Doenças causadas por fungos

As doenças causadas por fungos são chamadas de micoses ou micoses sistêmicas e, em alguns casos, podem ser até mais perigosas do que aquelas transmitidas por outros microrganismos. É fundamental conhecer os principais sintomas de cada doença para facilitar o diagnóstico precoce e aumentar as chances de cura.

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Resumo sobre as doenças causadas por fungos

  • Doenças causadas por fungos são chamadas popularmente de micoses.
  • Elas podem ser classificadas em micoses superficiais, profundas e sistêmicas.
  • As principais micoses são: candidíase, tinha, onicomicose, histoplasmose, esporotricose, criptococose e pitiríase versicolor.
  • Os sintomas são bem variados e dependem do tipo de infecção, mas podem incluir: manchas na pele, tosse, febre, dor de cabeça, coceira, visão turva, entre outros.
  • O tratamento pode ser feito com o uso de antifúngicos tópicos, mas também podem ser administrados medicamentos por via oral ou intravenosa.
  • A prevenção depende da forma de infecção. Normalmente as melhores maneiras de se prevenir é utilizando EPIs, mantendo a pele limpa e seca e evitando lugares que possam estar contaminados.

Quais são as doenças causadas por fungos?

  • Candidíase: infecção causada pelo fungo Candida albicans. Normalmente, esses microrganismos podem ser encontrados em diversas regiões do corpo humano sem causar danos. Porém, quando a imunidade do indivíduo hospedeiro está comprometida, esse fungo pode se reproduzir e causar diversos sintomas, como coceira, ardor, vermelhidão e, nos casos mais graves, um corrimento branco na região afetada, como ocorre na candidíase vaginal. Essa doença pode ser facilmente tratada se os sintomas iniciais forem identificados rapidamente e se o tratamento for realizado de forma correta. Alguns antifúngicos tópicos podem ser utilizados, como cremes e pomadas que agem no local da infecção, mas, em alguns casos, podem ser indicados medicamentos orais, como o fluconazol, para o tratamento.
Mulher com sintomas de candidíase na língua. Mulher com sintomas de candidíase na língua. aMulher com sintomas de candidíase na língua.
Mulher com sintomas de candidíase na língua.
  • Tinha ou tínea: é uma dermatofitose, ou seja, infecção causada por fungos que afetam a pele, as unhas ou, até mesmo, o couro cabeludo. São doenças causadas geralmente pelos fungos Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton, que podem se manifestar com diferentes sintomas dependendo do lugar onde está ocorrendo a infecção. Os principais sintomas são lesões arredondadas com bordas avermelhadas (conhecidas popularmente com impinge), coceira e, em alguns casos, descamação da pele, como ocorre no pé de atleta. Esses fungos podem habitar nosso corpo normalmente sem causar danos. A infecção acontece quando o indivíduo está com a imunidade baixa, e os fungos aproveitam-se para invadir determinadas regiões, causando os sintomas mais conhecidos da doença. O tratamento dessa doença pode ser realizado com medicamentos antimicóticos tópicos (utilizados no local da infecção) ou por via oral.
Dermatofitose (tínea) conhecida como impinge, um tipo de doença causada por fungo.
Dermatofitose (tínea) conhecida como impinge, um tipo de doença causada por fungo.
  • Onicomicose: infecção fúngica causada principalmente por fungos dermatófitos (como o Tricophyton rubrum) ou não dermatófitos (como o Aspergillus e o Fusarium) que afetam especialmente as unhas. Esses tipos de fungos se alimentam da queratina presente nas unhas, causando os sintomas mais conhecidos, como unhas opacas, espessas, esbranquiçadas ou amareladas. Em alguns casos, a unha pode descolar-se do leito ungueal, causando dor local.

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A transmissão da onicomicose pode ocorrer por diversos fatores, como predisposição genética, imunodeficiência, diabetes, idade avançada, entre outros. Normalmente esse tipo de infecção só afeta as unhas, mas, em casos mais graves, pode afetar também a pele ao redor da unha ou até mesmo migrar para outras regiões do corpo, causando sintomas mais graves.

O tratamento geralmente é feito com medicamentos antifúngicos como o itraconazol. O indivíduo afetado deve ser paciente, pois o uso do medicamento é prolongado e deve ser administrado corretamente para eliminar completamente o fungo. A prevenção se baseia em evitar usar calçados fechados por longos períodos, não andar descalço e manter sempre as unhas limpas e secas.

Sinais visíveis de onicomisose em unhas dos pés.
Sinais visíveis de onicomisose em unhas dos pés.
  • Histoplasmose: doença fúngica causada pelo Histoplasma capsulatum, que pode ser encontrado no ambiente, principalmente em solos. A contaminação ocorre pela inalação do fungo, que pode estar presente em cereais, árvores ou até mesmo em fezes de alguns animais, como morcegos e aves. Não existe comprovação de que essa doença seja transmitida diretamente do animal para o homem, nem de homem para homem. Essa infecção afeta principalmente os pulmões do indivíduo, podendo manifestar sintomas como tosse seca, febre, perda de peso, dor de cabeça e, em alguns casos mais graves, se não for tratada corretamente, pode levar a óbito. A histoplasmose é uma doença fúngica sistêmica, ou seja, pode afetar diferentes órgãos do corpo, e pode ter seus sintomas confundidos com outras doenças que são transmitidas por vírus e bactérias.

Geralmente o corpo consegue evoluir para a cura, com suas próprias linhas de defesa imunológica, entretanto, é recomendado que sejam utilizados medicamentos antifúngicos, como o itraconazol, ou formulações lipídicas de anfotericina B. A prevenção se baseia no uso de equipamentos de proteção (EPI) ao manusear o solo em plantações, manter as mãos sempre limpas e, se possível, utilizar máscaras para evitar a inalação dos fungos.

Ilustração que demonstra os pulmões infectados pelo fungo causador da histoplasmose.
Ilustração que demonstra os pulmões infectados pelo fungo causador da histoplasmose.
  • Esporotricose: é uma doença causada pelo fungo Sporothrix schenckii, presente principalmente em regiões com clima tropical e subtropical. Esse fungo pode ser encontrado em quase todas as regiões do Brasil e pode afetar os animais, principalmente os seres humanos e os gatos. Além disso, pode ser encontrado na natureza, principalmente em arbustos, adubos ou até mesmo em solos, e pode acabar infectando animais e seres humanos por meio de cortes com materiais pontiagudos. Entretanto, em áreas urbanas, a principal forma de contaminação vem sendo por arranhaduras de animais, em especial de gatos.
Gato com sintomas comuns de esporotricose. Ferida causada pelo fungo da esporotricose.
Gato com sintomas comuns de esporotricose.

Os principais sintomas são lesões (feridas) na pele que não cicatrizam e que se iniciam como pequenos nódulos avermelhados, geralmente nas mãos, braços e pernas, mas podem afetar qualquer região da pele. Essa é uma doença considerada grave e delicada, pois deve ser tratada corretamente para que o fungo não se espalhe para outras regiões do corpo. Em alguns casos, o fungo pode migrar para áreas como pulmões, baço, genitais e fígado, por exemplo. Dependendo da imunidade do paciente, pode até mesmo levar a óbito.

O tratamento é feito com o uso de antifúngicos, como o itraconazol e o cloridrato de terbinafina. O iodeto de potássio pode ser indicado para potencializar o sistema imunológico. Podem ser utilizados também outros medicamentos tópicos para auxiliar no processo de cicatrização dos ferimentos. A prevenção se baseia em evitar se aproximar de animais com sintomas de esporotricose (normalmente caracterizados por feridas grandes na região do nariz) e utilizar equipamentos de proteção ao manusear solos, adubos, arbustos e materiais pontiagudos.

Ferida causada pelo fungo da esporotricose.
Ferida causada pelo fungo da esporotricose.
  • Criptococose: micose sistêmica transmitida pelos fungos Cryptococcus neoformans e Cryptococcus gattii, que podem ser encontrados na natureza, principalmente em solos, frutas secas, adubos e nas fezes de pombos, que se espalham pelo ar, podendo ser inaladas. Essa é uma doença grave, e os sintomas dependem de como está o sistema imunológico da pessoa infectada. Inicialmente, esse fungo pode atingir os pulmões e causar sintomas como tosse seca, febre e dor na região do tórax. Porém, ele pode migrar para o cérebro, atingir as meninges e causar sintomas semelhantes aos da meningite, como visão turva, dor de cabeça forte, confusão mental, entre outros sintomas.

O diagnóstico da criptococose é realizado por exame clínico e laboratorial que utiliza a “tinta-da-china” (nanquim), um corante de contraste que ajuda a visualizar fungos encapsulados, como é o caso do Cryptococcus spp. O tratamento é realizado com antifúngicos como o fluconazol, anfotericina B e outros medicamentos que podem ser administrados por via oral ou intravenosa, dependendo do estado de saúde do paciente. Não existe transferência direta de ser humano para ser humano, nem de animal para o ser humano, e a prevenção se baseia no uso de EPIs ao manusear pombos, ou até mesmo ao se aproximar de lugares em que esses animais defecam com frequência. É recomendada também a higienização de praças e locais públicos para evitar a proliferação de fungos nesses locais.

Fezes de pombos presentes em estruturas de locais públicos.
Fezes de pombos presentes em estruturas de locais públicos.
  • Pitiríase versicolor: também conhecida como “pano branco” e “micose de praia”, é uma doença que afeta a camada mais superficial da pele e recebe esse nome popular porque o fungo normalmente é detectado na pele após não sofrer o mesmo bronzeamento que outras regiões do corpo depois de uma exposição ao Sol. Causada pelos fungos do gênero Malassezia, essa não é uma doença grave, e seus sintomas, na grande maioria das vezes, afetam apenas a estética, pois o fungo se alimenta de sebos (lipídios) presentes na epiderme, causando manchas esbranquiçadas, amareladas ou acastanhadas com uma sutil descamação e, em alguns casos, uma coceira leve.

O tratamento é bem eficaz e normalmente resolve os sintomas de forma rápida, com o uso de antifúngicos tópicos (cremes e pomadas), como o cetoconazol, sulfeto de selênio e terbinafina. A prevenção se baseia em manter a pele sempre limpa e seca, e evitar deixar regiões úmidas por muito tempo, principalmente em épocas quentes, pois se torna um ambiente propício para a infecção desse tipo de fungo.

Manchas brancas na pele causadas pelo fungo do gênero Malassezia.
Manchas brancas na pele causadas pelo fungo do gênero Malassezia.

Exercícios resolvidos sobre doenças causadas por fungos

Questão 1

(Legalle Concursos 2014) São exemplos de micoses cutâneas, profundas e sistêmicas, respectivamente:

A) Tinea capitis, Esporotricose e Histoplasmose.

B) Esporotricose, Tinea capitis e Histoplasmose.

C) Tinea capitis, Histoplasmose e Esporotricose.

D) Esporotricose, Histoplasmose e Tinea capitis.

E) Esporotricose, Histoplasmose e Tinea capitis

Resposta: A. Tínea ou tinha são micoses cutâneas, normalmente superficiais; a esporotricose é uma micose profunda, com lesões cutaneolinfáticas; e a histoplasmose afeta principalmente os pulmões, mas pode afetar também outras partes do corpo.

Questão 2

(UECE 2019) Quanto às micoses, é correto afirmar que:

A - São infecções causadas por bactérias, que podem ocorrer em todo o corpo.

B - São infecções causadas por fungos, que podem ocorrer na pele, nas unhas, nas mucosas e no cabelo.

C - São tratadas com antibióticos e prevenidas com hábitos de higiene adequados.

D - Ocorrem frequentemente nas regiões polares em função das condições ideais de calor e umidade

Resposta: B.  As micoses são doenças transmitidas por fungos. Normalmente, essas doenças ocorrem em regiões específicas, como na pele, nas unhas, na mucosa e no couro cabeludo.

Fontes

AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia: volume único. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2016.

LACAZ, Carlos da Silva et al. Tratado de micologia médica. 9. ed. São Paulo: Sarvier, 2002.

MADIGAN, Michael T.; MARTINKO, John M.; BENDER, Kelly S. Microbiologia de Brock. 15. ed. Porto Alegre: Artmed, 2019.

TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L. Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017.

Publicado por
Escritor do artigo
Escrito por: Takayama Douglas de Sousa Quirino Licenciado em Ciências Biológicas pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Takayama Douglas de Sousa Quirino é professor de Ciências e Biologia e apaixonado pela educação científica.

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