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Governo Itamar Franco

O governo Itamar Franco se estendeu de 1992 a 1995, iniciando-se com o impeachment de Fernando Collor. Ficou marcado pelo sucesso do Plano Real, montado por FHC e sua equipe.
Foto presidencial de Itamar Franco.
Itamar Franco foi presidente brasileiro de 1992 a 1995.[1]

O governo de Itamar Franco teve duração de 1992 a 1995, sendo iniciado com o afastamento de Fernando Collor da presidência e sua posterior renúncia e deposição pelo processo de impeachment. Itamar Franco assumiu a presidência porque era o vice-presidente do Brasil, eleito juntamente de Collor na eleição presidencial de 1989.

O governo Collor teve como objetivos a resolução dos problemas econômicos do Brasil, em especial o problema da inflação. Para isso, Itamar Franco nomeou Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda. FHC e sua equipe montaram o Plano Real, conseguindo resolver o problema da inflação no Brasil.

Leia também: Governo José Sarney — o primeiro governo civil após o fim da ditadura

Resumo sobre o governo Itamar Franco

  • O governo Itamar Franco teve duração de 1992 a 1995.

  • Itamar Franco foi eleito vice-presidente do Brasil na eleição de 1989.

  • Assumiu a presidência depois que Fernando Collor sofreu impeachment por envolvimento com esquemas de corrupção.

  • Um dos focos do seu governo foi resolver os problemas da economia brasileira.

  • Seu governo montou o Plano Real, plano econômico de sucesso que resolveu a questão da inflação no Brasil.

Videoaula sobre o governo de Itamar Franco

Contexto histórico do governo Itamar Franco

Itamar Franco foi presidente brasileiro de 1992 a 1995. Assumiu a presidência depois que o então presidente do Brasil renunciou ao se tornar alvo de um processo de impeachment. A renúncia aconteceu como manobra para evitar a perda dos direitos políticos, o que acabou não dando certo. Itamar Franco, portanto, não havia sido eleito presidente, mas sim vice.

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  • Eleições de 1989

A eleição presidencial de 1989 foi um momento de grande expectativa para a sociedade brasileira, uma vez que seria a primeira eleição em que a população poderia eleger o presidente desde 1960, quando Jânio Quadros foi escolhido presidente pela população brasileira. Como foi a primeira eleição direta em quase três décadas, uma grande quantidade de candidaturas foi registrada.

Entre os candidatos estavam figuras consolidadas da política brasileira, como Ulysses Guimarães, Mário Covas, Leonel Brizola, Lula e Paulo Maluf. Ulysses Guimarães e Leonel Brizola, por exemplo, foram figuras tradicionais e que tiveram um papel de grande importância na redemocratização do país, sendo dois dos favoritos.

Por fora, estava Fernando Collor, governador de Alagoas, político oriundo de uma família muito rica e tradicional nesse estado nordestino. Ao longo da campanha presidencial, os dois favoritos perderam força e Collor e Lula ganharam espaço e popularidade entre o eleitorado. Ao final do primeiro turno, Collor obteve 30% dos votos e Lula obteve 17%.

A disputa no segundo turno foi acirrada, com Collor apresentando-se como um político jovem e moderno que faria reformas importantes no país. O marketing da sua campanha lhe deu a imagem de bom administrador, e a aliança com a centro-direita, que contou com apoio da grande mídia, fez com que Collor vencesse essa eleição no segundo turno, com 53% dos votos válidos.

O vice de Collor foi Itamar Franco, um político com um perfil totalmente distinto do de Collor, mas que assumiu um papel importante para a campanha do candidato à presidência, pois era um político muito tradicional em Minas Gerais, um dos colégios eleitorais mais importantes do Brasil. Além disso, um político tradicional como Itamar Franco ajudou a reduzir as desconfianças em relação a Collor.

  • Impeachment de Fernando Collor

Collor assumiu em 15 de março de 1990 e teve um governo extremamente impopular, principalmente pela medida de confiscar o dinheiro investido em poupança em valores acima de 50 mil cruzados. Além disso, o governo de Collor mostrou-se incapaz de resolver um problema de longa data da economia brasileira: a inflação.

A situação de Collor na presidência se tornou crítica quando denúncias contra ele foram publicadas. A denúncia falava de um esquema de arrecadação ilícita de dinheiro que foi responsável pela obtenção de 60 milhões de dólares. O condutor do esquema de corrupção de Collor teria sido PC Farias, tesoureiro de sua campanha eleitoral.

As investigações conduzidas pelo Congresso Nacional resultaram na abertura de um processo de impeachment, concluído com a renúncia de Collor. O impeachment foi concluído em 29 de dezembro de 1992, e Itamar Franco, vice-presidente do Brasil, foi empossado presidente de maneira oficial.

Leia também: Afinal, o que é um impeachment?

Características do governo Itamar Franco

Entre as principais características do governo Itamar Franco, estavam:

  • conciliação dos interesses políticos;

  • resistência ao programa de privatizações iniciado pelo governo anterior;

  • ações para recuperar a economia brasileira.

Objetivos do governo Itamar Franco

Itamar Franco assumiu a presidência com praticamente dois anos de mandato à frente. O curto período para governar o Brasil fez do seu governo apenas um mandato de transição até a eleição presidencial de 1994. Entre os principais objetivos do governo de Itamar Franco, destacaram-se:

  • estabelecer um governo de conciliação;

  • resolver de maneira definitiva o problema da inflação;

  • garantir o crescimento do PIB;

  • reduzir o desemprego;

  • combater a miséria;

  • realizar investimentos em áreas estratégias, como a de telecomunicações e a energética.

Governo Itamar Franco e o Plano Real

A economia, como pontuado, era um dos grandes problemas do Brasil, e, em 1993, a inflação chegou a 2000%. Planos econômicos realizados por Sarney e Collor fracassaram em combatê-la. Itamar Franco teve alguma dificuldade para lidar com a pasta da Economia, e os ministros da Fazenda, Paulo Haddad e Eliseu Resende, fracassaram.

Itamar Franco decidiu, então, nomear Fernando Henrique Cardoso, sociólogo e político, que estava no Ministério das Relações Exteriores para assumir a pasta econômica. Na liderança da pasta, FHC convidou nomes como Pérsio Árida para auxiliá-lo em seu trabalho, e a estratégia criada por FHC e sua equipe recebeu o nome de Plano Real.

O Plano Real foi implantando em etapas, entre os anos de 1993 e 1994. A primeira etapa previa a estabilização das contas públicas, o que implicava alguma contenção de gastos. A segunda etapa se deu com o lançamento da Unidade Real de Valor (URV), que fez a transição monetária, convertendo valores do cruzeiro real para o real.

O Plano Real também indexou a economia brasileira, fazendo com que o preço das mercadorias no país estivesse ligado ao dólar e não à inflação. O real também foi indexado ao dólar, e, quando a moeda foi oficialmente lançada, em julho de 1994, mostrou-se bastante eficaz, e a inflação no país começou a recuar sensivelmente.

O Plano Real mostrou-se um enorme sucesso de FHC e sua equipe e um grande acerto de Itamar Franco em apostar nele como ministro da Fazenda. Para saber mais sobre o Plano Real, clique aqui.

Fim do governo Itamar Franco

O governo de Itamar Franco se encerrou com a passagem do poder para Fernando Henrique Cardoso. O ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco teve sua eleição para a presidência garantida com o sucesso do Plano Real. Antes do plano, as pesquisas de intenção mostravam um favoritismo para Lula.

No entanto, o sucesso do Plano Real foi tamanho que FHC foi projetado para a posição de presidente. Ele foi eleito presidente do Brasil ainda no primeiro turno, obtendo 54% dos votos. Itamar Franco, por sua vez, terminou a presidência com mais de 40% da população considerando o seu governo bom ou ótimo.

Créditos da imagem

[1]Domínio público / Acervo Arquivo Nacional

Fontes

FERREIRA, Jorge e DELGADO, Lucilia de Almeida Neves (orgs.). O Brasil Republicano: o tempo da Nova República – da transição democrática à crise política de 2016. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: Uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

Publicado por Daniel Neves Silva
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