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Luís Gama

Luís Gama foi um renomado jornalista, rábula e escritor que teve atuação destacada ao longo do século XIX. Nasceu de mãe africana livre, mas seu pai, branco, vendeu-o como escravo. Ele reconquistou sua liberdade e tornou-se um importante intelectual, sendo um grande defensor da abolição do trabalho escravo no Brasil.

Acesse também: Três grandes abolicionistas negros brasileiros

Resumo sobre a vida de Luís Gama

  • Luís Gama foi um importante jornalista, escritor e rábula do século XIX.

  • Era filho de um fidalgo de origem portuguesa e de uma africana livre.

  • Foi vendido como escravo pelo próprio pai, mas fugiu do cativeiro e comprovou seu direito à liberdade.

  • Era um abolicionista radical e usou de suas posições para defender a causa.

  • Morreu, vítima de diabetes, em 1882. Seu funeral atraiu milhares de pessoas.

Origens de Luís Gama

Luís Gonzaga Pinto da Gama nasceu em Salvador, no dia 21 de junho de 1830. Ele era filho de um branco de origem portuguesa e de uma negra livre originária da Costa da Mina. Tudo que sabemos das origens de Luís Gama foi relatado por ele mesmo em uma carta autobiográfica. Ele relatou que era filho de um fidalgo de origem portuguesa cujo nome ele nunca revelou.

O que ele disse sobre o pai era que este era um homem rico que pertencia a uma das famílias mais importantes de Salvador. Entretanto, não existem registros que nos permitam dizer quem foi o seu pai. A respeito da mãe, Luís Gama afirmou que ela se chamava Luísa Sahin e era um africana livre originária da Costa da Mina.

Luís Gama foi vendido pelo próprio pai como escravo quando tinha 10 anos de idade.
Luís Gama foi vendido pelo próprio pai como escravo quando tinha 10 anos de idade.

Luís Gama relatou que sua mãe havia participado da Revolta dos Malês, em 1835, e tinha tomado parte na Sabinada, em 1837. Por esse motivo, ela precisou fugir de Salvador rumo ao Rio de Janeiro e, depois disso, ele nunca mais a viu, embora a tenha procurado ao longo de sua vida. Também não há comprovação se de fato Luísa Sahin foi a mãe de Luís Gama.

Aos 10 anos de idade, Luís Gama teria sido vendido por seu pai como escravo. Ele era filho de uma africana livre, logo também era livre, mas o seu pai o vendeu como se ele fosse escravo com o objetivo de arrecadar dinheiro para pagar dívidas que tinha contraído com jogos de azar.

Acesse também: Movimento abolicionista dos Caifazes

Vida adulta de Luís Gama

Depois de ser vendido como escravo pelo próprio pai, Luís Gama passou pelo Rio de Janeiro e São Paulo. O seu dono de São Paulo até tentou vendê-lo em determinado momento de sua adolescência, mas o fato de ele ser baiano criou uma imagem negativa sobre ele. Isso acontecia porque, na época, os escravos oriundos da Bahia eram vistos de maneira negativa, como reflexo da Revolta dos Malês.

Luís Gama começou a ser alfabetizado e, por isso, conseguiu obter as provas necessárias para sustentar a sua liberdade. Ele fugiu e foi atrás dessa garantia, embora ainda não saibamos como ele conseguiu tal comprovação. A alfabetização foi um momento importante da vida de Luís Gama, pois deu início à sua trajetória profissional.

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  • Carreira profissional de Luís Gama

Luís Gama foi um homem de muitas habilidades, destacando-se a sua carreira de jornalista. Entretanto, ele também foi um rábula, isto é, um advogado que não tinha formação acadêmica, e foi também um grande escritor. Destaca-se aqui o caráter autodidata de Luís Gama, uma vez que ele aprendeu sozinho a exercer esses ofícios.

Antes de se tornar jornalista e rábula, Luís Gama seguiu carreira militar e alistou-se como praça, exercendo a função até 1854, quando foi dispensado do serviço por se insubordinar contra um oficial que lhe desrespeitava. Ele chegou a ser cabo de esquadra e trabalhou como copista no tempo de serviço. Ele também trabalhou na Secretária de Polícia de 1856 a 1868, sendo demitido por questões políticas.

Mais recentemente os pesquisadores têm encontrado mais detalhes acerca dos escritos realizados por Luís Gama. Ele publicou um livro em sua vida: Primeiras Trovas Burlescas, publicado em 1859, além de ter escrito uma série de poemas. Seus escritos são alvo de muitos elogios.

Abolicionismo de Luís Gama

Luís Gama foi um dos maiores abolicionistas do Brasil no século XIX.[1]
Luís Gama foi um dos maiores abolicionistas do Brasil no século XIX.[1]

Luís Gama é reconhecido como um dos grandes defensores do abolicionismo no Brasil durante o século XIX. Ele usou os espaços a que tinha acesso para lutar contra a escravidão e defender a liberdade de todos os negros no Brasil. Engajou-se publicamente nessa luta e denunciava com veemência o racismo e os horrores da escravidão. Ele era considerado um abolicionista radical e defendia uma abolição imediata.

Além de abolicionista, Luís Gama foi um defensor da república e engajou-se tanto no movimento abolicionista quanto no movimento republicano. Enquanto jornalista, Luís Gama usava o espaço que possuía para criticar a escravidão e defender a abolição do trabalho escravo. Ele trabalhou em variados jornais, como Correio Paulista e Radical Paulistano.

Ele também exercia funções como tipógrafo e redator em jornais e costumava oferecer seus serviços como rábula próximo de informes que denunciavam a fuga de escravos. Além de se posicionar publicamente, Luís Gama também atuava de maneira mais direta contra a escravidão e oferecia o seu serviço como rábula para auxiliar negros escravizados que buscavam sua liberdade.

Ao longo de sua carreira como rábula, Luís Gama conseguiu garantir a liberdade de mais de 500 negros escravizados. Um dos principais argumentos de Luís Gama era respaldado por uma lei de 1831 que havia proibido o tráfico negreiro no país. A lei tornou-se letra morta, pois nunca foi respeitada, mas, na Justiça, Luís Gama conseguia provar que a escravização de pessoas trazidas após a proibição do tráfico era ilegal e, portanto, essas pessoas tinham direito à sua liberdade.

Acesse também: Leis abolicionistas — a legislação em torno da gradual emancipação dos escravos

Morte de Luís Gama

Na década de 1880, a saúde de Luís Gama não ia muito bem em virtude da diabetes que ele possuía. A situação dele foi se agravando nos últimos anos até que a diabetes levou Luís Gama a falecer, em 24 de agosto de 1882. A morte sensibilizou inúmeras pessoas, que foram ao seu funeral prestar uma última homenagem.

Luís Gama era amigo de um escritor chamado Raul Pompeia, e este registrou como foi o funeral de seu amigo. Conta-se que mais de três mil pessoas acompanharam o funeral, tamanha a sua popularidade. A grandiosidade do evento pode ser percebida pela fato de que a cidade de São Paulo, onde o abolicionista residia, possuía na época 40 mil habitantes.

Créditos da imagem

[1] Commons

Publicado por Daniel Neves Silva

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