Quintino Bocaiúva

Quintino Bocaiúva foi um dos grandes jornalistas do Brasil no século XIX, sendo apelidado de “príncipe dos jornalistas brasileiros”, atuando em diversos jornais ao longo de sua carreira profissional. Politicamente falando, era defensor das ideias republicanas, sendo um dos grandes articuladores da Proclamação da República, em 1889. Ele foi senador por diversos mandatos, ministro de Estado e governador do Rio de Janeiro.

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Resumo sobre Quintino Bocaiúva

  • Quintino Bocaiúva foi um jornalista e político reconhecido como uma das grandes personalidades do país na virada do século XIX para o XX.

  • Iniciou sua carreira de jornalista ainda jovem, atuando em diversos jornais e usando esses espaços para defender as ideias republicanas.

  • Era um defensor do republicanismo, sendo um dos grandes articuladores da Proclamação da República no Brasil.

  • Foi eleito senador em diversas ocasiões, ministro de Estado e governador do Rio de Janeiro.

  • Casou-se duas vezes ao longo de sua vida, gerando 15 filhos.

  • Chegou a ser cogitado para ser candidato à presidência, mas foi superado por Rodrigues Alves.

Biografia de Quintino Bocaiúva

Quintino Bocaiúva. [imagem_principal]
Quintino Bocaiúva foi um político e jornalista brasileiro.
  • Nascimento

Quintino Antônio Ferreira de Sousa, mais conhecido em nossa história como Quintino Bocaiúva, nasceu na cidade de Itaguaí, no Rio de Janeiro, no dia 4 de dezembro de 1836. Ele era filho de Quintino Ferreira de Sousa e Maria Candelária Morena y Alagon, natural da Argentina.

  • Casamento

Ao longo de sua vida, Quintino Bocaiúva casou-se duas vezes. A sua primeira esposa foi Luísa Amélia de Almeida Costa, com que Quintino Bocaiúva se casou em 1860. O casamento deles permaneceu até o ano de 1885, quando Luísa Amélia faleceu. Em 1892, casou-se novamente, dessa vez com Ana Bianca Rossi, com que permaneceu casado até a sua morte, em 1912.

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  • Filhos

Ao longo de sua vida e de dois casamentos, Quintino Bocaiúva teve um total de quinze filhos. Do seu primeiro casamento, com Luísa Amélia, teve os seguintes filhos:

  1. Josefina

  2. Quintino Bocaiúva Filho

  3. Maria Emérita

  4. Félix

  5. Helena

  6. Maria Amélia

  7. Agenor

Do seu segundo casamento, com Ana Bianca, teve os seguintes filhos:

  1. Evangelina

  2. Everardo

  3. Ada

  4. Rosa

  5. Waldemar

  6. Oswaldo

  7. Cora

  8. Edgard

Carreira de Quintino Bocaiúva

A morte precoce do pai de Quintino Bocaiúva fez com que ele se mudasse para São Paulo em 1850. Lá em São Paulo, ingressou no curso de Direito, recebendo ajuda financeira de um tio. Na capital paulista, ele teve contato, pela primeira vez, com o ofício de jornalista, escrevendo para dois jornais: O Acaiaba e A Honra.

Conta-se que foi nesse momento de sua vida que o jovem Quintino substituiu os sobrenomes paternos pelo termo Bocaiúva. Ele fez isso por influência do nativismo indigenista, do qual ele era adepto, adotando o termo Bocaiúva, que é originário do tupi mbokaya’ub, termo utilizado para se referir à palmeira Acrocomia sclerocarpa.

Por causa de problemas financeiros, Quintino Bocaiúva retornou ao Rio de Janeiro, passando a trabalhar como teatrólogo, escrevendo roteiros de peças teatrais. Ele escreveu algumas peças que foram encenadas no Rio de Janeiro, mas grande parte de sua carreira se desenvolveu mesmo como jornalista.

A partir de 1860, ele ingressou no Correio Mercantil e passou a trabalhar como editor do Diário do Rio de Janeiro, onde cobriu importantes assuntos relacionados às relações diplomáticas do Brasil com seus vizinhos da região platina. Durante a Guerra do Paraguai, inclusive, foi correspondente do Brasil em solo argentino.

Ele aproveitou o conflito para explorar oportunidades comerciais, conquistando contratos como fornecedor do Exército. Retornando ao Brasil, retomou sua carreira como jornalista, atuando no jornal A República. Nesse momento de sua vida, ele se aproximou consideravelmente da política brasileira, reforçando a defesa de ideias republicanas.

Em 1870, foi um dos fundadores do Clube Republicano do Rio de Janeiro, além de ter sido um dos redatores do Manifesto Republicano, importante documento que defendia a implantação da república no Brasil. Ainda atuou por um jornal chamado O Cruzeiro e, na década de 1880, buscou lançar sua carreira política, candidatando-se a deputado geral, mas não se elegeu.

Na década de 1880, participou da fundação de um jornal chamado O País, responsável por uma importante cobertura política do país naquela década bastante agitada. Nesse momento, já era considerado um dos grandes nomes do jornalismo brasileiro e a importância de suas contribuições no ramo tornou-o conhecido como “príncipe dos jornalistas brasileiros”.

Com a Proclamação da República, ele foi nomeado ministro do Estado, assumindo o Ministério das Relações Exteriores. Nessa função, o seu primeiro papel foi o de garantir o reconhecimento internacional do novo regime brasileiro, missão na qual teve grande sucesso.

Em 1890, candidatou-se ao Senado, sendo eleito e empossado na função no dia 15 de novembro daquele ano. Atuou na Assembleia Constituinte responsável por elaborar a Constituição de 1891. No entanto, a crise política que resultou na renúncia de Deodoro da Fonseca da presidência fez Quintino ser preso e renunciar a sua posição.

Em agosto de 1892, retornou ao Senado e, em 1894, foi reeleito para seu cargo. Durante o governo de Prudente de Morais, ele se estabeleceu como crítico do governo e afastou-se temporariamente do Rio de Janeiro, embora não tenha renunciado a sua posição como senador.

No governo de Campos Sales, ele se manifestou contrário à Política dos Governadores, usada pelo presidente para garantir apoio das oligarquias ao governo federal. Foi reeleito ao Senado em 1899, mas, no ano seguinte, candidatou-se ao governo do estado do Rio de Janeiro, sendo eleito.

Quintino Bocaiúva assumiu o governo do Rio de Janeiro em 31 de dezembro de 1900 e, em 1902, seu nome chegou a ser cogitado para ser apresentado como o sucessor de Campos Sales, mas não teve apoio suficiente, perdendo para a indicação de Rodrigues Alves.

No governo do Rio de Janeiro, autorizou a transferência da capital de Petrópolis para Niterói, além de enfrentar problemas com a falta de trabalhadores e a decadência da atividade cafeeira e açucareira no estado. Em 1903, foi sucedido na função por Nilo Peçanha, afastando-se temporariamente da vida pública. Em 1909, foi eleito para o Senado, retornando para a vida pública e se mantendo na função até o ano de sua morte, em 1912.

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Quem foi Quintino Bocaiúva na Proclamação da República?

Quintino Bocaiúva ficou marcado na história como um dos grandes arquitetos da mudança de regime no país, sendo um defensor fervoroso das ideias republicanas. Ele participou da formação do Clube Republicano do Rio de Janeiro, redigiu o Manifesto Republicano e usou os seus espaços nos diversos jornais que trabalhou para criticar a monarquia e defender o estabelecimento da república no Brasil.

Quintino Bocaiúva atuou diretamente para o crescimento do movimento republicano no Brasil nas décadas de 1870 e 1880. Em 1889, foi escolhido no Congresso Republicano como o grande expoente das ideias republicanas no Brasil, sendo indicado para liderar uma campanha pública em defesa da república por meio da imprensa.

Naquele ano, engajou-se em uma conspiração para a derrubada da monarquia no Brasil e, em outubro, convidou o militar Benjamin Constant para conversar sobre a situação política do Brasil. O campo civil e o militar se uniram em prol da derrubada da monarquia no Brasil e decisões foram tomadas.

Em 11 de novembro, o grande passo para a derrubada da monarquia foi dado quando uma reunião foi organizada na casa do marechal Deodoro da Fonseca. Nessa reunião, Quintino Bocaiúva e outros defensores da república se reuniram com o militar para convencê-lo a participar das ações para colocar fim ao Segundo Reinado e estabelecer a república.

Depois que D. Pedro II foi derrubado do trono, Quintino Bocaiúva e outros envolvidos com a conspiração em torno do golpe de 15 de novembro reuniram-se para debater a formação do governo provisório que assumiria o país.

Qual foi a importância de Quintino Bocaiúva?

Quintino Bocaiúva foi um dos grandes personagens brasileiros da segunda metade do século XIX. Ele foi um dos grandes articuladores do golpe que resultou na Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, além de ter sido um dos políticos envolvidos com a formação do governo provisório que assumiu o país. Além disso, sua longa carreira de jornalista fez com que ele se estabelecesse como um dos grandes nomes desse ofício no país.

O que Quintino Bocaiúva defendia?

Entre as ideias defendidas por Quintino Bocaiúva, destacam-se:

  • estabelecimento da república;

  • incentivo à imigração estrangeira, como forma de substituir a mão de obra escrava;

  • diversificação agrícola como forma de reduzir a dependência do café;

  • modelo federalista;

  • liberalismo.

Morte de Quintino Bocaiúva

O falecimento de Quintino Bocaiúva aconteceu no dia 11 de julho de 1912, na cidade do Rio de Janeiro. Ele morava em um bairro chamado Freguesia de Inhaúma, sendo renomeado em homenagem ao político, passando a se chamar Quintino Bocaiúva. O político tinha 75 anos na ocasião do seu falecimento.

Fontes

SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: Uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

BARATA, Carlos Eduardo de Almeida. Ministros de Estado dos Presidentes da República. Disponível em: https://web.archive.org/web/20160307085037/http://www.cbg.org.br/novo/wp-content/uploads/2012/07/ministros-de-estado-I.pdf

LEMOS, Renato. Quintino Bocaiúva. Disponível em: https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BOCAIUVA,%20Quintino.pdf

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

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