Suserania e vassalagem

A suserania e vassalagem eram parte da relação de vassalagem, uma espécie de acordo político realizado na Europa Ocidental durante a Idade Média. Nessa relação, um dos lados (vassalo) oferecia seus serviços e fidelidade, em troca de terra ou outros benefícios advindos do suserano.

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A relação de vassalagem foi a forma encontrada pelos reis de garantir apoio da nobreza e a forma da nobreza de conquistar terras e benefícios a seu favor. Essa prática foi estabelecida por Pepino, o Breve, no Reino dos Francos, durante a dinastia carolíngia, sendo muito comum no período auge do feudalismo.

Leia também: O que era o feudalismo?

Resumo sobre suserania e vassalagem

  • A suserania e vassalagem eram um tipo de acordo entre reis e nobres que existiu durante a Idade Média.
  • Essa relação unia reis e nobres por meio de uma jura de fidelidade, na qual o nobre oferecia os seus serviços em troca de terras e outros benefícios.
  • O suserano era o lado superior dessa relação e o vassalo era quem jurava lealdade.
  • Esse sistema foi estabelecido por Pepino, o Breve, durante a dinastia carolíngia.
  • A relação de vassalagem era concretizada por meio de uma cerimônia que tinha as seguintes etapas: homenagem, juramento de fidelidade e investidura.

O que é suserania e vassalagem?

Vassalo ajoelhando-se diante de suserano.
Na vassalagem, um nobre jurava fidelidade a um rei em troca de terras e benefícios.

A vassalagem era um acordo político realizado por reis medievais e nobres. Esse acordo político fazia do rei o suserano e dos nobres os vassalos, sendo estabelecida uma relação de aliança e cooperação entre as duas partes. No entendimento medieval sobre a vassalagem, o vassalo era quem prestava serviços ao suserano, que tinha por dever proteger seus vassalos.

Essa relação entre suserano e vassalo se consolidou no território do Império Carolíngio, tornando-se comum em parte da Europa Ocidental entre a Alta Idade Média e a Baixa Idade Média, estando muito associada com o feudalismo, o sistema que regia a sociedade medieval. Foi um sistema encontrado para garantir sustentação ao poder dos monarcas medievais.

Em geral, na suserania e vassalagem, um nobre buscava obter benefícios com algum monarca, oferecendo, em troca, a sua fidelidade. Entretanto, é importante pontuar que um nobre poderia estabelecer uma relação de vassalagem com outro nobre, desde que este fosse econômica, política e hierarquicamente inferior ao nobre suserano.

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Quem eram os suseranos e vassalos?

Na relação de vassalagem, o suserano ocupava uma posição de superioridade, sendo aquele que “contratava” o serviço do vassalo, oferecendo-lhe em troca algo, como terras, dinheiro, cargos importantes, etc. O suserano não necessariamente era apenas um rei, podendo ser um nobre poderoso que estabelecia relações de vassalagem com outros nobres para ter uma rede de apoio.

Sendo assim, o vassalo, por sua vez, era aquele quem prestava serviços ao suserano, estando em uma posição inferior e possuindo uma série de obrigações que deveria cumprir. Em troca, recebia benefícios e proteção de seu suserano.

Mapa mental explica relação de suserania e vassalagem. Créditos: Isa Galvão | Mundo Educação. [imagem_principal]
Créditos: Isa Galvão | Mundo Educação.

Relação de suserania e vassalagem

Os historiadores apontam que a relação de vassalagem foi estabelecida pelo rei franco Pepino, o Breve e parte da dinastia carolíngia. Esse rei governou os francos no século VIII, estabelecendo a vassalagem como uma forma de hierarquizar a sociedade franca, estabelecendo maior controle sobre os nobres.

Essa relação foi mantida pelo sucessor de Pepino, o Breve, o famoso rei Carlos Magno. A vassalagem foi importante porque contribuiu para consolidar e fortalecer o poder dos reis, extremamente dependentes dos exércitos mantidos pela nobreza. Além disso, era uma forma de controlá-los por meio de uma relação de fidelidade.

Esse sistema, no entanto, também acelerou o fim da dinastia carolíngia porque enfraquecia os reis, que precisavam oferecer terras e benefícios em demasia para a nobreza, sendo forçados a se lançar em novas campanhas para conquistar mais terras e dar continuidade a esse sistema.

A relação de vassalagem se dava por meio de uma cerimônia que era realizada em três partes. A relação de vassalagem unia, então, um suserano e um vassalo, sendo que o vassalo era obrigado a:

  • fornecer auxílio militar para o suserano, quando necessário;
  • auxiliar financeiramente no resgate do suserano, se fosse capturado em uma guerra;
  • auxiliar financeiramente na cerimônia de sagração do primogênito do suserano como cavaleiro e participar do consilium (uma espécie de assembleia), quando fosse necessário.

O suserano, por sua vez, fornecia terras para o vassalo transformá-las em feudo, explorando-as para obter algum proveito econômico delas, podendo também receber dinheiro de seu suserano e cargos importantes. O vassalo poderia estabelecer uma relação semelhante com outros nobres, mas, em geral, um suserano não podia estender seu poder sobre os vassalos de seus vassalos.

Evidentemente, a relação de suserania e vassalagem impunha a obrigação de que nenhuma das duas partes poderia prejudicar o outro membro do acordo, devendo haver cooperação e benefício mútuo.

Leia também: Magna Carta de 1215 — o documento que limitou o poder do rei no mundo medieval

Contrato de fidelidade entre suseranos e vassalos

A relação de vassalagem era realizada em uma cerimônia que envolvia as duas partes, não podendo ser realizada por procuração. O contrato feudo-vassálico era marcado pela homenagem, juramento de fidelidade e investidura. Vejamos o que representava cada uma dessas partes da cerimônia:

  • Homenagem: momento da cerimônia em que o vassalo colocava suas mãos entre as mãos de seu suserano, fazendo uma declaração em que apresentava sua vontade de ser vassalo de tal senhor.
  • Juramento de fidelidade: o vassalo prestava sua fidelidade ao seu suserano por meio de um juramento que era realizado com uma de suas mãos sobre uma Bíblia ou sobre um relicário.
  • Investidura: oficializava-se a relação de vassalagem com o vassalo recebendo algum objeto que servia como símbolo dos benefícios que ele receberia.

Contexto histórico da suserania e vassalagem

A relação de suserania e vassalagem foi estabelecida no século VIII durante o reinado de Pepino, o Breve. Esse foi um rei franco que pertencia ao Império Carolíngio, o primeiro grande império que se estabeleceu na Europa Ocidental depois do Império Romano. O surgimento dos carolíngios aconteceu com o enfraquecimento dos merovíngios.

Ficaram conhecidos por tentar unificar o continente europeu sob seu comando, expandindo suas fronteiras ao máximo durante o reinado de Carlos Magno. Os carolíngios consolidaram o seu poder com o auxílio da Igreja Católica, entrando em decadência algumas décadas depois da morte de Carlos Magno.

Essa relação de vassalagem também é fortemente associada com o feudalismo, sistema social, político, econômico, ideológico que existiu na Europa durante a Idade Média. Esse sistema alcançou seu auge entre os séculos XI e XIII, mas estava em formação desde a Alta Idade Média.

Exercícios sobre suserania e vassalagem

Questão 01

Segundo os historiadores, a relação de vassalagem foi uma prática estabelecida por reis francos de qual dinastia?

a) Merovíngia.

b) Pepiniana.

c) Carolíngia.

d) Orleans.

e) Capetíngia.

Resposta: Letra C.

Segundo os historiadores, a relação de vassalagem foi um costume introduzido no reino franco pelo rei Pepino, o Breve, pertencente à dinastia carolíngia. Essa prática foi mantida por outro importante rei carolíngio, Carlos Magno.

Questão 02

A relação de vassalagem era um acordo político que estava associado com qual sistema?

a) Federalismo.

b) Feudalismo.

c) Mercantilismo.

d) Escolasticismo.

e) Sofismo.

Resposta: Letra B.

A relação de vassalagem é uma prática fortemente associada ao feudalismo, sistema político, social, econômico e ideológico que regeu a sociedade da Europa Ocidental durante a Idade Média.

Fontes

FRANCO JUNIOR, Hilário. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 2006.

LE GOFF, Jacques. As raízes medievais da Europa. Petrópolis: Vozes, 2011.

LE GOFF, Jacques. A civilização do Ocidente medieval. Petrópolis: Vozes, 2016.

LOBATO, Maria de Nazareth Corrêa Accioli. Relações feudo-vassálicas na Inglaterra do século XII: uma perspectiva literária. Disponível em: https://ppg.revistas.uema.br/index.php/brathair/article/view/904

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

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