Modos verbais
Modos verbais são as formas do verbo que indicam a atitude do falante diante da ação: se ela é apresentada como fato, como hipótese/desejo ou como ordem. Os modos verbais são o indicativo, o subjuntivo e o imperativo.
Leia também: Qual a relação entre os tempos e os modos verbais?
Resumo sobre modos verbais
- Modos verbais são maneiras de apresentar uma ação verbal.
- Existem três modos verbais na língua portuguesa: indicativo, subjuntivo e imperativo.
- O modo indicativo trata a ação como certa ou real, apresentada como informação ou declaração.
- O modo subjuntivo trata a ação como incerta, desejada ou hipotética, comum em construções de condição.
- O modo imperativo trata a ação como ordem, pedido, conselho ou convite, esperando que o ouvinte atenda ao que se pede.
- O modo não deve ser confundido com o tempo verbal, que indica quando a ação ocorre (no passado, no presente ou no futuro).
Videoaula sobre modos verbais
O que são modos verbais?
Modos verbais são formas do verbo que indicam diferentes maneiras de uma ação verbal se realizar. Em outras palavras, os modos verbais indicam a atitude do falante em relação à ação do verbo, seja ela de certeza, dúvida ou ordem.
Quais são os modos verbais?
Há três modos verbais, dependendo da intenção do falante:
- o indicativo,
- o subjuntivo e
- o imperativo.
→ Modo indicativo
É usado quando o falante trata a ação como certa, real ou comprovada, sendo apresentada como um fato.
Exemplos:
Não temos muito mais tempo!
Eu te vi de longe no show.
Eu faria qualquer coisa para isso.
Nos três casos, os verbos estão no modo indicativo, pois as ações são apresentadas como fatos certos ou uma inclinação do falante para enxergá-las como reais. Observe:
- o verbo da primeira frase é uma ação no tempo presente, tida como real: não ter tempo;
- o verbo da segunda frase é uma ação no tempo passado, tida como comprovada: ter visto;
- o verbo da terceira frase é uma ação no tempo futuro do pretérito, tida como possibilidade: fazer qualquer coisa para conquistar algo.
→ Modo subjuntivo
É usado quando a ação é tida como incerta, desejada ou hipotética, dependendo de uma condição ou possibilidade.
Exemplos:
Torço para que você tenha muito sucesso por aqui!
Mesmo se eu me apressasse, não chegaria a tempo.
Quando eles falarem algo, nós já estaremos preparados.
Nos três casos, os verbos estão no modo subjuntivo, pois as ações são apresentadas como incertas e podendo ou não se realizar ou dependentes de uma condição. Observe:
- o verbo destacado na primeira frase é uma ação no tempo presente, que expressa um desejo atual do falante;
- o verbo destacado na segunda frase é uma ação no tempo pretérito, que expressa uma situação hipotética do passado;
- o verbo destacado na terceira frase é uma ação no tempo futuro, que expressa uma possibilidade posterior.
→ Modo imperativo
É usado quando a ação é expressa como ordem, pedido, conselho ou convite.
Exemplos:
Não pise na grama.
Abra a janela, por favor?
Tenha cuidado com as suas companhias…
Venha para a minha festa na semana que vem!
Nos quatro casos, os verbos estão no modo imperativo, pois as ações são expressas de modo que se espera que o ouvinte aja de acordo com elas, portanto:
- o verbo da primeira expressa uma ordem clara: não pisar na grama;
- o verbo da segunda frase expressa um pedido a alguém: abrir a janela;
- o verbo da terceira frase expressa um conselho: ter cuidado;
- o verbo da quarta frase expressa um convite: vir à festa.
Modos verbais e tempos verbais
Os modos verbais indicam a atitude do falante em relação à ação verbal ou a forma como essa ação do verbo é percebida pelo falante. Já os tempos verbais indicam quando essa ação verbal acontece: no passado, no presente ou no futuro.
→ Tempos verbais do modo indicativo
O modo indicativo tem seis tempos verbais:
- Presente: ação no momento da fala.
Eu assisto a várias séries.
- Pretérito perfeito: ação anterior ao momento da fala, que parou de ser realizada.
Eu assisti à série que você me recomendou.
- Pretérito imperfeito: ação anterior ao momento da fala, que foi interrompida.
Eu assistia a essa série, mas enjoei.
- Pretérito mais-que-perfeito: ação anterior a outro momento do passado.
Eu assistira a todas as séries com aquele ator, mas deixei de gostar dele.
Pode ser substituído por uma forma composta (pretérito imperfeito + particípio):
Eu tinha assistido a todas as séries com aquele ator, mas deixei de gostar dele.
- Futuro do presente: ação posterior ao momento da fala.
Eu assistirei a todas as séries que você me indicar.
Pode ser substituído por uma forma composta (presente + infinitivo):
Eu vou assistir a todas as séries que você me indicar.
- Futuro do pretérito: ação considerada uma possibilidade (muitas vezes com ideia de potencialidade ou desejo).
Eu assistiria a essas séries, mas não gosto dessa temática.
→ Tempos verbais do modo subjuntivo
O modo subjuntivo tem três tempos verbais:
- Presente: ação no momento da fala (geralmente introduzido por “que”).
Que tenhamos muita saúde neste ano!
- Pretérito imperfeito: ação anterior ao momento da fala (geralmente introduzido por “se”).
Se eu tivesse sorte, eu estaria lá também.
- Futuro: ação posterior ao momento da fala (geralmente introduzido por “quando”).
Quando você tiver o documento em mãos, avise-me.
Por fim, o modo imperativo não tem tempos verbais, pois aparece como ordem ou pedido.
Saiba mais: Quais são as formas nominais do verbo?
Exercícios resolvidos sobre modos verbais
Questão 1 (FUVEST – Adaptada)
Paraíso
Se esta rua fosse minha,
eu mandava ladrilhar,
não para automóvel matar gente,
mas para criança brincar.
Se esta mata fosse minha,
eu não deixava derrubar.
Se cortarem todas as árvores,
onde é que os pássaros vão morar?
Se este rio fosse meu,
eu não deixava poluir.
Jogue esgotos noutra parte,
que os peixes moram aqui.
Se este mundo fosse meu,
eu fazia tantas mudanças
que ele seria um paraíso
de bichos, plantas e crianças.
PAES, José Paulo. Poemas para brincar. São Paulo: Ática, 2019.
Tendo em vista o contexto, o modo verbal predominante no excerto e a razão desse uso são:
A) indicativo; expressar verdades universais.
B) imperativo; traduzir ordens ou exortações.
C) subjuntivo; indicar vontade ou desejo.
D) indicativo; relacionar ações habituais.
E) subjuntivo; sugerir condições hipotéticas.
Resposta: Alternativa C.
O poema inicia todas as estrofes com verbos no modo subjuntivo, para apresentar um desejo do eu lírico, refletindo uma situação hipotética não realizada.
Questão 2 (COPESE-UFJF)
A seguir, você lerá trechos de Um livro de instruções e desenhos de Yoko Ono, da artista plástica, compositora e escritora Yoko Ono (Tóquio, 1933-). Esses trechos estão na primeira parte do livro, intitulada “Música”, em que a autora fornece “instruções” para que seus leitores componham músicas.
Texto 1:
Composição da batida
Ouça uma batida de coração
Texto 2:
Composição do amanhecer
Pegue a primeira palavra que vier
à sua cabeça.
Repita a palavra até o amanhecer.
Texto 3:
Composição do sanduíche de atum
Imagine mil sóis no
céu ao mesmo tempo.
Deixe-os brilhar por uma hora.
Então, deixe-os derreter gradualmente
no céu.
Faça um sanduíche de atum e coma.
(ONO, Yoko. Grapefruit – A Book of Instruction and Drawings by Yoko Ono. Nova Iorque: Simon & Schuster, 2000 [1964].).
Os verbos utilizados nos três textos acima, no imperativo, possuem sentido de
A) ordem, como nas leis que os cidadãos são obrigados a cumprir para o bem-estar geral.
B) sugestão, como opções que podem ser escolhidas para serem seguidas ou não.
C) pedido, como nos textos de horóscopo e nas dicas dadas por amigos e familiares.
D) determinação, como nos editais de concurso, que mostram normas de participação.
E) imposição, como nas regras de jogos, que têm de ser obedecidas para o sucesso da empreitada.
Resposta: Alternativa B.
No contexto apresentado, o modo imperativo cumpre função específica de sugestão ao leitor, feita pelo eu lírico.
Fontes
AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Parábola, 2021.
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 38ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.