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Revolta Paulista de 1924

A Revolta Paulista de 1924 foi a segunda revolta tenentista a acontecer no Brasil e ocorreu dois anos após a Revolta do Forte de Copacabana.
A cidade de São Paulo sofreu intensos bombardeios durante a Revolta Paulista de 1924.[1]
A cidade de São Paulo sofreu intensos bombardeios durante a Revolta Paulista de 1924.[1]

A Revolta Paulista de 1924 foi uma revolta tenentista que aconteceu em São Paulo em julho de 1924. Foi a segunda revolta tenentista do período e tinha como objetivo a derrubada do governo de Artur Bernardes, o então presidente do Brasil. A cidade de São Paulo foi intensamente bombardeada, o que forçou os tenentistas a abandonarem a cidade dias depois.

Veja também: Coronelismo — prática política comum no início do século XX

Resumo sobre a Revolta Paulista de 1924

  • A Revolta Paulista de 1924 foi a segunda revolta tenentista ocorrida no Brasil.

  • Os tenentistas eram contra o domínio das oligarquias e queriam derrubar o governo de Artur Bernardes.

  • Eles iniciaram a revolta no dia 5 de julho de 1924, dois anos depois da Revolta do Forte de Copacabana.

  • A cidade de São Paulo foi fortemente bombardeada a mando do presidente do Brasil.

  • Os revoltosos fugiram de São Paulo e uniram-se com os tenentistas do Rio Grande do Sul para formar a Coluna Prestes.

Antecedentes da Revolta Paulista de 1924

A década de 1920 presenciou a decadência das oligarquias, modelo político que caracterizou a Primeira República, período que se estendeu de 1889 a 1930. O jogo político das oligarquias se tornou incapaz de atender às demandas da sociedade brasileira, e isso deu origem a uma série de movimentos de contestação.

Nesse cenário, o grande destaque foi o movimento tenentista, uma moção política que se iniciou entre os soldados de baixa patente do exército brasileiro. Esse movimento surgiu durante a campanha eleitoral para presidente em 1922 e tinha como objetivo colocar fim ao domínio das oligarquias na política brasileira.

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O tenentismo teve relação direta com a decadência do modelo político da Primeira República e, inclusive, seus adeptos estiveram envolvidos com a Revolução de 1930, que colocou fim definitivo a essa fase. A atuação dos tenentistas no cenário político brasileiro se deu porque os militares entendiam que era papel deles interferir na política para salvar os rumos do país, se fosse necessário.

Dentre alguns dos interesses dos tenentistas, estavam:

  • construir uma república politicamente autoritária e economicamente liberal;

  • realizar uma reforma educacional;

  • desenvolver um sistema eleitoral mais eficaz para evitar que fraudes acontecessem.

Eles não tinham um programa para chegar ao poder, então agiam por meio de revoltas e fomentavam tentativas de golpe.

Os tenentistas se engajaram, principalmente, na luta contra Artur Bernardes, político mineiro eleito presidente do Brasil em 1922. Tudo porque um escândalo aconteceu — ele supostamente criticava os militares brasileiros. A partir daí, Artur Bernardes se tornou o símbolo de tudo o que os tenentistas pretendiam lutar contra.

Saiba mais: Ditadura Militar no Brasil — regime político instaurado por militares na segunda metade do século XX

Os tenentistas em ação na Revolta Paulista de 1924

A primeira revolta tenentista aconteceu no Rio de Janeiro em 1922 e ficou conhecida como Revolta do Forte de Copacabana. O movimento fracassou, e um ano depois os rebeldes já planejavam realizar outra revolta no Brasil. Essa conspiração, que seria a Revolta Paulista de 1924, era encabeçada pelo general da reserva Isidoro Dias Lopes e os tenentes Joaquim e Juarez Távora.

Eles desejavam iniciar um movimento que fosse capaz de derrubar o presidente. Para isso, planejaram revoltas em uma série de locais diferentes do país. Os tenentistas decidiram que a revolta organizada por eles deveria ter um grande impacto e, por isso, escolheram fazê-la na maior cidade do Brasil: São Paulo.

Depois disso, revoltas tenentistas aconteceram em outros estados. Como forma de homenagem à Revolta do Forte de Copacabana (que aconteceu em 5 de julho de 1922), a Revolta Paulista foi iniciada no dia 5 de julho de 1924. Tiroteios e bombas começaram a ser ouvidos já na madrugada do dia 5, e os tenentistas conseguiram conquistar locais importantes, como quartéis do exército e da Força Pública.

Logo após isso, o presidente do estado de São Paulo, Carlos de Campos, recebeu o conselho de abandonar o palácio que residia, o Campos Elísios. Isso porque o local seria um importante alvo dos revoltosos, e, por medida de segurança, o ideal era abandoná-lo. Ele assim o fez e se instalou na Zona Leste de São Paulo, em um local mais distante do raio de ação dos rebeldes.

Quando os revoltosos chegaram ao palácio, o encontraram vazio. Durante cinco dias, houve intensos combates nas ruas de São Paulo, e, no final, os tenentistas tomaram o controle da cidade, ao menos de locais estratégicos. Enquanto isso, o presidente do Brasil já tinha deliberado ações para reprimir o movimento, enviando milhares de soldados a São Paulo para conter a revolta.

Bombardeios a São Paulo durante a Revolta Paulista de 1924

Retrato antigo de pessoas com armas que queriam derrubar o governo de Artur Bernardes durante a Revolta Paulista de 1924.
Os revoltosos desejavam derrubar o governo de Artur Bernardes durante a Revolta Paulista de 1924.[1]

A Revolta de São Paulo de 1924 ficou marcada por ser o maior conflito armado já presenciado pela maior cidade brasileira. Isso porque o governo de Artur Bernardes não poupou esforços para derrotar o movimento e realizou uma repressão violenta contra São Paulo. O presidente autorizou uma campanha de bombardeio severa.

Os bombardeios eram indiscriminados e não visavam atingir alvos ocupados pelos revoltosos especificamente. Com isso, os civis também se tornaram alvo, o que fez com que a população entrasse em pânico. Cerca de 300 mil pessoas abandonaram a capital paulista e muitas se deslocaram para zonas periféricas.

Esses ataques seguiram por todo o período em que a cidade esteve nas mãos dos revoltosos, causando mortes e destruição. Estima-se que cerca de 4000 pessoas ficaram feridas. Destaca-se o fato de que os ataques aconteceram em bairros de trabalhadores e imigrantes, isto é, bairros de pessoas de classe econômica baixa.

Leia também: Revolta da Vacina — revolta popular que também ocorreu na República Velha

Fim da Revolta Paulista de 1924

A situação dos rebeldes se agravou porque o cerco a São Paulo, somado aos bombardeios, colocou a cidade em uma posição muito ruim e afetou diretamente a vida das pessoas. Assim, uma série de inocentes morreu e, além disso, a cidade começou a sofrer com falta de alimentos, o que ocasionou saques nas regiões mais prejudicadas.

Isso afetou o moral dos revoltosos, que se viram em uma situação muito delicada. Assim, no dia 27 de julho, eles planejaram fugir de São Paulo e o fizeram no dia 28 de julho. Com a fuga, eles se uniram a tenentistas rebeldes no interior do estado e partiram em direção ao oeste do Paraná.

No Paraná, eles encontraram os tenentistas que haviam se rebelado no Sul, no estado do Rio Grande do Sul. O encontro dos paulistas com o grupo liderado por Luís Carlos Prestes deu início à Coluna Prestes, um agrupamento de centenas de homens que marchou pelo interior do país, entre 1925 e 1927, lutando contra as tropas do governo.

A decorrência (e consequente fracasso) da Revolta Paulista de 1924 deixou marcas profundas na cidade, como:

  • destruição material causada por tiroteios e bombardeios;

  • ocorrência de aproximadamente 720 mortes.

Créditos das imagens:

[1] FGV/CPDOC

Publicado por Daniel Neves Silva
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