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Cortina de ferro

Cortina de ferro foi a expressão usada por Winston Churchill, em 1946, para nomear a cisão da Europa em países capitalistas e socialistas após a Segunda Guerra.
Polícia alfandegária de Berlim Oriental, no contexto da Guerra Fria, parando um carro com uma pesada corrente farpada destinada a furar pneus.
Polícia alfandegária de Berlim Oriental, no contexto da Guerra Fria, parando um carro com uma pesada corrente farpada destinada a furar pneus.

A cortina de ferro foi uma expressão utilizada por Winston Churchill, em 1946, em um discurso que visava a alertar o mundo sobre a divisão que aconteceria, após a Segunda Guerra Mundial, entre países sob a influência dos EUA ou da URSS, no período da Guerra Fria (1947-1991).

Os EUA tomaram medidas para ajudar os países europeus a se recuperarem após a guerra, como emprestando dinheiro e tendo acordos políticos em troca disso. Do mesmo modo, a URSS dominou vários outros países, especialmente os do Leste Europeu. Assim, a Europa foi dividida em Ocidental capitalista e Oriental socialista. Barreiras físicas começaram a aparecer. A mais famosa delas foi o Muro de Berlim, que caiu em 1989.

Dois anos depois, em 1991, com o fim do governo Gorbachev na URSS, acabava também a Guerra Fria e a cortina de ferro.

Leia também: Crise dos Mísseis — o ponto alto da disputa político-ideológica da Guerra Fria

Resumo sobre a cortina de ferro

  • É a expressão pela qual ficaram conhecidas as barreiras ideológicas, políticas, econômicas e, posteriormente, até físicas que dividiram a Europa e o mundo após a Segunda Guerra Mundial e o início da Guerra Fria.
  • O termo foi popularizado após um discurso de Churchill, primeiro-ministro da Inglaterra à época, em 1946.
  • Os países do Leste Europeu ficaram sob o domínio soviético, e os demais, sob o norte-americano, ou seja, firmou-se a divisão entre socialistas e capitalistas.
  • Outras barreiras físicas existiram, mas a mais famosa foi o Muro de Berlim, construído em 1961 e derrubado em 1989, porque a Alemanha também foi dividida após a Segunda Guerra, e, com o país, a capital.
  • A fim da cortina de ferro coincidiu com o fim da Guerra Fria, do governo Gorbachev na URSS e, dois anos antes, do Muro de Berlim.

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O que foi a cortina de ferro?

Cortina de ferro foi uma forma usada para falar sobre da cisão que aconteceu no continente europeu em dois lados: ocidental e oriental. Essa não foi uma divisão apenas geográfica mas também política e econômica no pós-Segunda Guerra Mundial, durante o período que ficou conhecido na história como Guerra Fria e que durou de 1947 a 1991.

  • Videoaula sobre a Guerra Fria

Origem da cortina de ferro

A origem da cortina de ferro data de 1946, quando foi usada pela primeira vez em um discurso do então primeiro-ministro da Inglaterra Winston Churchill. Ele fazia referência à divisão entre capitalismo e socialismo ou, mais explicitamente, ao controle exercido pelos Estados Unidos e pela União Soviética sobre vários países depois do fim da Segunda Guerra Mundial.

Depois do conflito, a URSS passou a uma posição de constante tensionamento com os demais países Aliados (Inglaterra, França e EUA), pois, após vencer as Batalhas de Stalingrado, derrotando os nazistas nos países do Leste Europeu, teve seu poderio aumentado naquela região, dominando-a. Essa dominação levantava preocupações para os países capitalistas.

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Discurso de Churchill

O discurso de Churchill, em 1946, foi o que popularizou a cortina de ferro, porém o termo não é de sua autoria, e sim do escritor russo Vasily Rozanov. Todavia, foi o primeiro-ministro inglês que o propagou ao tentar alertar os demais países sobre o avanço da União Soviética no continente europeu. Posteriormente, esse alerta passou a ser também apoio bélico em confrontos internos de diversas nações que passaram a contar com contribuições econômicas e militares para impedirem o avanço da URSS em seus territórios.

A própria Inglaterra de Churchill interveio na guerra civil da Grécia, que aconteceu entre os anos de 1946 e 1949, ajudando os gregos a expurgarem os comunistas. Assim, o mundo ocidental começava suas primeiras intervenções na política interna de outros países e a cortina de ferro não mais tratava de questões ideológicas mas também físicas, já que barreiras começaram a ser construídas, como na Hungria (a primeira). A mais famosa delas foi o Muro de Berlim.

Outras medidas de intervenção em políticas internas foram tomadas por outros países, como os EUA, que fizeram o Plano Marshall — uma medida de reconstrução dos países aliados após a Segunda Guerra por meio de empréstimos financeiros e assistências técnicas —, o que lhes abriu espaço para terem o domínio capitalista sobre os ajudados, configurando, assim, o que Churchill alertou. Antes disso, os EUA e mais de 40 países tinham assinado os acordos de Bretton Woods, na tentativa de definirem a nova ordem mundial pós-guerra.

Essas assinaturas, na verdade, favoreceram enormemente os norte-americanos, que passaram a emprestar dinheiro para recuperações econômicas, em troca de outros acordos políticos que lhes beneficiassem em variados países, por meio da criação do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Memorial a Winston Churchill em Toronto, no Canadá.
Memorial a Winston Churchill em Toronto, no Canadá.

Países participantes da cortina de ferro

Os países participantes da cortina de ferro foram: Alemanha Oriental, Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Bulgária, Ucrânia, Armênia, os países bálticos (Estônia, Lituânia e Letônia) e o Cazaquistão do lado Leste, ou seja, soviético.

Cortina de ferro e o Muro de Berlim

O Muro de Berlim foi a barreira física mais famosa do período da cortina de ferro, porém outras barreiras também existiram, como mencionado no tópico anterior. A barreira da Hungria, por exemplo, foi construída em 1949 e contava não só com construções de concreto, como o Muro, mas também com valas, cercas de arame farpado, instalações de tiros e minas (muitas vezes automáticas), e alarmes elétricos por vários quilômetros. Os demais países da Europa Oriental seguiram o mesmo modelo.

Essas barreiras dividiam fronteiras entre países, mas, no caso da Alemanha, o próprio país foi repartido e, consequentemente, a capital, Berlim. A República Federal da Alemanha (RFA) correspondia à Alemanha Ocidental e a República Democrática de Alemanha (RDA), à Alemanha Oriental.

Esse caso peculiar alemão deveu-se às consequências da Segunda Guerra Mundial, quando, depois de vencê-la, Inglaterra, EUA, França e URSS (ou seja, os Aliados) fizeram um acordo para dividir o país derrotado. Teoricamente, Berlim estaria do lado Oriental, mas, como capital, entrou também na divisão. Só que isso fez com que os conflitos e, principalmente, os serviços de espionagem, de ambos os lados, aumentassem, afinal, Berlim Ocidental (e capitalista) estava no meio de um território todo tomado por soviéticos (socialistas).

Pesquisas estimam que quase três milhões de pessoas fugiram, ou tentaram fugir, do lado Leste para o Oeste. Famílias foram separadas, e havia falta de profissionais em determinadas áreas, já que muitos tinham ficado do outro lado. Para tentar solucionar esses problemas, principalmente das fugas, a URSS decretou, em 1961, a construção do Muro de Berlim, bem no meio da cidade, e ele só caiu em 1989.

Parte original do Muro de Berlim na parte Oriental da cidade.
Parte original do Muro de Berlim na parte Oriental da cidade.

Queda da cortina de ferro

A cortina de ferro começou a ruir em 1989, quando caiu o Muro de Berlim. Seu fim definitivo foi em 1991, com o fim do governo de Gorbachev na URSS.

Ele foi responsável pela perestroika e pela glasnost, nomes pelos quais ficaram conhecidas as medidas de abertura econômica e política da União Soviética. Com esse processo, as tensões entre capitalistas e socialistas já estavam diminuindo, até que, naquele ano, terminou o regime iniciado em 1917. A URSS voltou a ser Rússia, a Guerra Fria acabou e, junto dela, a cortina de ferro.

Publicado por Mariana de Oliveira Lopes Barbosa

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