Baixa Idade Média
Baixa Idade Média foi a fase da Idade Média que correspondeu ao período iniciado no século XI e encerrado no século XV. Nela houve inúmeras mudanças para o continente europeu: a população cresceu, as cidades e o comércio renasceram, e isso resultou em transformações na forma como a sociedade europeia organizava-se.
As mudanças da Baixa Idade Média levaram ao fim do feudalismo e à centralização do poder real, abrindo o caminho para a modernidade. Importante considerar que esse foi o período auge do feudalismo, também sendo marcado por outros acontecimentos importantes, como o Grande Cisma e as Cruzadas. Esse período encerrou-se com a queda de Constantinopla para os otomanos.
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Resumo sobre Baixa Idade Média
- A Baixa Idade Média foi uma fase da Idade Média que se estendeu do século XI ao XV.
- Foi marcado por ser o período auge do feudalismo, mas também por presenciar o seu declínio.
- O marco de encerramento desse período foi a queda de Constantinopla, em 1453.
- A sociedade europeia desse período era estamental, dividida em nobreza, servos e clero.
- As muitas transformações que ocorreram nessa fase levaram ao fim da Idade Média e início da modernidade.
Videoaula sobre Baixa Idade Média
O que foi a Baixa Idade Média?
A Baixa Idade Média é entendida como uma das fases da Idade Média, estendendo-se do século XI ao século XV. Esse é o período final da Idade Média e o auge do feudalismo, com a estruturação social, política, econômica e ideológica desse sistema estando bem consolidada.
A Baixa Idade Média é o período no qual novas transformações começam a ganhar curso na Europa. A ruralização e o isolamento típicos da Alta Idade Médica começam a ser superados pelo surgimento de uma rede comercial que se estendeu na Europa a partir de melhorias na agricultura. O crescimento do comércio e populacional possibilitou o crescimento urbano.
As cidades europeias, recebendo mais pessoas, tornaram-se locais complexos em que uma série de novos ofícios e ideias se estabeleceram. A Igreja Católica ampliou o seu poder, afastando-se da Igreja Oriental (Ortodoxa) e voltando-se contra os muçulmanos. Essas e muitas outras transformações contribuíram para o fim do mundo feudal e o surgimento da modernidade.
Principais características da Baixa Idade Média
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Feudalismo
A Baixa Idade Média é um período marcado pelo feudalismo — sistema que delimitava o funcionamento da sociedade europeia em diferentes aspectos. O auge do feudalismo deu-se entre os séculos XI e XIII, sendo que, após esse período, esse sistema começou a ruir por conta das modificações que a Europa passou a sofrer.
O feudalismo foi estruturado ao longo da Alta Idade Média, chegando a sua forma clássica no período citado. Tal sistema dependia exclusivamente de duas coisas: a dependência do trabalho agrícola e a relação de fidelidade entre o rei e o nobre. Assim, nele, o local que centralizava a vida medieval era o feudo.
O feudo pertencia a um senhor feudal, que permitia que camponeses instalassem-se em suas terras e cultivassem seu solo. Em troca, estes eram obrigados a pagar impostos pesados por utilizar a terra e as instalações daquele. O camponês ficava preso à terra em que vivia, e a mobilidade social era quase inexistente.
Outra característica importante era a relação de vassalagem, surgida no interior do Império Carolíngio durante a Alta Idade Média. Na Baixa Idade Média, ela era a relação principal que o rei tinha com seus súditos. Ele dava uma de suas terras a um nobre, que lhe prestava juramento, garantindo-lhe apoio na administração do reino e na guerra.
O feudalismo é utilizado pelos historiadores como chave explicativa para a cultura e a ideologia da época. Um dos casos é a construção ideológica desenvolvida pela Igreja Católica para justificar a desigualdade daquela sociedade e garantir seus privilégios e posses. Além de ter visto o auge desse sistema, a Baixa Idade Média também presenciou seu declínio.
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Sociedade
A sociedade na Baixa Idade Média era estamental, ou seja, era dividida em classes sociais muito bem definidas e que tinham pouquíssimas chances de mobilidade social, uma vez que o valor dos nobres era atribuído pelo sangue, por sua descendência, e esse era o fator da origem e manutenção de toda a sua riqueza.
Os três grupos que formavam a sociedade medieval eram:
- Nobres: aqui se incluem tanto nobres que possuíam sua propriedade (feudo) quanto os que se dedicavam à guerra, os cavaleiros;
- Clero: membros da Igreja Católica;
- Camponeses: trabalhadores presos à terra em que serviam aos senhores feudais.
A Baixa Idade Média, porém, presenciou alguma modificação nessa organização social. O crescimento das cidades esteve por trás dessas mudanças devido ao surgimento de novos ofícios por toda a Europa Ocidental.
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Economia
A Europa ainda era majoritariamente rural e dependente da agricultura. A agricultura europeia passou por melhorias a partir do século XI, quando os europeus começaram a utilizar animais de tração e a charrua para o arado do solo. Além disso, eles iniciaram um sistema de rotatividade trienal, que garantia a fertilidade do solo. Esses fatores melhoraram a produtividade dessa atividade econômica na época.
Do século X ao século XIII, a Europa também sofreu um aumento na temperatura média. Isso possibilitou melhores colheitas, mas também a ampliação das terras cultivadas. O aumento da produtividade permitiu aos feudos terem um pequeno excedente agrícola, que passou a ser comercializado.
Esse renascimento do comércio, que se deu primeiramente a partir desse excedente, expandiu o leque de mercadorias disponíveis, obtendo-se mercadorias de luxo oriundas do Oriente. A princípio itinerante, o comércio consolidou-se e as feiras temporárias tornaram-se fixas nos arredores das cidades, conhecidos como burgos, locais em que se encontravam os burgueses.
Isso reforçou o crescimento das cidades, um processo que já estava em curso. As cidades em crescimento possibilitaram o aumento dos ofícios e novas formas de sobrevivência. A economia agora se diversificava, e os trabalhadores poderiam sobreviver do comércio e do artesanato, se assim preferissem.
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Política
Na política, a Europa também sofreu grandes mudanças. No final do século XIII, a relação entre feudalismo e vassalagem perdeu sua força, e a Europa presenciou um processo de fortalecimento da posição do rei e o surgimento de um aparato burocrático que deu origem ao Estado Nacional.
Esse fortalecimento aconteceu em alguns locais da Europa Ocidental, e os casos mais simbólicos deram-se na Inglaterra e, principalmente, na França. No caso francês, os reis da Dinastia Capetíngia (ou dinastia dos Capetos) firmaram-se no poder a partir do século X e, pouco a pouco, combateram os privilégios da nobreza, tomando-lhes as terras. Após o processo de unificação jurídica com a aplicação de uma lei sobre todo o reino, houve a transformação do poder do rei em lei, de fato.
O caso inglês foi um pouco diferente, porque, após um processo inicial de consolidação da figura real a partir da chegada dos normandos na região no século XI, uma crise política no século XIII estabeleceu mecanismos que deram origem ao Parlamento, que, por sua vez, começou a agir como moderador do poder do rei.
Acontecimentos marcantes da Baixa Idade Média
A Baixa Idade Média presenciou diversos acontecimentos marcantes. Alguns deles serão destacados abaixo:
- Grande Cisma do Oriente (1054): evento marcado pela ruptura das Igreja de Roma e Constantinopla, oficializando a separação entre a Igreja Católica e Ortodoxa.
- Cruzadas (1095-1291): conjunto de conflitos travados entre os reinos cristãos da Europa e os reinos muçulmanos que dominavam a região da Palestina.
- Conquista normanda da Inglaterra (1066): os normandos conquistam a Inglaterra após a Batalha de Hastings.
- Guerra dos Cem Anos (1337-1453): conflito travado entre França e Inglaterra pela disputa do trono francês, além de disputas territoriais estarem em jogo.
- Outros fatos importantes da Baixa Idade Média foram o escolasticismo, o crescimento comercial e urbano, o surgimento de diversas heresias, o monasticismo, etc.
Um ponto de destaque sobre a Baixa Idade Média vai para a Crise do Século XIV, a sucessão de catástrofes que atingiram a Europa nesse período com destaque para a peste negra, a pandemia de peste bubônica que se espalhou pela Europa entre 1347 e 1353.
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Crise do Século XIV e a peste negra
A Idade Média encerrou-se em catástrofe. A Crise do Século XIV abalou as estruturas medievais, dando origem a novas realidades políticas, econômicas e sociais. Foi um século de guerras, fome, revoltas e peste. A redução populacional de todo esse processo foi drástica, e, no final, a centralização do poder real estava consolidada, a economia começou a basear-se no comércio e a sociedade diversificou-se.
O século XIV ficou marcado por uma nova queda na temperatura, que resultou em colheitas muito ruins. A consequência disso, naturalmente, foi a fome, e o historiador Jacques Le Goff exemplifica que Bruges (atual Bélgica) perdeu dois mil dos seus 35 mil habitantes por ela.|1| A situação ampliou a penúria dos mais pobres, aumentou a insatisfação, e revoltas eclodiram em toda a Europa.
Essas revoltas aconteciam pelo excesso de impostos que os pobres tinham que pagar, pela falta de empregos nas cidades e pelos altos preços de itens básicos à sobrevivência, como alimentos. Revoltas aconteceram em cidades de todos os portes e também se espalharam para o campo.
Além disso, as disputas por terras e poder entre os membros da nobreza suscitaram guerras. A maior guerra do século XIV foi a Guerra dos Cem Anos, travada durante 1337 e 1453, entre França e Inglaterra. Esses combates destruíram colheitas, empobreceram pessoas e espalharam mortes e doenças pela Europa. Eles ainda contribuíram para o enfraquecimento da nobreza, exaurida pelos gastos neles.
Por fim, veio a peste. Em 1348, iniciou-se na Europa um surto de peste bubônica, trazida da Ásia Central. A peste negra, como ficou conhecida, atuou de maneira pandêmica no continente europeu e poucas regiões não foram afetadas por ela. Espalhava-se rapidamente e retornava em ciclos que se estendiam por anos. O resultado final disso foi catastrófico, e estima-se que pelo menos 1/3 da população europeia sucumbiu a essa doença.
Algumas estatísticas mais atuais apontam que metade da população europeia pode ter sido vítima da peste negra. Em determinados lugares, a mortandade causada pela doença afetou cerca de 70% da população.
O que aconteceu após o fim da Baixa Idade Média?
Oficialmente falando, o marco estabelecido pela historiografia que coloca fim à Baixa Idade Média e consequentemente à Idade Média foi a Queda de Constantinopla. A antiga capital do Império Bizantino foi conquistada pelos otomanos, em 1453, marcando o fim desse império e o avanço do islamismo pela Europa.
Esse marco, no entanto, leva em consideração o peso que esse evento teve na cultura europeia do período, sendo entendido como um catalisador de transformações. Essa periodização, no entanto, é polêmica e questionada por muitos historiadores. O fato é que o encerramento da Idade Média foi acompanhado de mudanças na Europa.
O surgimento do Renascimento trouxe novas ideias e um novo estado para as artes europeias; a expansão marítima europeia permitiu sua chegada a América e a expansão comercial dos europeus; a Igreja Católica passou a ser questionada e novas doutrinas surgiram, além de que o poder dos monarcas se fortaleceu e os Estados Nacionais se estabeleceram em contraposição aos reinos medievais.
Leia também: Como a crise do feudalismo possibilitou o surgimento do capitalismo
Contexto histórico da Baixa Idade Média
A Baixa Idade Média é a segunda fase da Idade Média, segundo uma periodização que existe na historiografia a respeito do período. A Baixa Idade Média se iniciou a partir do século XI, sendo antecedida por séculos de mudanças na Europa desde a desagregação do Império Romano, no século V.
Esse período que antecedeu a Baixa Idade Média, conhecido como Alta Idade Média, ficou marcado por inúmeras transformações, como o desaparecimento do poder romano, mas foi marcado pela mistura da cultura romana e germânica. A ruralização, redução populacional e o isolamento são outras marcas desse período, bem como é um período de formação do feudalismo, que teve seu auge na Baixa Idade Média.
Exercícios sobre Baixa Idade Média
Questão 01
As Cruzadas, um marco da Baixa Idade Média, foram convocadas por qual papa?
a) Urbano II.
b) Leão X.
c) Gregório V.
d) João XII.
e) Sisto V.
Resposta: Letra A.
O papa Urbano II anunciou a convocação das Cruzadas em 1095, incentivando os reinos cristãos da Europa a fornecerem guerreiros para lutar por terras na Palestina contra os muçulmanos. Ele tomou essa medida buscando reforçar o poder da Igreja Católica diante da Ortodoxa, além de ter outros interesses em mente.
Questão 02
A conquista de qual cidade é entendida como um marco que simbolizou o fim da Baixa Idade Média?
a) Roma.
b) Constantinopla.
c) Londres.
d) Madrid.
e) Viena.
Resposta: Letra B.
A queda de Constantinopla, em 1453, foi estabelecida como marco para o fim da Idade Média. A cidade foi conquistada pelos otomanos, simbolizando o início do avanço islâmico na Europa. A partir daí, uma série de transformações ocorreram no continente europeu.
Fontes
FRANCO JUNIOR, Hilário. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 2006.
LE GOFF, Jacques. As raízes medievais da Europa. Petrópolis: Vozes, 2011.
LE GOFF, Jacques. A História deve ser dividida em pedaços? São Paulo: Editora Unesp, 2015.
LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente medieval. Petrópolis: Vozes, 2016.