Império Mongol
O Império Mongol foi o maior domínio terrestre do mundo, abrangendo mais de 23 milhões de quilômetros quadrados de extensão. O seu fundador foi Gengis Khan, que havia sido bem-sucedido na unificação das diversas tribos mongólicas conflitantes antes de estender os domínios, que abrangeram grande parte da China, atravessaram a Eurásia e se instauraram sobre povos russos do Leste Europeu e muçulmanos da Ásia Central. Anos após a morte de Gengis Khan, uma guerra civil pelo poder do império acabou por desmembrar os territórios conquistados, consolidando-se canatos independentes.
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Resumo sobre Império Mongol
- O Império Mongol surgiu a partir da unificação das confederações liderada por Gengis Khan, no início do século XIII.
- Os mongóis utilizavam dinâmicas incursões de cavalaria leve ou arqueiros montados, cuja flexibilidade permitiu uma rápida ascensão do império dos Khans como potência mundial.
- Anos após a morte de Gengis Khan, seus descendentes, os irmãos Kublai e Ariq, entraram em guerra pela hegemonia do império. O vencedor foi Kublai, considerado ilegítimo por famílias tradicionais da Mongólia.
- A separação do império em canatos significou a desunião do Império Mongol, mas sua história continuou exercendo influência sobre os territórios conquistados.
- Os mongóis, originalmente adeptos da religião tengriista, ficaram reconhecidos por sua tolerância religiosa e cultural, permitindo a livre conversão de seu povo e até mesmo de alguns de seus líderes.
- Os mongóis eram nômades e extremamente adaptáveis. Durante os deslocamentos, construíam casas portáteis (os gers), criavam animais e praticavam suas tradições culturais.
- A economia dos mongóis se modificou com o tempo; inicialmente, baseava-se no pastoreio, mas em seu auge, fundamentou-se principalmente na produção agrícola em território chinês.
- O império quanto nação unificada durou apenas 54 anos, mas os canatos decorrentes do desmembramento territorial resistiram, cada um, por décadas ou séculos.
O que foi o Império Mongol?
O Império Mongol foi o domínio territorial dos povos originados da atual Mongólia entre os séculos XIII e XIV, apesar de sua nação unificada ter durado 54 anos. O seu início foi consolidado por Gengis Khan e desmembrado em canatos após a sua morte, embora tenha significado o maior império contíguo em território da história, ultrapassando os 23 milhões km² de extensão, que incluía desde a Península Coreana até parte do Leste Europeu.
Mapa do Império Mongol
Contexto histórico do Império Mongol
O Império Mongol surgiu em um período de enfraquecimento de impérios chineses e o simultâneo fortalecimento dos povos aos arredores da atual Mongólia, ocorrido graças à unificação de clãs liderada por Gengis Khan. As hordas comandadas pelo Khan eram compostas principalmente por cavaleiros leves e ágeis arqueiros montados, que conseguiam devastar os inimigos por meio de dinâmicas e eficientes incursões; além disso, as forças mongóis eram nômades, o que permitia ampla mobilidade e dificultava o seu rastreio.
As primeiras conquistas mongóis ocorreram sobre outros povos do centro asiático. Por volta de 1209, liderou as incursões iniciais sobre o Reino da Xia Ocidental, ao noroeste chinês, convertendo-o em vassalo um ano mais tarde; entre 1211 e 1215, combateu a Dinastia Jin, também chinesa, e dominou a cidade de Zhongdu, atual Pequim.
Em 1218, avançou com seus exércitos para o oeste, Ásia Central adentro, onde combateu, pela primeira vez, uma potência muçulmana sunita: o Império Corásmio, formado por mamelucos de influência persa. Nessa campanha, a violência propagada pelos mongóis foi notável, em decorrência do assassinato dos embaixadores mongóis por ordens do xá, Mohammed II; seus povos foram massacrados, e suas cidades, destruídas, antes que os generais do Khan localizassem e aniquilassem o xá em fuga.
Depois da conquista sobre os islâmicos, Gengis Khan se voltou para a região do Cáucaso, no Leste Europeu; após a sangrenta Batalha do Rio Kalka, obteve a primeira vitória mongol sobre os principados russos — uma conquista facilitada, à época, pelos atritos internos dos povos eslavos —, submetendo-os à força de seu império.
O domínio sobre os russos significou o auge das conquistas de Gengis Khan. Em 1227, foi obrigado a retornar à região da China para conter a rebelião da Dinastia Tangute, em Xia. Pouco tempo após reprimir a rebelião, o Khan contraiu uma forte febre, acamando-se por oito dias até morrer, possivelmente em agosto de 1227.
Doravante, a administração do império foi fragmentada em quatro ulus (patrimônio), cada uma liderada por cada filho de Gengis: Jochi, Chagatai, Ögedei e Tolui. Por sua vez, a impossibilidade de a assembleia entrar em um consenso sobre o novo líder imperial, além da resistência cultural promovida por diversos povos conquistados, como aqueles da Rússia ou da Ásia Central, levou o governo centralizado a passar por uma crise. Quando o neto de Gênsis, Möngke Khan (filho de Tolui), morreu durante uma campanha na China, iniciou-se uma guerra entre seus irmãos, Kublai e Ariq, pelo poder sobre o império.
Kublai se saiu vitorioso da guerra e levou o Império Mongol a seu ápice, em 1279, após conquistar as regiões chinesas da Dinastia Song e consolidar, a partir de então, uma China unificada. A partir disso, transferiu a capital mongol de Karakorum para Pequim (nomeando-a Dadu), dando-se início à Dinastia Yuan.
Sob sua gestão, Kublai exerceu a tolerância religiosa e fortaleceu a “Rota da Seda”, que conectava influentes mercadores da Europa ao Oriente. O Império Mongol vivia sua Pax Mongolica, governada por meio de incentivos econômicos, cíveis, tecnológicos e intelectuais (o que lhe angariou até mesmo a visitação do explorador italiano Marco Polo).
Apesar desses atributos, grande parte das poderosas famílias mongóis tradicionais, outrora ligadas fortemente a Ariq Khan, via em Kublai uma liderança ilegítima. Além disso, a sua ênfase em se dedicar à região chinesa do império permitiu que os demais territórios reivindicassem, cada um, a sua própria influência, tanto por meio de riquezas quanto de territórios.
Ainda na década de 1260, os ulus haviam se tornado canatos (Estados independentes), cada um chefiado por um Khan, significando, ao mesmo tempo, o fim do império unificado dos mongóis. Por mais de cem anos, os canatos lutaram entre si pela hegemonia das conquistas mongóis adquiridas por Gengis Khan, o que levou a seus inevitáveis enfraquecimentos e à queda de cada um deles.
Origem do Império Mongol
Até o século XII, a região da Mongólia era governada por diversos clãs e tribos constantemente hostis entre si, cujas disputas por território eram influenciadas por poderosas confederações, como a Tatar, a Kereit, a Naiman e a Merkit. Assim como outros povos daquele período, os mongóis juravam fidelidade a suas tribos, sem se ater a conceitos nacionalistas ou étnicos.
Gêngis Khan, nascido Temujin possivelmente no ano de 1162, era o nobre herdeiro da linhagem Kiyad (ou Quiate), do clã Borjigin. Após a morte do pai, Yesugei, resultante de uma traição tártara (da confederação Tatar), Temujin e a mãe, Hoelun, foram impedidos de exercer influência no governo por imposição e interesse de antigos aliados do próprio clã.
No entanto, nesse ínterim, Temujin entrou em contato com possíveis seguidores que levavam em consideração a linhagem nobre de Yesugei, mesmo fora da própria tribo. Sua lealdade recíproca para com os aliados modificou o status quo hierárquico do contexto mongol, passando a nomear até mesmo camponeses a altos cargos de seu cada vez mais crescente exército. Finalmente, o poder de Temujin se fortaleceu quando obteve apoio de um antigo aliado da família, Toghril, da confederação Kereit. Doravante, Temujin passou a combater os inimigos que traíram a sua família; depois, combateu as confederações rivais, uma a uma.
A primeira a cair foi a Merkit, por volta do ano 1187, que havia raptado sua esposa, Borte. Ano mais tarde, em 1202, foi a vez dos Tatar. Diz-se que, após derrotar os tártaros, distribuiu a pilhagem de suas fortunas igualmente aos membros do clã, o que firmou o pacto de mutualidade entre o líder e seus subordinados.
Agora na qualidade de Khan — líder de uma confederação —, Temujin foi traído pelos Kereit no ano seguinte. Senggum, filho de Toghril, conspirou contra a vida do aliado por recear sua rápida ascensão e implacabilidade; no entanto, o plano chegou aos ouvidos de Temujin pouco antes de uma emboscada, e, embora tenha sobrevivido, teve parte de seus soldados massacrada pelos Kereit.
Mesmo assim, a sensibilidade estratégica de Temujin permitiu que as forças sobreviventes de seu grupo se reorganizassem. Inadvertidos, os soldados Kereit foram igualmente emboscados pouco tempo depois, graças às silenciosas táticas de aproximação de Yesugei e seus comandantes. Apesar da fuga de Senggum e Toghril, ambos acabaram mortos por forças fiéis a Temujin. O povo Kereit, por sua vez, foi integrado à influência e força do Khan.
No ano de 1204, agora com um poderoso exército, o Khan Temujin derrotou os seus últimos inimigos regionais, a confederação Naiman, na Batalha do Monte Chakirmaut. Em 1206, convocou uma assembleia geral e tornou-se Gengis Khan, algo que pode ser traduzido como “Líder Universal”. Com a abolição dos poderes tribais, toda a população daquele território deixou de ser distinguida conforme o antigo e complexo sistema de clãs para compor, unicamente, a identidade do povo mongol, e Gengis poderia se voltar, agora, aos territórios chineses; com isso, iniciou-se o período do Império Mongol.
Principais características do Império Mongol
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Economia
A economia da cultura mongol era baseada, inicialmente, na pecuária. Como povos nômades originários dos estepes, um tipo de bioma seco, impróprio para o plantio, os mongóis se dedicavam à criação de cavalos, ovelhas, cabras, bois e outros mamíferos, que lhes provinham os alimentos, locomoção e peles necessários. Esses animais e seus derivados eram constantemente comercializados por meio de trocas.
Com a expansão do império, os mongóis enriqueceram por meio da pilhagem dos povos conquistados e da cobrança de tributos, muitas vezes pagos em toneladas de grãos. Quando do fortalecimento do império sob administração de Kublai Khan, a região da China serviu de importante fonte agrícola, baseada no plantio de arroz, trigo, algodão e folhas de chá, bem como na construção de inúmeros celeiros, a fim de impedir crises alimentícias.
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Sociedade
As leis praticadas no Império Mongol eram estipuladas pelo Yassa, código legal que servia de “Constituição” para o seu domínio. A sua criação tinha como objetivo selar a paz entre as tribos mongóis e oferecia diversos tipos de punição para os cidadãos do império, independentemente de seus status sociais (roubo, assassinato e adultério, por exemplo, eram passíveis de pena capital). A Yassa também proibia o rapto de mulheres (um fator que geralmente ocasionava guerras tribais) e estipulava a tolerância religiosa.
A sociedade mongol era profundamente baseada na hierarquia militar, da qual o Kaghan, ou “grande Khan”, significava o líder absoluto do império. A elite era formada pelos chefes militares dos ulus, que detinham o poder de decisão na assembleia geral, chamada Kurultai.
Os comandantes do império, ou noyans, conquistavam essa posição por meio da fidelidade e meritocracia; cada um detinha um comando de centenas a milhares de combatentes, que, por sua vez, eram formados por homens de 15 aos 70 anos. Esses homens, geralmente associados à cavalaria, eram ao mesmo tempo os cidadãos do império, no qual exerciam a força de trabalho em tempos de paz, além de contarem com o apoio de artesãos e pastores, que ofereciam o suporte de abastecimento durante as conquistas.
Já as mulheres eram geralmente responsáveis pela organização e administração da sociedade, atuando muitas vezes como figuras de prestígio e responsabilidade. A grande maioria da população sob o domínio do império, entretanto, não era mongol e se dedicava ao trabalho a fim de pagar os tributos demandados pelo império.
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Religião
Oficialmente, os mongóis praticavam o tengriismo, religião xamânica e animista que consistia na contemplação espiritual sobre a natureza, o universo e a ancestralidade. Seus praticantes estimavam os xamãs como importantes comunicadores entre o mundo terreno e o dos espíritos, influindo até mesmo em decisões estratégicas de combate.
O tengriismo tinha como um de seus preceitos o respeito por outras religiões, das quais se cria que seus respectivos deuses mereciam, também, o devido respeito. Baseado nessa crença, Gengis Khan disseminou a tolerância religiosa, permitindo que os povos do império continuassem a exercer os seus devidos ritos e costumes, além de permitir a conversão de seus súditos a qualquer religião desejada. O tengriismo é praticado até os dias de hoje em alguns lugares das estepes euroasiáticas.
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Cultura
A cultura mongol, por ter sido fundamentada na adaptabilidade sobre os estepes, significava práticas e costumes bastante característicos.
O principal tipo de moradia erguida pelos mongóis era a ger, uma espécie de tenda redonda portátil, muitas vezes adaptada para ser carregada sobre bois. A sua estrutura tradicional era feita de madeira e coberta com feltro, podendo resistir aos fortes ventos das estepes e propiciando conforto e espaço para as famílias viajantes.
A grande relação que seus povos mantinham com os animais, especialmente os cavalos (apesar de, às vezes, servirem também de alimento), significavam que, desde a infância, os mongóis aprendiam a cavalgar. Na juventude, aprendiam também sobre a importância da lealdade, que servia sobretudo ao compromisso que possuíam para com o seu respectivo Khan, e da hospitalidade, baseada nos compartilhamentos de alimento e abrigo para estranhos.
Tanto a escrita quanto a oralidade eram meios de disseminar a cultura mongol, profundamente influenciadas por mitologias. Na música, são muitas vezes reconhecidos pela disseminação da técnica khoomei, ou canto difônico, que consiste, ao mesmo tempo, na execução de duas notas sobrepostas (uma grave e uma aguda).
Suas técnicas de artesanato incluíam objetos ao mesmo tempo funcionais e decorativos para as suas montarias (como selas e arreios) e poderosos arcos compostos, que compunham o arsenal de seus arqueiros. Os ofícios mais comuns também incluíam ferreiros, tecelões, carpinteiros e joalheiros, e com a ascensão da Dinastia Yuan, na China, passou-se a fabricar porcelanas de estimado valor para nobres e estrangeiros.
Quem foram os líderes do Império Mongol?
Os principais Khans (líderes) do Império Mongol foram:
→ Gengis Khan (1206-1227): nascido Temujin, o mais notório Khan foi o idealizador e fundador do Império Mongol, cujas conquistas abrangeram desde o Oceano Pacífico, ao leste, até o Mar Cáspio, a oeste. A fundação do império só foi possível devido às habilidades estratégicas de Temujin, que, ao derrotar os seus rivais e unificar os clãs mongóis, foi nomeado Gengis Khan (algo como “Líder Universal”). Suas incursões lhe consolidaram a conquista parcial da China, da Ásia Central e do extremo leste europeu. Gengis Khan morreu em 1227, possivelmente por febre tifoide ou peste bubônica, deixando suas conquistas para os filhos.
→ Ögedei Khan (1229-1241): apesar de ser considerado mais diplomático que o pai, Ögedei Khan assinalou o poderio mongol após destruir as forças remanescentes da Dinastia Jin da China e conquistar ainda mais territórios do oriente europeu, atingindo os atuais territórios da Hungria e Polônia. Outro feito notável foi a construção da capital do império, Karakorum, atualmente em ruínas.
→ Batu Khan (1227-1255): fundador do Estado da Horda Dourada, nos territórios mais ocidentais do império, Batu estabeleceu o domínio mongol sobre os povos eslávicos por meio da expansão sobre o oeste euroasiático. Sua conquista mais significativa foi Kiev, na atual Ucrânia — na época, possivelmente a cidade mais importante dos russos — e fundou sua capital, Sarai, no Rio Volga, que significou o domínio mongol sobre os vassalos russos da região por quase 240 anos.
→ Kublai Khan (1260-1294): quando o território mongol foi dividido em canatos, Kublai Khan se tornou um dos chefes mais poderosos ao fundar a Dinastia Yuan, que inicialmente unia as extensões da Mongólia e da China, mas foi expandida até parte da Sibéria e do Afeganistão, transformando-se no maior canato mongol. Kublai foi responsável pela unificação da China (onde consolidou a nova capital mongol, Dadu, na atual Pequim) e seu fortalecimento econômico, potencializado pela Rota da Seda em conexão com a Europa. Foi durante a sua liderança, em 1279, que a extensão do território mongol chegou a seu ápice, embora já não se tratasse mais de um império unificado.
→ Hulegu Khan (1256-1265): do canato de Ilcanato, ficou mais reconhecido por invadir a cidade muçulmana de Bagdá, em 1258, e destruir o poderoso Califado Abássida (que representava o terceiro califado islâmico da história e se estendia por todo o Oriente Médio e partes da Ásia Central e norte africano). A invasão causou uma guerra com o Khan Berke, sucessor de Batu Khan do canato da Horda Dourada, que havia se convertido ao islã. Não houve vitoriosos, já que ambos os Khans morreram no mesmo ano.
Bandeira do Império Mongol
No contexto do século XIII, ainda não havia ainda bandeiras nacionais como conhecemos atualmente. Estima-se que os primeiros modelos de flâmulas a representar nações surgiram naquele século, em locais muito específicos da Europa, o que significa que o Império Mongol não possuía uma bandeira oficial. Muitas vezes, as bandeiras mongóis que surgiram séculos após o período imperial são erroneamente associadas ao contexto dos Khans, provavelmente a fim de se criar uma identidade para os guerreiros da Mongólia daqueles séculos.
Em seu lugar, podemos estimar que o símbolo mais vinculado ao império tenha sido o tug de guerra de Gengis Khan, um estandarte negro feito com crinas de cavalo. Apesar de uma versão branca de tug ter sido utilizada em tempos de paz, as constantes incursões mongólicas transformaram o modelo negro no mais associado ao império.
Como foi a queda do Império Mongol?
A queda do Império Mongol enquanto nação unificada ocorreu em 1260, quando se teve início a guerra civil de Toluid, guerra foi travada entre os irmãos Kublai Khan e Ariq Khan pelo controle do império, do qual Kublai se saiu vitorioso. Por outro lado, o império foi desmembrado, inicialmente, em quatro canatos independentes, cada um chefiado por um Khan.
Kublai fundou a Dinastia Yuan, inicialmente na China e Mongólia, que consistia no maior dos territórios desmembrados. A influência mongol na Eurásia deu origem à Horda Dourada; no Oriente Médio e Pérsia, ao Ilcanato; na Ásia Central, ao Canato de Chagatai.
Com o passar do tempo, os canatos originais se fragmentaram em porções territoriais menores, muitas vezes influenciadas por culturas locais ou estrangeiras. A Dinastia Yuan, por exemplo, chegou ao término em 1368, após a Revolução dos Turbantes Vermelhos, ocasionada por camponeses insatisfeitos com a miséria e a fome.
O Ilcanato foi o segundo dos canatos originais a ser dissolvido, em 1335, por não resistir à má administração de seus líderes. A Horda Dourada desapareceu silenciosamente durante o século XV, também após sucessivos desmembramentos que foram absorvidos pela cultura russa, cada vez mais influente. O Canato de Chagatai foi dissolvido também no século XV, quando conquistado pela expansão timúrida liderada por Tamerlão.
Portanto, oficialmente, o Império Mongol se encerrou em 1260 como resultado da guerra civil travada entre Kublai e Ariq, mas suas reminiscências influenciaram o mundo por cerca de mais trezentos anos.
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Império Mongol x Império Romano
O Império Mongol e o Império Romano, temporalmente, possuem uma diferença de quase mil anos. Mesmo assim, é possível traçar comparações entre ambos, já que tanto os romanos quanto os mongóis foram responsáveis pelo desenvolvimento de duas das mais poderosas civilizações da história.
As principais diferenças estão em suas características temporais: enquanto o Império Romano significou o período final do poder de Roma, entre os séculos I a.C. e V d.C. — e, com isso, mais ou menos 500 anos de existência —, o Império Mongol foi relativamente efêmero, se levarmos em consideração desde a sua formação, em cerca de 1206, até sua repartição, em 1260 (ou seja, apenas 54 anos, embora seja importante considerar as posteriores durações de seus canatos). A diferença temporal também é relevante, já que o Império Romano está inserido na Antiguidade ocidental, e o Império Mongol, à Baixa Idade Média na Europa.
Culturalmente, enquanto os romanos eram sedentários (fixos em suas terras) e impunham a assimilação cultural e religiosa sobre os povos dominados, os mongóis eram nômades (em constante movimentação) e toleravam as culturas e crenças divergentes. A base de recursos extraída por ambos também se diferenciava, já que os romanos se baseavam principalmente na produção agrícola, e os mongóis, na criação de animais.
As táticas de combate e estratégias usadas por ambos eram muito diferentes: enquanto o Império Mongol se baseava em rápidas incursões realizadas geralmente por cavaleiros leves e arqueiros montados, garantindo mobilidade e o constante despreparo dos inimigos, o Império Romano era fundamentado em sólidas linhas de infantaria pesada, formada por soldados legionários.
Mesmo com diversas características diferentes e até mesmo opostas, ambas as civilizações possuem um ponto em comum: a disseminação de culturas que influenciaram o Oriente, de um lado (devido aos mongóis), e o Ocidente, de outro (por intermédio dos romanos).
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Exercícios sobre Império Mongol
1. (IDHTEC) Sobre os mongóis na Idade média Oriental, é INCORRETO afirmar:
a) Os mongóis constituíam uma horda de cavaleiros nômades da Ásia Central, vivendo em tendas e ocupando-se de pastoreio e da guerra.
b) O Império Mongólico começou a se formar, aproximadamente, em 1200. Quando a China foi invadida por um guerreiro mongol, Gêngis-Cã, que tomou Pequim e dilatou suas conquistas, ocupando também a Turquestão, a Pérsia, o norte da Índia e a região do Cáucaso.
c) Os mongóis devastaram a China, estabelecendo, porém, posteriormente o desenvolvimento do comércio e das atividades artesanais.
d) Os mongóis chegaram a dominar o norte da Prússia e parte do Sacro Império Germânico.
e) Após o apogeu do governo de Cubai-Cã (1259-1294), o Império Mongólico declinou rapidamente.
Resposta: d). Apesar de o Império Mongol ser o maior império contíguo da história, os seus domínios se estenderam até os povos eslavos da Eurásia, sem entrar em contato direto com as culturas germânicas.
2. (IFSUL) O Império Mongol atraiu a atenção do ocidente medieval através dos relatos fascinantes e místicos de alguns peregrinos e principalmente através dos relatos de Marco Polo, contemplados na obra Livro das Diversidades e das Maravilhas, que segundo o próprio autor trazia uma descrição detalhada do mundo oriental. Sobre os mongóis é INCORRETO afirmar que:
a) Kublai Khan, quando governou o vasto império mongol, percebendo a ganância dos comerciantes ocidentais em relação às especiarias, estabeleceu o primeiro acordo comercial concedendo monopólio a comerciantes de Gênova e Veneza.
b) Eram um povo nômade divididos por uma infinidade de tribos localizadas ao norte da China.
c) Após a conquista de reinos vizinhos, os mongóis transpuseram a Grande Muralha e avançaram sobre a China em 1215.
d) A estruturação da nação mongol combinava uma rígida fidelidade ao Grande Khan com uma ampla tolerância religiosa que permitia várias expressões religiosas.
Resposta: a). Kublai Khan nunca estabeleceu um monopólio comercial com outras nações. Pelo contrário, ele instaurou políticas de incentivo econômico entre as demais culturas orientais e ocidentais, facilitando o comércio de riquezas asiáticas por meio da Rota da Seda.
Créditos da imagem
Fontes:
DISCOVER MONGOLIA. Disponível em <https://www.discovermongolia.mn>.
GONÇALVES, Yuriy J.L. De Genghis Khan à Mongólia atual: A herança mongol. Maringá: Editora Viseu, 2023.
MAY, Timothy. The Mongols. York: ARC Humanities Press, 2019.
MAN, John. Kublai Khan: The Mongol King Who Remade China. Nova York: Bantam Books, 2007.
RATCHNEVSKY, Paul. Genghis Khan: His Life and Legacy. Oxford: Blackwell, 1993.
WEATHERFORD, Jack McIver. Gengis Kahn e a Formação do Mundo Moderno. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2010.
WOOD, Michael. História da China: O retrato de uma civilização e de seu povo. São Paulo: Crítica, 2022.