Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso é um sociólogo, cientista político e político brasileiro. Foi um dos autores do Plano Real e presidente do Brasil entre 1995 e 2003.
Fotografia de Fernando Henrique Cardoso (FHC).
Fernando Henrique Cardoso tornou-se presidente do Brasil ao vencer a disputa eleitoral em 1994, conquistando 54% dos votos. [1]

Fernando Henrique Cardoso é um dos nomes mais importantes da história recente do Brasil. Ele foi um sociólogo e cientista político de notoriedade nas décadas de 1960 e 1970 e ficou mais famoso ainda após ingressar na carreira política, tornando-se presidente do Brasil após ter sido eleito em 1994.

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Ele foi um dos grandes nomes que se envolveu com a redemocratização do Brasil, sendo um dos membros da Constituinte que elaborou uma nova Constituição para o Brasil. Foi o autor do Plano Real e conseguiu estabilizar a economia do país após anos de instabilidade. Foi eleito presidente duas vezes, em 1994 e em 1998. Aposentado da política, seguiu carreira como conferencista.

Leia também: Luis Inácio Lula da Silva — o político que assumiu a presidência do Brasil após Fernando Henrique Cardoso

Resumo sobre Fernando Henrique Cardoso

  • Fernando Henrique Cardoso é um um respeitado intelectual brasileiro, sendo sociólogo e cientista político com carreira como professor universitário.

  • Ele nasceu no Rio de Janeiro, em 1931.

  • Ingressou na carreira na década de 1970, lutando pela redemocratização do Brasil.

  • Foi presidente do Brasil em dois mandatos, entre 1995 e 2003.

  • Depois da presidência atuou como conferencista, mas está afastado da vida pública pelo avançar de sua idade.

Biografia de Fernando Henrique Cardoso

Também conhecido como FHC, Fernando Henrique Cardoso nasceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de junho de 1931. Ele era de uma família muito tradicional que tinha ocupado cargos importantes na história do Brasil. O bisavô paterno dele, por exemplo, tinha sido governante de Goiás, durante o Segundo Reinado. Além disso, sua família era tradicional dentro do Exército brasileiro.

Fernando Henrique Cardoso com a mãe, Naíde Silva Cardoso, e com os irmãos.
Fernando Henrique Cardoso com a mãe, Naíde Silva Cardoso, e com os irmãos.

O próprio pai de Fernando Henrique Cardodo, Leônidas Fernandes Cardoso, era um militar. A profissão do pai acabou fazendo com que ele precisasse se mudar do Rio de Janeiro para São Paulo. A mãe de Fernando Henrique Carodoso chamava-se Naíde Silva Cardoso, era amazonense de nascimento e tinha sido educada em colégio de freiras.

Fernando Henrique Cardoso em sua juventude.
Fernando Henrique Cardoso em sua juventude.

Por conta da mudança do pai para São Paulo, Fernando Henrique Cardoso foi alfabetizado no Rio de Janeiro e fez o restante de sua educação em São Paulo, estudando em colégios particulares. Depois, ingressou na Universidade de São Paulo (USP), quando tinha 17 anos. Na USP, ele matriculou-se no curso de Ciências Sociais.

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Carreira de Fernando Henrique Cardoso

 Carreira profissional de Fernando Henrique Cardoso

Na USP, Fernando Henrique Cardoso teve contato com importantes intelectuais do Brasil, tornou-se assistente de sala de Florestan Fernandes e, depois de se formar, em 1952, seguiu a carreira universitária. Além disso, ele fez uma especialização, concluiu seu doutorado, também na USP, e realizou um curso de pós-graduação na Universidade de Paris, na França.

Nessa fase da sua juventude, Fernando Henrique Cardoso até teve uma relativa aproximação com movimentos estudantis e grupos marxistas, incluindo o Partido Comunista Brasileiro (PCB), mas discordâncias a respeito de ações realizadas pelo governo soviético fizeram com que ele se afastasse desses movimentos.

Após seu doutorado, Fernando Henrique Cardoso continuou trabalhando como professor universitário, mas o Golpe Civil-Militar, realizado entre 31 de março e 2 de abril de 1964, mudou radicalmente a sua vida. Nesse golpe, o então presidente João Goulart foi deposto pelos militares, e Humberto Castello Branco foi escolhido de maneira indireta como presidente do Brasil. Isso foi o início de 21 anos de ditadura militar.

Com o início da ditadura, houve uma intensa perseguição a todos aqueles que pensavam diferente, e Fernando Henrique Cardoso foi um dos que sofreu com os militares no poder. Logo após o golpe, foram emitidas ordens de prisão a diversos nomes proeminentes do Brasil, e ele acabou escolhendo fugir para não ser preso.

Fernando Henrique Cardoso só descobriu na década de 1990 por que os militares resolveram ordenar a sua prisão: acusado de ser comunista por conta dos temas ministrados em suas aulas e envolvido com a campanha pela nacionalização do petróleo na década de 1950. Além disso, até os livros que ele possuía foi motivo para ordenar sua prisão.

Fernando Henrique Cardodo exilou-se no Chile, local onde continuou com seus estudos na área das Ciências Humanas e onde lançou um livro chamado Dependência e desenvolvimento na América Latina, com um sociólogo chileno chamado Enzo Faletto. Esse livro é considerado uma das grandes obras escritas por ele e lhe garantiu reconhecimento internacional.

Depois do Chile, ele passou um ano na França e resolveu retornar ao Brasil em 1968. Ele foi aprovado em um concurso para ser professor na USP, mas rapidamente perdeu seu emprego. O AI-5 deixou o clima político do país mais sombrio, afetando mais ainda as liberdades individuais. O resultado disso foi que, por decisão da ditadura, Fernando Henrique Cardoso e muitos outros professores universitários foram compulsoriamente aposentados.

Carreira política de Fernando Henrique Cardoso

Na década de 1970, Fernando Henrique Cardoso aproximou-se de nomes importantes da política brasileira e acabou recebendo um convite: entrar no meio e tornar-se político. Apesar da objeção de sua esposa, Ruth Cardoso, ele entrou no Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e candidatou-se a senador na eleição de 1978.

Recebeu mais de um milhão de votos, sendo eleito suplente de Franco Montoro. Quando este abandonou o Senado para disputar o cargo de governador de São Paulo, Fernando Henrique Cardoso herdou a vaga no Senado, sendo empossado em 15 de março de 1983. Começava aqui uma carreira política que se estendeu por duas décadas.

Como senador, Fernando Henrique Cardoso engajou-se profundamente pelo processo de redemocratização do Brasil e apoiou abertamente a Campanha das Diretas Já. Com a derrota da Emenda Dante de Oliveira, ele apoiou a candidatura de Tancredo Neves. Ainda em 1985, ele candidatou-se à prefeitura de São Paulo, mas foi derrotado por Jânio Quadros.

Em 1986, Fernando Henrique Cardoso, assim como a maioria dos candidatos do PMDB, foi beneficiado com o sucesso do PMDB. Essa popularidade do PMDB estava relacionado com o sucesso temporário do Plano Cruzado, plano que estabilizou a economia de maneira artificial naquele ano. Com isso, ele acabou sendo reeleito para senador, recebendo mais de 6 milhões de votos.

Enquanto senador, Fernando Henrique Cardoso tornou-se líder do PMDB no Senado e foi membro da Constituinte, responsável por ter elaborado a Constituição de 1988. No decorrer da Constituinte, ele e outras dezenas de políticos do PMDB, romperam com o partido e fundaram o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) sob a liderança de Mário Covas.

Na eleição presidencial de 1989, o partido de Fernando Henrique Cardoso apoiou a candidatura de Lula, mas, com a vitória de Fernando Collor, aproximou-se do governo por concordar com a agenda neoliberal que estava sendo imposta. Com a crise do governo Collor, acabou afastando-se do governo, passou a apoiar o impeachment e aproximou-se do vice, Itamar Franco.

No governo de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso foi convidado para o Ministério das Relações Exteriores e tomou posse do cargo em outubro de 1992. Ficou nesse cargo por poucos meses porque acabou recebendo um convite para assumir outra pasta governamental.

Em 19 de maio, Fernando Henrique Cardoso acabou sendo nomeado para assumir o Ministério da Fazenda em 19 de maio de 1993. O convite de Itamar Franco partiu da indicação de Roberto Freire, deputado federal na época. Uma vez empossado no cargo, ele montou a sua equipe com economistas que já tinham elaborado outros planos econômicos.

À frente do ministério, Fernando Henrique Cardoso propôs o Plano Real, uma reforma econômica profunda no país. O plano foi aplicado em três diferentes etapas, e todas elas foram implantadas de maneira aberta para a população. A ideia era passar segurança para a população sobre o que estava sendo feito. Na primeira fase, foram realizadas medidas para estabilizar as contas públicas. Na segunda fase, foi lançada a Unidade Real de Valor (URV), moeda paralela que fez a transição para o real. Na terceira fase, ocorreu a implantação efetiva do real.

O sucesso do plano real fez com que a economia brasileira se estabilizasse após uma década de crise contínua. Assim, se, em 1993, antes do Plano Real, a inflação tinha sido de 2000%, em 1995, depois do Plano Real, a inflação já tinha caído para 22%. No final de 1994, os efeitos já foram sentidos, e isso teve grande impacto para a eleição presidencial.

Acesse também: O que foi o Plano Real?

Fernando Henrique Cardoso na presidência do Brasil

Antes do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso já tinha sido escolhido como o nome do PSDB para a presidencial. O sucesso dele à frente do Ministério da Fazenda fez com que ele se tornasse o favorito para a disputa. No pleito, Fernando Henrique Cardoso recebeu mais de 34 milhões de votos, conquistando 54% dos votos válidos e sendo eleito no primeiro turno das eleições realizadas em 1994.

Foto oficial de Fernando Henrique Cardoso como presidente da república do Brasil. [2]
Foto oficial de Fernando Henrique Cardoso como presidente da república do Brasil. [2]

Fernando Henrique Cardoso tomou posse em 1º de janeiro de 1995, e seu governo ficou marcado pela imposição de uma agenda neoliberal. Um dos grandes destaques de seu governo foram as privatizações de empresas estatais. Áreas como a telefonia foram inteiramente passadas para o setor privado, e empresas com a Vale do Rio Doce também foram vendidas. Seu governo arrecadou por volta de 80 bilhões de dólares com as privatizações.

Fernando Henrique Cardoso investiu na integração regional, ressaltando a importância de reforçar os laços com as nações vizinhas pelo Mercado Comum do Sul (Mercosul), promoveu alguns programas de distribuição de renda e de bem-estar social com programas como o Bolsa-Alimentação, Bolsa-Escola, entre outros. Na economia, seu governo ficou marcado pelo crescimento médio do PIB de 2,4% ao ano.

O governo ainda teve de enfrentar impactos na economia decorrente de crises econômicas que estouraram no México, na Ásia e na Rússia, respectivamente. As crises estouraram tanto no primeiro quanto no segundo mandato. Esse segundo mandato, por sua vez, foi resultado da vitória na eleição de 1998 quando ele obteve 53% dos votos e foi novamente eleito no primeiro turno. Para que isso fosse possível, ele precisou aprovar uma emenda constitucional que permitisse que ele fosse reeleito.

Em meados de seu segundo mandato, Fernando Henrique Cardoso tentou realizar uma desvalorização controlada do real em relação ao dólar. Isso porque, com o real valorizado, as importações aumentaram consideravelmente, fazendo com que a balança comercial ficasse negativa e prejudicando diretamente a indústria nacional. Seu governo não teve muito sucesso em realizar a desvalorização sem grandes impactos.

No fim de seu governo, ele e seu partido acabaram enfrentando uma progressiva impopularidade, fruto do aumento do custo de vida. A crise do apagão, entre 2001 e 2002, acabou sendo decisivo na eleição presidencial disputada em 2002. Na crise do apagão, a falta de planejamento levou a uma crise hídrica que resultou em uma crise energética. Um estudo conduzido em 2009 mostrou que a crise do apagão representou um prejuízo de mais de 45 bilhões de reais para o Brasil.

Livros de Fernando Henrique Cardoso

Fernando Henrique Cardoso teve uma importante carreira acadêmica, sendo considerado um dos grandes intelectuais brasileiros do século XX. Por conta de sua carreira, ele tem uma extensa lista de livros publicados, tais como:

  • Mudanças sociais na América Latina (1969);

  • Dependência e desenvolvimento na América Latina (1970);

  • Autoritarismo e democratização (1975);

  • A construção da democracia: estudos sobre política (1993);

  • Capitalismo e escravidão no Brasil Meridional (2003);

  • A arte da política (2006);

  • América Latina: Governabilidade, globalização e políticas econômicas para além da crise (2009);

  • O Improvável Presidente Do Brasil (2013).

Fernando Henrique Cardoso na atualidade

Fernando Henrique Cardoso na cerimônia de reinauguração do Museu da Língua Portuguesa, em 2021. [3]
Fernando Henrique Cardoso na cerimônia de reinauguração do Museu da Língua Portuguesa, em 2021. [3]

Em 1º de janeiro de 2003, Fernando Henrique Cardoso passou a faixa presidencial para Luís Inácio Lula da Silva, eleito presidente ao derrotar José Serra — o candidato apoiado por ele.

Depois disso, Fernando Henrique Cardoso tornou-se conferencista e passou a dar palestras em eventos nacionais e internacionais. Ele também passou a dedicar-se ao Instituto Fernando Henrique Cardoso, fundado para garantir a preservação de sua obra acadêmica.

Em 27 de junho de 2013, foi eleito para ocupar a cadeira nº 36 da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Além dessa agenda como conferencista, deu diversas entrevistas, promovendo análises do cenário político brasileiro. Durante anos, o PSDB de Fernando Henrique Cardoso disputou com o PT a disputa do cenário político brasileiro, mas o enfraquecimento da direita democrática, engolida pelo conservadorismo radical fez com que Fernando Henrique Cardoso chegasse a declarar apoio a Lula, na disputa da eleição presidencial de 2022.

Desde então, Fernando Henrique Cardoso optou por priorizar sua vida privada, reduzindo consideravelmente suas aparições públicas e seu envolvimento com a mídia, principalmente pela sua idade avançada. Ele chegou a ter problemas de saúde recentes, mas se recuperou.

Videoaula sobre Fernando Henrique Cardoso

Créditos de imagem

[1] Alessandro Carvalho / Minas Pensa o Brasil / Wikimedia Commons (reprodução)

[2] Presidência da República / Agência Brasil / Wikimedia Commons (reprodução)

[3] BW Press / Shutterstock

Fontes

FAUSTO, Boris. História Concisa do Brasil. São Paulo: Edusp, 2018.

FERREIRA, Jorge e DELGADO, Lucilia de Almeida Neves. O Brasil Republicano: o tempo da Nova República – da transição democrática à crise política de 2016. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: Uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

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