Verbo transitivo e verbo intransitivo

Verbos transitivos e verbos intransitivos são classificados de acordo com a presença ou com a ausência de complemento para entender o sentido do verbo. Verbos transitivos exigem complemento (objeto) para completar o sentido da ação. Verbos intransitivos têm sentido completo sozinhos, não precisando de objeto na oração.

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Leia também: Afinal, o que são os verbos?

Resumo sobre verbo transitivo e intransitivo

  • Verbos transitivos e verbos intransitivos são classificados de acordo com a presença ou com a ausência de complemento para entender o sentido do verbo.

  • O verbo transitivo exige complemento (objeto) para ter sentido completo da ação.

  • O verbo intransitivo tem sentido completo por si só, não precisando de complemento (objeto) para ser completamente compreensível.

  • Os verbos transitivos podem ser divididos entre diretos, indiretos e bitransitivos.

  • Verbos transitivos diretos ligam-se diretamente ao seu objeto.

  • Verbos transitivos indiretos ligam-se ao seu objeto por meio de preposição.

  • Verbos bitransitivos apresentam dois objetos: ligam-se diretamente a um deles e por meio de preposição ao outro.

Imagem explicando a diferença entre verbos transitivos e verbos intransitivos e mostrando exemplos.
A diferença entre verbos transitivos e verbos intransitivos está na necessidade de complemento para completar o sentido do verbo. (Créditos: Mundo Educação)

Verbo transitivo

Verbo transitivo é o verbo que não tem sentido completo sozinho, pois precisa de um complemento para completar a ideia. Esse complemento recebe o nome de objeto. Veja:

sujeito + verbo + objeto

Heloá fez muitas compras.

Nessa oração, o verbo “fazer” isolado não apresenta sentido completo. Por isso, precisa de um complemento (o objeto “muitas compras”) para ter sentido completo.

Os verbos transitivos podem ser classificados de três formas diferentes, conforme a tabela a seguir:

Tipo de verbo transitivo

Quantidade de complementos

Definição

Direto

Um objeto

Liga-se diretamente

Indireto

Um objeto

Liga-se por meio de preposição

Direto e indireto

Dois objetos

Liga-se a um diretamente e

a outro por meio de preposição

Entenda melhor cada um a seguir.

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Verbo transitivo direto

O verbo transitivo direto é o verbo que se liga diretamente ao seu objeto, sem precisar de preposição para que a frase tenha sentido. Veja:

sujeito + verbo transitivo direto + objeto direto

O atleta ganhou a medalha.

Aqui, o verbo “ganhar” funciona como transitivo direto. É transitivo, pois precisa de complemento, e é direto, pois liga-se ao complemento sem precisar de preposição.

Veja outro caso:

sujeito + verbo transitivo direto + objeto direto

O novato assistiu o chefe de pedreiro na obra.

O verbo “assistir”, sem preposição, tem sentido de “ajudar”, de “auxiliar”. Assim, a frase indica que o sujeito “novato” ajudou o chefe de pedreiro na obra em que estavam.

Acesse também: Verbo transitivo direto — mais detalhes sobre esses verbos

Verbo transitivo indireto

O verbo transitivo indireto é o verbo que se liga ao objeto com ajuda de uma preposição, para que a frase tenha sentido. Veja:

sujeito + verbo transitivo indireto + objeto indireto

Eu confio em vocês.

Nessa frase, o verbo “confiar” liga-se ao objeto “vocês” por meio da preposição “em”. Agora, veja outro caso:

sujeito + verbo transitivo indireto + objeto indireto

O novato assistiu ao chefe de pedreiro na obra.

O verbo “assistir”, acompanhado da preposição “a”, tem sentido de “ver”, de “observar”. Assim, dessa vez, a frase indica que o sujeito “novato” apenas observou o chefe de pedreiro na obra em que estavam.

Verbo transitivo direto e indireto (bitransitivo)

Verbo transitivo direto e indireto (bitransitivo) é o verbo que tem dois complementos, ligando-se a um diretamente e a outro por meio de preposição. Veja:

sujeito + verbo bitransitivo + objeto direto + objeto indireto

Entregaremos esse relatório à gestão ainda hoje.

Aqui, o verbo “entregar” tem dois complementos: o objeto direto “esse relatório” e o objeto indireto “à gestão” (ligado pela preposição “a”). Veja outro caso:

sujeito + verbo bitransitivo + objeto direto + objeto indireto

O atleta ganhou a medalha da organização.

Dessa vez, o verbo “ganhar” funciona como bitransitivo, já que o primeiro objeto (“a medalha”) é direto, ligando-se sem preposição, enquanto o segundo objeto (“da organização”) é indireto, ligando-se por meio da preposição “de”.

Verbo intransitivo

Verbo intransitivo é o verbo que não precisa de complemento (objeto) para ter sentido completo, pois a ação é completamente compreensível pelo verbo sozinho. Veja:

sujeito + verbo intransitivo

Eles sorriam.

Note que o verbo “sorrir” não precisa de complemento, pois tem sentido completo por si só. Observe este outro caso:

sujeito + verbo intransitivo

A criança dormiu tranquilamente.

Aqui, novamente, o verbo “dormir” é intransitivo, pois tem sentido completo e pode ser entendido isoladamente. O advérbio “tranquilamente” não é essencial para entender o sentido da ação do verbo.

Veja também: Verbo intransitivo — mais detalhes sobre esses verbos

Exemplos de verbo transitivo e intransitivo

Exemplos de verbo transitivo

Comprei um celular novo.

Elas leram o livro em pouco tempo!

Eu gosto de música ao vivo.

Será que ela precisa de alguma ajuda?

Você já entregou aquele trabalho para a professora?

Exemplos de verbo intransitivo

O dia nasceu feliz.

A flor desabrochou em nossa porta.

O copo caiu no chão.

Chorei tanto naquele dia…

Meus óculos sumiram!

Como identificar se o verbo é transitivo ou intransitivo?

Para identificar se o verbo é transitivo ou intransitivo, basta observar se é possível compreender a ação do verbo completamente se esse verbo aparecer sozinho na frase. Veja:

Choveu bastante durante aquele dia.

Gastei dinheiro demais nesta semana.

Em você, eu passei o dia todo pensando.

Primeiro, identifique o verbo na oração:

Choveu bastante durante aquele dia.

Gastei dinheiro demais nesta semana.

Em você, eu pensei o dia todo.

Depois, observe se é necessário fazer alguma pergunta para entender o sentido completo do verbo.

choveu → ✅

gastei → o quê?

pensei → em quê?

Se não for necessária nenhuma pergunta, o verbo não precisa de complemento, o que significa que é intransitivo.

Se for necessária uma pergunta, o verbo precisa de complemento, o que significa que é transitivo. Basta identificar o complemento que responde à pergunta na frase.

Choveu bastante durante aquele dia.

Gastei dinheiro demais nesta semana.

Em você, eu pensei o dia todo.

Se o verbo liga-se ao complemento diretamente, então é transitivo direto.

Se há uma preposição ligando o verbo ao complemento, então é transitivo indireto.

Choveu bastante durante aquele dia.

Gastei dinheiro demais nesta semana.

Em você, eu pensei o dia todo.

Exercícios resolvidos sobre verbo transitivo e sobre verbo intransitivo

Questão 1

(CCV-UFC) Assinale a alternativa em que o verbo está empregado como intransitivo.

A) O tempo aprenderá tudo.

B) Eu desperto em todos o amor.

C) Amores terminam no escuro.

D) Ele adormece as paixões.

E) O mal não nos desperta.

Resolução:

Alternativa C.

O verbo “terminam” é intransitivo, pois não apresenta complemento. O termo “no escuro” funciona como adjunto adverbial, e não como objeto.

Questão 2

(Consulplan)

O varejo da experiência

Na mão inversa do gigantesco crescimento do comércio eletrônico, assistimos a uma transformação do varejo físico tradicional. Seja em relação à atividade dos shopping centers, seja em relação ao varejo de rua (brick-and-mortar stores), são conhecidas as razões que levaram ao atual cenário: ganhos de escala do on-line contra elevados custos de operação – mão de obra e imobiliário – do varejo físico; a eficiência logística e o conforto da entrega do on-line em casa; e a quase infinita variedade de produtos ofertados nas grandes plataformas e sites, em comparação com o estoque para venda em uma loja.

Nesse cenário, nem mesmo os grandes grupos de moda ficaram imunes: todos se veem diante de um cenário de redução de pessoal e dos números de pontos físicos. Diante dessa turbulência, existe uma solução para o ressurgimento do comércio varejista? E a resposta, por mais incrível que pareça, é um sim.

Na verdade, ela já se encontra em andamento, por meio do “varejo de experiência” (experiential retail). Essa nova perspectiva parte da premissa de que o consumidor físico segue existindo, mas agora requer espaços (lojas) que ofereçam não apenas produtos, mas imersões. Estamos diante de um consumidor sensorial que não mais se contenta com o mero comprar.

Recente pesquisa de um think tank do varejo americano traz números impressionantes: 60% dos consumidores do varejo físico requerem mais espaço em uma loja para experiências do que para produtos: 81% aceitam pagar um preço superior se passam por “experiências” antes de comprar; 93% dos consumidores que adquirem a partir de experiências – e não por fatores econômicos – se tornam clientes fiéis da marca ou da empresa.

Conceitualmente as “experiências” do varejo podem ser tomadas como um conjunto de ações e de iniciativas inovadoras que caminham lado a lado, dentro do processo de desenvolvimento de uma marca ou produto. Para tanto, partem de alguns pressupostos, como a habilidade que permita o estabelecimento de uma relação pessoal desde o vendedor até os proprietários da marca; uma estética própria que vá desde a funcionalidade e apresentação do produto até questões de ESG. E, embora seja um contrassenso querer catalogar todas as possíveis experiências, posto que a criatividade aqui deve ser ilimitada, destacamos algumas que vêm sendo incorporadas por empresas com varejo físico.

A primeira delas é a realização de eventos que permitam uma aproximação com os clientes, formadores de opinião, influenciadores digitais e imprensa. A verdade é que o pós-pandemia exacerbou a necessidade de um sentimento de pertencimento, que, via de regra, se desenvolve prioritariamente pelo contato físico e preferencialmente em um ambiente despojado em que a experiência possa ser lembrada.

Uma outra abordagem é a interação com a cultura, as artes e o esporte. Apoio a feiras de arte, desfiles de moda, espetáculos teatrais ou um camarote de carnaval. Participação em um torneio de tênis ou suporte a grandes clubes ou exposição em estádio de futebol. Nesse caso, naturalmente se desenvolve uma associação mental entre a marca e um momento ou período prazeroso, o qual foi propiciado pela experiência.

As parcerias também são formas de experiências que turbinam a percepção de mercado, ao juntar empresas e produtos que não competem entre si, quando, pelo contrário, se complementam. Chamadas de co-branding, as parcerias ainda têm a vantagem de permitir a troca de experiências não só dentro da comunidade que se quer cativar, como também entre os próprios staffs das empresas envolvidas. Os chamados seedings ou “recebidos” são ações de co-branding que geram encantamento e conteúdo que são facilmente multiplicados nas redes sociais.

Também o envolvimento com questões sociais e ambientais. Nos dias atuais, as empresas são cobradas não só pelo que produzem ou vendem, mas por seus posicionamentos em temas que transcendem a atuação empresarial. Trata-se de uma abordagem por vezes delicada, mas que é irrenunciável. Vivemos um momento em que a omissão pode ser tão ou mais maléfica que um posicionamento que possa até mesmo se mostrar como o não mais adequado.

Enfim, por meio dessas e de outras formas de experiência, o comércio varejista começa um novo tempo. Deve assim ser utilizado como um ambiente de criatividade, de inovação e de aproximação com a sociedade ao atuar complementarmente a outros canais de comercialização.

(JANUZZI, Melissa. Em: 06/10/2023.)

De acordo com norma culta e conforme o contexto em que o verbo está inserido, ele poderá ser classificado como transitivo direto ou transitivo indireto. Assinale a alternativa cujo verbo sublinhado é transitivo indireto.

A) “Recente pesquisa de um think tank do varejo americano traz números impressionantes: [...]” (4º§)

B) “A verdade é que o pós-pandemia exacerbou a necessidade de um sentimento de pertencimento [...]” (6º§)

C) “Na mão inversa do gigantesco crescimento do comércio eletrônico, assistimos a uma transformação do varejo físico tradicional.” (1º§)

D) “[...] posto que a criatividade aqui deve ser ilimitada, destacamos algumas que vêm sendo incorporadas por empresas com varejo físico.” (5º§)

Resolução:

Alternativa C.

O verbo “assistir”, com sentido de “ver”, é transitivo indireto, sendo regido pela preposição “a”, que aparece logo em seguida na frase.

Fontes

AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Parábola, 2021.

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 38ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.

Escritor do artigo
Escrito por: Guilherme Viana Bacharel e licenciado em Letras e em Educomunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Trabalha com produção de conteúdo didático nas áreas de língua portuguesa, literatura e redação.

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