Aquecimento global existe?

Aquecimento global existe? O aquecimento global é um problema ambiental que apresenta um extenso conjunto de evidências que comprovam a sua existência. Essas evidências são amplamente aceitas na comunidade científica internacional e mostram como o aumento da temperatura média do planeta Terra está diretamente relacionado com as ações dos seres humanos, em especial à atividade industrial e à queima de combustíveis fósseis. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) é uma das principais fontes de evidências do aquecimento global, ao lado de agências governamentais como a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) e a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).

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Leia também: Ebulição global — detalhes sobre a fase atual de intensificação do aquecimento global

Resumo sobre o aquecimento global

  • O aquecimento global é um problema ambiental grave que apresenta um conjunto robusto de evidências científicas que comprovam a sua existência.

  • A elevação da temperatura da Terra em função da maior concentração de dióxido de carbono na atmosfera é conhecida desde a primeira metade do século XX.

  • O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa), a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e outras agências têm monitorado a temperatura do planeta, a concentração de gases do efeito estufa e o nível dos oceanos, que evidenciam o aquecimento global.

  • O IPCC afirma que não há dúvidas do fato de que o aquecimento global foi causado pelo ser humano através das atividades que aumentaram o volume de gases poluentes na atmosfera.

  • Caso a variação de temperatura não exceda 1,5º C com relação aos níveis pré-industriais, é possível reverter o aquecimento global, mas a longo prazo. Contudo, estamos muito próximos do limite.

  • Eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade, redução da produção de alimentos e dos recursos naturais e aumento do número de refugiados do clima são consequências do aquecimento global.

Principais evidências e comprovações científicas de que o aquecimento global existe mesmo. [imagem_principal]
O aquecimento global é um problema ambiental grave. (Créditos: Isa Galvão | Mundo Educação)

O aquecimento global tem comprovação científica?

Sim, o aquecimento global tem comprovação científica robusta e amplamente aceita pela comunidade científica internacional. A elevação da temperatura média do planeta Terra é uma realidade que foi constatada logo no início do século XX pelo cientista inglês Guy Stewart Callendar (1898-1964), que associou a maior concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, causadora do já conhecido efeito estufa, com esse aumento de temperaturas. De lá para cá, existiram diversas medições, modelos climáticos e estudos acadêmicos que respaldaram (e ainda respaldam) a existência do aquecimento global e das transformações que ele tem provocado no meio natural através das mudanças no clima.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que faz parte da Organização das Nações Unidas (ONU) e é, atualmente, a principal autoridade em assuntos sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas no mundo, afirmou categoricamente em um relatório produzido no ano de 2013:

O aquecimento do sistema climático é inequívoco, e, desde os anos 1950, muitas das mudanças observadas são sem precedentes em décadas e milênios. A atmosfera e o oceano aqueceram, as áreas cobertas por gelo e neve diminuíram, o nível do mar aumentou e as concentrações de gases do efeito estufa cresceram.

Veja também: Afinal, o que é o efeito estufa?

Evidências do aquecimento global

Muito antes do aquecimento global ser proposto, o efeito estufa foi descoberto pelo físico e matemático francês Joseph Fourier (1768-1860) no ano de 1824, auxiliando-nos a entender o que mantém as temperaturas da Terra em um patamar que permite a existência e a manutenção da vida. Graças aos estudos desenvolvidos a partir de então, foi possível evidenciar a relação entre a maior presença de gases como o dióxido de carbono (CO2) e o gradual aumento da temperatura média do planeta Terra.

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Em 1938, Guy Callendar fez um levantamento que mostrou o aumento das temperaturas do planeta que aconteceu entre o século XVIII e o século XIX devido à maior concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. Para elaborar sua teoria, foram usadas informações de 147 estações meteorológicas do Reino Unido. Com a modernização dos satélites e dos equipamentos utilizados para o acompanhamento do tempo atmosférico, tem sido possível realizar o monitoramento sistemático das concentrações de gases do efeito estufa, das flutuações da temperatura do planeta como um todo e dos oceanos, evidenciando o aquecimento global.

Conheça algumas dessas evidências a seguir:

  • A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês) tem acompanhado os níveis de concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera desde a década de 1960 através do Observatório de Mauna Loa, localizado no estado do Havaí. De 320 ppm, a concentração do gás subiu para pouco mais de 420 ppm em um intervalo de tempo de seis décadas. O mesmo monitor apresenta, ainda, dados para um conjunto de diferentes gases do efeito estufa, incluindo metano (CH4) e óxido nitroso (N2O).

Gráfico da NOAA comprovando a existência do aquecimento global.
Gráfico da NOAA mostrando a concentração atmosférica de dióxido de carbono (CO2) observada a partir do Observatório de Mauna Loa, no Havaí.
  • O Instituto Goddard para Estudos Espaciais, que pertence à Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa, na sigla em inglês), agência espacial estadunidense, monitora as temperaturas superficiais do planeta Terra e constatou aumento nas médias que tem sido registradas nas últimas décadas. O gráfico que a organização apresenta em seu site oficial mostra a intensidade com que a temperatura superficial variou nos últimos anos, alcançando intervalos cada vez maiores em um período recente.

    Foi constatado, também, que, em 2024, a temperatura da Terra foi 1,28º C mais alta do que aquelas registradas entre 1951 e 1980, e 1,47º C mais altas do que as temperaturas que eram comuns no período que foi de 1850 a 1900. A constatação de que o ano de 2024 foi o mais quente da história foi o resultado, igualmente, de estudos realizados por pesquisadores canadenses e europeus.

Gráfico da Nasa comprovando a existência do aquecimento global.
Gráfico da Nasa mostrando da anomalia de temperatura ao longo das décadas desde o final do século XIX até o presente.
  • O IPCC faz o acompanhamento sistemático das alterações na temperatura do planeta Terra desde a década de 1990, tendo lançado seu primeiro relatório no ano de 1992, no qual já previa os efeitos do aquecimento global. No seu último balanço, o IPCC mostrou que a média térmica da Terra entre 2011 e 2020 esteve 1,1º C maior do que entre 1850 e 1900. O gráfico a seguir faz parte do relatório do IPCC de 2021 e mostra a flutuação na temperatura global ao longo dos anos:

Gráfico do IPCC comprovando a existência do aquecimento global.
Gráfico trazido pelo IPCC em relatório sobre as mudanças climáticas divulgado no ano de 2021.
  • Outra evidência do aquecimento global é o aumento do nível dos oceanos. Esse aumento é provocado pelo derretimento das áreas recobertas por gelo, como as geleiras e as calotas polares. Conforme o monitoramento da Nasa, entre 1993 e 2024, os oceanos subiram em 106,8 milímetros, ou 10,68 centímetros. Caso não haja desaceleração do aquecimento global, a tendência é de que essa variação continue, ameaçando a existência de cidades litorâneas e de ilhas. O IPCC também traz, em seus relatórios periódicos, as informações sobre o nível dos oceanos.

    O gráfico e o mapa da imagem abaixo são parte de uma captura de tela feita no site da Nasa. Observe, no mapa, como o aumento do nível dos oceanos foi maior em áreas onde a cobertura de gelo era mais extensa, que são aquelas de média e de elevada latitude.

Gráfico e mapa da Nasa comprovando a existência do aquecimento global.
Gráfico e mapa produzidos a partir de informações coletadas pela Nasa sobre o nível dos oceanos.

O aquecimento global é culpa do ser humano?

Sim, o aquecimento global é culpa do ser humano. Essa afirmação é corroborada nos relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que mostram como as emissões de gases do efeito estufa pelas atividades antrópicas, em especial após a industrialização e o uso de veículos com motores a combustão, contribuíram diretamente para a elevação da temperatura média do planeta Terra.

Confira também: Por que devemos nos preocupar com as mudanças climáticas?

O aquecimento global é reversível?

Sim, o aquecimento global ainda é reversível, mas não a curto prazo, apenas a longo prazo. Existe um intenso debate em torno dessa questão, mas, diante do quadro em que nos encontramos atualmente, a reversão do aquecimento global a curto prazo não é possível. Os acordos climáticos que foram assinados previamente, como o Acordo de Paris, estabeleceram que o “ponto de não retorno” seria um aumento de 1,5º C em comparação aos níveis pré-industriais. Caso a variação de temperatura seja maior, seria impossível reverter os impactos do aquecimento global.

Nesse sentido, os acordos climáticos e as metas para o desenvolvimento sustentável buscam desacelerar o aumento da temperatura do planeta Terra para mantê-la abaixo do 1,5º C, embora já estejamos nos aproximando desse limite. A cooperação internacional, o cumprimento efetivo das metas determinadas e a consistência das ações, especialmente em países desenvolvidos, podem, a longo prazo, instalar um quadro mais saudável para o planeta, alcançando a reversão do aquecimento global.

Consequências do aquecimento global

As mudanças climáticas são a principal consequência do aquecimento global. Elas estão cada vez mais evidentes no planeta Terra através da ocorrência de fenômenos meteorológicos e atmosféricos extremos que, antes, eram considerados raros ou registrados com menor frequência do que atualmente. Aliás, é justamente por causa da recorrência de tais eventos que já se fala, hoje, na era da ebulição global, representando o agravamento do aquecimento global.

É muito importante salientar aqui que aquecimento global não significa que a temperatura local será sempre quente, ou que eventos como a neve, as nevascas e temporadas de frio deixarão de ocorrer. Pelo contrário. Com as alterações no clima, eles tendem a ficar cada vez mais intensos: temporadas de frio com temperaturas muito abaixo do considerado habitual, por exemplo, e volumes anormais de neve precipitada estão entre esse tipo de transformação.

Levando isso em consideração, já temos observado os impactos do aquecimento global no clima do planeta Terra e no meio natural por meio do(a):

  • acidificação dos oceanos devido ao maior acúmulo de CO2;

  • derretimento das calotas polares e das geleiras;

  • aumento do nível do mar;

  • frequência maior de eventos como secas severas, ondas de calor intensas, grandes inundações, tempestades extremas, frio muito intenso fora de época;

  • perda de biodiversidade marinha e terrestre pelo desaparecimento de habitat;

  • redução das reservas de recursos naturais que são cruciais para a vida do planeta;

  • perda de plantações devido ao clima extremo, levando à escassez de alimentos;

  • proliferação de doenças associadas com as mudanças no clima;

  • ampliação do número de refugiados do clima em todo o mundo, mas especialmente nos países subdesenvolvidos, que apresentam menores condições de adequação climática.

Fontes

CUMPLIDO, Meiriele; NEVES, Raiane Aparecida Lopes. Quais são as evidências científicas e as causas das atuais mudanças climáticas globais? São José dos Campos: INPE, 2023. Disponível em: http://mtc-m21d.sid.inpe.br/col/sid.inpe.br/mtc-m21d/2023/12.21.19.16/doc/publicacao.pdf.

Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC). Disponível em: https://www.ipcc.ch/.

IPCC. CLIMATE CHANGE 2007: Synthesis Report. Genebra: IPCC, 2008. Disponível em: https://www.ipcc.ch/site/assets/uploads/2018/02/ar4_syr_full_report.pdf.

IPCC. CLIMATE CHANGE 2014: Synthesis Report. Genebra: IPCC, 2015. Disponível em: https://www.ipcc.ch/report/ar5/syr/.

IPCC. CLIMATE CHANGE 2023: Synthesis Report. Genebra: IPCC, 2024. Disponível em: https://www.ipcc.ch/report/ar6/syr/downloads/report/IPCC_AR6_SYR_FullVolume.pdf.

NASA. Climate change: Evidence. NASA Science, [s.d.]. Disponível em: https://science.nasa.gov/climate-change/evidence/.

NASA. Global Temperature Earth Indicator. NASA, [s.d.]. Disponível em: https://science.nasa.gov/earth/explore/earth-indicators/global-temperature/.

NASA. Understanding Sea Level. NASA – Sea Level Changes, [s.d.]. Disponível em: https://sealevel.nasa.gov/understanding-sea-level/key-indicators/global-mean-sea-level/.

NOAA. Global Monitoring Laboratory: Trends in CO2, CH4, N2O, SF6. NOAA, [s.d.]. Disponível em: https://gml.noaa.gov/ccgg/trends/.

REDAÇÃO. A brief history of climate change. BBC, 20 set. 2013. Disponível em: https://www.bbc.com/news/science-environment-15874560.

REDAÇÃO. Mudanças climáticas: as provas de que o aquecimento global é causado pelos humanos. BBC, 04 nov. 2021. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59148373.

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.

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