Taxa de fecundidade no Brasil
A taxa de fecundidade no Brasil é de 1,55 filho por mulher, sendo essa a média de filhos que as mulheres brasileiras têm ao longo da sua vida fértil. Esse é o menor valor já registrado para o indicador no país, tendo ele apresentado queda constante desde a década de 1960, quando a fecundidade era de 6,28 filhos por mulher.
Inúmeros fatores contribuíram para essa redução, como a entrada da mulher no mercado de trabalho, o maior custo de vida e a decisão de não ter filhos. Nota-se, com isso, que as brasileiras têm tido filhos com mais idade do que no passado, e que mais mulheres chegam aos 50 anos sem descendentes diretos. Como consequência da queda da taxa de fecundidade, que tende a continuar nas próximas décadas, observa-se a desaceleração do crescimento populacional no Brasil, assim como o envelhecimento populacional.
Leia também: Envelhecimento populacional no Brasil e no mundo – o que explica esse fenômeno?
Resumo sobre a taxa de fecundidade no Brasil
- A taxa de fecundidade no Brasil é a quantidade média de filhos que cada mulher brasileira deverá ter durante a sua vida fértil (15 a 49 anos).
- A atual taxa de fecundidade no Brasil é de 1,55 filho por mulher.
- Nas últimas décadas, observou-se a queda acentuada na fecundidade no Brasil: de 6,3 em 1960, esse indicador caiu para 2,3 no começo dos anos 2000.
- A idade com que as mulheres brasileiras têm filhos aumentou, e é, hoje, em média de 28,1 anos.
- Cresceu também a parcela de mulheres com idade entre 50 e 59 anos sem filhos.
- O maior acesso a métodos de controle de natalidade, melhorias na saúde feminina e mudanças no modo de vida contribuíram para a queda da fecundidade no Brasil.
- O ingresso da mulher no mercado de trabalho, a continuidade dos estudos, a busca por uma carreira estável e a vontade de não ter filhos também afetaram esse indicador.
- A região Norte é aquela que apresenta a maior fecundidade do Brasil: 1,89. Ainda assim, o valor se encontra abaixo da taxa de reposição.
- Somente o estado de Roraima apresenta taxa de fecundidade acima dos níveis de reposição: 2,19. Em contrapartida, o Rio de Janeiro tem a menor taxa do país: 1,35.
- Como consequências do comportamento desse indicador temos a desaceleração do crescimento e o envelhecimento populacional no Brasil.
O que é a taxa de fecundidade no Brasil?
A taxa de fecundidade no Brasil é um indicador demográfico que expressa a quantidade média de filhos que cada mulher brasileira deverá ter ao longo da sua vida ou período fértil, que é considerado entre os 15 e os 49 anos de idade. A fecundidade denota qual é o ritmo de crescimento da população do país e pode nos ajudar a compreender fenômenos sociais que vêm acontecendo no território brasileiro nas últimas décadas.
Qual é a taxa de fecundidade no Brasil?
A taxa de fecundidade no Brasil é, hoje, de 1,55 filho por mulher. Essa informação foi revelada pelo IBGE a partir dos dados coletados para o último censo demográfico do país, realizado em 2022. O que ela mostra é uma tendência que já vem sendo observada há algumas décadas: a queda da taxa de fecundidade entre as mulheres brasileiras.
Queda na taxa de fecundidade no Brasil
Desde, pelo menos, a década de 1960, tem-se observado a queda da taxa de fecundidade no Brasil e, em 2022, o indicador alcançou o seu menor valor na história, que é de 1,55 filho por mulher. Isso significa que a fecundidade brasileira está em um patamar inferior ao da chamada taxa de reposição, que é o limite a partir do qual se observa o crescimento da população de um país. Essa taxa é de 2,1 filhos por mulher. Abaixo disso, temos a redução gradativa do aumento natural da população, desconsiderando, então, o saldo migratório.
Essa é uma realidade presente no Brasil, que tem observado a queda da natalidade (número de filhos vivos nascidos a cada mil habitantes) e o envelhecimento da sua população. O último censo do IBGE mostrou que as mulheres brasileiras têm adiado cada vez mais a sua primeira gravidez, o que é possível graças aos avanços na medicina, que proporcionaram métodos contraceptivos mais eficientes e que são disponibilizados gratuitamente por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje, as brasileiras têm seu primeiro filho quando atingem a faixa etária dos 25 aos 29 anos. Em média, a idade da fecundidade no país é de 28,1 anos. Há pouco mais de dez anos, essa idade era menor: 26,8 anos.
Outro ponto importante de ser relevado é a parcela de mulheres que chegam aos 50 anos sem terem tido filhos. Embora não seja impossível engravidar com essa idade, o processo se torna mais difícil e oferece mais riscos ao bebê e, principalmente, à mulher. Segundo informações do último censo, 16% das brasileiras com idade entre 50 e 59 anos não tinham filhos em 2022. Em 2010, essa parcela era de 12%.
Os motivos pelos quais a fecundidade entrou em queda no Brasil vão além das melhorias no setor da saúde. O maior acesso à informação, sobretudo no que se trata da educação sexual e métodos de controle de natalidade, e o próprio contexto socioeconômico em que as mulheres estão inseridas têm adiado a maternidade, ou feito com que muitas optem por não terem filhos. Diante disso, podemos dizer que são algumas das causas da queda da fecundidade no Brasil:
- a elevação do custo de vida,
- a alta carga de trabalho que as mulheres acabam acumulando,
- a vontade de um tempo maior para a finalização dos estudos e
- a estabilização da carreira.
Somam-se a isso as crises econômicas, as crises sanitárias, como foi a pandemia de covid-19, e a crise climática, que impõem ainda mais incertezas ao futuro e têm desencorajado cada vez mais mulheres a terem filhos no Brasil.
Veja também: Qual a diferença entre população relativa e população absoluta?
Taxa de fecundidade no Brasil por região
Todas as regiões do Brasil apresentaram taxa de fecundidade menor do que a taxa de reposição. Mesmo no Norte, que obteve a maior fecundidade do país, com 1,89 filho por mulher, o indicador ficou abaixo do esperado para a manutenção do crescimento populacional. Note que as regiões Sul e Sudeste são as únicas que possuíam fecundidade interior à média brasileira, que é de 1,55. Os dados são do IBGE para o censo demográfico de 2022.
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Taxa de fecundidade no Brasil por Grande Região |
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Grande Região |
Taxa de fecundidade |
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Norte |
1,89 |
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Nordeste |
1,60 |
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Centro-Oeste |
1,64 |
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Sudeste |
1,41 |
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Sul |
1,50 |
A tabela abaixo mostra a fecundidade por estado e no Distrito Federal. São 17 UFs com a fecundidade superior à brasileira, com destaque para Roraima, com média de 2,19 filhos por mulher. É, por isso, o único estado cuja taxa de fecundidade supera a reposição populacional. Seguido dele está o Amazonas, em que a média de filhos por mulher também é elevada, de 2,08. No outro extremo, temos o Rio de Janeiro e o Distrito Federal, com, respectivamente, fecundidade de 1,35 e 1,38.
Confira, a seguir, a taxa de fecundidade para todas as unidades federativas brasileiras:
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Taxa de fecundidade no Brasil por UF |
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UF |
Taxa de fecundidade |
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Acre |
1,90 |
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Alagoas |
1,77 |
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Amapá |
1,89 |
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Amazonas |
2,08 |
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Bahia |
1,55 |
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Ceará |
1,51 |
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Distrito Federal |
1,38 |
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Espírito Santo |
1,62 |
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Goiás |
1,57 |
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Maranhão |
1,75 |
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Mato Grosso |
1,85 |
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Mato Grosso do Sul |
1,83 |
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Minas Gerais |
1,48 |
|
Pará |
1,83 |
|
Paraíba |
1,61 |
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Paraná |
1,55 |
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Pernambuco |
1,61 |
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Piauí |
1,66 |
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Rio de Janeiro |
1,35 |
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Rio Grande do Norte |
1,49 |
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Rio Grande do Sul |
1,44 |
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Rondônia |
1,72 |
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Roraima |
2,19 |
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Santa Catarina |
1,51 |
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São Paulo |
1,39 |
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Sergipe |
1,60 |
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Tocantins |
1,80 |
Taxa de fecundidade no Brasil ao longo dos anos
A taxa de fecundidade foi um dos indicadores que mais apresentou evolução nas últimas décadas no Brasil. Durante os anos 1960, quando a população crescia de maneira acelerada, esse indicador atingiu 6,28, sendo essa, então, a média de filhos por mulher no território brasileiro.
Contudo, esse foi o período em que a diversificação da indústria aconteceu seguida da urbanização, com um intenso êxodo rural e o crescimento das cidades e da população urbana. Por conseguinte, o modo de vida dos brasileiros sofreu uma grande transformação, o que causou impacto nos indicadores demográficos. As transformações descritas acima contribuíram para a queda da fecundidade na década de 1970, quando passou para 5,76.
Ao final do século XX, a redução observada foi ainda maior, e as mulheres brasileiras passaram a ter, em média, 2,89 filhos. Foi a partir da década de 2010 que a taxa de reposição ficou para trás, e fecundidade identificada no censo realizado naquele ano atingiu 1,86. O valor atual, que é de 1,55, apenas reflete, então, uma tendência que já é observada desde meados do século passado.
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Taxa de fecundidade no Brasil ao longo dos anos |
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Ano |
Taxa de fecundidade |
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1960 |
6,28 |
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1970 |
5,76 |
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1980 |
4,35 |
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1990 |
2,89 |
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2000 |
2,38 |
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2010 |
1,86 |
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2022 |
1,55 |
Consequências da queda na taxa de fecundidade no Brasil
A queda na taxa de fecundidade no Brasil tem apresentado consequências há algumas décadas. A principal delas é a desaceleração do crescimento populacional no país, puxado pela menor natalidade. No intervalo que foi da década de 1960 para 1970, o Brasil cresceu aproximadamente 3,3% ao ano. Em contrapartida, quando consideramos a década seguinte, esse crescimento foi de 2,8%. Então, apesar da população continuar crescendo, o ritmo foi diminuindo a cada década. Ao final do século, o Brasil crescia 1,5% ao ano. Hoje, essa taxa alcançou 0,5%, ao mesmo tempo em que temos a fecundidade mais baixa já registrada.
Como resultado do exposto acima, temos o envelhecimento populacional. Ainda que isso signifique que as condições de saúde no país melhoraram, há maior pressão sobre a população jovem, principalmente aquela inserida no mercado de trabalho, que tem se tornado cada vez menos numerosa em função da redução dos nascimentos.
No entanto, não são só impactos negativos que surgem com a redução da fecundidade. É possível assegurar melhorias em setores estratégicos, principalmente serviços como a educação|1|, e ampliar sua oferta e qualidade para faixas etárias específicas. Enquanto o crescimento vegetativo se mantém positivo, políticas públicas voltadas para o atendimento da futura população idosa no país podem ser elaboradas para que essa pressão sobre os mais jovens se torne menor em algumas décadas, e os cofres públicos estejam devidamente preparados para os desafios impostos pelo envelhecimento populacional.
Saiba mais: O que é o crescimento vegetativo de uma população?
Taxa de fecundidade do Brasil no Enem
Devido à evolução e ao impacto da taxa de fecundidade nos indicadores demográficos brasileiros, esse tema pode retornar para o Enem nas questões de Ciências Humanas e Suas Tecnologias. Então, é fundamental que o estudante tenha conhecimento, em primeiro lugar, do que a taxa de fecundidade representa para, assim, conseguir interpretar os enunciados, gráficos e tabelas que costumam acompanhar questões de demografia e geografia de um modo geral. Para além disso, atente-se às seguintes informações:
- a evolução da fecundidade no Brasil;
- quais foram as causas da queda da fecundidade no país;
- quais são as principais consequências da queda da fecundidade;
- possíveis soluções para os problemas da queda da fecundidade no Brasil.
Exemplo 1:
Observe, a seguir, uma questão sobre a fecundidade que apareceu na prova do Enem de 2023:
A questão aborda as causas da diminuição da taxa de fecundidade no Brasil, evidenciando que isso vem acontecendo desde a década de 1960. Sabemos que o indicador diminuiu por causa de fatores como a mudança no modo de vida da população brasileira nesse período, que incluiu a maior participação das mulheres no mercado de trabalho. Portanto, a alternativa D é a resposta correta.
Exemplo 2:
A queda na fecundidade é um problema no Brasil e em outros países. A questão abaixo abordou as consequências dessa tendência demográfica no Enem de 2016:
Com o menor número de nascimentos e com o envelhecimento populacional observado no Brasil e nos países cujas taxas de fecundidade são expressas no gráfico, um dos problemas é a diminuição da oferta de mão de obra nacional e, por conseguinte, um aumento das despesas previdenciárias. Está correta a alternativa A.
Nota
|1| REDAÇÃO. Queda na taxa de fecundidade: quais são as consequências para o Brasil e o mundo? Fantástico, 26 mai. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2024/05/26/queda-na-taxa-de-fecundidade-quais-sao-as-consequencias-para-o-brasil-e-o-mundo.ghtml.
Fontes
ABDALA, Vitor. Brasileiras estão tendo menos filhos e adiam maternidade, diz Censo. Agência Brasil, 27 jun. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-06/brasileiras-estao-tendo-menos-filhos-e-adiam-maternidade-diz-censo.
IBGE. Censo Demográfico 2022: fecundidade e migração: resultados preliminares da amostra. Rio de Janeiro: IBGE, 2025. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/index.php/biblioteca-catalogo?view=detalhes&id=2102187.
MACHADO, Simone. Queda da taxa de fecundidade coloca Brasil diante de dilemas. DW, 27 jun. 2025. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/queda-da-taxa-de-fecundidade-coloca-brasil-diante-de-dilemas/a-73073584.
Panorama do Censo 2022. Disponível em: https://censo2022.ibge.gov.br/panorama/index.html.
REDAÇÃO. Censo mostra que RR tem maior taxa de fecundidade do país, e RJ, a menor. Folha de S.Paulo, 27 jun. 2025. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/06/censo-mostra-que-rr-tem-maior-taxa-de-fecundidade-do-pais-e-rj-a-menor.shtml.
REDAÇÃO. Infográfico mostra evolução do Brasil desde o primeiro Censo, em 1872. G1, 02 jul. 2023. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/censo/noticia/2023/07/02/infografico-mostra-evolucao-do-brasil-desde-o-primeiro-censo-em-1872.ghtml.