Tupi-guarani
Tupi-guarani é um termo utilizado genericamente para se referir de maneira homogênea a todos os povos indígenas que pertencem aos grupos classificados como tupi e guarani. Tupis e guaranis são povos distintos, com tradições, práticas, crenças e hábitos próprios. Cada povo fala também um idioma distinto: nheengatu para os tupis e guarani para os guaranis.
Tanto tupis quanto guaranis são oriundos da região amazônica, mas há milhares de anos esses povos começaram a migrar, estabelecendo-se em diferentes regiões. Os tupis se concentraram nas regiões litorâneas do Brasil, e os guaranis, na região Sul, estando também presentes no Sudeste, Centro-Oeste e países vizinhos, como o Paraguai.
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Resumo sobre tupi-guarani
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Tupi-guarani é um termo que generaliza diferentes povos indígenas que são classificados como tupis e guaranis.
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Não existe povo tupi-guarani, mas sim dois povos distintos: os tupis e os guaranis.
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Os dois povos são originários da região amazônica, mas migraram e se estabeleceram em locais distintos da América do Sul.
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Os tupis se concentraram no litoral brasileiro e os guaranis se estabeleceram na região Sul.
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Tupis e guaranis falam idiomas distintos.
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Não existe uma língua tupi-guarani, pois tupi-guarani é um tronco linguístico que agrupa uma série de idiomas.
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Parte dos tupis se comunica por nheengatu; já os guaranis, pela língua guarani e seus diversos dialetos.
Quem são os tupi-guarani?
O termo tupi-guarani é utilizado como uma generalização para se referir a dois dos maiores grupos indígenas do Brasil: os tupi e os guaranis. Não existe um povo tupi-guarani, mas, sim, uma série de povos que pertencem ao grupo dos povos tupis e, também, aos guaranis. Esses povos possuem um laço linguístico, pois os idiomas falados por eles pertencem ao tronco do tupi-guarani. De toda forma, tupis e guaranis são dois povos distintos, e cada qual possui suas tradições.
O termo “tupis” é utilizado para se referir a diferentes povos que possuem uma grande aproximação cultural e a mesma origem, como é o caso dos tupinambás, caetés e tupiniquins, por exemplo. O mesmo ocorre com os guaranis, que são divididos nos grupos conhecidos como mbyá, nhandeva, kaiowá e chiriguano (também conhecidos como Ava Guarani). Tanto tupis quanto guaranis possuem uma origem histórica similar, sendo estes dois grupos oriundos da região amazônica, mas que se estabeleceram em diferentes locais.
Os tupis estão presentes em regiões litorâneas do Brasil, enquanto que os guaranis estão espalhados por parte das regiões Centro-Oeste, Sudeste e bastante concentrados na região Sul, havendo também a presença de guaranis em territórios vizinhos, como o Paraguai, a Argentina e a Bolívia. Os tupis atuais se comunicam pelo nheengatu e os guaranis falam a língua guarani.
Características dos tupi-guarani
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Língua tupi-guarani
Assim como não há povo tupi-guarani, não há uma língua tupi-guarani, pois o tupi-guarani é um ramo linguístico que faz parte da família de idiomas tupiana. Esse ramo agrupa uma série de idiomas, estando entre eles o tupi antigo, o nheengatu, além do próprio guarani, assim como outros idiomas, como o xetá, por exemplo. Sendo assim, tupis e guaranis falam idiomas distintos, que podem ter aproximações que ocorrem devido à sua mesma origem no tronco linguístico.
Atualmente, uma parte tupis se comunica por nheengatu, considerado pelos pesquisadores como a versão moderna do tupi antigo. Se trata de uma língua falada por, no máximo, 20 mil pessoas. Os guaranis, por sua vez, comunicam-se pela língua guarani, havendo diferentes dialetos do idioma para os diferentes grupos do guarani: mbyá, nhandeva, kaiowá e chiriguano. O idioma guarani é uma das línguas indígenas mais faladas da América do Sul, possuindo cerca de 6 milhões de falantes no continente. A maioria desses falantes está no Paraguai.
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Cultura tupi-guarani
A cultura de tupis e guaranis é bastante diversa, pois cada um desses povos possui suas próprias tradições e práticas culturais. Assim como há diferenças, algumas características da vida e cultura dos tupis e dos guaranis podem ser semelhantes. A vida de tupis e guaranis, por exemplo, é comunitária, havendo uma autoridade política e religiosa na comunidade, os caciques e pajés, respectivamente.
Há uma divisão muito bem estabelecida das funções de cada indivíduo. Em geral, essa divisão se dá por gêneros. A sociedade de tupis e guaranis se sustenta com base na caça, pesca, coleta e na agricultura.
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Religião tupi-guarani
Tanto tupis como guaranis possuem religiões com forte conexão com a natureza, sendo os dois povos marcados pelo profundo senso de respeito pela natureza e tudo que a compõe. Os dois povos respeitam profundamente a floresta e os espíritos que habitam em seu interior, além de possuírem divindades que são características de suas crenças religiosas. Para ambos povos, o papel dos pajés é fundamental, sendo essa figura uma autoridade religiosa que é responsável por mediar o contato da humanidade com o mundo espiritual.
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Arte tupi-guarani
A pintura cultural é uma manifestação artística comum a diferentes povos indígenas e não é diferente para os tupis e guaranis. Obviamente, cada povo manifesta esse costume a sua própria maneira, mas a pintura corporal é utilizada em vários contextos, demonstrando a posição que um indivíduo possui naquela comunidade. Além disso, tupis e guaranis possuem uma grande habilidade com itens de madeira, trançados, cerâmicas e arte com plumas.
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Onde vivem os tupi-guarani?
Historicamente, a origem de tupis e guaranis é traçada na região amazônica, mas ambos povos deram início a uma migração há milhares de anos que os levou a se estabelecer em locais diferentes. Os povos tupis ocuparam uma vasta região do litoral brasileiro, estendendo-se do litoral do Norte ao litoral do Sudeste.
Os guaranis, por sua vez, migraram até a região Sul do Brasil, onde se concentram em maior quantidade, mas estão presentes também nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, além de países vizinhos do Brasil, como o Paraguai.
Mitologia tupi-guarani
A religiosidade de tupis e guaranis é marcada pela crença na existência de divindades e seres, vulgarmente conhecida como mitologia tupi-guarani. Essa mitologia é distinta, de modo que há um conjunto de deuses e lendas relacionadas a cada povo. Algumas figuras importantes para cada uma deles são:
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Nhanderu: criador do Universo para os guaranis;
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Tupã: figura apresentada como criador do Universo em lendas tupis.
Alguns historiadores, no entanto, apontam que Tupã não tinha uma posição tão relevante assim no panteão tupi.
Qual a origem dos tupi-guarani?
Tanto tupis como os guaranis são povos indígenas originários da região amazônica. Esses povos iniciaram um processo migratório que os levou para lugares distantes dos seus locais de origem. No caso dos guaranis, eles eram originários da região do rio Madeira-Guaporé e começaram sua migração cerca de 2500 anos antes do presente, concentrando-se na região Sul. Estavam em menor número no Sudeste e no Centro-Oeste, além de terem presença significativa no Paraguai e na Argentina.
Já os tupis, começaram essa migração cerca de 2000 anos atrás, saindo da região dos rios Madeira e Xingu até chegar ao litoral brasileiro. No seu auge, a população tupi chegou a ser de cerca de 5 milhões de indivíduos, mas foi drasticamente reduzida quando os portugueses chegaram ao Brasil.
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História dos tupi-guarani
Depois de terem migrado de seus locais de origem, os tupis e os guaranis se estabeleceram em áreas específicas do território brasileiro, mas a vida desses povos foi severamente impactada pela presença europeia na América do Sul. Os guaranis, por exemplo, foram vítimas do trabalho exercido pelos jesuítas, como as missões no Rio Grande do Sul. A região passou por uma guerra, entre os anos de 1753 e 1756, chamada Guerra Guaranítica, um conflito travado por jesuítas e guaranis contra as coroas de Portugal e Espanha. Quanto aos tupis, o contato desse povo com os portugueses resultou na dizimação quase que total de sua população.
Créditos das imagens
[1] Julia Zulian / Shutterstock
[3] Wikimedia Commons (reprodução)
[4] Natali Glado / Shutterstock
Fontes
REDAÇÃO. Guarani: mbya e tupi. Disponível em: https://cpisp.org.br/povos-indigenas-em-sao-paulo/povos-indigenas/guarani-e-tupi/
CORRAINI, Stéfani Ramos. A construção política e social Tupi Guarani: uma visão sobre os povos Tupi Guarani ao longo da História, seus enredos cosmológicos, diferenças e posições entre os subgrupos. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/c6077491-b22e-4150-b4fa-c3ffcd8bcd8e/content
REDAÇÃO. Os guarani mbyá. Disponível em: https://www.ufrgs.br/museu/caixa-os-guarani-mbya
NOELLI, Francisco Silva. As hipóteses sobre o centro de origem e rotas de expansão dos Tupi. Disponível em: https://revistas.usp.br/ra/article/view/111642/109672
ZORZETTO, Ricardo. Ascensão e declínio dos tupi. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/wp-content/uploads/2021/12/056-058_genetica_311.pdf