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Gêneros Jornalísticos

Os jornais e revistas são de grande importância na era da informação, são meios de comunicação de massa, um produto de consumo.
Os objetivos desses veículos são: informar, entreter, apresentar uma interpretação competente sobre determinada informação, etc.
Há diversos gêneros jornalísticos, eis alguns:

- A notícia

O elemento fundamental de um jornal é a notícia. Essa caracteriza-se por ser um relato dos fatos sem comentários nem interpretação. Há uma fórmula para a estrutura da notícia: Q – Q – Q – O – C – PQ (o quê, quem, quando, onde, como, por quê), embora não haja uma ordem predeterminada , pois essa é estabelecida pelas circunstâncias que envolvem cada notícia.
Esse gênero trabalha com informações e apresenta a função referencial ou informativa da linguagem. De acordo com o caráter da informação há um tipo especial de seqüências textuais.
- seqüência narrativa: informação centrada numa mininarrativa, nessa o narrador tenta passar despercebido.
- seqüência descritiva: informação centrada na apresentação do estado do fato.
- seqüência explicativa: informação centrada na passagem de um conhecimento específico.

Veja:

Os oito presos que morreram asfixiados em Rio Piracibaca, no interior de Minas Gerais, foram enterrados na quinta-feira.

Dois corpos foram sepultados pela manhã; os parentes estavam emocionados.
Um incêndio destruiu a cadeia pública de Rio Piracicaba na terça-feira. A Polícia Civil admitiu que havia a necessidade de uma reforma no prédio. A corregedoria da corporação vai investigar se houve negligência do carcereiro, que na hora do incêndio estava na rua com a chave da cadeia.
Deputados da CPI do sistema carcerário vão nesta quinta-feira a Rio Piracicaba para apurar a morte dos presos.
"Tanto o Ministério Público quanto o poder Judiciário local, já tinham tomado providência, inclusive já tinham interditado aquela delegacia porque havia instalações hidráulicas e elétricas inadequadas e o prédio era velho”, afirmou o relator da CPI, deputado Domingos Dutra (PT-MA).
“Essa cadeia existe há bastante tempo, e nós estamos tratando da reestruturação dessa cadeia e também da construção regional. Nós estamos fazendo a nossa parte”, respondeu o chefe da Polícia Civil no estado, Marco Monteiro Castro.

Texto extraído do site do Jornal Hoje - http://jornalhoje.globo.com/JHoje/0,19125,VJS0-3076-20080103-313937,00.html


- O editorial

O editorial é um tipo de texto no qual o autor exprime o parecer do jornal acerca de determinado fato. É um texto dissertativo que tem como finalidade propagar a idéia da empresa. Apresenta idéias que evidenciam o ponto de vista escolhido pelo jornal a respeito da matéria em evidência.

Veja:

O material que faz a diferença

Janeiro é o mês especialmente dedicado à escola.

Neste início, múltiplas atividades focalizam a arrumação, manutenção e organização do prédio, o planejamento curricular dos professores e das equipes técnicas, a realização de cursos e de seminários de atualização dos docentes, reuniões com funcionários e todo um elenco de ações que envolvem naturalmente a participação real das famílias dos estudantes.

Assim parece ser o cenário escolar das escolas públicas e privadas. E nem poderia ser diferente, num País que precisa se comprometer eticamente com a educação das crianças e dos adolescentes.

Mas, dentre as despesas de consumo escolar das famílias, destaque-se o item material escolar, a ser usado pelos estudantes durante o ano letivo.

Nessa despesa obrigatória, encontra-se uma considerável lista de livros-textos das diferentes disciplinas, livros de leituras complementares também das disciplinas, cadernos, lápis e canetas, que devem ser adquirida à vista ou a crédito, com ou sem desconto. Nesse processo, o estudante se assume como consumidor de um material que interfere financeiramente na renda familiar.

Essa lista já faz uma primeira diferença entre a escola pública e a particular, apesar da distribuição aparentemente gratuita dos livros didáticos inseridos nos programas educacionais do MEC. O ministério, por sinal, estabelece a devolução dos livros para serem reutilizados por alunos das séries subsequentes.

A segunda diferença consiste concretamente na utilização desse material pelos professores e pelos estudantes, o que nem sempre acontece.

E uma terceira diferença diz respeito à qualidade gráfica do livro, que rapidamente se deteriora por meio de páginas que se soltam ou se perdem nas pesadas mochilas dos estudantes.

O problema dessas listas de material escolar tem origem na participação pedagógica do professor, que, individualmente ou em grupos interdisciplinares, orienta a compra do material de acordo com os objetivos e metodologias de sua disciplina, no bojo de um planejamento que não se adapta mais a uma visão unidisciplinar, isto é, de disciplinas isoladas, por não levarem a uma visão de contexto em que a transdisciplinaridade permite que se trabalhe o conhecimento cotidiano dos estudantes sob diversos ângulos de reflexão.

Do outro lado do problema das listas, estão os bolsos das famílias que já têm outras despesas escolares, se a escola for particular.

Tais despesas repercutem e pesam fortemente no orçamento familiar, mas que é suportado por garantir um possível bom ensino em função de uma preparação intelectual condizente com a modernidade.

Entre os objetivos pedagógicos dos professores e da escola e as despesas das famílias, concentram-se reclamações que devem ser vistas por todos.

Uma dessas reclamações é relativa ao excesso de material solicitado. Para as famílias, significa o consumo do supérfluo que onera em muito o orçamento doméstico.

Pode-se considerar um absurdo comprar um material que servirá apenas de ornamento numa sala de aula, principalmente se for considerado que muitas vezes as ações pedagógicas valorizam os exuberantes meios tecnológicos a serviço da didática e da metodologia e se esquecem ou ignoram as próprias finalidades da educação.

Considere-se, porém, o significado cultural da produção capitalista do material escolar usado no País, na relação das editoras com os autores dos livros. É uma relação que movimenta consideráveis somas de dinheiro, de direitos autorais, da escolha nacional dos professores que têm o privilégio de se tornar produtores desse material didático que abrange também o acervo das bibliotecas.

É preciso uma leitura questionadora e crítica do professor, objetivando a formação educacional e cultural do estudante.

Texto extraído do site do Jornal O Liberal - http://www.orm.com.br/oliberal/


- A crônica

A crônica é um relato de acontecimentos, fatos, do tempo de hoje, fatos do cotidiano. É uma seção de jornal ou revista, na qual são abordados acontecimentos do dia-a-dia. Em sua estrutura predomina uma seqüência de narrativas, com marcas subjetivas do produtor do texto.

Veja:

Quarto de badulaques (LVII)

O que é que prefeitos têm a ver com capitães de navios?

Parece que nada. Navios estão no mar, cidades estão na terra. Navios viajam, cidades não saem do lugar. Embora não pareça o fato é que as responsabilidades dos prefeitos são absolutamente idênticas às responsabilidades dos capitães de navio e seria sábio que os prefeitos tivessem capitães de navio aposentados como seus conselheiros. A primeira obrigação de um capitão de navio é cuidar do navio... Estar atento às maquinas, ao radar, aos instrumentos de orientação, à cozinha, à limpeza, ao combustível, ao casco. Isso tudo, para navegar. Quem entra no navio quer viajar. O capitão do navio tem o dever de levar seus passageiros ao porto prometido. Caso contrário acontece como aconteceu com o Titanic. A primeira obrigação dos prefeitos, à semelhança dos capitães de navio, é cuidar da cidade. Coleta de lixo, saúde, educação, cultura, finanças, água, construções, calçadas, jardins, energia, estradas, os pobres, os velhos, as crianças. Mas as cidades, embora pareçam fincadas no chão, navegam para um futuro. Cidades que não navegam são como navios encalhados, abandonados, enferrujados. Acabam por afundar. Para qual futuro? Essa questões me levam às perguntas que eu gostaria de fazer àqueles que se candidatam a capitães desse navio chamado Campinas. Apenas três. Três são o suficiente. 1. Qual é o futuro que o senhor sonha para Campinas? Para que porto o senhor levará a cidade, se for eleito? Quero que sua descrição seja tão viva que eu possa vê-la! 2. Quais as medidas imediatas a serem tomadas para se começar a navegar na direção desse futuro? 3. Quais os problemas prioritários do presente – as feridas da cidade - a serem atacados imediatamente? De que forma?

Rubem Alves. Texto extraído do site do autor (www.rubemalves.com.br)

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Publicado por Sabrina Vilarinho
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