Conjunções adversativas

Conjunções adversativas são as conjunções que introduzem orações coordenadas sindéticas adversativas. Essas orações apresentam oposição ou contraste. A principal conjunção explicativa é “mas”: “Amo suas pinturas, mas prefiro as de Vincent van Gogh”. Outra conjunção muito usada é “porém”: “Não era nada, porém queria ser alguém”.

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Outras conjunções adversativas são “contudo”, “no entanto”, “entretanto” e “todavia”: “Vou embora, entretanto voltarei”, “Vou embora, contudo voltarei” etc. Também usamos “não obstante”: “Não gostava de arroz, não obstante comeu tudo”. Por fim, é adversativa a conjunção “senão”: “Não falo disso, senão dos casos de agressão verbal”.

Leia também: Conjunções explicativas — conjunções coordenativas que ligam duas orações e introduzem uma justificativa

Resumo sobre as conjunções adversativas

  • As conjunções adversativas são as conjunções que introduzem orações coordenadas sindéticas adversativas.
  • São usadas para expressar oposição, contraste ou ressalva.
  • As conjunções adversativas são as seguintes:
    • contudo: “Colocou os óculos, contudo os olhos ardiam”;
    • entretanto: “Não gosto dele, entretanto precisamos conviver em paz”;
    • mas: “Elvinho não concorda comigo, mas respeita minha opinião”;
    • não obstante: “Quero um sorvete, não obstante estou de regime”;
    • no entanto: “Li todo o livro, no entanto fiquei confuso”;
    • porém: “O filme é bom, porém a atuação de um dos atores deixa a desejar”;
    • senão: “Não fez isso por maldade, senão por ingenuidade”;
    • todavia: “Luís quer meu consentimento, todavia não o terá”.
Imagem explicando o que são conjunções adversativas, listando algumas e mostrando exemplos. [imagem_principal]
Conjunções adversativas são usadas em orações coordenadas. (Imagem feita por IA)

O que são conjunções adversativas?

As conjunções adversativas são as conjunções que iniciam uma oração coordenada sindética adversativa e, portanto, introduzem uma oposição. As orações coordenadas são independentes, já que uma não está subordinada à outra. Por exemplo, no enunciado “Fui à praia, mas estava frio”, temos duas orações independentes. “Fui à praia” e “estava frio” têm sentido completo, uma não depende da outra. Assim, a locução adversativa “mas” liga as duas orações, indicando uma oposição de ideias. A oração introduzida por “mas” (“mas estava frio”) é classificada, portanto, como uma oração coordenada sindética adversativa.

Por isso, “mas” é uma conjunção coordenativa adversativa. Afinal, quando se vai à praia, é esperado um dia quente. Porém, no enunciado, há uma quebra de expectativa, pois o oposto ocorre, isto é, “estava frio”. Note que “mas” não possui gênero (masculino ou feminino) nem número (singular ou plural), pois é um termo invariável.

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Quais são as conjunções adversativas?

  • Contudo.
  • Entretanto.
  • Mas.
  • Não obstante.
  • No entanto.
  • Porém.
  • Senão.
  • Todavia.

Frases com conjunções adversativas

Foi até sua casa, contudo não o encontrou.

Tinha tudo para dar certo, contudo o espetáculo foi um fracasso.

Tiveram seis filhos, entretanto um faleceu ainda bebê.

Lauro não planejou nada, entretanto as coisas saíram bem.

Mônica não cumpriu a promessa, mas todos lhe perdoamos.

A farmácia aumentou o preço do remédio, mas me deu um desconto.

Li um livro de terror, mas não gostei.

Ele disse que era fiel, mas era mentira.

Nádia estava com enxaqueca; não obstante, cuidou dos meus animais de estimação.

Sorria, gentil; não obstante, odiava a todos.

Reformou a casa; no entanto, ficou endividada.

Olinda tinha boas intenções; no entanto, causou muito mal a todos.

Há iogurte na geladeira; porém, não tome tudo.

Aqueles jovens eram felizes; porém, foram mandados para a guerra.

Rodrigo era uma pessoa antiquada; porém, respeitava as diferenças.

Havia um pássaro no jardim; porém, estava morto.

Não critico você, senão a ela.

A atitude não foi tomada pela diretora, senão pelas professoras.

Comprei o ingresso, todavia o espetáculo foi cancelado.

Sua opinião não me interessa, todavia sua postura deletéria me preocupa.

Acesse também: O que são as conjunções subordinativas?

Exercícios resolvidos sobre conjunções adversativas

Questão 1

(Unicamp)

O telejornalismo é um dos principais produtos televisivos. Sejam as notícias boas ou ruins, ele precisa garantir uma experiência esteticamente agradável para o espectador. Em suma, ser um “infotenimento”, para atrair prestígio, anunciante e rentabilidade. Porém, a atmosfera pesada do início do ano baixou nos telejornais: Brumadinho, jovens atletas mortos no incêndio do CT do Flamengo, notícias diárias de feminicídios, de valentões armados matando em brigas de trânsito e supermercados. Conjunções adversativas e adjuntos adverbiais já não dão mais conta de neutralizar o tsunami de tragédias e violência, e de amenizar as más notícias para garantir o “infotenimento”. No jornal, é apresentada matéria sobre uma mulher brutalmente espancada, internada com diversas fraturas no rosto. Em frente ao hospital, uma repórter fala: “mas a boa notícia é que ela saiu da UTI e não precisará mais de cirurgia reparadora na face...”. Agora, repórteres repetem a expressão “a boa notícia é que...”, buscando alguma brecha de esperança no “outro lado” das más notícias.

Adaptado de Wilson R. V. Ferreira, Globo adota “a boa notícia é que...” para tentar se salvar do baixo astral nacional. Disponível em: https://cinegnose.blogspot.com/2019/02/globo-adota-boa-noticia-e-que-para.html. Acessado em: 01/03 /2019.

Considerando a matéria apresentada no jornal, o uso da conjunção adversativa seguido da expressão “a boa notícia é que” permite ao jornalista

A) apontar a gravidade da notícia e compensá-la.

B) expor a neutralidade da notícia e reforçá-la.

C) minimizar a relevância da notícia e acentuá-la.

D) revelar a importância da notícia e enfatizá-la.

Resolução:

Alternativa A.

Utilizar a conjunção adversativa “mas”, em “mas a boa notícia é que”, é uma forma de trazer uma informação com sentido oposto, ou seja, uma boa notícia em oposição à má notícia. Assim, o jornalista aponta a gravidade da notícia, mas compensa isso trazendo uma boa notícia.

Questão 2

(Unimontes)

A flor no asfalto
(Otto Lara Resende)

Conheço essa estrada genocida, o começo da Rio-Petrópolis. Duvido que se encontre um trecho rodoviário ou urbano mais assassino do que esse. São tantos os acidentes que já nem se abre inquérito. Quem atravessa a avenida Brasil fora da passarela quer morrer. Se morre, ninguém liga. Aparece aquela velinha acesa, o corpo é coberto por uma folha de jornal e pronto. Não se fala mais nisso.

Teria sido o destino de d. Creusa, se não levasse nas entranhas a própria vida. Na pista que vem para o Rio, a vinte metros da passarela de pedestres, d. Creusa foi apanhada por uma Kombi. O motorista tentou parar e não conseguiu. Em seguida veio outro carro, um Apolo, e sobreveio o segundo atropelamento. A mesma vítima. Ferida, o ventre aberto pelas ferragens, deu-se aí o milagre.

D. Creusa estava grávida e morreu na hora. Mas no asfalto, expelida com a placenta, apareceu uma criança. Coberta a mãe com um plástico azul, um estudante pegou o bebê e o levou para o acostamento. Nunca tinha visto um parto na sua vida. Entre os curiosos, uma mulher amarrou o umbigo da recém-nascida. Uma menina. Por sorte, vinha vindo uma ambulância. Depois de chorar no asfalto, o bebê foi levado para o hospital de Xerém.

D. Creusa, aos quarenta e quatro anos, já era avó, mãe de vários filhos e viúva. Pobre, concentração humana de experiências e de dores, tinha pressa de viver. E era uma pilha carregada de vida. Quem devia estar ali era sua nora Marizete. Mas d. Creusa se ofereceu para ir no seu lugar porque, grávida, não pagava a passagem. Com o dinheiro do ônibus podia comprar sabão. Levava uma bolsa preta, com um coração de cartolina vermelha.

No cartão estava escrito: quinta-feira. Foi o dia do atropelamento. Apolo é o nome do segundo carro atropelador. Na mitologia, Apolo é o símbolo da vitória sobre a violência. Diz o poeta Píndaro que é o deus que põe no coração o amor da concórdia. No hospital, sete mães disputaram o privilégio de dar de mamar ao bebê. A vida é forte. E bela, apolínea, apesar de tudo. Por que não?

Do livro Bom dia para nascer, crônicas — Companhia das Letras, 1993.

Em qual das alternativas a conjunção coordenativa “e” tem valor adversativo?

A) “O motorista tentou parar e não conseguiu.”

B) “D. Creusa estava grávida e morreu na hora.”

C) “...um estudante pegou o bebê e o levou para o acostamento.”

D) “Em seguida veio outro carro, um Apolo, e sobreveio o segundo atropelamento.”

Resolução:

Alternativa A.

É possível substituir “e” por “mas” em: “O motorista tentou parar e não conseguiu”. Isto é: “O motorista tentou parar mas não conseguiu”.

Fontes

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

SACCONI, Luiz Antonio. Nossa gramática: teoria e prática. 26. ed. São Paulo: Atual Editora, 2001.

Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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