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Tiradentes

Tiradentes era um militar e dentista amador que atuou na Inconfidência Mineira. Foi preso pelas autoridades coloniais, morto por enforcamento e teve seu corpo esquartejado.
Pintura de Tiradentes e outros homens em um plano iluminado, com a mão estendida; na parte escura da tela, seus acusadores.
Tiradentes foi condenado à morte por enforcamento por sua participação na Inconfidência Mineira.[1]

Tiradentes foi um militar e dentista amador que nasceu na Capitania de Minas Gerais. Insatisfeito com as autoridades coloniais, Tiradentes participou da conspiração que procurava conquistar a independência de Minas Gerais, transformando-a em uma república constitucional. Esse evento ficou conhecido como Inconfidência Mineira.

Principal propagandista da conspiração, Tiradentes foi preso em maio de 1789 por causa de uma denúncia de Joaquim Silvério dos Reis. Ficou preso por três anos, sendo condenado à morte por enforcamento em 1792. Foi executado em 21 de abril de 1792, e seu corpo foi esquartejado pelas autoridades portuguesas.

Leia também: Maria Leopoldina — a vida da primeira imperatriz do Brasil e seu papel na história da nossa independência

Resumo sobre Tiradentes

  • Tiradentes foi um militar e dentista amador que participou da Inconfidência Mineira.

  • Enquanto militar, chegou à posição de alferes e comandou a tropa que monitorava o Caminho Novo.

  • Participou da Inconfidência Mineira, sendo o principal propagandista da conspiração.

  • Foi preso no Rio de Janeiro, em maio de 1789, após denúncia.

  • Foi morto por enforcamento, e seu corpo foi esquartejado. A cabeça de Tiradentes foi exposta publicamente em Vila Rica.

Origens de Tiradentes

Joaquim José da Silva Xavier, conhecido na história brasileira pelo apelido de Tiradentes, nasceu na Capitania de Minas Gerais, em 12 de novembro de 1746. Tiradentes era filho de um português chamado Domingos da Silva Santos e de Antônia da Encarnação Xavier. Ele nasceu em uma fazenda que ficava entre as cidades mineiras de São João del-Rei e Tiradentes.

A condição financeira da família de Tiradentes era considerável, sendo eles possuidores de propriedades rurais e de dezenas de escravos. A vida de Tiradentes passou por grandes reviravoltas já na sua infância, pois com 11 anos de idade ele já havia perdido a sua mãe e o seu pai. Antes da morte de Domingos, a família já havia perdido todos os bens que possuía em dívidas.

Com a morte dos seus pais, Tiradentes passou a ser criado pelo seu tio chamado Sebastião Ferreira Leitão, um homem que trabalhava como cirurgião dentista. Foi por influência de seu tio que ele começou a atuar como dentista amador, recebendo o apelido de Tiradentes por conta do trabalho que realizava. Além disso, ele trabalhou como mascate e minerador.

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Carreira militar de Tiradentes

Em 1780, Tiradentes ingressou na carreira militar ao se alistar na tropa responsável pela segurança da Capitania de Minas Gerais. Com o tempo, Tiradentes conseguiu ser promovido à posição de alferes e passou a ser o comandante da tropa responsável por garantir a segurança do Caminho Novo, a estrada que ligava a cidade de Vila Rica ao Rio de Janeiro.

A posição exercida por Tiradentes fez com que ele conhecesse muitas pessoas e desenvolvesse contatos por onde passava. Foi nesse período que ele teve acesso a muitos indivíduos que cultivavam uma grande insatisfação com a exploração exercida pelas autoridades no período colonial. O próprio Tiradentes possuía insatisfações porque desejava ser promovido, mas não conseguia. Além disso, ele havia sido retirado do comando da tropa que cuidava do Caminho Novo.

Veja também: Conjuração Baiana — outra conspiração que também resultou em prisão e morte de seus organizadores

Participação de Tiradentes na Inconfidência Mineira

A insatisfação de Tiradentes coincidia com a insatisfação que existia nos círculos elitizados de Minas Gerais. A capitania era a mais rica do Brasil, e essa riqueza era oriunda da mineração que havia prosperado ali ao longo do século XVIII. A insatisfação da elite mineira tinha relação com a rígida política de impostos cobrados por Portugal sobre o ouro extraído da capitania.

A insatisfação das elites mineiras aumentou com a divulgação de duas notícias. A primeira era de que Luís Antônio Furtado de Castro do Rio de Mendonça e Faro, conhecido como Visconde de Barbacena, seria nomeado governador da capitania. A segunda notícia era de que ele havia sido nomeado com o intuito de realizar uma derrama, uma cobrança compulsória de impostos.

A Capitania de Minas Gerais tinha uma meta de ouro a ser entregue a Portugal como imposto todos os anos, mas em 1789, a capitania devia mais de oito mil quilos de ouro para Portugal. Para reaver esses impostos não pagos, Portugal acionaria uma derrama, que faria com que toda a população de Minas Gerais pagasse para zerar essa dívida.

Essas duas notícias alarmaram as elites mineias, que passaram a conspirar contra Portugal. Essa conspiração ficou conhecida como Inconfidência Mineira (também chamada de Conjuração Mineira). Acredita-se que essa conspiração foi iniciada em meados de 1788, ano da nomeação do Visconde de Barbacena à posição de governador da capitania.

Essa conspiração, que contou com a participação de Tiradentes, objetivava a separação de Minas Gerais de Portugal. Ao garantir a independência de Minas Gerais, desejava-se transformá-la em uma república constitucional. A inspiração desse movimento foram os ideais iluministas, que circulavam entre a elite mineira, e a Revolução Americana.

A participação de Tiradentes na conspiração se dava como propagandista. Ele era o responsável por convencer pessoas a participarem da conspiração e a apoiar o movimento quando ele se iniciasse. Os relatos dos historiadores contam que ele era uma pessoa com boa capacidade de comunicação, o que o tornava eficaz nessa função.

Prisão de Tiradentes

A conspiração estava marcada para acontecer em fevereiro de 1789, mês em que a derrama seria iniciada. No entanto, o movimento foi debelado, pois um traidor contou às autoridades portuguesas tudo o que sabia. Esse traidor foi Joaquim Silvério dos Reis, um fazendeiro e dono de minas que devia altas somas à Coroa portuguesa.

Joaquim Silvério dos Reis era parte da conspiração e deu todas as informações de que as autoridades portuguesas precisavam: citou nomes e os planos dos inconfidentes. Joaquim Silvério delatou os inconfidentes porque desejava que suas dívidas com Portugal fossem perdoadas. Ao ficar sabendo de tudo, as autoridades portuguesas suspenderam a derrama e deram início à perseguição aos conspiradores.

Tiradentes foi preso quando estava no Rio de Janeiro, em maio de 1789, e sua prisão também foi resultado de uma delação de Joaquim Silvério dos Reis. Com as prisões realizadas, as autoridades portuguesas deram início à devassa (investigação). Tiradentes permaneceu preso no Rio de Janeiro e passou por inúmeros inquéritos, nos quais demonstrou convicção à causa dos inconfidentes.

Condenação e morte de Tiradentes

Após três anos de devassa, as autoridades portuguesas determinaram as sentenças dos acusados, anunciando-as em 18 de abril de 1792. As autoridades portuguesas transformaram a acusação dos inconfidentes em um grande espetáculo. Somente a leitura da sentença dos inconfidentes durou um total de 18 horas.

Tiradentes foi condenado à morte por lesa-majestade, isto é, traição ao rei, junto de outros inconfidentes, mas, no dia seguinte, todas as sentenças foram abrandadas para degredo. Apenas uma pena de morte foi mantida, a de Tiradentes. A execução de Tiradentes foi realizada em 21 de abril de 1792, na cidade do Rio de Janeiro. Tiradentes foi enforcado, e seu corpo foi esquartejado.

A cabeça de Tiradentes foi colocada em um poste e deixada exposta na cidade de Vila Rica. O restante do corpo do alferes foi espalhado por trechos do Caminho Novo. Em pouco tempo, a cabeça de Tiradentes desapareceu e nunca mais foi encontrada.

Saiba mais: Dia da Proclamação da República — por que comemoramos essa data?

Por que Tiradentes se tornou um mártir?

Atualmente, Tiradentes é considerado patrono cívico do Brasil, e muitos passaram a enxergá-lo como herói. A imagem de Tiradentes como herói, no entanto, foi construída. Durante o período monárquico, a imagem de Tiradentes havia sido estrategicamente mantida no esquecimento. Isso aconteceu porque a mandante da execução foi D. Maria, avó de D. Pedro I e bisavó de D. Pedro II, os dois imperadores do Brasil durante o período monárquico.

Na segunda metade do século XIX, à medida que a insatisfação com a monarquia aumentava e o republicanismo ganhava força, a figura de Tiradentes passou a se fazer mais presente e foi resgatada como um símbolo da luta republicana no Brasil contra a monarquia.

O resgate da figura de Tiradentes foi definitivo a partir da Proclamação da República, evento que transformou o Brasil em uma nação republicana e que se passou em 1889. Esse resgate foi uma maneira de dar legitimidade ao movimento, heroificando esse personagem como meio de dar validade histórica à luta pela república no Brasil.

Essa estratégia fez com que Tiradentes passasse a ser explorado nas artes brasileiras, e a visão romântica dele como mártir fez com que essas obras o associassem com a figura de Jesus Cristo. Assim, ele passou a ser retratado de maneira semelhante ao estereótipo de Jesus. Por fim, um feriado para homenagear Tiradentes foi criado em 1890. O feriado é celebrado no dia 21 de abril, dia da morte de Tiradentes. Para saber mais sobre esse tópico, clique aqui.

Créditos da imagem

[1] Leopoldino Faria / Wikimedia Commons

Publicado por Daniel Neves Silva

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