Citação direta e citação indireta
Citação direta e citação indireta são formas de reprodução das ideias de outro autor para sustentar ou para complementar o próprio texto. Quando essa reprodução ocorre de forma literal, temos citação direta. Quando essa reprodução ocorre com as próprias palavras do autor que cita, temos citação indireta.
Leia também: Quais são as normas da ABNT?
Resumo sobre citação direta e indireta
- Citação direta e citação indireta são formas de reprodução das ideias de outro autor para sustentar ou para complementar o próprio texto.
- A citação direta é a reprodução fiel e literal das palavras de outro autor.
- A citação indireta é a reescrita das ideias de outro autor com atribuição de autoria.
- A citação direta pode ser curta (até três linhas) ou longa (mais de três linhas), e sua extensão altera o formato da citação no texto.
- Supressões, destaques e comentários nas citações devem ser indicados no texto.
- Citação dentro de citação (apud) também precisa ser indicada.
O que é citação direta?
A citação direta é a reprodução literal das palavras de outro autor, sem alterações. Esse tipo de citação é usado quando se deseja manter a forma original do discurso, destacando exatamente como o pensamento foi expresso na fonte consultada. É muito útil para dar credibilidade ao texto e para reforçar argumentos com a voz do autor original.
Como fazer citação direta?
Para fazer citação direta, o trecho deve ser transcrito fielmente, com indicação do autor original. Veja neste exemplo:
Já há muito tempo que se duvida sobre o quanto a internet poderia ser, de fato, eficiente para transmitir informações adequadas e melhorar a comunicação entre as pessoas. O cronista Contardo Calligaris, por exemplo, já afirmava que “o que preocupa os críticos é a expansão planetária de uma ‘nova’ modalidade das relações, que seria necessariamente indiscriminada e superficial: todos dialogarão com todos e sem se dizer nada de essencial” (Calligaris, 1994, p. 6).
Observe que, nesse caso, o texto indica o nome do autor citado, além de usar sinais de pontuação, em especial as aspas, para mostrar onde começa e onde termina a fala de outro autor. Esse tipo de marcação é essencial para preservar a autoria e para evitar plágio.
As citações diretas podem ser curtas (até três linhas) ou longas (mais de três linhas), conforme as normas da ABNT, que costumam ser utilizadas em trabalhos acadêmicos no Brasil.
Citação direta de até três linhas
A citação direta de até trés linhas é considerada curta e reproduz um fragmento de, no máximo, três linhas da obra original. Ela é indicada para reforçar uma ideia específica e deve ser inserida entre aspas, com a indicação do autor e do ano da obra original. Observe a seguir:
A crônica é um gênero textual curto e que propõe uma leitura leve e, muitas vezes, divertida sobre o cotidiano. Carlos Drummond de Andrade (1984, p. B1) afirmou que a crônica “é território livre da imaginação, empenhada em circular entre os acontecimentos do dia, sem procurar influir neles”.
Aqui, o autor está apresentando as características da crônica e, para isso, traz uma citação de outro autor (o escritor Carlos Drummond de Andrade) entre aspas, que sustenta a definição feita no próprio texto.
Citação direta de mais de três linhas
A citação direta de mais de três linhas é considerada longa, reproduz um trecho de mais de três linhas e deve ser destacada em um parágrafo próprio, com recuo de 4 centímetros da margem esquerda, fonte menor (geralmente, tamanho 10) e sem apas, conforme as normas daABNT. Veja:
O cronista deve ser capaz de observar o cotidiano com leveza e profundidade, transformando fatos simples em reflexões sobre o comportamento humano e a sociedade. Essa visão é bem descrita por Carlos Drummond de Andrade da seguinte maneira:
Crônica tem essa vantagem: não obriga ao paletó-e-gravata do editorialista, forçado a definir uma posição correta diante dos grandes problemas; não exige de quem a faz o nervosismo saltitante do repórter, responsável pela apuração do fato na hora mesma em que ele acontece; dispensa a especialização suada em economia, finanças, política nacional e internacional, esporte, religião e o mais que imaginar se possa. (Andrade, 1984, p. B1).
Nesse caso, o primeiro parágrafo pertence ao texto do autor, que disserta sobre as características esperadas de um cronista. Já o segundo parágrafo (recuado) reproduz o trecho que pertence a outro autor, usado para aprofundar ou para sustentar a ideia apresentada no texto que faz a citação.
Exemplos de citação direta
- Exemplo 1:
A educação, para Paulo Freire, deve ser construída a partir do diálogo e da troca entre os sujeitos, e não imposta de forma autoritária: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo” (Freire, 1987, p. 39).
- Exemplo 2:
Ao refletir sobre o comportamento humano, Machado de Assis ironiza a relação entre amor e interesse financeiro em um de seus romances: “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis” (Assis, 1994, p. 31).
- Exemplo 3:
Com o avanço da tecnologia, Lévy (1999, p. 17) observa que um novo ambiente de comunicação surgiu, alterando as formas de interação humana: “O ciberespaço [...] é o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores.”
Supressões, comentários e destaques
Pode ser necessário intervir na citação direta, especialmente nas mais longas, seja para omitir algumas partes não relevantes para o seu texto, seja para enfatizar partes importantes ou para inserir observações que evitem ambiguidades.
- Supressões: Quando se omite parte do texto original, coloca-se reticências entre colchetes — “[...]” — para indicar que houve corte. Observe como isso é feito no exemplo a seguir:
A literatura pode ser um importante veículo crítico que expõe problemas da sociedade. Em uma de suas crônicas, o escritor Lima Barreto (1995, p. 59) afirmou que “o Brasil é um país muito rico. Nós [...] o supomos muito pobre, pois a toda hora e a todo instante, estamos vendo o governo lamentar-se que não faz isto ou não faz aquilo por falta de verba”.
Nesse caso, o trecho original tinha outras informações entre as duas partes, que foram suprimidas por não serem relevantes para o argumento do autor do trabalho.
- Destaques: É possível dar ênfase a uma palavra ou um pequeno trecho da citação, utilizando negrito, itálico ou sublinhado, desde que se indique, ao final da citação, que o destaque foi feito pelo autor que cita. Veja uma forma de fazer isso:
Uma técnica interessante de escrita é a de se referir diretamente ao leitor do texto. O escritor Machado de Assis usava com maestria esse recurso, tanto em seus romances, quanto em suas crônicas: “Leitor, o mundo está para ver alguma coisa mais grave do que pensas.” (Assis, 1996, p. 307, grifo nosso)
A expressão “grifo nosso” nos parênteses que indicam a referência mostra que o destaque em negrito não pertence ao texto original, mas foi feito pelo autor do trabalho para chamar atenção àquelas palavras.
- Comentários: Se houver necessidade de inserir observações dentro da citação, isso pode ser feito entre colchetes, para deixar claro que a inserção não faz parte do texto original. Por exemplo, é comum usar o termo “[sic]” após palavras com erros de grafia no texto citado. Também é possível inserir alguma informação para evitar ambiguidades. Note como isso foi feito neste exemplo:
Diversos problemas sociais perduram no Brasil há vários séculos sem solução, devido à priorização de outros setores menos relevantes. Em uma de suas crônicas, Lima Barreto já tecia essa crítica:
E o Brasil é um país rico; e tão rico é ele, que apesar de não cuidar dessas coisas que vim enumerando [problemas de violência, saúde e educação], vai dar trezentos contos para alguns latagões irem ao estrangeiro divertir-se com os jogos de bola como se fossem crianças de calças curtas, a brincar nos recreios dos colégios. (Barreto, 1965, p. 61).
Nesse caso, a citação direta apresenta uma breve contextualização entre colchetes para explicar o conteúdo do texto original, que não entrou na citação.
O que é citação indireta?
A citação indireta é a reprodução das ideias de outro autor usando as próprias palavras, ou seja, uma paráfrase. Esse tipo de citação é usado para expressar a própria interpretação sobre aquela citação, de maneira a encaixar aquele trecho mais adequadamente no texto que está fazendo a citação.
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Como fazer citação indireta?
Para fazer citação indireta, o trecho citado não precisa aparecer entre aspas nem em um parágrafo à parte. Na verdade, essa citação aparece normalmente no texto, sendo uma interpretação e reescrita da ideia de outro autor, com a devida atribuição. Observe neste exemplo:
Por se tratar de um gênero mais livre e pessoal, a crônica permite que o autor expresse suas percepções cotidianas de modo criativo. Segundo Andrade (1984, p. B1), o cronista não precisa escrever com o rigor e a formalidade do editorialista, nem produzir uma escrita rápida e objetiva, como o repórter.
Observe que, nesse caso, o parágrafo apresenta uma reflexão do autor do texto, seguida da reformulação das ideias de Drummond, mas pelas próprias palavras do autor, sem o uso de aspas. O trecho explicita que a ideia foi inspirada em outro autor, mas adaptada ao contexto do novo texto.
Importante: É extremamente importante fazer a devida atribuição ao autor original da ideia apresentada, mesmo quando ela é reescrita, para não ocorrer plágio no texto.
Exemplos de citação indireta
- Exemplo 1:
Segundo Freire (1987), o processo de aprendizagem se dá por meio do diálogo entre as pessoas e do contato constante com o mundo que as cerca.
- Exemplo 2:
Machado de Assis (1994) evidencia, com ironia, como o amor pode ser condicionado ao dinheiro, mostrando que o sentimento de Marcela durou tanto quanto os recursos do narrador.
- Exemplo 3:
De acordo com Lévy (1999), o ciberespaço representa uma nova forma de comunicação global criada pela interligação de computadores em rede.
Citação de citação (apud)
Citação de citação (apud) é a situação em que há uma citação dentro da própria citação feita, isto é, o autor consultado reproduz um trecho que, originalmente, pertence a outro autor. Nesses casos, o sobrenome de ambos os autores deve aparecer com a indicação apud (do latim segundo), que serve justamente para mostrar que o autor consultado citou o autor original. Entenda neste exemplo fictício:
A literatura abre portas para o pensamento crítico e a observação atenta de problemas da sociedade. Por meio das crônicas, por exemplo, é possível questionar certas situações, mas usando um tom leve e um olhar profundo – típico do perfil do cronista, que se mantém empenhado “em circular entre os acontecimentos do dia” (Andrade, 1984, apud Viana, 2025).
Aqui, o texto fala sobre características do cronista, até que insere uma citação direta a Viana (autor consultado). Porém, o trecho entre aspas retirado de Viana foi, na verdade, originalmente escrito por Carlos Drummond de Andrade (autor original do trecho). Assim, a forma correta de indicar é autor original apud autor consultado, ou seja, Andrade apud Viana.
Importante: Use apud apenas quando não for possível acessar o texto original. Sempre que houver aceso direto à obra original, prefira citar a fonte primária, para trazer maior credibilidade ao seu texto.
Fontes
ACEVEDO, C. R.; NOHARA, J. J. Como fazer monografias: TCC, dissertações, teses. 4.ed. rev. e atual. São Paulo: Atlas, 2013.
ANDRADE, C. D. Ciao. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 29 set. 1984. Caderno B.
ASSIS, M. A semana: crônicas (1892-1893). São Paulo: Hucitec, 1996.
BARRETO, L. País rico. In: Crônicas escolhidas. São Paulo: Ática, 1995. pp. 59-61.
BIBLIOTECA FEAUSP. Diretrizes para apresentação de dissertações e teses da USP – APA 6ª Ed. 2018. Disponível em: https://www.fea.usp.br/sites/default/files/arquivos/anexos/apresentacao_apa-04_2019_biblioteca_fea_usp.pdf.
CALLIGARIS, C. Com quanta culpa se faz a modernidade. Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 jun. 1994. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1994/6/19/mais!/5.html.
MUNDO BIBLIOTECÁRIO. A caixa alta morreu: conheça essa e mais 6 outras atualizações da norma ABNT NBR 10520:2023 que vão te surpreender!. Mundo Bibliotecário, 25 jul. 2023. Disponível em: https://mundobibliotecario.com.br/index.php/2023/07/25/a-caixa-alta-morreu-conheca-essa-e-mais-6-outras-atualizacoes-da-norma-abnt-nbr-105202023-que-vao-te-surpreender/