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Substâncias tóxicas formadas na incineração do lixo

A incineração do lixo é feita para diminuir o seu volume, os odores e as doenças, mas também gera muitas substâncias tóxicas que são lançadas na atmosfera.

O lixo é um problema mundial que vem crescendo cada vez mais. Entre os fatores principais que contribuem para o aumento desse problema está o fato de que a população mundial já ultrapassou a marca de 6,5 bilhões de habitantes, que o uso de polímeros (plásticos em que a sua maioria não é biodegradável) em embalagens e outros produtos que são descartados é cada vez maior e que faltam políticas públicas e compromisso da maioria da sociedade quanto à reutilização e reciclagem de muitos materiais.

Para se ter uma ideia, em 2000, o Brasil produziu 241 614 toneladas de lixo por dia, segundo dados fornecidos pelo IBGE.

A fim de reduzir o espaço ocupado por esse montante de lixo em aterros sanitários e em lixões, bem como para evitar o mau cheiro e as doenças causadas por pragas, tais como ratos e moscas, a incineração passou a ser praticada desde há muito tempo. Inicialmente ela consistia somente em queimar os resíduos a céu aberto, mas hoje existem instalações mais apropriadas, chamadas de incineradores.

Assim, na incineração, compostos orgânicos presentes no lixo, tais como madeira, papel e plásticos, são queimados a elevadas temperaturas que variam de 800ºC a 1000ºC, sendo reduzidos a cinzas, vapores de água, gás carbônico (dióxido de carbono – CO2), bem como a várias substâncias poluentes e tóxicas, oriundas da composição do lixo que foi incinerado.

As cinzas produzidas são levadas para os aterros sanitários, com um volume cerca de 70% menor do que o lixo inicial. A incineração é a forma mais segura de se livrar de lixos potencialmente perigosos, tais como resíduos hospitalares, que envolvem remédios vencidos e materiais contaminados. Assim, alguns hospitais contêm incineradores próprios.

Câmara de fogo do incinerador de onde as cinzas são retiradas e levadas aos aterros sanitários
Câmara de fogo do incinerador de onde as cinzas são retiradas e levadas aos aterros sanitários

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No entanto, conforme dito, o maior problema da incineração são os poluentes gerados e lançados na atmosfera. O dióxido de carbono, que é produzido em toda combustão completa de materiais orgânicos, é o grande responsável pelo efeito estufa e pelo aquecimento global.

Outros gases produzidos podem ser dióxido de enxofre (SO2) e dióxido de nitrogênio (NO2), que contribuem para a formação de chuvas ácidas. Os polímeros, tais como o PVC (policloreto de vinila) e os poliacrilatos, geram respectivamente HCl e HCN.

Um dos maiores poluentes resultantes da incineração do lixo são as dioxinas, um grupo de compostos organoclorados que são bioacumulativos e tóxicos. O mais perigoso é o  2,3,7,8-TCDD (2,3,7,8-tetraclorodibenzo-p-dioxina), mostrado a seguir:

Estrutura da principal dioxina: TCDD
Estrutura da principal dioxina: TCDD

Essa substância é liberada principalmente na incineração do PVC, que é muito utilizado na confecção de artigos hospitalares. Leia o texto Dioxina para saber mais sobre essas substâncias.

Além disso, se o lixo possuir pilhas que foram descartadas incorretamente, substâncias derivadas de metais pesados também poderão ser geradas, tais como o mercúrio, o chumbo e o cádmio, que são muito tóxicos, mesmo em pequenas quantidades. Essas substâncias são bioacumulativas, carcinogênicas e teratogênicas (podem causar dano ao embrião ou ao feto durante a gravidez), podendo ser absorvidas pela pele, inaladas ou ingeridas.

Uma saída para esse problema seria o controle rigoroso das emissões gasosas por meio de filtração e neutralização. Entretanto, isso faz com que o custo do projeto dos incineradores aumente muito. Uma alternativa que vem sendo estudada para diminuir esse custo seria aproveitar o calor gerado na incineração para produzir energia elétrica.

Incineradores de resíduos
Incineradores de resíduos
Publicado por: Jennifer Rocha Vargas Fogaça
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