Polissemia

Polissemia é um fenômeno linguístico que consiste na multiplicidade de sentidos de uma palavra. Por exemplo, a palavra “cabo” pode significar extremidade de um objeto (“Peguei a vassoura pelo cabo”) ou uma graduação militar (“O cabo deu a ordem”). O uso de termo polissêmico pode causar ambiguidade se ele não for contextualizado.

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Assim, frases como “Você viu a fonte?”, fora de contexto, geram dúvida. Viu a fonte de água ou a fonte das notícias? Por fim, a homonímia consiste em palavras com sentidos diferentes, que podem apresentar mesma grafia e/ou sonoridade, como por exemplo, “acento” (sinal gráfico) e “assento” (lugar onde nos sentamos), as quais apresentam mesmo som mas grafias distintas.

Leia também: Denotação e conotação — como perceber o sentido real e o sentido figurado das palavras?

Resumo sobre polissemia

  • A polissemia consiste na multiplicidade de sentidos de uma palavra: “Tive uma pena de você!” e “Tirei uma pena da asa da galinha”.
  • O sentido de uma palavra polissêmica é entendido pelo contexto.
  • A ambiguidade ocorre quando o duplo sentido de um termo provoca dificuldade de entendimento da mensagem: “O burro do meu amigo escorregou e caiu”.
  • A homonímia é a semelhança gráfica e/ou sonora das palavras.
  • Existem três tipos de homônimos:
    • homógrafos heterofônicos: mesma grafia, mas sonoridade distinta (o acordo/ eu acordo);
    • homófonos heterográficos: grafias distintas e mesma sonoridade (coser – costurar/ cozer – cozinhar);
    • homófonos homográficos: mesma grafia e mesmo som (cedo – advérbio/ cedo – verbo ceder).

O que é a polissemia?

A polissemia consiste na multiplicidade de sentidos de uma palavra ou expressão. Uma palavra polissêmica é aquela que apresenta mais de um sentido. Por exemplo, a palavra “banco” pode significar “assento”, mas também pode se referir a uma instituição financeira. O que nos leva a entender o sentido dessa palavra é o contexto, ou seja, a situação comunicativa.

Observe:

Duas ilustrações e frases em alusão aos sentidos da palavra banco, um exemplo de polissemia.
Conseguimos entender o sentido da palavra BANCO, nas frases, pelo contexto.

Na primeira frase, é possível fazer a relação do caixa eletrônico com uma agência bancária e entender que a palavra BANCO se trata de uma instituição financeira. Da mesma forma, na segunda frase, você associa o cansaço com a necessidade de sentar em um BANCO para descansar.

Normalmente, entendemos bem o significado das palavras polissêmicas, mas é preciso ter cuidado. Na falta de um contexto específico, o uso de uma palavra polissêmica pode gerar ambiguidade, isto é, duplo sentido, o que dificulta o entendimento de quem recebe a mensagem. Veja este exemplo:

A língua é fascinante.

Se dizemos isso sem contexto, você pode ficar em dúvida se estamos falando do órgão ou do idioma.

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Por fim, também existem expressões polissêmicas como “quebrar o galho”, que, em sentido literal, significa partir o galho de uma planta, mas, em sentido figurado, pode ser entendida como uma ajuda. Outra expressão polissêmica é “colocar mão no fogo”, que, em ambos os sentidos, é sempre algo perigoso: você pode se queimar ou se decepcionar com alguém em quem você confiava.

Veja também: Figuras semânticas — recursos que distorcem o sentido literal das palavras

Exemplos de polissemia

Palavras polissêmicas

  • MANGA (fruta):

Gilda tem alergia a manga, por isso não come essa fruta.

  • MANGA (parte da roupa):

Gilda acabou sujando a manga ao encostar a blusa na parede.

  • VELA (do barco):

Quando o barco se aproximou, a vela foi vista pelos náufragos na ilha.

  • VELA (de cera):

Agora, com tanta falta de energia, preciso acender uma vela quase todos dias.

  • LETRA (do alfabeto):

Mostrei o alfabeto para Juquinha; mas, até agora, ele só decorou a primeira letra.

  • LETRA (de música):

Juquinha vai cantar uma canção famosa na festa do Dia dos Pais e até já decorou a letra.

  • BOCA (parte do corpo):

Juliano abriu a boca para a dentista verificar os danos causados pelo descuido diário.

  • BOCA (parte da calça):

A calça, Juliano, tem boca larga, como você gosta.

  • PREGAR (falar/fazer um sermão):

O padre gostava de pregar aos domingos, e todo mundo apreciava seus sermões.

  • PREGAR (fixar):

Edu, ajuda sua irmã a pregar o quadro na parede, por favor.

  • PONTO (do ônibus):

Chegou ao ponto atrasada e perdeu o ônibus.

  • PONTO (pontuação):

Escrevia textos sem ponto e sem vírgula, era uma confusão.

  • CAPA (parte externa do livro):

Não julgue o livro pela capa, é o que meu pai dizia.

  • CAPA (manto que cobre a roupa):

A capa do super-homem é vermelha ou azul?

  • MARCA (sinal na pele):

Desde criança, tenho essa marca na pele, mas não sei a origem.

  • MARCA (nome/selo de produtos):

Depois do prejuízo, não comprou mais nada daquela marca fraudulenta.

  • GATO (ligação irregular):

A companhia de energia diz para ninguém fazer gato.

  • GATO (animal):

O gato siamês subiu no muro e desfilou tranquilamente.

  • GATO (bonito, atraente):

Naquele tempo, meu marido era um gato.

  • PEÇA (mecânica):

O mecânico disse que precisava trocar a peça.

  • PEÇA (de teatro):

Romeu e Julieta é uma peça muito famosa.

Ilustrações de um livro e do super-homem representando exemplos de polissemia. (imagem_principal)
Polissemia é a multiplicidade de sentidos que uma palavra possui.

→ Expressões polissêmicas

Tenho preguiça até de abrir os olhos quando acordo.

(sentido literal)

Se você não abrir os olhos, vai perder todos os seus amigos.

(sentido figurado)

Tales, é preciso puxar o tapete para eu varrer aí.

(sentido literal)

Ele era capaz de puxar o tapete de qualquer um para se dar bem na vida.

(sentido figurado)

Dieguinho, se você chutar o balde de novo, como se ele fosse bola de futebol, vai ficar de castigo.

(sentido literal)

Noraldina ficou cansada da vida que estava vivendo e, num belo dia, decidiu chutar o balde e ir embora.

(sentido figurado)

Fui à loja, comprei e paguei o pato de porcelana, pedi para o embrulharem para presente.

(sentido literal)

Meu irmão quebrou a taça do meu pai, pôs a culpa em mim, e fui eu que paguei o pato.

(sentido figurado)

Enquanto minha mãe enchia o saco com o lixo, eu varria o resto do quintal.

(sentido literal)

Minha mãe enchia o saco de todo mundo com suas piadas sem graça.

(sentido figurado)

Faltou luz, e segurei a vela para minha irmã escovar os dentes.

(sentido literal)

Não saio com casal de amigos, por isso nunca segurei vela.

(sentido figurado)

Rodrigo sujou as mãos de tinta quando pintava a janela.

(sentido literal)

Sempre foi honesto, nunca sujou as mãos em esquemas fraudulentos.

(sentido figurado)

As baratas subiam pelas paredes, enquanto a menina gritava de medo.

(sentido literal)

Meus pais subiam pelas paredes quando a vizinha botava música alta.

(sentido figurado)

Pedi para minha irmãzinha pintar o sete na folha, mas ela pintou o oito.

(sentido literal)

Meu irmão vai pintar o sete na casa da minha avó, a bagunça vai ser boa.

(sentido figurado)

Quais as diferenças entre polissemia e ambiguidade?

Já vimos que polissemia é a multiplicidade de sentidos. Uma palavra polissêmica é aquela que apresenta mais de um sentido. Porém, fora de contexto, essa palavra pode gerar ambiguidade, isto é, duplo sentido.

O fenômeno da ambiguidade ocorre quando a pessoa que recebe a mensagem não consegue entender claramente o que o(a) interlocutor(a) quer dizer. Isso porque a palavra, frase ou expressão usada está fora de contexto e/ou tem mais de um sentido.

Veja esta frase:

A anta do meu irmão quebrou meu tablet.

Note que “anta” é uma palavra polissêmica, pois pode se referir a um animal ou a uma pessoa desprovida de inteligência. Mas, no exemplo, ocorre ambiguidade. Afinal, o irmão tem uma anta? Essa anta quebrou o tablet? Ou o irmão é uma “anta”, ou seja, pouco inteligente? Então, o irmão foi quem quebrou o tablet?

Você pode dizer que ninguém tem uma anta em casa, afinal. Certo? Mas, e se esses irmãos moram em uma fazenda? E se um deles cuidou de uma anta, com autorização dos órgãos ambientais? Pode não ser algo comum, mas não é impossível, por isso, o fato é que há ambiguidade na frase.

A ambiguidade também pode ocorrer em um diálogo, como neste exemplo:

— Dulce, leia as cartas pra mim.

— Não sou cartomante.

— Estou falando das cartas que recebi ontem.

— É meu papel afinal.

— As cartas foram escritas no seu papel?

— Não, estou dizendo que minha função agora é ler cartas.

— Ah, comi mosca.

— E é nutritiva?

— Do que está falando?

— Da mosca que você comeu.

— Ah, Dulce, não enche o saco.

— Mas a coleta seletiva não é hoje?

Observe que a ambiguidade pode ocorrer por descuido de quem expressa a mensagem, mas também pode ser um recurso irônico, usado para incomodar ou fazer humor. Portanto, a ambiguidade ocorre quando uma mesma frase apresenta dois sentidos diferentes, de forma a confundir quem recebe tal mensagem.

Já a polissemia é um fenômeno linguístico que consiste na existência de mais de um sentido para uma mesma palavra ou expressão. No entanto, não ocorre duplo sentido na frase, já que o contexto deixa claro qual é o sentido utilizado:

Escrevi o nome dele no papel.

O papel do professor é estimular o pensamento crítico.

Nesses dois enunciados, fica evidente quando “papel” é usado com o sentido de “folha de papel” e quando é usado com sentido de “função”. Portanto, não há ambiguidade, mas apenas polissemia.

Quais as diferenças entre polissemia e homonímia?

O termo “polissemia” está associado aos múltiplos sentidos de uma palavra, já o termo “homonímia” está associado à grafia e à sonoridade de uma palavra. Assim, existem três tipos de homônimos:

  • Homógrafos heterofônicos: são palavras com a mesma grafia, mas que não possuem a mesma sonoridade:

Pegou a colher para tomar sopa.
(substantivo)

Dora foi colher morangos.
(verbo)

Na primeira ocorrência, “colher” é um substantivo, e a letra “e” é aberta: colhér. Na segunda ocorrência, “colher” é um verbo, e letra “e” é fechada: colhêr. Portanto, são palavras distintas, apesar da semelhança gráfica.

  • Homófonos heterográficos: são palavras com grafias distintas, mas que possuem a mesma sonoridade:

O conserto do carro ficou caro.

Fomos ao concerto de piano do meu primo.

Na primeira ocorrência, o termo sublinhado é um substantivo escrito com “s”. Na segunda ocorrência, também temos um substantivo, porém escrito com “c”. Consequentemente, são duas palavras distintas, apesar da semelhança fônica (referente ao som).

  • Homófonos homográficos: são palavras com mesma grafia e mesma sonoridade:

Elizabete tinha uma mente perversa.
(substantivo)

Elizabete mente até para si mesma.
(verbo)

Na primeira ocorrência, “mente” é um substantivo. Na segunda ocorrência, é um verbo, ou seja, terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo “mentir”. Portanto, o termo “mente” apresenta sentidos diferentes, apesar da semelhança fônica e gráfica.

Saiba mais: Duplo sentido, ironia, ambiguidade e humor — qual a diferença, como usar

Exercícios resolvidos sobre polissemia

Questão 1

Marque V (verdadeiro) ou F (falso) para as seguintes afirmações:

(  ) O termo “estrela” é polissêmico.

(  ) O termo “grave” é polissêmico.

(  ) O termo “xadrez” é polissêmico.

A sequência correta é:

A) V, V, F.

B) V, V, V.

C) V, F, F.

D) F, F, V.

E) F, V, F.

Resolução: Alternativa B.

As palavras “estrela”, “grave” e “xadrez” são polissêmicas. “Estrela”: pessoa famosa ou corpo celeste. “Grave”: sério ou tipo de som. “Xadrez”: jogo, prisão ou tipo de tecido.

Questão 2

Analise estas afirmações:

I- A expressão “de boca aberta” é polissêmica.

II- A frase “Essa manga é pequena” não gera ambiguidade.

III- As palavras “cheque” e “xeque” são homônimas.

Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):

A) I apenas.

B) II apenas.

C) III apenas.

D) I e II apenas.

E) I e III apenas.

Resolução: Alternativa E.

A expressão “de boca aberta” pode significar que alguém está com a boca aberta ou que alguém está surpreso. A frase “Essa manga é pequena”, assim descontextualizada, é ambígua, pois não é possível saber se quem enuncia a frase está se referindo a uma fruta ou à parte de uma roupa. Por fim, as palavras “cheque” e “xeque” são homônimas, pois possuem a mesma pronúncia, apesar de grafias e significados distintos.

Fontes

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

CORBARI, Alcione Tereza; BIDARRA, Jorge. O modal dever epistêmico e deôntico: um problema de processamento lexical. Ciências & Cognição, Rio de Janeiro, v. 11, jul. 2007. 

Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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