos, chimpanzés, gorilas e orangotangos.
  • As nomenclaturas de espécies são sempre binomiais, contendo o gênero ao qual a espécie pertence seguido de um epíteto específico.

O que é taxonomia?

Hierarquia taxonômica (taxonomia) conforme os níveis de classificação dos seres vivos. [imagem_principal]
Hierarquia taxonômica (taxonomia) conforme os níveis de classificação dos seres vivos.

A palavra taxonomia tem origem grega, com “táxis”, que significa ordem, classificação, arranjo, e “nomos”, que significa regra, norma, lei. Na Biologia, a taxonomia se refere à área que se dedica a organizar em classificações e nomenclaturas a diversidade dos seres vivos. Atualmente, a classificação dos seres vivos tem como base a evolução da vida e utiliza como critério de agrupamento o parentesco entre diferentes organismos.

O método taxonômico vigente nos estudos em Biologia é a sistemática filogenética. Ela consiste na investigação de caraterísticas como morfologia, ecologia e genética dos organismos para encontrar evidências de parentesco e, assim, agrupá-los conforme sua história evolutiva. Um agrupamento de organismos é chamado de táxon e existem diversos níveis de táxons, que são organizados do mais amplo para o mais específico conforme o aumento do grau de parentesco entre os organismos.

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Classificação taxonômica

A classificação taxonômica diz respeito a criação de grupos a partir da semelhança entre os seres vivos. A investigação dessas características tem como objetivo compreender a história evolutiva dos seres vivos e, portanto, sua ancestralidade e parentesco com outros seres vivos.

A partir disso, o maior grupo e nível taxonômico mais abrangente é o dos seres vivos, que inclui todos os organismos que existem e já existiram no planeta. Esse agrupamento tem como fundamento a proposta de um ancestral comum universal, ou seja, considera que todos os seres vivos são descendentes de um único ancestral comum muito antigo. Esse ancestral comum de todos os seres vivos provavelmente viveu há cerca de 3,8 bilhões de anos no planeta e foi um dos primeiros organismos unicelulares a surgir na Terra.

Hierarquia das classificações taxonômicas, sendo a espécie a mais restrita e seres vivos a mais ampla.
Hierarquia das classificações taxonômicas, sendo a espécie a mais restrita e seres vivos a mais ampla.

O grupo taxonômico mais restrito é a espécie, que reúne organismos muito similares que interagem entre si e podem se reproduzir, produzindo descendentes férteis. Uma ou mais espécies podem pertencer a um mesmo gênero, que agrupa espécies por semelhança, sendo essas semelhanças existentes por razão do parentesco evolutivo. A hierarquia dos agrupamentos taxonômicos é realizada dessa forma com todos os agrupamentos subsequentes. Assim:

  • a espécie agrupa organismos semelhantes que podem se reproduzir entre si;
  • o gênero agrupa uma ou mais espécies próximas evolutivamente e, portanto, semelhantes;
  • uma família agrupa um ou mais gêneros utilizando esse mesmo critério, e assim por diante.

Os níveis taxonômicos são, do mais restrito para o mais amplo, respectivamente:

  • espécie,
  • gênero,
  • família,
  • ordem,
  • classe,
  • filo,
  • reino,
  • domínio e
  • seres vivos.

Existem agrupamentos como subordem, subfamília ou superfamília, que podem ser adicionados à hierarquia taxonômica. Alguns organismos fazem parte de grupos muitos diversos, e a adição de níveis hierárquicos contribui para o melhor entendimento do parentesco entre eles.

Leia também: Cladograma — diagrama que representa as relações filogenéticas existentes entre os seres vivos

Exemplo de classificação dos seres vivos

Como exemplo do uso dessa classificação, pode-se utilizar as espécies de leão (Panthera leo) e de onça-pintada (Panthera onca), que pertencem ao mesmo gênero (Panthera), bem como as espécies do lince-euroasiático (Lynx lynx) e do lince-canadense (Lynx canadensis) também pertencentes ao mesmo gênero (Lynx).

Exemplos de taxonomias das espécies leão, onça-pintada e linces.
Exemplos de taxonomias das espécies leão, onça-pintada e linces.

Tanto o gênero Panthera quanto o gênero Lynx possuem outras espécies incluídas no agrupamento de gênero. Por sua vez, os gêneros PantheraLynx e outros gêneros diferentes com espécies diferentes pertencem à mesma família, Felidae. Já a ordem Carnivora inclui a família Felidae e outras famílias. A classe Mammalia inclui a ordem Carnivora e diversas outras ordens, contendo todos os mamíferos. Essa classe está incluída no filo Chordata, que contém todos os animais cordados. O reino Animalia inclui todos os cordados e outros filos, contendo todos os animais. O reino Animalia pertence ao domínio Eukarya, que inclui todos os organismos eucariontes.

Taxonomia do ser humano

Todos os seres humanos viventes pertencem à mesma espécie Homo sapiens. O gênero Homo inclui outras espécies de humanos que viveram no planeta, mas que estão extintas. São exemplos o Homo habilis (viveu de 2 milhões a 800 mil de anos atrás) e o Homo erectus (viveu de 1 milhão a 200 mil anos atrás). Essas informações são obtidas por meio de investigação dos fósseis encontrados em escavações paleontológicas e arqueológicas.

A partir de investigações morfológicas e genéticas, o gênero Homo foi incluído na família Hominidae junto aos gêneros Pan (chimpanzés e bonobos), Gorilla (gorilas) e Pongo (orangotangos).

Taxonomia da família Hominidae, a qual pertence os gêneros Pongo, Gorilla, Homo e Pan.
Taxonomia da família Hominidae, a qual pertence os gêneros Pongo, Gorilla, Homo e Pan.

A família Hominidae é uma das que fazem parte da ordem Primata. Primata é uma das ordens da classe Mammalia, que pertence ao filo Chordata, do reino Animalia e do domínio Eukarya. Assim, os organismos de nossa espécie, Homo sapiens (seres humanos viventes), também são primatas, mamíferos, cordados, animais e eucariontes.

O que é a nomenclatura binomial?

A nomenclatura binomial foi inicialmente proposta por Carl Lineu, em 1735, com a publicação de sua obra Systema Naturae. Lineu propôs um sistema de classificação para os seres vivos e uma de suas proposições incluía uma regra para a nomenclatura de espécies. Essa regra permanece em uso até os dias de hoje, embora a classificação proposta por Lineu não seja completamente aceita e novas classificações tenham sido propostas desde então.

A nomenclatura binomial para as espécies determina que essa classificação deve sempre conter o nome composto por dois termos, sendo o primeiro deles referente ao gênero ao qual a espécie pertence e o segundo chamada de epíteto específico. Além disso, os nomes de espécies e de gênero devem aparecer de forma destacada do restante do texto. Normalmente, utiliza-se o destaque em itálico, mas pode ser utilizado o sublinhado. Em um texto completamente em itálico, o nome de uma espécie pode aparecer no estilo padrão para se destacar.

Os nomes científicos, ainda segundo as propostas de Lineu, devem ser baseados no latim. A escolha desse idioma se dá pelo fato de o latim ser uma língua morta, sem falantes nativos, possibilitando a padronização e a clareza nas comunicações científicas que podem ocorrer em diversos idiomas.

A nomenclatura binomial facilita a elaboração de nomes para espécies ao utilizar em conjunto o gênero, sendo uma das principais razões para isso a quantidade imensa de espécies existentes. Dessa forma, o epíteto específico não é a nomenclatura da espécie, que só pode ser dada pelo conjunto de sua nomenclatura binomial.

História da taxonomia

Desde a Antiguidade existe o interesse em compreender os seres vivos e classificá-los. Na Grécia Antiga, Aristóteles classificou os seres vivos em dois grandes grupos — animais e plantas —, dividindo-os em subgrupos de acordo com os hábitos (terrestre, aéreo, aquático).

Durante a Idade Média, houve diversas alterações nos sistemas de classificação dos seres vivos e, nessa época, foram incluídas algumas criaturas míticas nos agrupamentos, como os anjos. As classificações propostas na Idade Média estão intimamente ligadas ao funcionamento da sociedade e das crenças da época, na qual o contexto religioso era extremamente importante para explicar a natureza.

No período do Renascimento, ocorreram modificações profundas nas classificações em razão de uma mudança no contexto social, que foi afastando os ideais religiosos dos estudos sobre a natureza. Passou-se a interpretar possíveis classificações para os seres vivos com base em suas funções e características.

Durante o século XVIII, Carl Lineu propôs a classificação do Systema Naturae, em que descreveu as regras para a nomenclatura binomial das espécies e propôs classificações baseadas em níveis hierárquicos. Lineu é considerado um dos principais pensadores na área da taxonomia e muitas de suas propostas permanecem nos estudos taxonômicos atuais, mesmo que alteradas.

A publicação da obra A Origem das Espécies, por Charles Darwin, em 1859, propôs a evolução por meio da seleção natural, apresentando a ancestralidade comum como uma explicação para características semelhantes em espécies distintas. A teoria da evolução como proposta por Darwin modificou as formas de investigação dos seres vivos, o que também afetou os estudos taxonômicos.

A sistemática filogenética (ou cladística) proposta pelo estudioso alemão Willi Hennig, em 1966, é o método para elaborar classificação utilizado atualmente. Ele tem como base a ancestralidade comum entre seres vivos, voltando as investigações sobre a morfologia, genética, comportamento e ecologia dos organismos para buscar evidências de parentesco.

Leia também: 4 evidências da evolução

Exercícios sobre taxonomia

1. (Enem 2017) A árvore filogenética representa uma hipótese evolutiva para a família Hominidae, na qual a sigla “m.a.” significa “milhões de anos atrás”. As ilustrações representam, da esquerda para a direita, o orangotango, o gorila, o ser humano, o chimpanzé e o bonobo.

Árvore filogenética com as espécies orangotango, gorila, ser humano, chimpanzé e bonobo.

Disponível em: www.nature.com. Acesso em: 6 dez. 2012 (adaptado).

Alt: Árvore filogenética com as espécies orangotango, gorila, ser humano, chimpanzé e bonobo.

Considerando a filogenia representada, a maior similaridade genética será encontrada entre os seres humanos e:

a) Gorila e bonobo

b) Gorila e chimpanzé.

c) Gorila e orangotango.

d) Chimpanzé e bonobo.

e) Bonobo e orangotango.

Resposta:

Letra D. A imagem apresenta uma filogenia, que representa a classificação de organismos em níveis hierárquicos. Cada um dos nós, que na ilustração estão indicados por setas, indica a existência de um ancestral comum entre os grupos representados acima dele. Assim, o grupo que inclui chimpanzés e bonobos (1 a 1,5 m.a.) indica que essas duas espécies têm maiores semelhanças genéticas entre si, pois compartilham um ancestral comum mais. Seguindo esse princípio, os seres humanos, os chimpanzés e os bonobos compartilham um ancestral comum (5,5 a 7 m.a.) e, portanto, têm maior similaridade genética entre si do que com as outras espécies representadas (gorilas e orangotangos). Assim, as espécies que compartilham a maior similaridade genética com o ser humano são chimpanzés e bonobos.

2. (Enem 2014) A classificação dos seres vivos permite a compreensão das relações evolutivas entre eles. O esquema representa a história evolutiva de um grupo.

Esquema representa a história evolutiva de um grupo de animais.

Disponível em: www.sobiologia.com.br. Acesso em: 22jan. 2012 (adaptado).

Alt: Esquema representa a história evolutiva de um grupo de animais.

Os animais representados nesse esquema pertencem ao filo dos cordados, porque

a) possuem ancestrais que já foram extintos.

b) surgiram há mais de 500 milhões de anos.

c) evoluíram a partir de um ancestral comum.

d) deram origem aos grupos de mamíferos atuais.

e) vivem no ambiente aquático em alguma fase da vida.

Resposta:

Letra C. A imagem apresenta a representação em forma de filogenia da classificação de alguns organismos. Os agrupamentos taxonômicos possuem hierarquia, de forma que grupos contidos em um grupo maior possuem as características singulares do grupo mais amplo, além de suas próprias características. Isso ocorre porque o método de classificação taxonômica utilizado atualmente tem como critério a ancestralidade comum entre os organismos. O grupo mais amplo representado na imagem está na porção inferior, nomeado “ancestral dos cordados”. Assim, de acordo com o método de classificação dos seres vivos, todos os outros grupos contidos nele (na imagem, representados acima de “ancestral dos cordados”) necessariamente também são cordados.

Fontes

AMORIM, DS. Fundamentos da sistemática filogenética. Ribeirão Preto: Holos, 2002.

RIDLEY, M. Evolução. 3ed. Porto Alegre: Artmed Editora, 2006.

Escritor do artigo
Escrito por: Marilia Lazarin Bióloga e educadora formada pela Universidade de São Paulo e pós-graduanda em Educação para a Ciência pela Universidade Estadual Paulista. Se dedica à produção de conteúdos educacionais didáticos e paradidáticos na área das ciências da natureza.

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