Perspectivas para o Mercosul no século XXI

O Mercosul precisa ultrapassar alguns de seus principais desafios e perspectivas para elevar a sua importância econômica e política no globo terrestre.

O Mercosul (Mercado Comum do Sul) passou, em 2012, por algumas transformações. A principal delas, sem dúvidas, foi a inclusão da Venezuela* como membro permanente do bloco, a contragosto do governo paraguaio, que estava afastado temporariamente em função da deposição do presidente Fernando Lugo.

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Esse evento, além da própria dinâmica atual do grupo dos países do Cone Sul, abre novas perspectivas econômicas, comerciais e políticas para o mercado regional em questão, que são: ampliar a dinâmica econômica, estabelecer a liberalização de serviços, consolidar a formação de um mercado comum, equilibrar as diferenças econômicas, estabelecer legislações comuns e, eventualmente, implantar uma moeda única.

Ampliação das relações comerciais

O Mercosul, sem dúvidas, proporcionou uma rápida expansão na integração econômica entre os seus países-membros. Para se ter uma noção, antes da formação desse bloco (que ocorreu em 1991), o principal exportador de produtos para a Argentina eram os Estados Unidos, posto hoje ocupado pelo Brasil. Aliás, a integração entre argentinos e brasileiros vem se intensificando cada vez mais, apesar de eventuais divergências.

Além disso, com a entrada da Venezuela no bloco, abrem-se algumas oportunidades estratégicas para o campo energético, haja vista que esse país é o quinto maior exportador de petróleo do mundo e possui, atualmente, a maior reserva disponível em seu território.

Liberalização de serviços

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Uma entre as mais importantes expectativas existentes para o Mercosul nos próximos anos é o estabelecimento da liberalização de serviços entre os membros permanentes do bloco, algo já existente na Europa há mais de 30 anos.

Basicamente, essa premissa significa a liberação para que profissionais liberais de qualquer um dos países-membros possam trabalhar em qualquer um dos demais países-membros, ou seja, os diplomas universitários de um país do Mercosul poderão ser reconhecidos em qualquer outro país permanente do bloco.

Formação de um Mercado Comum

Apesar de ter a expressão “mercado comum” em sua denominação, o Mercosul é, na verdade, uma União Aduaneira, que é uma área de livre comércio com uma TEC (tarifa externa comum) e que apresenta uma maior redução nos tributos alfandegários. Assim, o grande desafio é construir, de fato, o mercado comum, ou seja, uma total integração e circulação livre de bens, capitais e serviços.

Apesar de parecer muito simples, essa é uma missão muito complicada, pois exige uma maior integração das diferentes economias e um maior equilíbrio nas condições sociais dos países, a fim de se evitar fluxos migratórios muito intensos e outros problemas de ordem estrutural.

Atenuar as disparidades econômicas

Cerca de 55% do PNB (Produto Nacional Bruto) do Mercosul pertence ao Brasil, seguidos pelos 12% do PNB da Argentina. Tal fator, associado ao fato de que o país apresenta quase a metade da população do bloco, faz com que a economia brasileira apresente o maior e mais potente mercado consumidor dentre os países do cone sul. Além disso, a economia brasileira é a que apresenta o maior índice de investimentos, industrialização, emprego e renda, deflagrando uma problemática existente no bloco econômico: os desequilíbrios econômicos.

Dessa maneira, manifesta-se a necessidade de se dinamizar as economias locais, incentivando as indústrias nacionais, proporcionando melhorias sociais de distribuição de renda e investindo em ciência e tecnologia. Outra maneira é a realização de mais investimentos no FOCEM (Fundo para Convergência Estrutural do Mercosul), cujo objetivo é fortalecer estruturalmente os países-membros a fim de proporcionar uma maior e melhor integração entre eles.

Criação de legislações comuns

A criação de legislações comuns entre os países-membros do Mercosul configura-se como uma importante estratégia para dinamizar a integração política entre os países. Elas deverão ser debatidas e amadurecidas a fim de servirem como padrão em diversos setores, como a proteção ao consumidor, os direitos trabalhistas, a estruturação de cursos técnicos e superiores, dentre outros.

Além disso, integrar algumas legislações pode abrir caminho para o estabelecimento da livre circulação de pessoas pelo bloco ou até a criação de um passaporte comum para todos os países-membros, como acontece na União Europeia.

Adoção de uma moeda única

A ideia da criação de uma moeda única (e, consequentemente, de um Banco Central Sul-americano) é a de tornar as economias dos países do cone sul menos reféns das constantes variações do dólar, proporcionando uma melhor dinamização nas trocas econômicas e assegurando uma maior estabilidade financeira.

Como podemos ver, são complexos e variados os desafios e perspectivas para o Mercosul no século XXI, o que não significa que eles sejam impossíveis. Para avançar na construção desse bloco econômico, são necessárias, pois, uma maior integração entre os países-membros e a intensificação de ações políticas que favoreçam a sua expansão para que se torne, efetivamente, um mercado comum.

 

* A Venezuela foi suspensa do Mercosul por tempo indeterminado em dezembro de 2016.

No Mercosul, os países: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai são membros plenos do bloco econômico.
No Mercosul, os países: Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai são membros plenos do bloco econômico.
Escrito por: Rodolfo F. Alves Pena Escritor oficial Mundo Educação.

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