Transitividade verbal

A transitividade verbal ocorre quando o verbo precisa de um complemento para fazer sentido. Os verbos transitivos são complementados pelo objeto direto e pelo objeto indireto.

Transitividade verbal é um fenômeno linguístico que ocorre quando o verbo precisa de um complemento para fazer sentido. Existem dois tipos de complemento verbal: objeto direto (sem preposição) e objeto indireto (com preposição). Possuem objeto direto os verbos transitivos diretos.

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Os verbos transitivos indiretos exigem objeto indireto. Apresentam objeto direto e objeto indireto os verbos bitransitivos. Já a intransitividade verbal ocorre quando o verbo não precisa de um complemento para fazer sentido, pois possui sentido completo, como, por exemplo, “chover” e “viver”.

Leia também: Regência verbal — entenda a relação entre verbo e seus termos complementares

Resumo sobre transitividade verbal

  • A transitividade verbal é a exigência de um ou de mais complementos para o verbo.
  • Em relação à transitividade verbal, o verbo pode ser assim classificado:
    • verbo transitivo direto: “A escritora encontrou seu livro na livraria.”;
    • verbo transitivo indireto: “A escritora duvidava de todas as notícias.”;
    • verbo transitivo direto e indireto: “A escritora devolveu o livro ao editor.”.
  • A intransitividade verbal é a não exigência de um ou de mais complementos para o verbo: “Ontem dormi cedo.”.

O que é transitividade verbal?

A transitividade verbal é um fenômeno linguístico que consiste na necessidade de um ou mais complementos para o verbo. O verbo é um termo que expressa ação e, quando transitivo, necessita de um elemento que complete seu sentido. Por exemplo, quando você diz “Abracei meu irmão.”, a expressão “meu irmão” completa o sentido do verbo “abracei”. Afinal, quem abraça, abraça alguém ou alguma coisa.

Outro exemplo é o verbo “construir”, na frase “Elas construíam pontes em todos os lugares.”. Nesse enunciado, o termo “pontes” completa o sentido do verbo “construíam”. Dessa forma, tanto o verbo “abraçar” quanto o verbo “construir” apresentam transitividade verbal. Isso porque, se dizemos apenas “Eu abraço.” ou “Eu construo.”, o sentido dos verbos fica incompleto.

Veja mais um exemplo, agora com o verbo “concordar”: “Paulo concordou com o amigo nessa questão.”. Note que “com o amigo” completa o sentido do verbo “concordou”, pois quem concorda, concorda com alguma coisa ou com alguém. O fenômeno da transitividade verbal ocorre com vários verbos da língua portuguesa.

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A seguir, leia mais exemplos de verbos transitivos, seguidos de seus complementos verbais:

Diana adotou um cãozinho vira-lata.

Dário acreditava em universos paralelos.

Ezequiel, sem querer, empurrou o amigo.

Eleanor produziu carne sintética.

Fernanda obedecia às regras sociais.

Francisco emprestou dinheiro à sua prima.

Nos próximos tópicos, eu vou mostrar para você qual é a classificação dos verbos transitivos e dos seus complementos. É só me seguir!

Verbo transitivo direto

Verbo transitivo direto é o verbo que exige um complemento direto, isto é, um objeto direto. O objeto é direto porque ele é um complemento que se liga ao verbo sem a necessidade de uma preposição, de forma que mantém uma relação direta com o verbo. Por exemplo, na frase “Ele ama chocolate.”, o objeto direto “chocolate” completa o sentido do verbo “ama”. Note que não há nenhuma preposição entre os dois termos, pois a relação é direta.

A seguir, mais frases com verbo transitivo direto, seguido de objeto direto:

Quando abandonei o cigarro, minha vida mudou.

Minha mãe abriu a lata com um estiloso abridor.

Meu pai pediu que eu ajudasse meu irmão.

Ele conquistou meu coração com um sorriso.

Depois de cortar o bolo, deu-me o primeiro pedaço.

A criança chorou após derrubar o prato sobre o chão.

Ela lia a reportagem com muita atenção.

Obter seu respeito não é coisa fácil.

Peguei a mochila e fui trabalhar.

Ninguém queria a responsabilidade de cuidar do gatinho.

Veja também: Verbo transitivo direto — mais detalhes sobre esses verbos

Verbo transitivo indireto

Verbo transitivo indireto é o verbo que exige um complemento indireto, ou seja, um objeto indireto. O objeto é indireto porque ele é um complemento que se liga ao verbo por meio de uma preposição, de modo que mantém uma relação indireta com o verbo.  Por exemplo, na frase “Ele abusou de meu amor.”, o objeto indireto “de meu amor” completa o sentido do verbo “abusou”. Observe que a preposição “de” liga o verbo ao complemento, em uma relação, portanto, indireta.

As principais preposições são: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, por, perante, sem, sob, sobre, trás.

A seguir, mais frases com verbo transitivo indireto, seguido de objeto indireto:

Sua atitude agradou ao meu pai.

Giovana aspirava ao mais alto cargo da empresa.

Guilherme conversava com seu avô todos os dias.

Cuidei de Hortênsia após o acidente.

Haroldo decidiu desobedecer às arbitrárias ordens.

Lúcia sempre gostou de Isabel, mas fingia que a odiava.

Ivan interessou-se por literatura aos dez anos de idade.

Todos sabiam que Jade precisava de muito descanso.

Desconfiamos de Joaquim, pois ele estava muito estranho.

A vereadora não simpatizava com Karina nem um pouco.

Verbo transitivo direto e indireto

Verbo transitivo direto e indireto (ou bitransitivo) é o verbo que exige um complemento direto e um complemento indireto, ao mesmo tempo. Portanto, esse tipo de verbo precisa de um objeto direto (sem preposição), mas também de um objeto indireto (com preposição), para completar seu sentido.

Por exemplo, na frase “Aquelas pessoas não aceitaram a ajuda dos vereadores.”, o objeto direto “a ajuda” e o objeto indireto “dos vereadores” completa o sentido do verbo “aceitaram”. Desse modo, o verbo só é bitransitivo quando exige a presença dos dois complementos, um direto e outro indireto.

A seguir, mais frases com verbo bitransitivo, seguido de objeto direto e de objeto indireto:

Letícia apresentou o projeto aos patrocinadores.

Lauro cedeu sua cadeira a uma senhora idosa.

Marcela deu o bombástico aviso aos funcionários.

A empresa de Milo fornecia matéria-prima para a empresa de Júlia.

Nara estava mostrando o desenho às amigas quando cheguei.

Nuno foi obrigado a restituir os valores indevidos ao banco.

Fiquei surpreso quando Osório me sugeriu o acordo.

Se Olívia lhe vendesse o carro, João viajaria comigo.

A quem Patrícia proporcionava tanto conforto?

Transferir Pascoal de escola não era uma boa ideia.

Vale mencionar que os pronomes “me” e “lhe” atuam como objeto indireto porque apresentam uma preposição implícita. Afinal, “me” é o mesmo que “a mim”, enquanto “lhe” pode ser entendido como “a ele”.

Diferenças entre transitividade verbal e intransitividade verbal

→ Transitividade verbal

Transitividade verbal é um fenômeno linguístico que consiste na necessidade de um ou de mais complementos para o verbo. Isso porque verbos transitivos precisam de algo para completar seu sentido. Sem tais complementos, esse tipo de verbo fica incompleto.

Então, se digo “Eu aprendi.”, você sente que falta alguma coisa. Afinal, eu aprendi o quê? Esse “o que” está relacionado ao complemento verbal: “Eu aprendi capoeira.”. Como o verbo é ligado ao termo “capoeira” sem uma preposição, “capoeira” é um objeto direto. A mesma “falta” ocorre se eu disser apenas: “Eu desconfiei.”.

Mas eu desconfiei de quê? Esse “de que” está relacionado ao complemento verbal: “Eu desconfiei de você.”. Já que o verbo “desconfiei” é ligado ao termo “você” com a preposição “de”, “de você” é um objeto indireto. Por fim, outro exemplo é o verbo “contar”. Se digo “Eu contei.”, fica faltando alguma coisa.

Afinal, eu contei o que a quem? Ao responder a essa pergunta, localizamos os complementos desse verbo: “Eu contei tudo à minha namorada.”. Nesse caso, o verbo “contei” é bitransitivo, pois exige dois complementos: o objeto direto “tudo” e o objeto indireto “à minha namorada”.

→ Intransitividade verbal

Intransitividade verbal é um fenômeno linguístico que consiste na ausência de necessidade de complemento para o verbo. Isso porque verbos intransitivos não precisam de algo para completar seu sentido. Esses verbos apresentam sentido completo por si mesmos. Assim, se eu digo “Amanheceu.”, não resta dúvida.

O verbo intransitivo “amanhecer” apresenta sentido completo, pois não precisa de um objeto direto ou de um objeto indireto para completar seu sentido. O mesmo ocorre, por exemplo, com os verbos das frases abaixo:

Um sorriso brotou em seus lábios.

A árvore crescia.

A casa envelhecia.

Andava rápido.

O menino escorregou, caiu e chorou.

Ri muito naquele dia.

Tossiu tanto que chorou.

Chovia diariamente.

E não confunda adjunto adverbial (o qual expressa diversas circunstâncias) com complemento verbal (objeto direto ou objeto indireto). Nos exemplos, temos os seguintes adjuntos adverbiais:

  • de lugar: “em seus lábios”;
  • de modo: “rápido”;
  • de intensidade: “muito” e “tanto”;
  • de tempo: “naquele dia”, “diariamente”.

Confira também: Verbos intransitivos — mais detalhes sobre os verbos que não precisam de complemento

Exercícios resolvidos sobre transitividade verbal

Questão 1

(UFMG)

Cartaz sobre a preposição “a” regida pelo verbo “assistir” em poste em questão da UFMG sobre transitividade verbal.

Disponível em: https://static.wixstatic.com/media/ca7895_21db7b13c3ab430cbe926a32e6c4fb73~mv2.jpg. Acesso em: 26 jul. 2025.

BRASÍLIA (Reuters) — As buscas pela preposição “a” — dada como desaparecida desde o século passado — usada na regência transitiva indireta de “assistir” continuam em todo o território nacional. A ação faz parte da Operação Transitiva Indireta, que visa resgatar preposições desaparecidas das regências de vários verbos, como um dos últimos que acabamos de usar na oração anterior. Segundo levantamento feito pela Polícia Federal, todos os suspeitos pelo desaparecimento até agora intimados declararam saber apenas da menção à preposição em dicionários e gramáticas; os demais cidadãos dizem não tê-la visto mais, nem mesmo em redações de concursos e vestibulares. O delegado responsável pelo caso, Reginaldo Regêncio, reconhece que a principal dificuldade em localizar seu paradeiro se dá pelo fato de a língua falada ter ignorado totalmente a necessidade dessa preposição — e induzido a bem-educada língua escrita a fazer a mesma coisa.

De acordo com boletins de ocorrência, usuários mais conservadores acreditam que ela ainda esteja viva e acusam os demais falantes de descaso, indiferença e negligência, uma vez que estes sempre empregam o verbo com transitividade direta quando significa “ver e ouvir”, “estar presente”, “presenciar”: assistem filmes, jogos, shows, missas, cultos, programas de TV e cerimônias, mas nunca assistem a nenhum evento, nunca assistem a nada. “Se assistissem às aulas, jamais diriam que assistem aulas”, desabafou uma professora do Gran Cursos que não quis se identificar.

Sempre zelosa com as tradições, a Academia Brasileira de Letras (ABL) aumentou consideravelmente o valor da recompensa pela localização da preposição ao oferecer a imortalidade a quem conseguir trazê-la de volta ao convívio com o verbo “assistir”. No entanto, a Polícia Federal admite que, apesar da esperança de gramáticos, professores e bancas examinadoras em vê-la de volta nas redações, a maioria dos falantes jamais sentirá sua falta.

A Associação Brasileira de Linguística (Abralin) já declarou extinta a espécie.

Disponível em: https://www.gramaticasarcastica.com/post/preposição-regida-pelo-verboassistir-continua-desaparecida. Acesso em: 26. Jul. 2025. (Fragmento adaptado).

A relação estabelecida entre a opinião da maioria dos falantes do português brasileiro e a posição da Associação Brasileira de Linguística (Abralin) quanto ao uso da preposição na regência transitiva indireta do verbo “assistir” está correta em:

A) Tanto a maioria dos falantes quanto a Abralin consideram a preposição “a” essencial para o português.

B) A maioria dos falantes não nota a ausência da preposição “a”; e a Abralin já a considera

obsoleta.

C) A maioria dos falantes valoriza o uso da preposição “a”; por sua vez, a Abralin a entende como dispensável.

D) Há desacordo entre a maioria dos falantes e a Abralin sobre o papel da preposição “a” na comunicação eficaz.

Resolução:

Alternativa B.

Segundo o texto, o uso da preposição “a” após o verbo “assistir” como transitivo indireto, está em desuso pelo fato de “a língua falada ter ignorado totalmente a necessidade dessa preposição — e induzido a bem-educada língua escrita a fazer a mesma coisa”. Além disso, de acordo com o texto, “apesar da esperança de gramáticos, professores e bancas examinadoras em vê-la de volta nas redações, a maioria dos falantes jamais sentirá sua falta”. Além disso, a “Associação Brasileira de Linguística (Abralin) já declarou extinta a espécie”. Portanto, a maioria dos falantes não nota a ausência dessa preposição (pois ela é ignorada por esses falantes), sendo considerada obsoleta (em desuso) pela Abralin.

Questão 2

(Unicamp)

Qual o macete de “Macetando”?

Macetar, verbo transitivo: “golpear (alguém ou algo) com ma­ceta ou macete, um martelo de cabo curto”. A definição está nos dicionários, mas o carnaval, como de praxe, mascarou o significado a seu bel-prazer. O coro da multidão que acompa­nhou Ivete Sangalo na abertura da folia de Salvador comprova que essa é a época ideal para enriquecer o vocabulário. Músi­ca gravada pela cantora baiana com participação de Ludmilla, “Macetando” despontou como hit nacional ao encher a boca do povo com o refrão-chiclete: “Ah, bebê, é a Veveta que tá no comando/ Macetando, macetando, macetando...”.

Adaptado de CUNHA, G. Qual o macete de “macetando”? O Globo (versão on-line), 10/02/2024.

Na letra da música em questão, um dos aspectos que contri­buem para o mascaramento do significado de “macetar” é

A) a ocultação do sujeito do verbo.

B) o uso repetido do verbo no gerúndio.

C) o processo de adjetivação do verbo.

D) a ausência de complemento para o verbo.

Resolução:

Alternativa D.

Como o próprio texto diz: “Macetar, verbo transitivo: ‘golpear (alguém ou algo) com ma­ceta ou macete, um martelo de cabo curto’.”. O texto também afirma: “A definição está nos dicionários, mas o carnaval, como de praxe, mascarou o significado a seu bel-prazer.”. Assim, a falta de complemento para o verbo “macetar”, na letra de música, mascara seu significado, já que não é possível dizer O QUE alguém está macetando. Portanto, fica a dúvida: Qual o significado de “macetar” na letra?

Fontes

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa. 15. ed. São Paulo: Scipione, 1999. 

SANTOS, Márcia Angélica dos. Aprenda análise sintática. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2003.

Imagem explicando o que é transitividade verbal e mostrando seus tipos.
Imagem explicando o que é transitividade verbal e mostrando seus tipos. (Créditos: Isa Galvão | Mundo Educação)
Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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