Invenções brasileiras

As invenções brasileiras são diversas. Alguns destaques são o avião, o chuveiro elétrico, o rádio, a máquina de escrever, o orelhão e o escorredor de arroz.

As invenções brasileiras são diversas. Do avião ao escorredor de arroz, o Brasil é repleto de invenções que impactam o dia a dia de grande parte da humanidade até os dias de hoje. Mesmo diante do desafio em conquistar o reconhecimento por suas invenções, brasileiros e brasileiras de diversas épocas contribuíram com utilidades tanto para a história da humanidade quanto para as tarefas domésticas.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Leia também: Qual é a história da televisão?

Resumo sobre invenções brasileiras

  • As invenções brasileiras são diversas.
  • O 14-Bis foi o primeiro avião do mundo, apesar de a autoria da invenção ser muitas vezes erroneamente atribuída aos irmãos Wright, dos EUA.
  • O chuveiro elétrico foi inventado com os fins de oferecer banho quente instantâneo ao pai de seu criador, que sofria de reumatismo.
  • O rádio foi uma invenção creditada ao italiano Marconi tempos após a primeira demonstração bem-sucedida pelo brasileiro Roberto Landell de Moura.
  • Tanto a máquina de escrever quanto o “walkman brasileiro” passaram por injustiças judiciais antes de serem devidamente reconhecidos.
  • O filtro de barro é um dos utensílios mais seguros de filtragem de água do mundo.
  • O primeiro aeróstato foi criado por um padre brasileiro que foi, devido às suas invenções, perseguido pela Inquisição por “bruxaria”.
  • Tanto o identificador de chamadas quanto a urna eletrônica são invenções brasileiras que mudaram o cotidiano de muitos brasileiros entre o final do século XX e o início do século XXI.
  • O soro antiofídico significou a identificação do máximo de espécies de serpentes existentes em toda a América do Sul.
  • O “orelhão” público, a solução isotrópica para estudos de neurônios, o escorredor de arroz e o “Musibraille” são apenas algumas das várias criações realizadas por mulheres brasileiras.

Quais são as principais invenções brasileiras?

As invenções brasileiras são diversas. Confira baixo as principais invenções de origens brasileiras e seus respectivos inventores.

→ Avião (1906) — Santos Dumont

Santos Dumont e o seu 14-Bis, uma das principais invenções brasileiras.
Santos Dumont e o seu 14-Bis. [2]

O primeiro avião do mundo foi inventado pelo mineiro Alberto Santos Dumont. Nascido na cidade de Palmira-MG (renomeada posteriormente para “Santos Dumont”) em 1873, Alberto tornou-se um reconhecido construtor de dirigíveis na Europa logo no início do século XX. Durante a construção de seu 14º projeto de veículo, realizou os primeiros testes com um protótipo do que viria a ser o primeiro avião, que era acoplado ao aeróstato. Como referência ao número do projeto e ao ato de repetir (bis, em francês) a função do projeto mais recente de dirigível, o primeiro avião já criado chamou-se 14-Bis. Apesar de formalmente ser nomeado Ave de Rapina, o nome técnico do avião foi o que mais se popularizou na época.

O 14-Bis possuía cerca de 160 kg de peso, 12 metros de envergadura (de uma extremidade a outra da asa) e 10 metros de comprimento. Em seu primeiro voo oficial, ocorrido em outubro de 1906 nos arredores da Paris, França, o 14-Bis havia recebido um motor Antoinette V8 de 50 cavalos de potência e uma hélice traseira de propulsão. Os principais materiais utilizados consistiam em bambu, em seda e em juntas de alumínio, o que auxiliou no longo voo de 60 metros, a cerca de 3 metros de altura.

A longa rota percorrida por Dumont em sua invenção angariou ao inventor brasileiro o reconhecimento da Federação Aeronáutica Internacional como primeiro voo de avião do mundo — uma conquista não adquirida pelos irmãos Wright, que, erroneamente, muitas vezes são referenciados como os pais da aviação nos Estados Unidos (por meio do modelo Flyer, que funcionava apenas por meio de catapultas e de auxílio do vento, mas que não era autopropulsionado).

No entanto, Dumont negou-se a patentear sua principal invenção, disseminando-a como uma contribuição à humanidade. Poucos anos mais tarde, porém — em 1914 — com o advento da Primeira Guerra Mundial, o avião passou a ser utilizado para fins bélicos, o que contribuiu com sua decisão em se suicidar no ano de 1932. Entre outras invenções, o brasileiro também foi responsável pela criação do avião ultraleve (o Demoiselle), os dirigíveis motorizados e a popularização do relógio de pulso masculino, que passou a ser essencial durante as pilotagens.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

→ Chuveiro elétrico (década de 1930) — Francisco Canhos

Chuveiro elétrico, uma das principais invenções brasileiras.
Chuveiro elétrico. [3]

Combinar eletricidade com correntes líquidas parecia uma prática perigosa, até que o engenheiro Francisco Canhos, de Jaú-SP, desenvolveu um mecanismo de funcionamento por meio de resistências elétricas que permitiam um aquecimento instantâneo de água em chuveiros. Diz-se que a invenção ocorreu por uma necessidade, já que o pai de Francisco necessitava constantemente de água quente para se banhar, em decorrência de um reumatismo. Na década de 1940, Canhos aperfeiçoou sua invenção para um modelo totalmente automático de aquecimento de água.

Apesar da aquisição de uma patente inicial para a invenção, sua expiração, ainda naquela década, permitiu que a italiana Lorenzetti adquirisse os direitos de fabricação. Além dos constantes aperfeiçoamentos, outros fatores auxiliaram na popularização da invenção no Brasil, como o fato de os brasileiros, culturalmente, tomarem banhos com grande frequência, e a fabricação dos aparelhos em plástico, durante a década de 1970 (por meio da empresa Corona), que barateou os custos de sua fabricação em massa.

→ Rádio (1893) — Roberto Landell de Moura

Rádio, uma das principais invenções brasileiras.
Um rádio Toshiba de 1955.

O padre gaúcho Roberto de Moura foi precursor nas transmissões de voz sem o uso de fios. Estudioso das ciências químicas e físicas na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, Roberto realizou os primeiros testes do aparelho por meio do envio e da captação de ondas eletromagnéticas nos primeiros anos da década de 1890. Em suas experiências, registrou o uso de ondas curtas, de alta frequência, como as mais suscetíveis a serem transmitidas por meio do rádio, assim, em 1893, criou o primeiro modelo de transmissor de ondas eletromagnéticas.

A demonstração de sua invenção foi divulgada ao público pela primeira vez em 1894, ao transmitir um áudio a cerca de mil metros de distância entre a emissão e a recepção. Apesar de a demonstração gerar repúdio entre as camadas mais conservadoras da Igreja Católica, que consideravam a invenção uma manifestação maligna, o padre continuou dedicando-se aos estudos. Por quase quatro anos, residiu no exterior, fixando-se principalmente nos Estados Unidos.

O descaso do governo brasileiro, na época, e a reputação disseminada pela instituição católica e a mídia levaram o padre a perder o registro de patente da sua maior invenção — o rádio, posteriormente atribuído ao italiano Guglielmo Marconi. Além desta criação, o brasileiro não conseguiu obter o registro oficial de seu transmissor por luz modulada (teleauxiofono) nem do sistema de comunicação por som modulado (caleofono).  Mesmo assim, conquistou outras três patentes no Brasil (aparelho de transmissão fonética a distância, transmissor de ondas e telégrafo sem fio) e uma nos EUA (transmissor de ondas eletromagnéticas para voz e sinais telegráficos).

→ Máquina de escrever (1861) — Francisco João de Azevedo

Máquina de escrever, uma das principais invenções brasileiras.
Uma máquina de escrever Olympia Simplex de 1935. [4]

Nascido no ano de 1814, em João Pessoa-PB, o padre Francisco de Azevedo expôs em 1861, na Exposição Nacional, sediada no Rio de Janeiro, a sua invenção: uma máquina capaz de imprimir sinais taquigráficos. Quando fez isso, não restou dúvidas de que aquele havia sido o maior projeto exposto entre mais de 1100 participantes. Com isso, o padre recebeu uma medalha de ouro (junto de outros oito), de forma que sua máquina permaneceu em exposição por 44 dias.

Apesar do reconhecimento imediato, a comissão responsável pelas exposições no exterior vetou o pedido de Francisco em demonstrar a invenção na Exposição de Londres de 1862. Anos depois, em 1872, um empresário estrangeiro procurou patentear a máquina para ser produzida em larga escala. Tratava-se de um roubo, porém, em 1873, o inventor estadunidense Christopher Latham Sholes lançou a máquina de escrever como autoria própria, por meio da empresa de armas Remington, adquirindo as fortunas da invenção por meio da fabricação em larga escala.

→ Aeróstato (início do século XVIII) — Bartolomeu Lourenço de Gusmão

Selo brasileiro em que Bartolomeu Gusmão mostra o aeróstato, uma das principais invenções brasileiras.
Selo brasileiro de 1944 figura Bartolomeu Gusmão e a demonstração do seu projeto à corte portuguesa.

Posteriormente reconhecido como “o padre voador”, Bartolomeu de Gusmão nasceu na cidade de Santos-SP em 1685. Sacerdote secular da Igreja Católica, estudou em instituições tanto no Brasil quanto em Portugal, mas dedicava-se especialmente aos estudos físicos e matemáticos.

Em 1709, pediu para o rei Dom João V de Portugal pela concessão de uma demonstração de seu protótipo, um “instrumento para se andar pelo ar” baseado no princípio de que o ar quente é menos denso do que o ar frio — ou seja, o primeiro aeróstato já criado, que consistia em um balão de ar quente com cesta acoplada para passageiros. Não se possuem registros da demonstração oficial da invenção, mas documentos registram que uma versão diminuta, em miniatura, tenha sido apresentada para o rei Dom João V e sua corte na Sala do Paço Real, em Lisboa. Meses mais tarde, também na capital portuguesa, um novo teste em maior escala havia sido demonstrado a público, mas o modelo não resistiu ao excesso de calor.

Apesar do interesse inicial do rei português com o projeto, o padre Bartolomeu passou a ser perseguido pela Santa Inquisição por estar praticando bruxaria. Ele fugiu para a Espanha em 1724, tendo falecido no mesmo ano sob circunstâncias nunca esclarecidas. O aeróstato só seria reconhecido mais de setenta anos mais tarde, quando os irmãos franceses Montgolfier apresentaram o então suposto primeiro balão funcional da história.

→ Urna eletrônica (1996) — Vários colaboradores

Urna eletrônica, uma das principais invenções brasileiras.
Uma urna eletrônica UE2020.

A urna eletrônica surgiu após décadas de pesquisas com máquinas capazes de contabilizar votos de maneira segura. Entretanto, a urna eletrônica como conhecemos só passou a ser utilizada em 1996, durante as eleições municipais. Neste ano, 57 cidades brasileiras receberam as urnas eletrônicas UE96, permitindo que mais de 32 milhões de cidadãos pudessem votar de maneira prática e sem correrem o risco de terem seus votos alterados ou extraviados. Entre os principais nomes por trás da invenção, encontram-se Carlos Prudêncio, Carlos Rocha e Sergio Freitas. 

Enquanto, no ano inicial, foi-se atendido 30% do eleitorado nacional, no ano de 1998, a porcentagem dobrou. As eleições de 2000 foram as primeiras a contar com 100% do eleitorado por meio das urnas eletrônicas.

Acesse também: Urna eletrônica — mais detalhes sobre essa importante invenção brasileira

→ Soro antiofídico específico (década de 1910) — Vital Brazil

Extração do veneno de uma cobra para produção de soro antiofídico, uma das principais invenções brasileiras.
A extração do veneno de cada espécie de serpente possibilita a ministração de seu respectivo soro. [5]

Vital Brazil iniciou suas pesquisas relacionadas ao soro antiofídico específico ainda no final do século XIX. Este tipo de soro era composto por anticorpos neutralizadores de toxinas causadas por espécies de distintos gêneros de serpentes da fauna sul-americana, entre as quais a cascavel e a coral venenosa. O método consiste na coleta do veneno da espécie em específico e sua centrifugação, que separa os componentes celulares dos demais elementos, seguida da secagem e da dissolução em soro, de modo que o líquido é aplicado em animais (como o cavalo), que produzem os anticorpos necessários. Por fim, extrai-se o sangue do animal imunizado e separa-se, do fluído, o soro necessário.

A patente da invenção foi registrada em 1917 e auxiliou na fundação do Instituto Oswaldo Cruz e do Instituto Butantan, este recebendo Vital Brazil como seu patrono.

→ Identificador de chamadas (1980) — Nélio José Nicolai

Telefone com identificador de chamadas, a bina, uma das principais invenções brasileiras.
Telefones com identificador de chamadas tornaram-se comuns no cotidiano de muitos brasileiros durante a década de 1990.

Patenteado como Bina em 1982, o identificador de chamadas foi inventado pelo técnico em eletrônica Nélio José Nicolai, oriundo de Belo Horizonte-MG. Sua invenção consistia em informar, por meio de um aparelho com visor, o número de telefone da pessoa que realizava a ligação — uma tecnologia atualmente essencial em qualquer aparelho celular.

A tecnologia só passou a ser vigorada em 1996 por meio da Agência Nacional de Telecomunicações  (Anatel), quando o identificador de chamadas estadunidense Called ID já era popularmente conhecido. Apesar da devida patente e do reconhecimento oficial no pioneirismo da identificação de chamadas, Nélio não recebeu o devido destaque, já que as empresas operadoras de telefones adquiriram o reconhecimento e os lucros que deveriam ser destinados ao inventor.

→ Reprodutor de áudio portátil (1972) — Andreas Pavel

Walkman, uma das principais invenções brasileiras.
Após rejeitar o projeto de Andreas Pavel de reprodutor de áudio portátil, a Sony lançou o Walkman dois anos mais tarde. [6]

Popularmente conhecido sob a marca Walkman (1979), da Sony, o reprodutor de áudio portátil é, na verdade, originário do Brasil. O Stereobelt foi inventado em 1972 por Andreas Pavel — um imigrante alemão naturalizado brasileiro ainda na infância. O protótipo de seu projeto consistia em um aparelho de áudio de pequenas dimensões capaz de reproduzir fitas cassetes de áudio mesmo durante caminhadas, algo que Pavel julgava essencial para tornar passeios mais prazerosos.

Durante toda a década de 1970, procurou, sem sucesso, por fabricantes que pudessem produzir o aparelho em grande escala, apesar de registrar a patente do Stereobelt em diversos países, como Itália, Alemanha, Inglaterra e EUA.

Curiosamente, dois anos após Sony se recusar a fabricar o seu modelo, em 1977, a empresa lançou um modelo de aparelho portátil semelhante ao apresentado (o Walkman), o que levou Pavel a entrar com casos judiciais para reivindicar os seus direitos sobre o uso indevido da patente. Após décadas de lutas judiciais malsucedidas, Pavel entrou em um acordo secreto com a Sony fora dos tribunais apenas em 2003, do qual adquiriu uma compensação milionária (supõe-se que entre 10 a 50 milhões de dólares) e até mesmo o ganho de royalties pelo uso de sua criação.

→ Filtro de barro (segunda metade do século XIX) — Autoria desconhecida

Filtro de barro, uma das principais invenções brasileiras.
Um filtro de barro.

O filtro de barro não possui o nome dos inventores nem a data certa de sua criação, mas os modelos mais antigos datam da década de 1890. Criados artesanalmente por oleiros, os primeiros filtros de barro possuíam dois compartimentos: um para o armazenamento da água, e outro para a filtragem. Estes modelos geralmente purificavam a água por meio de camadas de diversos filtros naturais, como areia, carvão, fibras vegetais e outros.

O filtro de barro passou a ser fabricado em escala industrial durante a década de 1910, por meio de empresas como a Mave. Em pouco tempo, passaram-se a utilizar velas de filtragem (que também já existiam no século anterior), cujos microporos retêm as impurezas e até mesmo bactérias nocivas.

É provável que o filtro de barro tenha sido resultado de uma hibridização cultural, por conter aspectos de conhecimentos indígenas, africanos e europeus. Muitos povos nativos do Brasil já utilizavam recipientes de argila para manter a água fresca e longe da proliferação de bactérias, já a tecnologia de velas provém do uso de quilombolas para a purificação de água, e, finalmente, as olarias portuguesas deram à invenção o seu formato.

Acesse também: Qual é a história do telefone?

Invenções de mulheres brasileiras

Muitos desafios no reconhecimento das mulheres brasileiras, como a herança cultural do patriarcado, impediram a visibilidade das inventoras brasileiras e de suas criações. Assim, suas contribuições muitas vezes perderam-se devido a extravios de patentes e até mesmo ao anonimato. Confira a seguir algumas das criações que se mantiveram nos registros históricos do país — muitas delas, no âmbito científico.

→ Orelhão (1971) — Chu Ming Silveira

Pessoas usando orelhões, uma das invenções brasileiras, em algum lugar de São Paulo, em 1972.
"Orelhões" em algum lugar de São Paulo, em 1972. [7]

O “orelhão”, modelo de telefone público que marcou as gerações vividas entre as décadas de 1970 e de 1990, foi criado por uma arquiteta sino-brasileira: Chu Ming, nascida em Xangai em 1941, que chegou ao Brasil com nove anos de idade. Inicialmente residente de Pinheiros-SP, migrou para os EUA, onde se formou em Artes e se casou, retornando ao Brasil logo em seguida, graduando-se em Arquitetura pela Universidade Mackenzie de São Paulo.

Após um curto período de experiência em um escritório particular, no ano de 1966, passou a ocupar o cargo de arquiteta da Companhia Telefônica Brasileira, da qual se tornou chefe do Departamento de Projetos da empresa no ano de 1968. No início da década seguinte, Ming recebeu a proposta de criar um modelo de telefone público moderno. Até então, o veículo de comunicação era distribuído apenas em estabelecimentos, de forma concentrada, e desprotegidos (além de caros).

Os projetos de Ming ofereciam duas alternativas: as “orelhinhas” (Chu I) e os “orelhões” (Chu II). A princípio, os “orelhões” foram os mais aprovados naquele momento: com mais de 1,80 metros, cúpula fechada de fibra de vidro (e depois, metal), funcionamento por fichas (e, a partir da década de 1990, também por cartões) e distribuídos nos centros urbanos, mais de 1,3 milhões de unidades foram instaladas por todo o Brasil. As “orelhinhas”, versões portáteis do Chu II, passaram a ser instaladas nos anos 1990 devido ao seu menor custo e à melhor adaptabilidade em ambientes internos, áreas rurais, subúrbios e afins.

Com a popularização dos aparelhos celulares pré-pagos no início da década de 2000, os “orelhões” e as “orelhinhas” caíram em desuso. Apenas algumas poucas unidades resistem em áreas mais afastadas das cidades brasileiras, entre 5 e 8 mil aparelhos.

→ Escorredor de arroz (1959) — Therezinha Beatriz Zorowich

Escorredor de arroz, uma das invenções brasileiras.
Um escorredor de arroz. [8]

O escorredor de arroz surgiu como uma necessidade doméstica e, mais especificamente, na qualidade de utensílio para as cozinhas brasileiras. Inventado pela cirurgiã-dentista Therezinha Zorowich, natural de Batatais-SP, a invenção surgiu a fim de se evitar entupimentos de ralo e garantir uma escoação prática no processo de lavagem de grãos de arroz.

Ela também foi responsável pela invenção da escova de dentes com cerdas curvadas, mas perdeu uma disputa judicial contra a Kolynos no registro de sua patente. Mesmo assim, o escorredor de arroz transformou-se em um sucesso comercial, garantindo a Therezinha até 10% dos royalties de vendas pela Trol/S.A a partir de 1962.

→ Musibraille (2009) — Dolores Tomé

Notas musicais em Braille, uma das partes do Musibraille, uma das invenções brasileiras.
O software desenvolvido por Dolores Tomé garantiu maior inclusão de deficientes visuais à música. [9]

A musicista e gestora cultural de Uberaba-MG Dolores Tomé desenvolveu, em 2005, o software “Musibraille” para incluir portadores de deficiência visual no acesso, na edição e na criação de músicas. Totalmente gratuito, o “Musibraille” permite a digitação da linguagem musical para que possa ser impressa em braile, diminuindo os desafios da comunidade de músicos com a referente deficiência.

A criação, 100% brasileira, foi desenvolvida sob parceria do Instituto Benjamin Constant (IBC) e apoio do Ministério da Educação (MEC), sendo adotada em diversas instituições e projetos sociais, inclusive por meio do Conservatório Brasileiro de Música (CBM).

Confira também: Afinal, o que é Braille?

→ Fracionador isotrópico para contagem de neurônios (década de 2000) — Suzana Herculano-Houzel

Suzana Herculano-Houzel, criadora do fracionador isotrópico para contagem de neurônios, uma das invenções brasileiras.
Suzana Herculano-Houzel é uma das mais notáveis neurocientistas do Brasil. [10]

Suzana Herculano-Houzel, nascida em 1972, no Rio de Janeiro, é uma das neurocientistas mais renomadas do Brasil. Até o início do milênio, por convenção, acreditava-se que o ser humano possuía cerca de 100 bilhões de neurônios, até que a solução isotrópica criada por Suzana permitiu uma contagem mais precisa: são mais ou menos 86 bilhões deles, dos quais “apenas” 16 bilhões distribuem-se no córtex cerebral, e quase todos os demais neurônios concentram-se no cerebelo.

O método consiste em dissolver o cérebro humano — ou de outras espécies — em uma solução que permite uma análise mais clara dos neurônios por meio de um microscópio. Esta descoberta não apenas serviu para contar a distribuição neural dos humanos com maior exatidão, mas também para compreender de que forma a composição cerebral de outras espécies reflete em seus comportamentos — como os pássaros, por exemplo, que possuem cérebros pequenos, mas cujos neurônios são muito mais densos, o que explica a avançada inteligência desses animais.

Curiosidade sobre invenções brasileiras

  • A Bina, criação de Nélio Nicolai, é uma sigla para “B identifica número A”.
  • O padre Bartolomeu Gusmão foi autor do projeto da Passarola, uma espécie de barco voador com características de pássaro, embora não haja documentos comprovando a sua construção.
  • Santos Dumont inventou o avião sem patenteá-lo, considerando-o um presente à humanidade. No entanto, o uso da invenção foi explorado para fins bélicos, o que contribuiu para a decisão de Dumont de cometer suicídio posteriormente.
  • A popularização do chuveiro elétrico no Brasil, inventado por Francisco Canhos, ocorreu por questões culturais (hábitos de banho frequentes), sociais (estratificação social e relativo acesso ao saneamento básico) e até mesmo geográficos (devido aos climas quentes e úmidos).
  • O rádio, inventado pelo padre Roberto Landell de Moura, foi condenado pela Igreja Católica por ser considerado “bruxaria” ou “invenção do diabo”, na época.
  • Francisco João de Azevedo ficou entre os mais renomados inventores brasileiros ao apresentar sua máquina de escrever, mas teve o projeto roubado por um estrangeiro, que recebeu o renome pela criação.
  • No ano de 2000, todo o território brasileiro já utilizava a urna eletrônica, inventada no país.
  • O Instituto Butantan e o Instituto Oswaldo Cruz surgiram por incentivo do inventor brasileiro do soro antiofídico, Vital Brazil.
  • Não se sabe qual foi o valor exato da indenização recebida por Andreas Pavel pela Sony em relação ao Walkman, mas estima-se algo entre 10 e 50 milhões de dólares.
  • O filtro de barro é uma invenção genuinamente brasileira e representa técnicas mistas das culturas indígena, africana e europeia.
  • A invenção da sino-brasileira Chu Ming Silveira, chamada “orelhão”, recebeu cerca de 1,3 milhões de instalações em todo o Brasil.
  • Um software 100% brasileiro chamado “Musibraille” possibilitou a conversão de notas musicais em Braille para músicos e estudantes com deficiência visual.
  • A inventora Therezinha Zorowich, além do escorredor de arroz, também inventou a escova de dentes com cerdas curvadas, mas perdeu a patente para a Kolynos.
  • A neurocientista Suzana Herculano-Houzel descobriu que o cérebro humano possui 86 bilhões de neurônios.

Créditos de imagem

[1] Julian Herzog / Wikimedia Commons (reprodução)

[2] Arquivo Nacional / Wikimedia Commons (reprodução)

[3] Chixoy / Wikimedia Commons (reprodução)

[4] Sammlung der Medien und Wissenschaft / Wikimedia Commons (reprodução)

[5] Snake Milking / Barry Rogge / Wikimedia Commons (reprodução)

[6] Sailko / Wikimedia Commons (reprodução)

[7] Clovis Silveira / Wikimedia Commons (reprodução)

[8] Josenildo do Nascimento Araujo / Wikimedia Commons (reprodução)

[9] Cristinacubellsperez / Wikimedia Commons (reprodução)

[10] Paulo Freitas / CPFL Cultura / Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

ACERVO DE CHU MING SILVEIRA. Disponível em: orelhão.arq.br.

ARQUIDIOCESE DE PORTO ALEGRE. Há 125 anos, padre Roberto Landell de Moura realizava a primeira transmissão de voz por ondas de rádio, 2024. Disponível em: https://www.arquipoa.com/noticias/ha-125-anos-padre-roberto-landell-de-moura-realizava-a-primeira-transmissao-da-voz-por-ondas-de-radio.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DO INVENTORES. Escorredor de arroz, 2012. Disponível em: https://inventores.com.br/escorredor-de-arroz.

ASSOCIAÇÃO NACIONAL DO INVENTORES. O brasileiro por trás do Walkman: a história esquecida de Andreas Pavel, 2025. Disponível em: https://inventores.com.br/o-brasileiro-por-tras-do-walkman-a-historia-esquecida-de-andreas-pavel.

CIÊNCIA E CULTURA. A máquina de escrever e o padre brasileiro que a inventou, s.d. Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Disponível em: https://revistacienciaecultura.org.br/?p=5476.

DALFITO, Daiana. Queridinho do design: filtro de barro é invenção brasileira que conecta o funcional ao afetivo. DW! Disponível em: https://dwsemanadedesign.com.br/blog/queridinho-da-cozinha-filtro-de-barro-e-invencao-brasileira-que-oferece-agua-boa-e-fresca.

FERRARI, Wallacy. O brasileiro por trás da invenção do Bina, o famoso identificador de chamadas, 2023. Aventuras na História. Disponível em: https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/o-brasileiro-por-tras-da-invencao-do-bina-o-famoso-identificador-de-chamadas.phtml.

HERCULANO-HOUZEL, Suzana. The remarkable, yet not extraordinary, human brain as a scaled-up primate brain and its associated cost. In the light of evolution. National Academies Press: Washington-DC, v.6, 2013. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK207181.

HOFFMAN, Paul. Asas da loucura: A extraordinária vida de Santos-Dumont. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010.

MUSEU AEROESPACIAL. Testes de ascensão do dirigível “Bartholomeu de Gusmão”, s.d. Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica. Disponível em: https://www2.fab.mil.br/musal/index.php/curiosidades-historicas-item-de-menu/893-testes-de-ascensao-do-dirigivel-bartholomeu-de-gusmao?highlight=WyJndXNtXHUwMGUzbyJd.

MUSICOGRAFIA BRAILLE. Disponível em: https://intervox.nce.ufrj.br/musibraille.

PIASSI, Paulo. Chuveiro elétrico foi inventado por brasileiro nos anos 1930 para cuidar de pai doente, saiba como o aparelho funciona, 2025. G1 Bauru e Marília. Disponível em: https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2025/07/01/chuveiro-eletrico-foi-inventado-por-brasileiro-nos-anos-1930-para-cuidar-de-pai-doente-saiba-como-o-aparelho-funciona.ghtml.

PINELLI, Natasha. Criador do soro antiofídico específico, Vital Brazil é considerado hoje um dos inventores mais notáveis do país, 2024. Instituto Butantan. Disponível em: https://butantan.gov.br/noticias/criador-do-soro-antiofidico-especifico-vital-brazil-e-considerado-ate-hoje-um-dos-inventores-mais-notaveis-do-pais.

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. Criação da urna eletrônica é um marco na história da Democracia e do Brasil, 2023. Disponível em: https://www.tse.jus.br/comunicacao/noticias/2023/Janeiro/criacao-da-urna-eletronica-e-um-marco-na-historia-da-democracia-e-do-brasil.

Avião, uma das principais invenções brasileiras.
Uma das maiores invenções da humanidade é o avião, criado pelo brasileiro Santos Dumont. [1]
Escritor do artigo
Escrito por: Cassio Remus de Paula Cássio é doutor em História pela UFPR, mestre e bacharel em História pela UEPG. Atua como professor de História, Filosofia e Sociologia.

Videoaulas

Artigos Relacionados

Alberto Santos Dumont
Acesse e conheça detalhes da vida de Alberto Santos Dumont. Saiba como foi o início da sua vida, sua estadia na Europa e seus feitos na aviação!
Balonismo
O balonismo é um esporte aéreo praticado com um balão de ar quente. O esporte que proporciona ao praticante a sensação de ficar mais próximo do céu possui adeptos em todo o mundo, no Brasil tem ganhado popularidade.
Braille
Clique no link e acesse o texto para conhecer a história do Braille. Entenda quando esse sistema de escrita para cegos surgiu e saiba quando chegou ao Brasil.
Cinco coisas que você precisa saber sobre eletricidade
Clique para saber quais são as cinco coisas que você precisa saber sobre eletricidade, um dos assuntos mais recorrentes em provas de vestibular.
História do telefone
Clique aqui e conheça a história do telefone. Descubra quem inventou o telefone e como foi sua evolução ao longo dos anos. Saiba quando o celular foi criado.
Neurônio
Amplie seus conhecimentos a respeito dos neurônios, as unidades básicas do sistema nervoso. Confira as principais partes dessa célula, sua função e seus tipos.
Ondas de rádio
Descubra o que são ondas de rádio e quais são suas características. Confira alguns exemplos de dispositivos que fazem uso dessa radiação.
Principais descobertas científicas do século XVIII
Clique para descobrir quais foram as principais descobertas do século XVIII!
Soro antipeçonhento
Saiba como ocorre a produção de soro antipeçonhento, tratamento utilizado em vítimas de acidentes com animais peçonhentos.
Urna eletrônica
Clique aqui e saiba sobre a urna eletrônica, usada nas eleições brasileiras. Entenda como funciona e o sistema de segurança que possui.