Classificação das soluções
A classificação das soluções pode ser feita de diversas formas, uma delas envolve a diferenciação das soluções pelo estado físico em que elas se apresentam, ou seja, como sólidas, líquidas ou gasosas, embora alguns autores não considerem misturas gasosas como sendo soluções.
Uma solução também pode ser classificada pela quantidade de soluto presente, a partir do chamado coeficiente de solubilidade, que determina o máximo de soluto que pode estar presente em uma dada quantidade de solvente em uma temperatura específica. Os solutos também são usados para classificar as soluções em covalentes ou iônicas, a depender de sua natureza. Por fim, um conceito mais comum, envolve classificar as soluções em concentradas ou diluídas.
Leia também: O que é o soluto e o que é o solvente em uma solução?
Resumo sobre classificação das soluções
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Uma solução pode ser classificada pelo estado físico em se apresenta, como:
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sólida,
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líquida ou
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gasosa.
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Também é possível classificar a solução por meio de seu coeficiente de solubilidade, chamando-a de:
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insaturada,
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saturada ou
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supersaturada.
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É possível classificar uma solução pela natureza do soluto, ou seja, em:
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covalente ou
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iônico
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Por fim, é possível também usar os termos “concentrada” e “diluída” para classificar e distinguir soluções.
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Uma solução é uma mistura homogênea que pode ser melhor entendida por meio dessas classificações.
Classificação da solução quanto ao estado físico
Uma solução poderá ser classificada de acordo com o estado físico em que ela se apresenta para nós.
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Solução sólida
Uma solução sólida é, portanto, uma solução que se mostra no estado sólido. É o caso, por exemplo, de ligas metálicas, como:
- o aço inoxidável (mistura de ferro, carbono, cromo, manganês e outros metais),
- o bronze (cobre e estanho) e
- o latão (cobre e zinco).
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Solução líquida
As soluções líquidas se apresentam como um líquido. Entretanto, vale lembrar que o soluto (o que é disperso pelo solvente) nem sempre é líquido. Por vezes, ele pode ser sólido. Porém, como no processo de dissolução, ele é levado a um nível de dimensão molecular ou iônica, isso acaba não interferindo no aspecto físico da solução obtida e, assim, a solução é classificada de acordo com o estado físico do solvente (líquido). São exemplos de soluções líquidas:
- a água do mar,
- o soro fisiológico,
- o álcool hidratado e
- a gasolina.
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Solução gasosa
Uma solução pode ser também gasosa, contudo, alguns autores não reconhecem misturas gasosas como soluções, uma vez que elas sempre se difundem entre si, independentemente da quantidade (não há limite máximo, como nas soluções sólidas e líquidas), além de estabelecerem interações intermoleculares muito fracas. A própria União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) define soluções como sendo uma fase sólida ou líquida contendo mais de uma substância, ou seja, não classificando misturas gasosas (que são sempre homogêneas) como sendo soluções. O ar atmosférico é um exemplo de mistura gasosa.
Veja também: Afinal, o que é uma mistura?
Classificação da solução pela quantidade de soluto
Para cada temperatura, sempre haverá uma quantidade máxima de soluto capaz de ser dissolvida por uma quantidade determinada de solvente, que é conhecida como coeficiente de solubilidade.
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Solução insaturada
Quando a quantidade de soluto dissolvida na solução está abaixo do que é permitido pelo coeficiente de solubilidade, a solução é classificada como insaturada. Assim sendo, ainda é possível dissolver uma certa quantidade de soluto na solução.
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Solução saturada
Quando a quantidade de soluto dissolvida na solução é igual à que é estabelecida pelo coeficiente de solubilidade, ou seja, atingindo o máximo de quantidade de soluto passível de ser dissolvido pela quantidade de solvente presente em uma dada temperatura, a solução é classificada como saturada.
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Solução supersaturada
Existe o caso específico onde é possível superar a quantidade de soluto dissolvida na quantidade de solvente presente em uma dada temperatura, assim superando o coeficiente de solubilidade. Tais soluções são classificadas como supersaturadas. Nos refrigerantes, por exemplo, o gás carbônico presente está acima da solubilidade permitida, entendendo-se que essa é uma solução supersaturada. Ao se abrir a lata e verter o líquido, o gás sai da bebida e a espuma se forma.
Classificação da solução quanto à natureza do soluto
Os solutos podem ser tanto de natureza iônica quanto covalente (molecular). Os solutos iônicos, como os sais e bases inorgânicas, sofrem dissociação iônica ao serem dissolvidos pelo solvente. Já os solutos covalentes (moleculares) podem sofrer ionização ou não. Os ácidos, por exemplo, são solutos covalentes que sofrem ionização ao serem dissolvidos por determinado solvente. Já outros, como no caso do açúcar, são meramente solvatados pelo solvente, sem realizarem reações químicas de ionização.
Classificação da solução pela concentração
No cotidiano, é comum classificarmos uma solução como sendo concentrada (quando a quantidade de soluto é alta na solução) ou diluída (quando a quantidade de soluto é baixa na solução). Contudo, essa classificação pode ser um tanto quanto subjetiva, uma vez que, em tese, uma solução é diluída ou concentrada em relação a outra solução.
Na imagem abaixo, a solução à esquerda é mais concentrada que a solução à direita. Pode-se dizer também que a solução da direita está mais diluída que a solução da esquerda. Veja:
Entretanto, a IUPAC define que podemos entender que uma solução é considerada diluída quando a soma das frações molares dos solutos dissolvidos é muito menor do que 1.
Saiba mais: Concentração de soluções — usada para medir o soluto de uma solução
Exercícios resolvidos sobre classificação das soluções
Questão 1. (UEMG/2025) Em uma experiência no laboratório de química, um aluno está dissolvendo açúcar, (C6H12O6) em água. A quantidade máxima de açúcar que pode ser dissolvida depende da temperatura da água e da quantidade de solvente presente. Quando a solução atinge o ponto de saturação, qualquer açúcar adicional não se dissolve mais e fica visível no fundo do recipiente.
Com base nesses conceitos, assinale a alternativa certa.
a) A solubilidade do açúcar em água é maior a temperaturas mais baixas, pois a solubilidade de sólidos diminui com o aumento da temperatura.
b) Uma solução saturada de açúcar contém a quantidade máxima de soluto que pode ser dissolvida, sem que ele se acumule no fundo do recipiente.
c) Soluções insaturadas sempre contêm uma quantidade de soluto maior que soluções saturadas, independentemente da temperatura.
d) A solubilidade de substâncias sólidas em líquidos não é afetada pela quantidade de solvente presente na solução.
Resposta: Letra B.
Entende-se que uma solução saturada é a solução que já atingiu a sua solubilidade máxima, não podendo mais haver, naquela temperatura e com aquela quantidade de solvente, a dissolução de novas partículas do soluto.
Questão 2. (UNIATENAS/2019.1) Em função do ponto de saturação, as soluções podem ser classificadas em: não saturadas (ou insaturadas), saturadas ou supersaturadas. Conforme apresentado no esquema a seguir, é possível distinguir essas soluções na prática: basta adicionar uma pequena porção do soluto sólido (gérmen de cristalização) na solução.

A partir dos resultados experimentais (soluções 1, 2 e 3), é possível concluir que, antes da adição do gérmen de cristalização, as soluções eram:
a) 1 (insaturada), 2 (saturada), 3 (supersaturada).
b) 1 (saturada), 2 (supersaturada), 3 (insaturada).
c) 1 (saturada), 2 (insaturada), 3 (supersaturada).
d) 1 (insaturada), 2 (supersaturada), 3 (saturada).
e) 1 (supersaturada), 2 (saturada), 3 (insaturada).
Resposta: Letra A.
A solução (1) é insaturada, pois a amostra adicionada conseguiu ser dissolvida.
A solução (2) é saturada, pois a amostra adicionada não conseguiu ser dissolvida, indicando que o máximo de solubilidade foi atingido.
A solução (3) é supersaturada, pois a amostra adicionada perturbou o sistema, fazendo com que o soluto que estava dissolvido além do permitido se cristalizasse.
Fontes
ATKINS, P.; JONES, L.; LAVERMAN, L. Princípios de Química: questionando a vida e o meio ambiente. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2018.
DO CANTO, E. L.; LEITE, L. L. C.; CANTO, L. C. Química – na abordagem do cotidiano. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2021.
USBERCO, J.; SPITALERI, P.; SALVADOR, E. Química 1: conecte live. 3ª ed. vol. 1. São Paulo: Saraiva, 2018.
REIS, M. Química: ensino médio. 2ª ed. vol. 1. São Paulo: Ática, 2016.
INTERNATIONAL UNION OF PURE AND APPLIED CHEMISTRY – IUPAC. Glossary of terms used in physical organic chemistry. Pure and Applied Chemistry, Reino Unido, 1994.