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Revolução Cultural Chinesa

A Revolução Cultural Chinesa foi um movimento social e cultural, liderado por Mao Tsé-Tung, que ocorreu entre 1966 e 1976 para abolir qualquer influência capitalista na China.
Cartaz da Revolução Cultural Chinesa na década de 1970.
Cartaz da Revolução Cultural Chinesa na década de 1970.

A Revolução Cultural Chinesa foi um movimento sociopolítico liderado por Mao Tsé-Tung, entre os anos de 1966 e 1976, para impedir que qualquer interferência capitalista figurasse na China. Essa revolução reforçou o poder de Mao no governo e no Partido Comunista chinês. Os jovens foram convocados para perseguição dos inimigos do regime maoísta e eliminação de qualquer influência capitalista. Em 1978, Deng Xiaoping, novo governante chinês, lançou o programa “Boluan Fanzheng” para corrigir os erros cometidos pela Revolução Cultural Chinesa.

Veja também: Guerra Fria — conflito político-ideológico responsável pela polarização do mundo

Resumo sobre a Revolução Cultural Chinesa

  • A Revolução Cultural Chinesa foi um movimento social e cultural ocorrido entre 1966 e 1976, liderado por Mao Tsé-Tung, no intuito de eliminar influências capitalistas da China.

  • Esse movimento fortaleceu o poder de Mao no governo e no Partido Comunista chinês.

  • Jovens foram convocados pelo governo para perseguir e matar pessoas consideradas inimigas, críticas de Mao e do Partido Comunista chinês.

  • A Revolução Cultural Chinesa foi revista no governo Deng Xiaoping, que reconheceu os erros cometidos pelo movimento.

O que foi a Revolução Cultural Chinesa?

Mao Tsé-Tung.
Mao Tsé-Tung serviu-se da Revolução Cultural Chinesa para obter amplos poderes no governo e punir seus inimigos.[1]

A Revolução Cultural Chinesa foi um movimento social e cultural ocorrido na China, entre os anos de 1966 e 1976, que fortaleceu Mao Tsé-Tung no governo e dentro do Partido Comunista chinês. Os integrantes desse movimento promoveram massacres contra opositores do maoísmo ou indivíduos que fossem considerados aliados ao capitalismo.

Essa revolução foi o meio encontrado por Mao para restaurar sua imagem, desgastada após o fracasso do programa econômico “Salto para Frente”, que matou de fome milhões de chineses. Por causa disso, Mao foi retirado do comando político do governo da China.

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Contexto histórico da Revolução Cultural Chinesa

Em 1959, Mao era o líder máximo da China e lançou um programa econômico chamado “Salto para Frente”, que pretendia desenvolver a economia chinesa através do investimento na produção agrária e na atividade industrial. Porém, o resultado foi negativo e, ao invés de melhorar a condição de vida da maioria da população chinesa, o inverso ocorreu. Milhões de pessoas perderam suas vidas por causa da fome.

O fracasso do “Salto para Frente” manchou a imagem de Mao. O líder, que chegou ao poder após a vitória da Revolução Chinesa, foi muito criticado e sua imagem perante a população ficou manchada. Seus colegas de partido, Liu Shaoqi e Deng Xiaoping, o retiraram do comando político chinês. Em 1966, Mao Tsé-Tung voltaria ao controle total da China mediante um movimento social e cultural intitulado Revolução Cultural Chinesa.

  • Videoaula sobre a Revolução Chinesa de 1949

Causas da Revolução Cultural Chinesa

As causas da Revolução Cultural Chinesa foram

  • a suposta influência capitalista no comando do governo;

  • a péssima imagem de Mao Tsé-Tung perante a opinião pública após o fracasso do programa econômico “Salto para Frente”;

  • o aumento da influência dos opositores do maoísmo na política.

Leia também: Pol Pot — o ditador cambojano que alinhou suas ideias às de Mao Tsé-Tung

História da Revolução Cultural Chinesa

A Revolução Cultural Chinesa começou em maio de 1966, quando Mao Tsé-Tung convocou os jovens para se rebelarem contra os inimigos do maoísmo e abolirem qualquer influência capitalista dentro do território chinês. Os seguidores de Mao começaram a perseguir aqueles que estavam ligados às práticas da burguesia e colaboravam para a entrada do capitalismo dentro da China, atrapalhando seu Partido Comunista.

Mao e seus apoiadores formaram os Guarda Vermelhos, com o objetivo de tomar o poder dos governos locais e as lideranças das sedes do Partido Comunista, com aprovação do uso da violência. Além disso, essa guarda denunciava aqueles que eram considerados inimigos da revolução ou que tinham opiniões ligadas à ideologia burguesa.

Entre os anos de 1969 e 1971, a Revolução Cultural Chinesa estava na fase Lin Biao. O nome dessa fase faz referência ao vice-presidente do Partido Comunista chinês, que compilou frases ditas por Mao, posteriormente publicadas no Pequeno Livro Vermelho, lançado em 1964, considerado o texto sagrado do maoísmo. Biao foi indicado para suceder Mao Tsé-Tung no governo. O líder chinês pediu, em 1969, que a revolução acabasse, mas o vice-presidente continuou o movimento e, em 1971, Biao foi acusado de arquitetar um golpe contra Mao e fugiu da China. Ele morreu em um acidente de avião.

  • Gangue dos Quatro

A Gangue dos Quatro está associada à fase final da Revolução Cultural Chinesa. Em 1972, a gangue chegou ao poder tendo como membros Jian Quing, esposa de Mao, Zhang Chunqiao, político comunista, e Wang Hongwen, o mais jovem do grupo. A gangue deu continuidade à revolução, perseguindo os críticos do maoísmo. Em 1976, logo após a morte de Mao, a Gangue dos Quatro foi destituída do poder. Seus integrantes foram presos, encerrando a Revolução Cultural Chinesa.

Selo que circulou na China durante a Revolução Cultural Chinesa mostrando Mao Tsé-Tung.
Selo que circulou na China, em 1966, ano de início da Revolução Cultural Chinesa, que deu amplos poderes para Mao Tsé-Tung, à direita.[2]

Consequências da Revolução Cultural Chinesa

Os direitos humanos foram violados na China enquanto a Revolução Cultural Chinesa se instalou. Estima-se que mais de 20 milhões de pessoas foram assassinadas por simpatizantes do maoísmo. Na educação, vários acadêmicos foram presos ou mortos por se oporem à revolução. Artefatos e relíquias históricas foram destruídas.

Em 1978, somente dois anos após a morte de Mao Tsé-Tung, o governo chinês reconheceu os erros cometidos durante a Revolução Cultural Chinesa e iniciou reformas políticas, como o programa “Boluan Fanzheng”, lançado por Deng Xiaoping, novo governante chinês, para corrigir as mazelas geradas pela revolução. Um de seus objetivos era a abertura econômica mediante a intervenção do Estado, permitindo a entrada de capital externo de forma controlada.

Saiba mais: Stalinismo — regime totalitário responsável pela morte de milhões de pessoas

Exercícios resolvidos sobre a Revolução Cultural Chinesa

Questão 1

Leia os itens abaixo e assinale a alternativa que aborda corretamente a Revolução Cultural Chinesa.

a) Foi uma revolução que abriu o mercado chinês para o comércio de produtos dos Estados Unidos.

b) Mao Tsé-Tung liderou a revolução para retomar o poder na China.

c) A educação manteve seu papel crítico ao maoísmo mesmo durante a Revolução Cultural Chinesa.

d) O Partido Comunista chinês foi fechado pelos jovens maoístas para restaurar a democracia.

Resolução:

Alternativa B

Após o fracasso do “Salto para Frente”, Mao Tsé-Tung fez uso da força e da violência para retomar o controle do governo e do Partido Comunista.

Questão 2

Um grupo de líderes comunistas que chegaram ao poder na China em 1969, dando continuidade à Revolução Cultural Chinesa e punindo severamente seus inimigos. Esse grupo era chamado de:

a) Juventude Operária

b) Gangue Leninista

c) Gangue dos Quatro

d) Acadêmicos Chineses Unidos

Resolução:

Alternativa C

A Gangue dos Quatro chegou ao poder em 1969 e só foi derrubada após a morte de Mao, em 1976.

Créditos de imagem

[1] MWPHOTOS55 / Shutterstock.com

[2] Professional photography / Shutterstock.com

Publicado por Carlos César Higa

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