Classificação dos elementos na tabela periódica

A classificação dos elementos na tabela periódica vai além de grupos e períodos, dividindo-os principalmente em metais e ametais, embora o termo “semimetais” ainda apareça em alguns materiais. Os metais compõem praticamente 75% da tabela periódica, sendo contrastados pelos ametais, que são minoria. A divisão entre metais e ametais é fundamental para prever como cada elemento se comporta em reações químicas, uma vez que possuem correlação, por exemplo, com as propriedades periódicas.

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A classificação dos elementos na tabela periódica também se organiza por blocos (s, p, d, f) conforme a distribuição eletrônica e pela distinção entre elementos representativos e de transição. Os elementos representativos pertencem aos grupos das extremidades, enquanto os de transição ocupam o centro da tabela periódica, incluindo lantanídeos e actinídeos.

Leia também: Como estão divididos os grupos e períodos da tabela periódica?

Resumo sobre classificação dos elementos na tabela periódica

  • A classificação dos elementos na tabela periódica é feita mediante sistemas de classificação específicos, dentre eles:
    • metais e ametais;
    • elementos representativos e de transição;
    • blocos s, p, d e f.
  • Na divisão dos elementos entre metais e ametais, alguns autores mantêm a presença da classificação “semimetais”.
  • Na divisão entre elementos representativos e de transição, há ainda uma subcategoria, os elementos de transição interna (lantanídeos e actinídeos).
  • Também podemos classificar os elementos quanto à configuração eletrônica, dividindo-os em blocos chamados de s, p, d e f, em alusão aos subníveis eletrônicos.
  • Uma forma interessante de se utilizar essas classificações é correlacioná-las com as propriedades periódicas, como é o caso dos metais e ametais, que possuem características antagônicas.

Como é a classificação dos elementos na tabela periódica?

Dentro da tabela periódica, é comum haver sistemas de classificação para os elementos presentes, indo além da organização tradicional de grupos e períodos. Isso ajuda a fazer um recorte mais específico de conjuntos de elementos que, porventura, possuam propriedades químicas e físicas semelhantes, mesmo que não estejam no mesmo grupo.

Existem diversos sistemas de classificação. Dentre eles, podemos citar:

  • Metais ou ametais

Os metais correspondem à maior parte dos elementos químicos da tabela periódica: cerca de 75% dos elementos químicos são considerados metais. Os demais são considerados ametais. O número exato de metais na tabela periódica pode variar a depender da fonte, pois alguns elementos sintéticos e recentemente descobertos ainda não foram totalmente definidos como metais ou ametais.

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A exatidão do número de metais e ametais fica ainda mais difusa, uma vez que existe o conceito de “semimetais” ou “metaloides”, termos estes que nunca foram oficialmente definidos pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC), mas que estão presentes em livros didáticos e materiais acadêmicos, como é o caso da tabela periódica da American Chemical Society (ACS), a qual mantém a utilização dos metaloides.

Pela ACS, por exemplo, são considerados como semimetais os elementos boro (B), silício (Si), germânio (Ge), arsênio (As), antimônio (Sb), telúrio (Te) e polônio (Po). A Sociedade Brasileira de Química, entretanto, não recomenda a utilização do termo, considerando B, Si, As e Te como ametais, enquanto Ge, Sb e Po são considerados metais.

Metais e ametais, uma tipo de classificação dos elementos na tabela periódica. [imagem_principal]
Metais, ametais e semimetais/metaloides na tabela periódica. 75% dos elementos são considerados metais, e os demais, ametais.

Observação: Alguns elementos mais novos ainda não possuem suas propriedades químicas bem definidas para serem classificados dessa forma.

  • Elementos representativos e elementos de transição

Segundo a IUPAC, os elementos dos grupos 1 (à exceção do hidrogênio), 2 e que estão entre os grupos 13 e 18 são elementos representativos. Já os demais elementos, que ficam entre os grupos 3 e 12, são considerados elementos de transição, embora nem sempre os elementos do grupo 12 sejam incluídos, já que o conceito de “elemento de transição” indica que os elementos precisam ter subnível d incompleto, o que não ocorre com os elementos do grupo 12, que encerram sua configuração eletrônica em ns2 (n – 1)d10, onde “n” representa o período.

Há também, ainda, os elementos de transição interna, que são os lantanídeos e actinídeos, elementos localizados nos sexto e sétimo períodos do grupo 3 da tabela periódica. Dessa forma, como esses elementos são considerados elementos de transição interna, os demais elementos de transição podem também ser chamados de elementos de transição externa.

  • Blocos s, p, d e f

A classificação por blocos de acordo com a distribuição eletrônica também é comum na tabela periódica.

Bloco

Localização

Distribuição eletrônica padrão

s

Grupos 1 e 2

[GN] nsx

p

Grupos 13 ao 18

[GN] ns2 npx

d

Grupos 3 ao 12

[GN] ns2 (n – 1)dx

f

Lantanídeos e actinídeos

[GN] ns2 (n – 2)fx

O “x” representa o número de elétrons presentes no subnível; [GN] faz referência à configuração eletrônica do gás nobre imediatamente anterior na tabela periódica; o “n” faz referência ao período em que o elemento se encontra.

Organização dos blocos, uma tipo de classificação dos elementos na tabela periódica.
Blocos de distribuição eletrônica correlacionados com a classificação entre elementos representativos e de transição. 

→ Videoaula sobre classificação periódica dos elementos 

Classificação periódica e propriedades periódicas

As propriedades periódicas são propriedades dos elementos que estão relacionadas com sua carga nuclear efetiva. Dentre elas, existem o raio atômico, a energia de ionização, a afinidade eletrônica e a eletronegatividade. Embora seja mais comum se avaliar a variação das propriedades periódicas ao se observar grupos e períodos da tabela, também é possível exprimir comportamentos dessas propriedades em termos de classificações dos elementos.

Por exemplo, observa-se que os metais, de maneira geral, apresentarão baixa energia de ionização, além de baixa afinidade eletrônica e baixa eletronegatividade. Esse comportamento, entretanto, é diferente para os ametais, que costumam apresentar alta energia de ionização, alta afinidade eletrônica e, também, alta eletronegatividade.

Saiba mais: Quantos elementos existem na tabela periódica?

Exercícios resolvidos sobre classificação dos elementos na tabela periódica

Questão 1. (UECE – 1ª Fase/2026.1) Uma das ferramentas essenciais da química é a tabela periódica, que mostra uma representação organizada dos elementos químicos. Desde sua criação, ela evoluiu de forma significativa, mas seu princípio fundamental permanece: agrupar elementos com base em suas propriedades químicas e físicas.

Considerando a tabela periódica, avalie as seguintes afirmações:

  1. O que existe no planeta Terra é constituído pelos elementos químicos, classificados e organizados na tabela periódica. Atualmente são 118 elementos químicos, distribuídos em 18 períodos e 7 grupos ou famílias.
  2. A classificação dos elementos da tabela periódica é baseada em várias propriedades, que incluem: número atômico, configuração eletrônica, propriedades químicas e propriedades físicas.
  3. A tabela periódica é considerada uma das mais importantes conquistas da ciência, não apenas da química, mas também da medicina e da biologia.

É correto o que se afirma em

  1. I e II apenas.
  2. I e III apenas.
  3. II e III apenas.
  4. I, II e III.

Resposta: Letra C.

Na tabela periódica, os 118 elementos químicos estão distribuídos em 18 grupos/famílias e 7 períodos, e não o contrário.

Questão 2. (CBMERJ/2025) Atualmente é difícil imaginar a vida sem o uso de smartphones. Estes pequenos dispositivos têm desempenhado cada vez mais funções, que vão muito além de fazer e receber chamadas.

No entanto, apesar de pequenos, estes aparelhos demandam uma grande quantidade de elementos químicos na sua confecção. Observe o quadro a seguir, que apresenta alguns dos elementos que compõem as diferentes partes do aparelho.

 

Elementos químicos

Parte eletrônica

Cu, Ag, Au, Ta, Ni, Dy, Gd, Si, O, Sb, As, P, Pr, Tb, Nd, Ga, Sn, Pb

Tela

In, O, Sn, Al, Si, La, Tb, Pr, Eu, Dy, Gd

Bateria

Li, Co, C, Al, O

Capa

C, Mg, Br

A partir da composição química apresentada no quadro, avalie as seguintes afirmativas:

  1. A parte eletrônica é constituída somente por metais.
  2. Na tela estão presentes seis elementos de transição interna.
  3. Os elementos presentes na bateria pertencem ao segundo período da classificação periódica.
  4. A capa é constituída por elementos representativos.

Está correto apenas o que se afirma em

  1. I e III.
  2. I e IV.
  3. II e III.
  4. II e IV.
  5. III e IV.

Resposta: Letra D.

Na parte eletrônica, não existem apenas metais, mas também ametais, como Si, O, As e P.

Na tela estão, de fato, seis elementos de transição interna: são os lantanídeos La, Tb, Pr, Eu, Gd e Dy.

Na bateria, contudo, nem todos os elementos estão no segundo período, como é o caso de Co (quarto período) e Al (terceiro período).

Na capa, todos os elementos são representativos: C está no grupo 14, Mg no grupo 2, enquanto Br está no grupo 17.

Fontes

AMERICAN CHEMICAL SOCIETY. Periodic Table of Elements. Washington, DC: ACS, 2023. Disponível em: https://www.acs.org/content/dam/acsorg/education/whatischemistry/periodic-table-of-elements/acs-periodic-table-poster_download.pdf.

CONNELLY, Neil G. et al. Nomenclature of Inorganic Chemistry: IUPAC Recommendations 2005. Cambridge: RSC Publishing, 2005. Disponível em: https://iupac.org/wp-content/uploads/2016/07/Red_Book_2005.pdf.

SANTOS, Wildson L. P. dos; MOL, Gerson de Souza. Química nova na escola: a tabela periódica. São Paulo: Química Nova, [s.d.]. Disponível em: https://www.scielo.br/j/qn/a/5d4pv5StPBB497gxkYBN3XH/?format=pdf&lang=pt.

Escritor do artigo
Escrito por: Stéfano Araújo Novais Stéfano Araújo Novais, além de pai da Celina, é também professor de Química da rede privada de ensino do Rio de Janeiro. É bacharel em Química Industrial pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestre em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

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