João Paulo II

João Paulo II foi o 264º papa da história da Igreja Católica, atuando como Sumo Pontífice entre 1978 e 2005. O seu pontificado foi o terceiro maior, permanecendo na posição por mais de 26 anos. O papa João Paulo II era polonês de origem, sendo o primeiro papa dessa nacionalidade em toda a história.

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Ficou conhecido por se aproximar de outras religiões por meio do diálogo, criticou conflitos, defendeu a justiça social e manteve postura conservadora em assuntos como a reprodução. Em 1981, foi vítima de uma tentativa de assassinato por um terrorista turco, mas sobreviveu e perdoou seu algoz.

Leia também: Papa Leão XIV — o 266º papa da história da Igreja Católica

Resumo sobre o Papa João Paulo II

  • O papa João Paulo II foi o 264º papa da história da Igreja Católica.

  • Ele foi o papa com o terceiro pontificado mais longo, permanecendo na posição por 26 anos.

  • Seu pontificado se iniciou em 1978 e se encerrou com seu falecimento, em 2005.

  • Era polonês de origem e ingressou na vida religiosa durante a Segunda Guerra Mundial.

  • Sofreu uma tentativa de assassinato em 1981, mas sobreviveu e perdoou seu algoz.

Biografia de João Paulo II

Pintura retratando o papa João Paulo II, o 264º papa da Igreja Católica. [imagem_principal]
João Paulo II foi o 264º papa da Igreja Católica.[1]

Nascimento de João Paulo II

Karol Jòzef Wojtyla, nome de batismo de João Paulo II, nasceu no dia 18 de maio de 1920, na cidade de Wadowice, no interior da Polônia. Ele foi o terceiro e mais novo filho do casal formado por Karol Wojtyla e Emilia Kaczorowska. O casal também teve outros dois filhos: Olga, que o jovem Karol não conheceu, e Edmund.

Infância de João Paulo II

Quando tinha apenas oito anos de idade, João Paulo II sofreu com a perda de sua mãe. Emilia tinha uma saúde frágil desde a gravidez de seu filho mais novo, falecendo em 1929 em consequência de um ataque cardíaco. Com isso, João Paulo II passou a ser criado pelo seu pai e pelo seu irmão mais velho, mas outra tragédia afetou sua infância.

No final de 1932, Edmund faleceu por conta de escarlatina, doença que adquiriu realizando o seu trabalho como médico. Edmund era 13 anos mais velho que seu irmão, contraindo escarlatina de pacientes que sofriam dela, doença que afetava a região onde viviam de maneira epidêmica.

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Juventude de João Paulo II

João Paulo II passou grande parte de sua juventude em sua cidade natal, Wadowice, mas, em 1938, ele e seu pai se mudaram para a Cracóvia. Nessa cidade, João Paulo II ingressou na Universidade Jaguelônica, estudando filologia e demonstrando enorme habilidade em aprender novos idiomas. Nesse período, ele realizou o serviço militar obrigatório e viu sua vida mudar radicalmente.

Em 1939, foi iniciada a Segunda Guerra Mundial e o território polonês foi invadido e rapidamente ocupado pela Alemanha Nazista. João Paulo II foi obrigado a interromper os seus estudos, pois todas as universidades do país foram fechadas pelos alemães, e ele começou a trabalhar para sobreviver. Teve diversos ofícios, incluindo o operário.

Em 1941, seu pai faleceu e, com isso, o jovem se viu sozinho no mundo, uma vez que toda a sua família mais próxima havia partido. O falecimento do pai também se deu por ataque cardíaco, e isso fez com que o filho cogitasse a ideia de ingressar na Igreja Católica como sacerdote.

João Paulo II como bispo e cardeal

Em 1942, João Paulo II compareceu ao palácio arcebispal da Cracóvia para pedir a oportunidade de ingressar no sacerdócio por meio de um seminário religioso. A Igreja Católica estava proibida de manter seminários por ordem dos nazistas, mas o fazia mesmo assim, de maneira clandestina, sob a liderança do arcebispo Adam Stefan Sapieha.

Nesse mesmo ano ele ingressou no seminário de maneira clandestina e, no segundo semestre de 1944, precisou se esconder para evitar que fosse preso pelos nazistas. Ele foi protegido primeiramente por seu tio e depois pelo arcebispo local. João Paulo II só recuperou sua liberdade quando os nazistas foram expulsos da Cracóvia, no começo de 1945.

Ele auxiliou no trabalho de reconstrução da Igreja Católica na Cracóvia, sendo ordenado padre em novembro de 1946 e realizando sua missa na Catedral de Wawel, em 1947. Foi enviado para o exterior para dar sequência aos seus estudos e tornou-se doutor em 1948. Depois retornou para a Polônia, realizando seu sacerdócio em paróquias polonesas e trabalhando como professor universitário.

O crescimento de João Paulo II na hierarquia da Igreja Católica foi rápida:

  • em 1958, foi ordenado bispo de Ombi;

  • em 1964, foi ordenado arcebispo da Cracóvia;

  • em 1967, foi ordenado cardeal de San Cesario in Palatio.

João Paulo II era uma figura importante no interior da Igreja Católica já na década de 1960, e sua promoção foi sinal de sua importância e do trabalho que ele realizou.

Como foi a eleição de João Paulo II como papa?

O ano de 1978 ficou marcado pela realização de dois conclaves. Nesse ano, o papa Paulo VI faleceu, dando início ao processo de escolha de um novo papa. O primeiro conclave elegeu o papa João Paulo I, eleito em 26 de agosto de 1978, mas que faleceu em circunstâncias misteriosas apenas 33 dias depois de ter se tornado papa.

Com isso, a Igreja Católica se viu obrigada a realizar o segundo conclave daquele ano. João Paulo II, então cardeal polonês Karol Jòzef Wojtyla, não era um dos favoritos, mas se estabeleceu como uma terceira via e conseguiu ser eleito na oitava votação, realizada no terceiro dia de conclave. Sua eleição ocorreu em 16 de outubro de 1978.

Ele aceitou a posição de papa e escolheu o nome de João Paulo II, primeiramente como homenagem ao papa anterior, João Paulo I, e depois como homenagem a Paulo VI e João XXIII. Com esse conclave, João Paulo II foi o 264º papa da história da Igreja Católica e o primeiro não italiano em mais de quatro séculos.

Acesse também: Como funciona o conclave?

Pontificado de João Paulo II

Papa João Paulo II discursando ao público em 1986.[2]
Papa João Paulo II discursando ao público em 1986.[2]

O pontificado do papa João Paulo II foi um dos mais longevos da história da Igreja Católica, tendo como característica significativa as ações promovidas pelo papa para aproximar a Igreja Católica de outros grupos religiosos, como os anglicanos, os judeus, os ortodoxos, os muçulmanos, entre outros. A intenção era reforçar o diálogo pacífico entre as religiões.

Além disso, o papa João Paulo II reforçava a importância da manutenção da paz mundial, criticando diversos conflitos que ocorreram durante o seu pontificado, como a Guerra das Malvinas, Guerra do Golfo, Guerra da Bósnia, o genocídio em Ruanda etc. O papa também ficou marcado por ter uma posição abertamente anticomunista.

Isso fez com que o papa João Paulo II fizesse acenos para um movimento de oposição na Polônia, defendendo a derrubada do regime comunista na Polônia em especial, mas em todo o bloco comunista. Ele também contribuiu para o enfraquecimento do sandinismo na Nicarágua e contribuiu com Reagan com informações do bloco socialista.

João Paulo II condenou o regime de segregação racial que existia na África do Sul, o Apartheid, defendeu a justiça social e o combate à desigualdade, opunha-se diretamente à pena de morte e tinha posições conservadoras em questões de reprodução, não concordando com o uso de métodos contraceptivos e se opondo ao aborto e à eutanásia.

Atentado a João Paulo II

No dia 13 de maio de 1981, o papa estava em seu papamóvel na Praça de São Pedro, no Vaticano, quando foi alvo de uma tentativa de assassinato. Mehmet Ali Agca, turco membro de uma organização ultranacionalista e fascista chamada Lobos Cinzentos, foi o autor do atentado.

O autor do atentado atirou cinco vezes, com três tiros atingindo o abdômen do papa, fazendo com que ele fosse retirado às pressas do local e levado para o hospital, onde fez uma cirurgia de emergência. O intestino do papa foi o local mais afetado pelos tiros, forçando a retirada de 55 centímetros dele.

O turco foi preso, passando 19 anos preso na Itália e depois sendo deportado para a Turquia, onde passou mais 10 anos na cadeia. Em 2010, ele ganhou liberdade. Em 1983, o papa João Paulo II o visitou na cadeia, perdoando-o pelo crime que cometera.

Quanto tempo João Paulo II ficou como papa?

O pontificado de João Paulo II teve 26 anos e 168 dias de duração e ficou marcado como um dos mais longevos da história. Atualmente, o pontificado de João Paulo II foi o terceiro mais longo, estando atrás apenas do pontificado de Pio IX (1846-1878) e de São Pedro (30-67).

Morte de João Paulo II

A saúde de João Paulo II começou a dar sinais de enfraquecimento a partir de 1992. Nesse ano ele retirou um tumor do intestino, forçando a retirada de mais 15 centímetros desse órgão. O papa também sofreu traumas severos com quedas, com destaque para a fratura de seu fêmur. Além disso, em 2001, foi anunciado que ele sofria com Parkinson.

João Paulo II faleceu no dia 2 de abril de 2005 em consequência de um choque séptico advindo de uma infecção urinária. Posteriormente, foi beatificado e canonizando, sendo reconhecido como São João Paulo II.

Veja também: Papa Francisco — o 266º papa da história da Igreja Católica

Frases de João Paulo II

  • “A paz é vossa como dom do Senhor, como responsabilidade e como desafio.”

  • “A paz deve ser sempre a meta: a paz perseguida e defendida em todas as circunstâncias. Não repitamos o passado, um passado de violência e de destruição.”

  • “Não tenha medo de coisa alguma, ou de nada. Não tenha medo das fraquezas humanas, nem dos mistérios de Deus.”

Créditos de imagem

[1] Lublin / Wikimedia Commons (reprodução)

[2] Queensland State Archives / Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

REDAÇÃO. Perfil biográfico de João Paulo II. Disponível em: https://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/biografia/documents/hf_jp-ii_spe_20190722_biografia.html.

REDAÇÃO. S. João Paulo II, Papa. Disponível em: https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/10/22/s—joao-paulo-ii--papa.html.

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

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