Mitologia nórdica

A mitologia nórdica é o conjunto de crenças oriundas dos povos que habitavam a Escandinávia. Quando os povos nórdicos passaram a expandir seus assentamentos pela Europa a partir do século VIII, as interpretações mitológicas disseminadas especialmente pelos vikings passaram a ser rapidamente compreendidas como pagãs pela Igreja Católica. No entanto, com a introdução da prática da escrita influenciada pelos cristãos, os nórdicos registraram sua complexa mitologia em duas fontes (a Edda poética e a Edda em prosa), auxiliando não apenas na preservação da identidade viking e de outros grupos norrenos, mas também permitindo que compreendêssemos melhor a forma como as crenças e os rituais nórdicos influenciavam o cotidiano desses povos.

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Leia também: Como é a mitologia grega?

Resumo sobre a mitologia nórdica

  • A mitologia nórdica é um conjunto de crenças pré-cristãs originadas na Escandinávia.
  • Apesar da difusão da mitologia nórdica ocasionada pelas incursões vikings iniciadas no século VIII, a suas duas principais fontes, as Edda, só foram registradas no século XIII.
  • Para os povos nórdicos, o universo seria constituído por nove mundos sustentados por um freixo gigante, o Yggdrasil.
  • Os deuses da mitologia nórdica eram divididos em duas raças: os Aesir, que residiam em Asgard, e os Vanir, originários de Vanaheim.
  • Odin era o deus supremo da mitologia nórdica, mas outros deuses poderosos, como Thor, Loki e Frigg, preenchiam o panteão nórdico no reino de Asgard.
  • O mundo dos humanos seria Midgard, localizado ao centro do tronco do freixo gigante.
  • Muitas criaturas faziam parte da mitologia nórdica. Entre elas, as valquírias, os elfos, os gigantes e os anões, além de bestas únicas, como o lobo gigante Fenrir e a cobra colossal Jörmungandr.
  • A cultura popular apropriou-se da mitologia nórdica em grande escala, explorando desde a música clássica até títulos de filmes, de séries, de livros e de jogos eletrônicos.

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O que é a mitologia nórdica?

A mitologia nórdica (ou norrena) é o conjunto de crenças oriundas dos povos que habitavam a Escandinávia, atualmente correspondentes aos seguintes países: Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia e Islândia, além de ilhas e de arquipélagos autônomos de seus arredores (Groenlândia, Ilhas Faroé e Ilhas Aland). Essas crenças, de origem pré-cristã, eram exercidas sem a presença de uma instituição religiosa, de forma que seus rituais eram conduzidos sob a responsabilidade de cada líder regional.

Os mitos de origem nórdica foram difundidos ainda na Idade Média por meio das incursões dos povos vikings até mais ou menos o século XI, que abrangeram grande parte da Europa e atingiram regiões da Ásia e até mesmo da América do Norte (chamada por eles de Vinlândia). Enquanto fonte histórica, seus registros só foram realizados devidamente após o desenvolvimento do letramento, inserido por meio da Igreja Católica. Ainda que essa instituição religiosa reprimisse conteúdos “heréticos” como as crenças tradicionais nórdicas, pelo menos duas fontes primárias permitiram a construção de sua memória: a Edda poética (cujo principal excerto é o poema de Voluspa), que registrou as lendas nórdicas conforme narradas oralmente no século XIII, e a Edda em prosa, vinculada à autoria de Snorri Sturluson por volta do ano 1220.

Mapa das invasões escandinavas lideradas pelos vikings, responsáveis pela difusão da mitologia nórdica.
Mapa das invasões escandinavas lideradas pelos vikings. [1]

As fontes variam muito, também, em relação aos nomes dados a deidades, a criaturas e a mundos envolvendo a mitologia nórdica, principalmente devido às adaptações do nórdico antigo e à ausência de uma padronização linguística do idioma durante a Idade Média. Por isso, por exemplo, o deus supremo dos nórdicos pode ser atualmente referenciado tanto como Odin quanto por Wotan, entre outros nomes.

Mundos da mitologia nórdica

Para os povos nórdicos, o universo era composto por nove mundos representados em forma de reinos e compostos por entidades específicas. Esses mundos seriam organizados por meio de um freixo gigante, o Yggdrasil, cada um fixado em um ponto em particular da árvore. No entanto, nem mesmo os povos nórdicos possuíam um consenso sobre a distribuição exata desses mundos no freixo, especialmente os que estariam posicionados em galhos e em raízes abaixo de Asgard, de Alfheim e de Midgard.

Mesmo assim, a definição de cada um deles é majoritariamente precisa, conforme você irá observar em suas respectivas descrições abaixo.

Representação de Yggdrasil, parte fundamental da mitologia nórdica.
Representação de Yggdrasil em edição inglesa da Edda em prosa (1847).
  • Asgard: Próximo da copa do freixo, Asgard habitaria os deuses superiores (Aesir) da mitologia nórdica. Erigido pelo deus supremo Odin (ou Wotan), o mundo no topo da árvore se interligaria ao mundo dos humanos por meio de um arco-íris, a ponte Bifröst. Ela também abrigaria o Valhalla, salão onde os guerreiros humanos mais corajosos, mortos em combate, seriam recebidos para banquetes sem fim e lutas em campos de batalha que os treinam para o confronto final, o Ragnärok.
Pintura retratando Valhalla, parte importante da mitologia nórdica.
Valhalla, por Max Brückner (1896).
  • Alfheim: Um dos galhos mais altos de Yggdrasil sustentaria Alfheim, lar dos elfos de luz (Ljósálfar). De acordo com a Edda em prosa, seus habitantes seriam entes mais belos do que o sol e representariam o amor, a natureza, a saúde e a fertilidade.
  • Midgard: Também chamada de Terra Média, esse seria o “mundo do meio” habitado pelos humanos que antecederia a entrada para os reinos do submundo. Midgard encontraria-se ao centro do Yggdrasil e teria sido construído a partir de partes do corpo do gigante Ymir, cujas sobrancelhas teriam servido para a edificação da fortaleza que protegeria o mundo contra invasores de Jotunheim. O mundo dos humanos seria cercado por um vasto oceano que abrigaria a serpente colossal Jörmungandr, que, ao morder o próprio rabo, envolveria todo o reino.
  • Jotunheim: Os Jotun eram os gigantes que habitariam Jotunheim, a “Terra dos Gigantes” separada de Asgard pelo turbulento Rio Ífingr. O reino teria surgido como um refúgio dos gigantes Bergelmir e sua esposa (sem nome especificado), que haviam escapado do massacre de sua espécie liderado por Odin e povoado aquele mundo com uma nova linhagem.
  • Vanaheim: Imaginava-se que o reino Vanaheim, localizado possivelmente no submundo, habitaria os deuses de hierarquia menor, os Vanires. Esses deuses representariam a fertilidade, a prosperidade e a misticidade, por meio de deidades como Njörd, Freya e Frey. Imaginava-se que os Vanires haviam travado uma guerra com os Aesir antes de conviverem pacificamente entre si.
  • Svartalfheim: Esse mundo escuro e rochoso representaria o oposto físico de Alfheim e seria habitado por elfos negros ou por anões (a distinção da Edda em prosa é imprecisa e muitas vezes sugere um único povo). Sua localização não integraria o submundo e seria possivelmente localizada no subterrâneo, cujos habitantes forjariam as melhores armas do universo. Apesar do contraste com o mundo dos elfos de luz, os elfos negros não seriam necessariamente maus, mas potencialmente desagradáveis ou traiçoeiros.
  • Hel: Comandado pela deusa de mesmo nome, esse reino construído sobre Niflheim abrigaria aqueles que sucumbiam sem glória, ou seja, por meio de doenças ou de idade avançada. Nele, os mortos não seriam punidos, mas viveriam em meio à névoa, ao frio e à escuridão.
  • Niflheim: O mais gélido de todos os mundos seria o submundo de Niflheim, conectado por Hel através da ponte Gjallabrú. Ele seria o oposto do outro mundo primordial, o reino de fogo Muspelheim, e estaria em um dos pontos mais baixos do grande freixo.
  • Muspelheim: Junto de Niflheim, Muspelheim foi o primeiro mundo a surgir. Comandado pelo gigante Surt, o reino seria representado por chamas e por lava. Ymir teria surgido no abismo de Ginnungagap, onde as faíscas de Muspelheim encontrariam-se com o gelo originado em Niflheim.

Deuses da mitologia nórdica

Principais deuses da mitologia nórdica. [imagem_principal]
Principais deuses da mitologia nórdica.

Os deuses da mitologia nórdica seriam formados por duas raças: os Aesir, que habitavam Asgard, e os Vanir, que residiam em Vanaheim. Os nórdicos acreditavam que as duas raças haviam travado uma guerra após as tentativas de assassinato da deusa Vanir Gullveig, que encerraram por meio de um acordo de paz. A partir de então, da saliva de ambas as raças, surgiu o deus sábio Kvasir, e reféns foram trocados entre os mundos para garantir o acordo.

Veja a seguir quais eram os principais deuses da mitologia nórdica:

  • Odin: Filho de Bor e de Bestla, Odin era também chamado de Wotan, deus supremo de todo o panteão nórdico. Junto dos seus irmãos Vili e Vé, teria matado o gigante Ymir, cuja carcaça utilizou para criar Midgard, principalmente. Odin era associado à guerra, à sabedoria e à poesia, bem como ao domínio do disfarce e da transformação, teria roubado o hidromel da poesia do gigante Suttung e dado de presente à humanidade. Sobre seus ombros, pousavam os corvos Hugin e Munin, que simbolizavam a sua mente através do pensamento e da memória, respectivamente. Odin também teria declarado guerra aos Vanir quando eles atacaram Asgard e, em outro contexto, sacrificado um dos próprios olhos para beber da Fonte de Mimir, que oferecia toda a sabedoria do universo. Por meio de sua esposa e de diversas amantes, gerou Baldur, Hod, Thor, Vidar, Vali, Hermod, as valquírias, entre outros.
  • Loki: Originalmente de uma raça de gigantes, Loki teria sido adotado pelos Aesir para viver em Asgard. Astuto e trapaceiro, ele muitas vezes gerava problemas em segredo para em seguida resolvê-los e, com isso, ser heroicizado. Ele era pai de criaturas monstruosas, entre as quais o lobo Fenrir, que estaria destinado a matar Odin no Ragnarök (fim do mundo), a colossal serpente Jörmungandr, que cercaria Midgard, Sleipnir, o veloz cavalo de oito patas usado de montaria por Odin, e a deusa Hel, que governaria o submundo de mesmo nome. Invejoso da popularidade e da beleza do deus Baldur, Loki tramou a sua morte e acabou aprisionado pelos Aesir sob uma serpente que pingaria veneno em seu rosto, apesar de sua esposa, Sigyn, usar uma vasilha para aparar a substância. No Ragnarök, libertou-se para comandar o navio Naglfar, construído a partir das unhas dos mortos, e morreu em um duelo contra o vigia dos Aesir, Heimdall.
Pintura retratando Odin e o lobo Fenrir enfrentando-se no Ragnarök, parte importante da mitologia nórdica.
Odin e o lobo Fenrir enfrentando-se no Ragnarök. [2]
  • Thor: O notório deus do trovão e das tempestades era filho de Odin com a giganta Jord e era aclamado pelos fazendeiros humanos como benevolente. Protetor de Asgard e de Midgard, Thor portava o poderoso martelo Mjölnir, forjado por anões, e tendia a ser impulsivo, mas leal. Teria a habilidade de voar pelos céus por meio de uma carruagem puxada por dois bodes, que, conforme sugerem algumas fontes, também lhe serviriam de alimento e poderiam ser ressuscitados no dia seguinte através do uso de seu martelo. Ao descobrir que o gigante que reconstruiria as muralhas de Asgard estimava receber a deusa Freya em troca do serviço, foi tomado por um ataque de fúria que resultou na morte do chantageador. Thor também teria ocupado um papel crucial no Ragnarök, onde matou a serpente Jörmungandr, embora tenha sido fatalmente envenenado.
Pintura retratando Thor, um dos deuses mais conhecidos da mitologia nórdica.
Thor é um dos deuses mais conhecidos da mitologia nórdica.
  • Frigg: Esposa de Odin, Frigg gerou os filhos Baldur e Hod. Beneficiada pelo dom da clarividência, a deusa optava por não proferir suas visões, e seu silêncio voluntário provinha do receio de influenciar a realidade por meio de suas previsões, especialmente após os presságios que anunciavam a possível morte de Baldur.
  • Freya: Filha de Njord e irmã de Frey, a deusa Vanir Freya, de Vanaheim, foi uma das reféns que passaria a viver em Asgard após o acordo de paz entre os mundos. Possuía o dom mágico seidr do xamanismo, que usufruía para se comunicar com os mortos e prever o futuro. Para os nórdicos, Freya simbolizava o amor e a juventude.
  • Baldur: Filho de Odin com a esposa Frigga e irmão do deus cego Hod, Baldur, ao invés de ser representado como poderoso, era a personificação da beleza e da bondade. Foi morto em decorrência de um plano de Loki, que, tomado pela inveja, orientou Hod a disparar uma flecha que atingiu fatalmente o irmão. Após o Ragnarök, ele ressuscitaria com Hod, com quem se reconciliaria e viveria em paz.
  • Týr: Na mitologia nórdica, Týr era o corajoso deus da justiça, da guerra e da paz, e por isso decidiria o lado que deveria vencer um conflito. Ele era geralmente reconhecido pelo sacrifício que fez do próprio braço para que o lobo Fenrir, filho de Loki, fosse aprisionado.

Veja também: Quais são os principais deuses do Egito?

Criaturas nórdicas

Assim como toda mitologia construída pelos povos mais proeminentes do passado, o conjunto de lendas descritas pelos nórdicos era repleto de entidades e de monstros variados que transitavam entre os mundos. Leia a seguir sobre cada uma das criaturas que mais se destacam na mitologia nórdica:

  • Valquírias: Filhas de Odin com a amante Erda, as valquírias seriam as responsáveis por selecionar e por recolher os mortos nas batalhas, conduzindo até Valhalla aqueles que fossem dignos. A mais notória delas e possivelmente líder das demais era Brynhild, que, na lenda nórdica, teria sido enganada pelo ex-noivo Sigurd e, por isso, teria ordenado a sua morte. Após o assassinato, desolada, ela teria se sacrificado ao se arremessar na pira funerária do ex-noivo.   
Ilustração de uma valquíria, uma das criaturas da mitologia nórdica.
Ilustração de uma valquíria. [3]
  • Jotun: Esta é a raça de gigantes que habitaria o mundo de Jotunheim. Eles seriam descendentes do gigante primordial Ymir e teriam o poder de se transfigurar na forma que desejassem, apesar de geralmente estarem associados à grande estatura de sua raça. Apesar de não serem bem-vistos por grande parte dos deuses, os tradicionalmente referidos jótunn poderiam ser tão poderosos quanto tais, com a diferença de que não poderiam ser adorados. Ao contrário da forma como são constantemente atribuídos pelo imaginário contemporâneo, eles também poderiam ser tão belos quanto qualquer outro deus, o que explicaria o envolvimento afetivo entre ambas as raças.
  • Anões: Não se sabe, com certeza, se os nórdicos consideravam anões e elfos escuros (seres das trevas) como uma espécie única, ou se eram criaturas que conviveriam no mesmo mundo de Svartalfheim. Mesmo assim, eles seriam atribuídos como exímios ferreiros que dariam origem às mais poderosas ferramentas, tesouros e armas dos nove mundos (incluindo Mjolnir, o martelo de Thor). Devido à astúcia e à inteligência da raça, os anões seriam constantemente contratados por deuses para diferentes tipos de trabalhos.
  • Elfos: Os elfos seriam criaturas divididas em seres da luz (habitantes de Alfheim) e seres das trevas, mais conhecidos como “elfos escuros” (em Svartalfheim, também associado muitas vezes a anões). Enquanto os elfos da luz eram associados à beleza e à fertilidade, os elfos escuros eram exímios ferreiros mágicos, apesar de muitas vezes serem associados à enganação.
  • Fenrir: Filho de Loki, Fenrir era um lobo gigante destinado a matar Odin quando se deflagrasse o Ragnarök.
  • Nornas: Urd, Verdandi e Skuld representariam, respectivamente, o passado, o presente e o futuro. As três Nornas seriam divindades com poderes sobre o destino do universo e sobre cada indivíduo, o que fazia com que os nórdicos acreditassem que elas predestinariam o dia da morte de cada um.
Representação das Nornas, uma das criaturas da mitologia nórdica.
Representação das Nornas.
  • Jörmungandr: Também uma cria de Loki, Jörmungandr seria uma serpente tão gigantesca, que ao formar um círculo e morder a própria cauda, envolveria todo o mundo dos humanos.
  • Fafnir: Este teria sido o dragão morto por Sigurd, que o golpeou fatalmente com uma espada mágica. Fafnir era originalmente um anão que assassinou o próprio pai, o rei Hreidmar, para tomar o seu ouro; entre os tesouros, haveria um anel amaldiçoado que teria transformado Fafnir em dragão.
  • Ratatosk: Um esquilo que percorria o freixo Yggdrasil, Ratatosk serviria de mensageiro dos recados ofensivos trocados entre a águia sábia, pousada no topo da árvore, e a cobra subterrânea Nidhögg, que roeria as suas raízes.
  • Audhumla: Os nórdicos acreditavam que Audhumla seria a vaca que alimentaria e sustentaria a vida primordial, pois de suas tetas fluiriam rios de leite que alimentariam o gigante Ymir. Também, no abismo primordial de Ginnungagap, ela teria lambido o gelo ali acumulado e revelado o gigante Búri, que se tornaria o pai de Bor e avô de Odin.

Mitologia nórdica na cultura popular

A mitologia nórdica é um dos conjuntos de crenças mais explorados pela cultura popular, desde as óperas wagnerianas do século XIX, até os jogos eletrônicos mais populares do mercado de games. Confira a seguir alguns exemplos de manifestações artísticas relacionadas à mitologia nórdica:

  • God of War (jogo eletrônico, 2018): O jogo lançado primeiramente para Playstation 4 em 2018 tornou-se um dos preferidos dos fãs de Kratos, o anti-herói de origem espartana que a partir desse título abandonou a narrativa dos títulos baseados na mitologia grega para iniciar uma jornada inspirada na tradicional mitologia nórdica. Junto de seu filho Atreus, Kratos viaja pelos nove mundos de Yggdrasil e depara-se com grande parte dos deuses e das criaturas mencionados nas clássicas Eddas. A sequência do título, God of War: Ragnarök (2022), dá continuidade à trama, apresentando outros personagens essenciais da mitologia, como o lobo gigante Fenrir e a cobra colossal Jörmungandr. 
  • Vikings (série, 2013-2020): Embora a série coproduzida pela History Channel e pela Amazon demonstre a ascensão do histórico conquistador viking Ragnar Lodbrok perante suas incursões sobre a Europa, a trama de Vikings introduz, em grande parte, as crenças e os ritos praticados pelos povos nórdicos durante a Idade Média. Além disso, junto da trama principal, há diversas referências à mitologia nórdica, desde visões místicas a aparições de deuses, ou, pelo menos, é assim que os personagens da série interpretam os eventos de suas rotinas. Uma série derivada, Vikings: Valhalla (2022-2024), transmitida pela Netflix, mostra a crise da Era Viking após cem anos das conquistas de Ragnar, mas mantendo a atenção às representações mitológicas dos nórdicos.
  • Assassin’s Creed: Valhalla (jogo eletrônico, 2020): Deuses, vikings e ficção científica conectam-se em uma narrativa inteligentemente construída neste título da Ubisoft, em que a(o) protagonista, Eivor, que pode ter o gênero escolhido pelo jogador no início da trama, parte da Noruega com seu bando em um dracar e explora a Bretanha do século IX e outros locais visitados pelos povos nórdicos. Além da trama principal, que, através dos olhos de Eivor, conecta passado, presente e futuro, é possível visitar Asgard e outros mundos por meio de visões e de sonhos induzidos por alucinógenos.
  • O Senhor dos Anéis (trilogia de livros, 1954-1955): Antes do sucesso estrondoso dos longa-metragens estreados de 2001 a 2003, O Senhor dos Anéis foi uma trilogia de livros escrita pelo britânico J.R.R. Tolkien entre os anos de 1937 e 1949. O lançamento das obras, em 1954 e em 1955, não apenas serviu de fenômeno que influenciaria incontáveis obras de fantasia, mas compilou referências de diversas mitologias, entre as quais as nórdicas, e esse fato não é aleatório, já que seu autor era um renomado filólogo e medievalista da Universidade de Oxford. Entre as principais referências percebidas em seus livros, podem-se citar criaturas como anões, elfos e lobos gigantes, cenários como a Floresta das Trevas, a Ponte de Zhakad-dûm, que alude à Bifröst, e a Terra-Média, que faz referência a Midgard, e até mesmo a trama principal, baseada na saga islandesa de Völsunga, do século XIII, que narra a história do nórdico Sigurd. A obra foi influenciada pela ópera O Anel do Nibelungo, do compositor alemão Richard Wagner, apesar de Tolkien nunca o admitir, já que o músico foi uma das principais inspirações de Adolf Hitler, que o apropriou em sua ideologia nazista.
  • O Anel do Nibelungo (ópera, 1876): A mais renomada obra do compositor alemão Richard Wagner, originalmente Der Ring des Nibelungen, levou mais de vinte e cinco anos para ser concluída. A ópera, dividida em quatro ciclos, é inspirada pelas Edda poética, Völsunga e o épico alemão A Canção dos Nibelungos, que compreendia, ou distorcia, a narrativa tradicional nórdica sob uma interpretação mais “cristã”. A obra reflete grande parte da mitologia nórdica, como o anel amaldiçoado forjado pelos anões, Brynhild e as valquírias, o salão de Valhalla, Yggdrasil e até mesmo a ponte Bifröst. Uma das maiores relíquias da obra é a música Cavalgada das Valquírias (Die Walküre), constantemente utilizada pela cultura popular.
  • O Homem do Norte (filme, 2020): O filme dirigido por Robert Eggers conta com detalhadas demonstrações dos rituais e das crenças que levam os personagens, interpretados por um elenco renomado, incluindo Nicole Kidman, Ethan Hawke, Anya Taylor-Joy, Willem Dafoe e Björk, a conectarem-se com o mundo espiritual da mitologia nórdica. As visões das figuras representadas constantemente alternam-se com suas realidades, o que enfatiza a presença do misticismo e do xamanismo comuns aos nórdicos da Idade Média.
  • Hellblade: Senua’s Sacrifice (jogo eletrônico, 2017): Nesta obra produzida pela empresa Ninja Theory, misticismo e xamanismo confundem-se com a psicose da protagonista Senua, guerreira de uma tribo de pictos (povo celta oriundo da Escócia, rivais dos vikings). Devido às perturbações psíquicas da personagem, originárias desde a esquizofrenia, até o transtorno de estresse pós-traumático, o jogador é constantemente induzido a questionar o que é real e o que é criação de suas alucinações. O destino da jornada de Senua é Hel, onde a guerreira busca pela alma de seu amado Dilion, deparando-se, por todo o seu caminho, com monstros e com criaturas híbridas das mitologias céltica e nórdica.
  • Thor (filme, 2011): Dos quadrinhos da Marvel para o cinema, o filme Thor é uma obra descontraída sobre o deus do trovão. Na obra protagonizada por Chris Hemsworth, Thor é impedido de ocupar o trono de Asgard pelo gigantes de Jotunheim e, frustrado, inicia uma guerra contra a poderosa raça. Odin, ao saber da artimanha do filho, decide bani-lo sem os seus poderes para Midgard, o nosso mundo. No decorrer da narrativa, Thor recupera o seu martelo e é posteriormente recrutado para a “Iniciativa Vingadores”.

Créditos de imagem

[1] Max Naylor / Wikimedia Commons (reprodução)

[2] Den Unge Herr Holm (Kim Diaz Holm) / Wikimedia Commons (reprodução)

[3] Archivio Storico Ricordi / Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

FRANCHINI, A.S.; SEGANFREDO, Carmen. As melhores histórias da mitologia nórdica. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 2014.

IMDB. Viking [palavra-chave]. Disponível em https://www.imdb.com/pt/find/?q=viking&ref_=hm_nv_srb_sm.

O LIVRO DA MITOLOGIA. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2018.

O LIVRO DAS RELIGIÕES. São Paulo: Globo Livros, 2016.

RUST, Leandro D. Os Vikings: narrativas da violência na Idade Média. Petrópolis: Editora Vozes, 2021.

VIKINGR. Norse Cosmology, s.d. Disponível em https://vikingr.org/norse-cosmology.

Escritor do artigo
Escrito por: Cassio Remus de Paula Cássio é doutor em História pela UFPR, mestre e bacharel em História pela UEPG. Atua como professor de História, Filosofia e Sociologia.

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