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Conjunção

As conjunções unem elementos ou orações em um mesmo enunciado. Elas podem ser coordenativas ou subordinativas, dependendo da relação de independência ou de dependência entre os elementos unidos por elas.

Leia também: Substantivo – classe de palavras responsável por nomear

O que é conjunção?

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Conjunção é a classe de palavras que une elementos ou orações em um mesmo enunciado, deixando o discurso mais fluido e estabelecendo relação de sentido entre esses elementos ou orações conectados. Observe:

(i) Ele iria à praia. Estava chovendo.

(ii) Ele iria à praia, mas estava chovendo.

No primeiro enunciado, há duas orações separadas, mas que estão relacionadas. As orações são compreensíveis isoladamente, são coordenadas.

No segundo enunciado, as orações coordenadas foram unidas pela conjunção “mas”. Tal conjunção nesse contexto estabelece relação de oposição.

(iii) Eu vou se você for.

Nesse terceiro enunciado, há duas orações: a oração principal “eu vou” seguida da oração subordinada “se você for”. Não é possível retirar a conjunção “se” e deixar a oração subordinada isolada, logo, esta é dependente da oração principal. Por isso, trata-se de uma conjunção subordinativa.

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Classificação das conjunções

As conjunções são classificadas com base na relação de dependência ou de independência estabelecida entre os elementos ou as orações unidos por elas.

Orações que são compreensíveis isoladamente são chamadas de coordenadas, e, portanto, as conjunções que as ligam são as conjunções coordenativas.

Algumas orações, no entanto, dependem da oração à qual estão ligadas, isto é, só têm sentido naquele contexto estando vinculadas a outra oração. Chamamos esta de oração principal e a dependente de oração subordinada. Assim, as conjunções que ligam essas orações são conjunções subordinativas.

Conjunção → relação entre elementos ligados

Coordenativa → independência entre as orações

Subordinativa → dependência entre as orações

  • Conjunções coordenativas

Classificação

Tipo de
relação

Exemplos

Aditivas

Adição, acréscimo

e [afirmação]
nem [negação]

Adversativas

Oposição

mas
porém
entretanto
todavia
contudo

e [oposição]

Alternativas

Alternância

ou (... ou)
ora ... ora
nem ... nem

Conclusivas

Conclusão

então
assim
portanto
logo

Explicativas

Causa

porque
pois


Nos exemplos, vemos como as conjunções são usadas com base no tipo de relação semântica estabelecido entre as orações coordenadas. É necessário que haja coerência entre as orações, e as conjunções são importantes nesse processo.

Veja também: Quais são os tipos de coerência?

Exemplos:

- Aditiva

Ela era muito inteligente e queria ser professora.

- Adversativa

Ela queria ser professora, mas não gostava de estudar.

- Alternativa

Ela pode dedicar-se aos estudos ou desistir do curso.

- Conclusiva

Ela queria ser professora, então se dedicava bastante aos estudos.

- Explicativa

Ela estudava demais porque queria ser professora.

  • Conjunções subordinativas

Classificação

Tipo de
relação

Exemplos

Causais

Causa, motivo

porque
como

Concessivas

Concessão, cessão

embora
ainda que
apesar de
por mais que

Comparativas

Comparação

como
mais/menos (do) que
tal qual
tanto quanto
assim como

Condicionais

Condição

se
caso
contanto que
salvo se
a não ser que

Conformativas

Conformidade

conforme
como
segundo

Consecutivas

Consequência

tanto ... que
de modo que

Finais

Finalidade

para (que)
a fim de (que)

Proporcionais

Proporção

quanto mais/menos ... mais/menos
à medida que
à proporção que

Temporais

Tempo

quando
assim que
até que
logo que
cada vez que
apenas [tempo]
mal [tempo]

Integrantes

Iniciam orações subordinadas que exercem função sintática em relação à principal.

que
se


Veja, nos exemplos, como as conjunções subordinativas conectam a oração principal e a oração subordinativa. Note que a conjunção subordinativa está no começo da oração subordinada, enquanto a oração principal pode aparecer antes ou depois desta.

Exemplos:

- Causal

Como neguei o convite, ele resolveu não ir.

- Concessiva

Está bebendo chimarrão apesar de estar na praia.

- Comparativa

Viajar pelo Norte é tão gostoso quanto viajar pelo Nordeste.

- Condicional

Caso ela ligue, pode chamar-me.

- Conformativa

Conforme as autoras afirmaram, a pesquisa ainda está em andamento.

- Consecutiva

Choveu bastante, de modo que a represa voltou a ficar cheia.

- Final

Pegou a mamadeira para o bebê parar de chorar.

- Proporcional

Quanto mais esperava, menos satisfeita ficava.

- Temporal

Mal cheguei, começou a chover.

- Integrante

Vimos o filme que tanto indicaram.

Leia também: Diferenças entre conjunção integrante e pronome relativo

 As conjunções formam uma classe gramatical responsável por trazer coerência e coesão ao discurso.
As conjunções formam uma classe gramatical responsável por trazer coerência e coesão ao discurso.

Exercícios resolvidos

Questão 1 – (UFMT)

Data show

Sempre que vou falar em algum lugar, o pessoal técnico me pergunta, com antecedência, se vou usar data show. Se você não sabe, data show é uma expressão americana. Falar inglês é mais adequado tecnologicamente. Show quer dizer mostrar. E data quer dizer dados. Trata-se de um artifício para mostrar dados, que são projetados em uma tela numa sala escura. Acho que o data show pode ser útil para mostrar dados. Mas o uso que dele se faz é horrível: os palestrantes o usam para projetar na tela o esboço da sua fala, eliminando dela qualquer surpresa, pois é claro que os ouvintes, de saída, leem o esboço até o fim. É como contar o fim da piada no início... Apagam-se as luzes, o palestrante e os ouvintes olham todos para a tela, e ele vai falando. Ninguém presta atenção. Mas todos acham que usar data show é prova de ser avançado, tecnologicamente. Quem não usa é atrasado. Quem leva suas notas num caderninho é como alguém que anda de carro de boi num mundo de Fórmula Um. Assim vão os palestrantes, todos com seus laptops, para a sessão de cineminha sem graça. Falando sobre isso, uma mulher que trabalha numa firma promotora de eventos contou-me qual a maior vantagem dos data show, uma coisa em que eu não havia pensado: com as luzes apagadas, longe do olhar do palestrante, os ouvintes podem dormir à vontade. Contou-me de uma ocasião em que um homem dormiu e roncou tão alto que chegou a perturbar palestrante e ouvintes. Todo mundo se pôs a rir. Barulho de ronco é muito divertido... Mas ela foi obrigada a tomar providências. E o que ela fez, sádica e humoristicamente, foi colocar um microfone perto da boca do roncador. Aí ele acordou-se a si mesmo.

(Ostra feliz não faz pérolas. São Paulo: Planeta, 2008.)

Sobre as ocorrências da conjunção mas no texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.

( ) Em Mas o uso que dele se faz é horrível, a conjunção inicia oração com sentido de oposição ao que foi dito anteriormente em que o autor fala de forma positiva do data show.

( ) Em Mas ela foi obrigada a tomar providências, a conjunção pode ser substituída pela conjunção “e”, pois apresenta sentido de adição.

( ) Em Mas todos acham que usar data show é prova de ser avançado, tecnologicamente, a conjunção pode ser substituída por “portanto”, sem alteração de sentido.

( ) Nas três ocorrências da conjunção “mas”, o sentido apresentado é o mesmo: oposição a alguma ideia já exposta no texto.

Assinale a sequência correta.

A) V, V, F, F

B) F, F, V, V

C) V, F, F, V

D) F, V, V, F

Resolução

Alternativa C. Nas três ocorrências indicadas, a conjunção “mas” inicia um período que se contrapõe ao período anterior, podendo ser substituída apenas por conjunções adversativas.

Questão 2 – (Fepese) Analise as frases abaixo quanto à coesão estabelecida pela conjunção.

I. Todo escritor é útil ou nocivo, um dos dois.

II. Visto que me peças não te perdoarei.

III. Vou-me embora posto que estou cansado.

IV. O livro que o professor recomendou já está esgotado, visto que foi publicado há menos de um mês.

V. Não nos entendíamos, embora falássemos línguas diferentes.

Julgue as afirmativas abaixo feitas sobre as frases.

1. Na frase I, a conjunção estabelece uma relação de alternância exclusiva.

2. Na frase II, há inadequação quanto ao sentido que busca estabelecer a conjunção. Para corrigir, a conjunção deve trazer ideia de concessão.

3. A frase III está correta e a conjunção estabelece uma relação de causa.

4. Em IV, temos uma correta coesão articulada com a conjunção “visto que”, que estabelece uma consequência do fato apresentado na oração principal.

5. A frase V poderia ser adequada quanto à coesão se a conjunção fosse outra e indicasse uma relação de casualidade; por outro lado, a simples troca da conjunção não corrige o desvio apresentado.

Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.

A) São corretas apenas as afirmativas 1 e 4.

B) São corretas apenas as afirmativas 1, 2 e 5.

C) São corretas apenas as afirmativas 1, 3 e 4.

D) São corretas apenas as afirmativas 2, 4 e 5.

E) São corretas apenas as afirmativas 3, 4 e 5.

Resolução

Alternativa B. O terceiro enunciado não está correto, pois “posto que” estabelece relação de concessão, não devendo ser usado em tal enunciado, que pede conjunção causal. No quarto enunciado, “visto que” estabelece relação de causa, e não de consequência.  

Publicado por Guilherme Viana
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