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Candida auris

Candida auris é um fungo multirresistente responsável por provocar surtos em várias regiões do mundo. No Brasil, três surtos já foram registrados.
Por apresentar resistência a medicamentos, a infecção por Candida auris é difícil de ser controlada.
Por apresentar resistência a medicamentos, a infecção por Candida auris é difícil de ser controlada.

Candida auris é um fungo que se destaca por sua resistência a medicamentos e ser responsável por infeções hospitalares graves, as quais podem ser, muitas vezes, fatais. No Brasil, até janeiro de 2022, três surtos já haviam sido descritos. O fungo Candida auris pode provocar infecções invasivas com alta taxa de mortalidade. Como se trata de um fungo multirresistente, o tratamento se torna limitado e, muitas vezes, são necessárias altas doses e diferentes tipos de antifúngicos para conter o problema. Uso de cateter venoso central ou outros dispositivos médicos invasivos é considerado um fator de risco para a infecção.

Leia também: Cândida ou candidíase — doença causada pelo fungo Candida albicans

Resumo sobre Candida auris

  • Candida auris é uma levedura que representa grande ameaça à saúde pública.

  • É um fungo multirresistente, característica que faz com que as opções de tratamento da infecção sejam limitadas.

  • Apresenta difícil diagnóstico, podendo ser confundido com outras leveduras.

  • Pode provocar infecções de corrente sanguínea, as quais podem ser fatais.

  • Uso de cateter venoso central, sondas e tubos para ventilação mecânica são fatores de risco para infecções por esse fungo.

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Por que o Candida auris é um grave problema de saúde pública?

Candida auris é uma levedura patogênica que se destaca por ser multirresistente, motivo pelo qual o fungo ficou conhecido popularmente como “superfungo”. A infecção por Candida auris pode ser fatal, e o fato de o patógeno resistir a diferentes antifúngicos faz dela um grave problema de saúde pública.

Além disso, o fungo é responsável por desencadear a ocorrência de surtos nos serviços de saúde e destaca-se por ser capaz de permanecer viável por semanas e até meses no ambiente. O fungo é também resistente a diferentes desinfetantes, o que dificulta a higienização adequada do ambiente.

O fungo recebe a denominação Candida auris devido ao local onde foi observado pela primeira vez: o canal auditivo de um paciente. O nome auris, portanto, é uma referência a essa localização e significa “orelha” em latim.

Apesar de ser encontrado inicialmente na orelha, vale destacar que o fungo pode afetar diferentes partes do corpo e já foi identificado em amostras de urina e respiratórias. Além disso, ele pode provocar infecções invasivas, como as de corrente sanguínea.

As infecções invasivas são, geralmente, preocupantes, podendo levar o paciente à morte. No caso da infecção de corrente sanguínea por Candida auris, entre 30% e 60% dos pacientes diagnosticados evoluíram para a morte. Vale destacar, no entanto, que alguns desses pacientes apresentavam comorbidades que também contribuíram para o óbito.

Quais os fatores de risco para Candida auris?

Monitor de acompanhamento de paciente em unidade de terapia intensiva
Internação em instituições de longa permanência para idosos e hospitais é um fator de risco para infecção por Candida auris.

Segundo a Anvisa, são fatores de risco para infecção por Candida auris:

  • internação em instituições de longa permanência para idosos e hospitais, principalmente em unidades de terapia intensiva (UTI);

  • uso de cateter venoso central ou outros dispositivos médicos invasivos (sondas para alimentação enteral ou tubos para ventilação mecânica);

  • cirurgia recente;

  • diabetes;

  • uso de antimicrobianos ou antifúngicos de amplo espectro.

Leia também: Mucormicose — doença fúngica que ganhou destaque em razão da associação com a covid-19

Quais os casos de Candida auris no Brasil?

O primeiro caso de Candida auris no mundo foi descrito em 2009, no Japão. Na ocasião, o fungo foi encontrado em secreção do canal auditivo de um paciente. Após esse primeiro relato, ele foi observado em diferentes partes do mundo, incluindo o Brasil.

No nosso país, o primeiro caso foi notificado à Anvisa no dia 7 de dezembro de 2020. O fungo foi observado em uma amostra da ponta de um cateter de um paciente internado em uma UTI na Bahia. Esse foi o primeiro caso do primeiro surto no território nacional. O primeiro surto teve 15 casos e dois mortos.

Outro surto foi observado em dezembro de 2021, também na Bahia, com um caso. Em 3 de janeiro de 2022, a Anvisa foi notificada de dois casos de Candida auris em Pernambuco, o que representou o terceiro surto aqui.

Como fazer a identificação de Candida auris?

Um dos maiores problemas enfrentados no controle de Candida auris diz respeito à dificuldade de identificação desse patógeno. Os exames tradicionais não são capazes de distinguir adequadamente a espécie de outras leveduras, sendo fundamental o uso de métodos moleculares. Devido a essa dificuldade, é possível que mais casos de Candida auris tenham ocorrido sem a devida notificação.

Como é feito o tratamento para conter o Candida auris?

Como salientado ao longo do texto, o Candida auris é um patógeno multirresistente em relação a diferentes antifúngicos. Vale destacar que algumas cepas do fungo resistem às três principais classes de antifúngicos utilizados: polienos, azóis e equinocandinas. Por isso, o tratamento envolve diferentes antifúngicos, os quais podem ser administrados em altas doses.

Publicado por Vanessa Sardinha dos Santos

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