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Cultura indígena

Cultura indígena é o modo de ser e de viver associado aos povos indígenas.
Jovens da etnia pataxó vistos durante os Jogos Indígenas, em alusão à cultura indígena.
Jovens da etnia pataxó vistos durante os Jogos Indígenas, na aldeia de Coroa Vermelha, Cabrália, em 2010.[1]

A cultura indígena é uma herança feita de tradições milenares que está enraizada nas diversas etnias que compõem os povos indígenas do mundo todo. Com características únicas, os povos indígenas contribuíram significativamente com suas expressões artísticas, danças, religiões e modos de vida, refletindo uma profunda conexão com a natureza e uma compreensão singular do mundo.

A influência da cultura indígena no Brasil é inegável. Ela se reflete em aspectos como a culinária, a medicina tradicional e práticas agrícolas sustentáveis. A importância da cultura indígena transcende a esfera cultural, abraçando também aspectos sociais e ambientais. A preservação e respeito por essas culturas são essenciais para a construção de uma sociedade mais inclusiva e consciente de sua história.

Leia também: Quais são os povos indígenas do Brasil?

Resumo sobre a cultura indígena

  • A cultura indígena está no modo de ser e de fazer típicos dos povos indígenas que se reconhecem (e são reconhecidos) como tais.
  • As culturas indígenas se expressam em pinturas corporais, entalhes em madeira e cerâmica, danças, rituais, festivais etc.
  • As influências da cultura indígena se refletem na culinária, medicina tradicional, e práticas agrícolas sustentáveis.
  • Podemos aprender sobre a cultura indígena visitando os povos indígenas ou lendo estudos acadêmicos e obras literárias.
  • A preservação e o respeito por essas tradições contribuem para uma sociedade mais inclusiva e consciente.

Videoaula sobre a cultura indígena

O que é a cultura indígena?

A cultura indígena está relacionada ao modo de ser e de viver dos povos indígenas, que não são nada homogêneos. Espalhados por todos os continentes, exceto na Antártica, os povos indígenas são culturalmente diferenciados e se reconhecem como tais, compreendendo diversas identidades étnicas específicas e formas próprias de organização social, econômica e política, bem como cosmovisões e relações particulares com a natureza.   

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Características da cultura indígena

As culturas indígenas são muito diversas e se caracterizam por diferentes sistemas particulares, que podem variar muito, mas podemos destacar:

  • as relações de parentesco e de gênero;
  • a economia de susbsistência e as formas tradicionais de produção alimentar;
  • a organização socioespacial e a arquitetura tradicional;
  • os rituais religiosos e as cosmovisões;
  • as medicinas tradicionais;
  • os jogos e as brincadeiras;
  • os processos educacionais e de transmissão de saberes.

Há três patamares onde operam esses sistemas de significados: a dimensão simbólica, econômica e cidadã. A dimensão simbólica das culturas indígenas, na qual os significados foram incorporados em símbolos, opera por meio das diversas línguas, valores, saberes e práticas de um povo indígena. Essas expressões simbólicas se revelam na cultura indígena por meio da arte, das danças, das religiões, etc.

As danças são um elemento simbólico muito importante da cultura indígena. A dança é realizada em diversas situações sociais, como festas, rituais religiosos, celebrações ou mesmo ritos fúnebres. Nos rituais xamânicos dos povos kaiowá e nhandeva, por exemplo, a música e a dança ocupam uma função importante.

Existe ainda uma dimensão econômica da cultura indígena. Esse patamar compreende os segmentos econômicos que geram trabalho e riqueza, contribuindo para o desenvolvimento local e regional, constituindo-se em um elemento estratégico na medida em que está baseada na criatividade e na produção da informação e conhecimento. Existem muitos bens culturais que integram as cadeias produtivas culturais indígenas, como o cogumelo yanomami, por exemplo.

No território montanhoso de Roraima, ao extremo noroeste do Estado, próximo à fronteira com a Venezuela, povos indígenas dos yanomami descobriram, ao longo dos séculos, que dos vários tipos de cogumelos nativos que brotam espontaneamente na floresta tropical apenas 16 são comestíveis. Agora, esse conhecimento ancestral se materializa em embalagens sofisticadas vendidas aos chefes de cozinha do mundo todo, que reconhecem o valor gastronônico desse produto para o mercado gourmet da culinária.

Por fim, a cultura indígena é atravessada por uma dimensão cidadã, que tem a ver com o  etnodesenvolvimento de um povo. O patamar da etnicidade da cultura indígena se constitui no modo como os povos indígenas dirigem as suas reivindicações culturais ao Estado. O etnodesenvolvimento ocorre quando um povo indígena, ou qualquer outra etnia, detém o controle sobre suas próprias terras, seus recursos, sua organização social e sua cultura, sendo livre para negociar com o Estado o estabelecimento de relações segundo seus interesses.

Nesse caso, quando os povos indígenas mobilizam recursos discursivos e estratégicos para lutar pela sobrevivência cultural e efetivação dos seus direitos, a dimensão cidadã da cultura indígena é mobilizada. Atualmente, os povos indígenas se apropriaram tanto de linguagens artísticas produzidas por distintos segmentos da sociedade ocidental quanto das tecnologias de informação e comunicação para veicularem os seus pontos de vista para o mundo, denunciarem os danos que historicamente vêm sofrendo e reivindicarem o direito de ser e de viver de maneira diferenciada.

Leia também: Demarcação de terras indígenas — a garantia dos direitos territoriais dos indígenas

Influências da cultura indígena no Brasil

As influências da cultura indígena no Brasil superam (e muito) o reconhecimento que elas recebem da sociedade. Descansar na rede e tomar vários banhos por dia, hábitos cotidianos tão naturais para os brasileiros, são heranças da cultura indígena. Além disso, vários elementos das nossas festas populares — música, dança, culinária, ornamentos — têm origem na cultura indígena. A maniçoba e o tucupi, o caju e a acerola, o açaí e o guaraná, a pamonha e a tapioca são apenas alguns exemplos da influência da cultura indígena na culinária brasileira.

Garrafas com tucupi, uma herança cultural indígena.
Garrafas com tucupi, uma herança cultural indígena.

Por imposição violenta da cultura trazida pelos conquistadores da América a partir do século XVI, a cultura indígena no Brasil foi por muito tempo tutelada pelo Estado. A doutrina cristã e a civilização europeia trouxeram ideias assimilacionistas que sufocaram a cultura indígena com o objetivo de dominá-la, buscando cercear suas potencialidades e desbastar sua autoconsciência.

Como aprender sobre a cultura indígena?

A melhor maneira de aprender a cultura indígena é pelo contato direto. Existem protocolos para que esse contato seja feito de forma segura. Segundo os dados de Censo de 2022 sobre os povos indígenas, trabalho que é realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população indígena do país chegou a quase 1,7 milhão de pessoas, organizadas em mais de 300 comunidades. Mais da metade dessa população está concentrada na Amazônia Legal.

Outra possibilidade é participar do Festival de Parintins, realizado anualmente em Parintins, no Amazonas, no Bumbódromo da cidade. A Festa de Parintins está ligada às práticas da população ribeirinha e da cultura indígena.

Também podemos contar com a vasta literatura da etnografia produzida sobre culturas indígenas. No Brasil, destacamos os trabalhos de Darcy Ribeiro e Claude Lévi-Strauss. O indigenista brasileiro Darcy Ribeiro atuou por quase dez anos no serviço público de proteção aos povos indígenas, enquanto o antropólogo belga e Claude Lévi-Strauss desenvolveu trabalhos de observação da cultura indígena brasileira e lecionou por décadas em universidades do país.  

Importância da cultura indígena

Indígenas participando de um protesto contra a lei que estabelece um marco temporal para a demarcação das terras indígenas.[2]
Indígenas participando de um protesto contra a lei que estabelece um marco temporal para a demarcação das terras indígenas.[2]

A importância da cultura, para os membros de um povo indígena, consiste em organizar o seu universo e definir o seu lugar de pertença frente ao mundo. A cultura indígena é transmitida historicamente, incorporada em símbolos e compreende um sistema de concepções por meio dos quais os indígenas se comunicam, perpetuam e desenvolvem o seu conhecimento e suas atividades em relação à vida.

Os processos tradicionais de transmissão de conhecimento entre distintas gerações são de muita importância para todas as culturas indígenas. Eles são mediados por anciãos indígenas e lideranças — xamãs, pajés, caciques, contadores de história, parteiras —  dententores de conhecimentos valiosos da cultura indígena.

Leia também: Dia Internacional dos Povos Indígenas

Curiosidades sobre a cultura indígena

  • Existem cerca de 370 a 500 milhões de indígenas no mundo, espalhados por 90 países. Eles vivem em todas as regiões geográficas e representam 5 mil culturas diferentes.
  • Uma grande maioria das 7 mil línguas mundiais foram criadas pela cultura indígena e são faladas pelos povos indígenas.
  • Existem verdadeiros sistemas indígenas tradicionais de saúde e sistemas socioculturais que abarcam desde as explicações sobre as causas da doença até a escolha dos tratamentos, que podem envolver rezas e remédios feitos à base de plantas e animais.
  • Antes da chegada dos portugueses, existiam cerca de quatro milhões de indígenas habitando as terras brasileiras.
  • Cada grupo indígena possui suas próprias mitologias e histórias de criação que explicam a origem do mundo e de suas próprias comunidades (cosmogonias).
  • Muitos povos indígenas têm lutado por seus direitos territoriais. As reservas indígenas são áreas protegidas nas quais eles podem preservar suas culturas.

Créditos das imagens

[1] Joa Souza / Shutterstock

[2] BW Press / Shutterstock

Fontes

COELHO, Teixeira. Dicionário crítico de política cultural. São Paulo: Iluminuras, 1997.

CUNHA, Manuela Carneiro da. História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1992.

Publicado por Rafael Pereira da Silva Mendes

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