Tráfico negreiro

O tráfico negreiro foi um sistema organizado de captura, de transporte e de exploração de africanos escravizados entre os séculos XV e XIX, inserido no comércio transatlântico que conectava a Europa, a África e as Américas. Movido por interesses econômicos, esse processo sustentou as economias coloniais e levou milhões de pessoas para outras regiões, sobretudo para o Brasil, em condições extremamente violentas. Mais do que um fenômeno histórico, o tráfico negreiro foi um dos pilares da formação do mundo moderno e deixou marcas profundas nas sociedades contemporâneas.

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Leia também: Como foi a escravidão no Brasil?

Resumo sobre o tráfico negreiro

  • O tráfico negreiro foi um sistema organizado de captura, de transporte e de exploração de africanos escravizados, desenvolvido entre os séculos XV e XIX no contexto da expansão marítima europeia.
  • Inserido no comércio transatlântico, conectava Europa, África e as Américas em um circuito econômico baseado na troca de mercadorias por pessoas escravizadas e por produtos coloniais.
  • Ele surgiu principalmente por razões econômicas, ligadas à necessidade de mão de obra nas colônias americanas, especialmente nas plantações de açúcar, na mineração e, posteriormente, na cafeicultura.
  • O sistema funcionava por meio de uma cadeia estruturada: captura no interior da África, venda em feitorias no litoral, travessia atlântica em condições desumanas e comercialização nas Américas.
  • O Brasil foi o principal destino de africanos escravizados, recebendo cerca de 40% do total, o que influenciou profundamente sua formação social, cultural e econômica.
  • O fim do tráfico negreiro ocorreu de forma gradual, impulsionado por pressões políticas, econômicas e morais, com destaque para a atuação britânica e para leis como a de 1850 no Brasil.
  • Apesar do fim do tráfico, seus efeitos persistem até hoje, especialmente nas desigualdades sociais e raciais e na formação cultural das sociedades americanas.

O que foi o tráfico negreiro?

O tráfico negreiro foi um sistema organizado de captura, de transporte e de comercialização forçada de africanos escravizados, que se desenvolveu entre os séculos XV e XIX no contexto da expansão marítima europeia. Esse processo começou por volta de 1440, quando navegadores portugueses passaram a explorar a costa ocidental da África, dando início à captura de pessoas para trabalho compulsório. Ao longo dos séculos seguintes, esse comércio se expandiu e se consolidou como uma das principais bases do sistema colonial europeu nas Américas. Cerca de 12 milhões de africanos foram embarcados à força rumo ao continente americano entre o século XVI e o XIX |1|, sendo retirados principalmente de regiões da África Ocidental e da África Centro-Ocidental, como do Golfo do Benim e da região dos atuais Congo e Angola.

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O tráfico negreiro fazia parte de um sistema econômico mais amplo conhecido como Sistema de Comércio Transatlântico, que conectava Europa, África e Américas. Nesse circuito, produtos europeus, como tecidos, armas e bebidas, eram trocados por pessoas escravizadas na África. Essas eram transportadas para as Américas, onde eram vendidas e empregadas principalmente em plantations de açúcar, de tabaco e de algodão. Por fim, os produtos coloniais retornavam à Europa. Todo esse processo é compreendido no contexto da acumulação de capital do capitalismo em sua fase inicial, a comercial-mercantilista, que construiria as bases para a industrialização e para a consolidação posterior do capitalismo em sua forma mais robusta, a industrial. Essa compreensão atrela diretamente a escravidão moderna às bases do desenvolvimento do capitalismo moderno.

Esse sistema comercial transatlântico, fortemente alicerçado na escravidão africana, foi fundamental, segundo o historiador Luiz Felipe de Alencastro, para a formação das sociedades coloniais americanas, especialmente o Brasil, que se tornou o principal destino de africanos escravizados ao longo de mais de três séculos |2|, superando o conjunto das treze colônias inglesas que formariam os Estados Unidos da América, bem como as colônias hispânicas. Esse fato torna esse assunto um tema de grande relevância nacional para a compreensão das nossas raízes étnicas e culturais, bem como do legado social e cultural que a escravidão nos deixou e como ele precisa ser compreendido e enfrentado.

Pintura de Johann Moritz Rugendas retratando o navio negreiro, o transporte usado no contexto do tráfico negreiro.
Pintura Negres a fond de calle ("Navio negreiro"), de Johann Moritz Rugendas.

Qual o motivo do tráfico negreiro?

O tráfico negreiro se estruturou por razões econômicas dos países europeus no contexto da expansão do sistema colonial europeu a partir do século XV. A exploração de territórios nas Américas, iniciada após 1492 a partir das viagens de Cristóvão Colombo, gerou uma demanda crescente por mão de obra, especialmente para atividades agrícolas de grande escala, como a produção de açúcar nas ilhas do Caribe e, posteriormente, no Brasil.

A escassez de trabalhadores europeus dispostos a migrar para a América e a dificuldade de estruturar a escravização em massa dos indígenas levaram os colonizadores europeus a buscarem alternativas que garantissem a continuidade da lucratividade do empreendimento colonial.

Inicialmente, os europeus tentaram utilizar a mão de obra indígena, mas esse modelo se mostrou limitado. Fatores como a resistência dos povos nativos à escravização, em um contexto em que eles ainda eram maioria e conheciam o terreno melhor que o invasor europeu, e o impacto devastador de doenças trazidas pelos europeus sobre as populações nativas e a própria oposição da Igreja Católica à escravização do “gentio”, sendo que visavam submetê-los por meio da catequização e da aculturação, dificultaram a exploração contínua desse tipo de trabalho. Diante disso, os africanos passaram a ser vistos como uma solução mais eficiente dentro da lógica econômica da época, especialmente porque já existiam redes comerciais de humanos escravizados estabelecidas na costa africana desde o século XV, com participação ativa de mercadores portugueses.

A partir de sua instalação, o tráfico negreiro cresceu na mesma proporção em que se expandiam as economias de plantation no Atlântico. A produção de açúcar, em particular, exigia grande quantidade de trabalhadores submetidos a regimes intensivos e extremamente violentos de trabalho. O Nordeste brasileiro, a partir do século XVI, tornou-se o principal polo mundial dessa produção, aumentando significativamente a importação de africanos escravizados. Ao longo do tempo, outras atividades, como a produção de tabaco, a mineração de ouro no século XVIII e o cultivo de algodão e do café no século XIX, contribuíram para manter alta a demanda por mão de obra escravizada.

Importante ressaltar que a prática da escravização, especialmente em contextos de guerra, na África, existia antes mesmo do século XV, bem como na Europa desde a Antiguidade. No entanto, essa prática existia em escala exponencialmente menor do que a que tomou a partir da entrada dos portugueses e demais europeus nessa dinâmica africana. Aquilo que eram episódios esporádicos, sazonais e vinculados a rivalidades tribais antigas ganhou um estímulo econômico gigantesco vindo dos agentes capitalistas europeus para se tornar o crime mais grave contra a humanidade da história, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU) |3|.

Obra retratando uma realidade ligada ao tráfico negreiro.
Esta obra faz parte do Memorial Nacional pela Paz e Justiça, no Alabama, Estados Unidos retratando os horrores da escravidão. [1]

Veja também: Como foi a escravidão indígena?

Como funcionava o tráfico negreiro?

O tráfico negreiro funcionava como um sistema comercial estruturado em várias etapas, integrando diferentes regiões do mundo atlântico e envolvendo agentes europeus, africanos e americanos. Esse processo começava no interior do continente africano, onde indivíduos eram capturados, em geral, por meio de guerras entre reinos e conflitos locais, que se ampliaram dramaticamente após a entrada do incentivo econômico europeu e o fornecimento de armas europeias para grupos aliados, o que tornou a guerra entre nações africanas uma constante mazela a serviço dos interesses econômicos do capitalismo comercial emergente.

Os prisioneiros capturados nessas guerras eram então levados até a costa e vendidos a comerciantes europeus em feitorias, especialmente em regiões como o Golfo do Benim, a Costa da Mina e a Angola.

Nessas áreas costeiras da África ocidental, os europeus mantinham entrepostos comerciais fortificados, as chamadas feitorias, como o Castelo de Elmina, fundado pelos portugueses em 1482, onde os africanos capturados eram reunidos e mantidos até o embarque. Os traficantes europeus trocavam produtos manufaturados, como tecidos, armas de fogo, pólvora, bebidas alcoólicas e metais, por pessoas escravizadas, estabelecendo uma relação que articulava interesses de grupos locais africanos e demandas coloniais americanas.

Após a captura e a aquisição dos escravizados pelos europeus, iniciava-se a etapa mais brutal do processo: a travessia atlântica, conhecida como “passagem do meio”. Os cativos eram embarcados em navios negreiros em condições extremamente precárias, com alta densidade de pessoas, alimentação insuficiente, falta de higiene e ausência de cuidados médicos. A viagem podia durar entre seis semanas e três meses, dependendo da rota e das condições climáticas. Cerca de 15% a 20% dos africanos embarcados morria durante a travessia, vítimas de doenças, de maus-tratos ou até mesmo de suicídio.

Embarque dos guerreiros capturados e escravizados e sua deportação para o Brasil no contexto do tráfico negreiro.
Ilustração retratando o embarque dos guerreiros capturados e escravizados e sua deportação para o Brasil. [2]

Tráfico negreiro no Brasil

O Brasil foi o maior destino de africanos escravizados em todo o período da escravidão moderna, que vai do século XVI ao XIX. Nenhum país recebeu mais escravizados na história da escravidão transatlântica, o que coloca nosso país no centro desse debate histórico. Segundo as estimativas mais aceitas pela comunidade científica, estima-se que cerca de 5 milhões de africanos tenha desembarcado em terras brasileiras |4|, o que corresponde a cerca de 40% do total do tráfico transatlântico durante todo o período. Esses fatos tiveram (e têm) impactos profundos na formação social, econômica e cultural desse país.

O tráfico negreiro para o Brasil teve início ainda em princípios do século XVI, no processo de instalação do sistema colonial português na América, especialmente vinculado à expansão da cultura da cana de açúcar. Nos dois primeiros séculos de colonização (XVI e XVII), Pernambuco e Bahia se tornaram os maiores receptores desse tipo de mão de obra, por conta da forte expansão da cultura açucareira nesse período. No século XVIII, com o advento da mineração do ouro, da prata e das pedras preciosas, as regiões das minas, que incluem o que hoje são Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, tornaram-se grandes receptores de escravizados. Já no século XIX, espacialmente a partir da década de 1830, o grande absorvedor dessa mão de obra passa a ser a cafeicultura, especialmente no Rio de Janeiro (Vale do Paraíba) e em São Paulo (oeste paulista).

O tráfico negreiro acabou sendo proibido no Brasil, por pressão inglesa, em 1831, mas, mesmo após essa proibição formal do tráfico, o comércio ilegal continuou ativo por décadas, pois essa lei foi, na prática, amplamente desrespeitada, recebendo a alcunha inclusive de “lei para inglês ver”. Somente com a Lei Eusébio de Queirós, em 1850, que o tráfico transatlântico foi efetivamente reprimido no Brasil, embora a escravidão legal em si tenha persistido até 1888, quando veio a Lei Áurea, que aboliu a escravidão legal.

Pintura de Jean-Baptiste Debret retratando a realidade dos escravizados no contexto do tráfico negreiro.
Pintura de Jean-Baptiste Debret mostrando a execução de um castigo, no tronco (pelourinho), de um escravizado. [3]

Sendo assim, o tráfico negreiro no Brasil não foi apenas um componente da economia colonial, mas um dos pilares fundamentais da construção histórica do país, que moldou sua composição demográfica, influenciou suas práticas culturais e deixou marcas profundas nas desigualdades sociais, no racismo estrutural e na composição étnica distinta das nossas elites e camadas populares, que existem como em uma sociedade degradê: clareando no topo da pirâmide social e escurecendo quando se aproxima da base. Por outro lado, a exuberância da nossa cultura, com suas expressões afro-brasileiras reconhecidas internacionalmente, como o samba, a capoeira, o axé, o candomblé, entre tantas outras, é também marca dessa diáspora africana que trouxe beleza para onde encontrou, a princípio, tanta dor.

Rotas do tráfico negreiro

As rotas do tráfico negreiro formavam uma complexa rede de circulação de escravizados pelo oceano Atlântico, conectando regiões da África, da Europa e das Américas em um sistema contínuo de trocas. Esse sistema atingiu sua maior intensidade entre o século XVII e o início do século XIX, com rotas bem definidas, mas que variavam conforme interesses econômicos, condições políticas e padrões de vento e correntes marítimas.

As principais áreas de embarque de africanos escravizados se localizavam na costa ocidental da África, em regiões como os atuais Senegal, Gâmbia, Gana, Nigéria e Benim, além do Congo e da Angola. Esses foram essencialmente os grandes pontos de saída de pessoas escravizadas do continente africano.

A partir dessas zonas de embarque, os navios negreiros cruzavam o Atlântico em direção às Américas. Os principais destinos incluíam, em primeiro lugar, o Brasil (o maior receptor de mão de obra escravizada no período), o Caribe (lugares como Cuba e Jamaica), a América Hispânica (lugares como Cartagena e Veracruz) e portos do sul dos atuais Estados Unidos, como os das colônias (posteriormente estados) da Louisiana, da Virgínia, da Geórgia e da Carolina do Sul. No Brasil, os principais portos receptores dessa mão de obra foram os de Salvador e os do Rio de Janeiro.

Além da travessia principal marítima entre África e Américas, conhecida como “passagem do meio”, as rotas do tráfico também incluíam o deslocamento inicial no interior africano, onde os cativos eram levados até a costa, e o retorno dos navios à Europa ou às próprias colônias, com produtos como açúcar, tabaco, ouro e algodão. Esse circuito integrado formava uma rede global de comércio que sustentava as economias coloniais, enriquecia as metrópoles, fortalecia as estruturas do capitalismo insipiente e contribuía para a acumulação de capital na Europa.

Rotas do tráfico negreiro. [imagem_principal]
Rotas do tráfico negreiro. (Créditos: Isa Galvão | Mundo Educação)

Fim do tráfico negreiro

O fim do tráfico negreiro atlântico foi um processo gradual, que se desenvolveu entre o final do século XVIII e meados do século XIX, por conta da combinação de diversos fatores, como interesses econômicos, pressões políticas e mudanças nas ideias morais na Europa e nas Américas nesse período.

O primeiro grande marco ocorreu no contexto do crescimento do movimento abolicionista. Isso teve início no Reino Unido, especialmente a partir da década de 1780, quando grupos organizados passaram a denunciar publicamente a violência do tráfico e da própria escravidão africana e a pressionar o Parlamento do Reino Unido por sua proibição. Isso ocorreu em um contexto em que a Inglaterra era a maior potência naval-militar do globo, além de estar em plena Revolução Industrial, que a alçaria à potência mais rica do mundo, elementos que contribuíram para o poder de influência dos britânicos quando decidem se opor ao tráfico negreiro.

Medalhão oficial da Sociedade Britânica Antiescravidão, criada no contexto do tráfico negreiro.
Medalhão oficial da Sociedade Britânica Antiescravidão. Seu lema expresso na imagem é “Eu não sou um homem e um irmão?”.

Em 1807, após décadas de debates acalorados entre conservadores favoráveis à manutenção do status quo e liberais de inspiração humanista/iluminista favoráveis à proibição do tráfico negreiro, o Parlamento britânico aprovou o Abolition of the Slave Trade Act, proibindo o tráfico de escravizados no Império Britânico, representando uma grande vitória para o movimento abolicionista inglês.

No ano seguinte, em 1808, os Estados Unidos também proibiram oficialmente a importação de africanos escravizados. A partir desse momento, a Grã-Bretanha passou a atuar ativamente na repressão ao tráfico internacional, utilizando sua marinha para patrulhar o Atlântico e interceptar navios negreiros, especialmente na costa da África Ocidental. Isso porque, além da pressão da opinião pública interna para que agissem assim, havia também a pressão das elites escravistas nas colônias, que agora temiam a concorrência aos seus produtos tropicais vinda de regiões que ainda importavam africanos escravizados (como o Brasil) e, portanto, poderiam ter um custo mais baixo na produção.

Diante disso, esquerda e direita no Parlamento inglês se uniram por motivos diferentes na campanha pela abolição do tráfico: uns pelos valores humanistas, outros por valores de concorrência comercial. O fato é que, a partir de então, a pressão diplomática e militar da Inglaterra se torna avassaladora e leva diversos países a cederem a essa demanda britânica, inclusive o Brasil, que, em 1850, cede à forte pressão inglesa (que incluía ameaça de guerra) e aprova a Lei Eusébio de Queirós, proibindo de fato o tráfico de escravizados para o nosso país.

Uma leitura mais aprofundada desse momento histórico e da postura da Inglaterra nos remete à transição do capitalismo para sua versão industrial, em que a mão de obra cativa agora era substituída pela mão de obra dos operários assalariados. Não no sentido ingênuo que alguns imaginam de criar mercado consumidor entre os ex-escravizados, mas no sentido de criar formas de exploração e de geração de lucro e de acumulação do capital mais modernas do que as do capitalismo comercial mercantilista.

Confira também: Quais foram as leis abolicionistas?

Exercícios resolvidos sobre tráfico negreiro

Questão 1

O tráfico negreiro atlântico, desenvolvido entre os séculos XV e XIX, constituiu um dos pilares do sistema colonial europeu nas Américas. Esse sistema envolvia a captura de africanos, sua deportação forçada e sua exploração como mão de obra escravizada. Ao analisar esse processo, historiadores destacam sua inserção em um circuito econômico mais amplo, responsável por integrar diferentes continentes e por sustentar atividades produtivas coloniais.

A partir desse contexto, é correto afirmar que o tráfico negreiro:

A) foi uma prática marginal, restrita a poucas regiões da África e sem impacto significativo na economia colonial.

B) constituiu um sistema econômico articulado entre Europa, África e Américas, baseado na exploração da mão de obra escravizada.

C) foi impulsionado exclusivamente por motivações religiosas, ligadas à conversão de africanos ao cristianismo.

D) ocorreu de forma espontânea, sem organização comercial ou participação de agentes europeus.
E) limitou-se ao período medieval, sendo extinto antes da expansão marítima europeia.

Resolução:

Alternativa B.

A alternativa B está correta porque o tráfico negreiro fazia parte do chamado comércio atlântico, integrando Europa, África e Américas em um sistema econômico estruturado. As demais alternativas apresentam erros: o tráfico não foi marginal (A), nem motivado exclusivamente por religião (C), tampouco desorganizado (D), e ocorreu sobretudo na Idade Moderna, não na Idade Média (E).

Questão 2

O fim do tráfico negreiro atlântico foi um processo gradual, marcado por pressões políticas, econômicas e morais ao longo do século XIX. No caso brasileiro, apesar da proibição legal do tráfico em 1831, o comércio ilegal de africanos escravizados continuou por décadas, sendo efetivamente reprimido apenas em 1850.

A persistência do tráfico ilegal no Brasil após 1831 pode ser explicada principalmente:

A) pela ausência de leis que proibissem o tráfico até meados do século XIX.
B) pela resistência das populações africanas em embarcar nos navios negreiros.
C) pela forte dependência da economia brasileira da mão de obra escravizada e pela fragilidade na fiscalização da lei.

D) pela atuação eficiente da marinha britânica na repressão ao tráfico ilegal.

E) pela inexistência de pressões internacionais contra o tráfico nesse período.

Resolução:

Alternativa C.

A alternativa C está correta porque a economia brasileira (especialmente ligada ao açúcar, à mineração e ao café) dependia fortemente da mão de obra escravizada. Além disso, a lei de 1831 foi amplamente descumprida devido à falta de fiscalização efetiva, sendo conhecida como “lei para inglês ver”. As demais alternativas estão incorretas: já havia lei proibindo o tráfico (A), a questão não se explica pela resistência africana (B), a repressão britânica não foi suficiente nesse período (D), e havia, sim, forte pressão internacional contra o tráfico (E).

Créditos de imagem

[1] Soniakapadia / Wikimedia Commons (reprodução)

[2] Unesco / Wikimedia Commons (reprodução)

[3] Wilfredor / Wikimedia Commons (reprodução)

Notas

|1| ELTIS, David; RICHARDSON, David. Atlas of the Transatlantic Slave Trade. New Haven: Yale University Press, 2010.

|2| ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul, séculos XVI e XVII. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

|3| ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Assembleia Geral. Resolução A/80/L.48: Reconhecimento do tráfico transatlântico de escravos como o crime mais grave contra a humanidade. Nova York: ONU, 2026. Disponível em: https://docs.un.org/en/A/80/L.48.

|4| ELTIS, David; RICHARDSON, David. Atlas of the Transatlantic Slave Trade. New Haven: Yale University Press, 2010.

Fontes

ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul, séculos XVI e XVII. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.

ELTIS, David; RICHARDSON, David. Atlas of the Transatlantic Slave Trade. New Haven: Yale University Press, 2010.

THOMAS, Hugh. The Slave Trade: The Story of the Atlantic Slave Trade 1440–1870. New York: Simon & Schuster, 1997.

Escritor do artigo
Escrito por: Alexandre Fernandes Borges Professor e historiador, Bacharel e Licenciado em História pela Universidade Federal de Goiás, com 20 anos de experiência no ensino de História no Ensino Médio. Servidor público de carreira da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás desde 2007, atuou como Chefe do Arquivo Histórico Estadual de Goiás entre 2012 e 2019. Atualmente, integra a Comissão de Avaliação de Bens Intangíveis da Secretaria de Estado da Cultura de Goiás.

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