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As variadas formas de intertextualização

A intertextualização acontece com muita frequência, como por exemplo quando nos baseamos em algo que já foi dito. A paródia e a paráfrase são exemplos de intertextualização.

Ao falarmos ou escrevermos sobre um determinado assunto, estamos sempre intertextualizando-o a um contexto de uma forma geral, seja no âmbito político, histórico ou social.

A título de exemplificação temos os programas humorísticos exibidos pela mídia, nos quais há uma forma de intertextualização, geralmente baseada na crítica, às questões polêmicas advindas do cotidiano social.

Até mesmo quando pronunciamos os famosos “chavões”, que de uma maneira ágil e natural se incorporam ao nosso vocabulário, estamos fazendo alusão a algo já dito por alguém.
Sendo assim, conheceremos um pouco mais sobre duas formas de intertextualização, entre elas - a Paródia e a Paráfrase.

A Paráfrase deriva-se do grego para-phrais (repetição de uma sentença), que significa imitar o original, ou seja, recriá-lo por meio de outras palavras, porém mantendo intacta a essência discursiva em si.

Vejamos a seguir uma paráfrase da famosa “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias:

Meu país tinha palmeiras,
Lá cantava o Sabiá;
Que hoje quase não canta
Porque poucos deles há.

Nosso céu, tem sim, estrelas,
Mas, nas várzeas não há flores,
Nossos bosques têm queimadas,
Há mais ódio e desamores.

Ao deitar, todas as noites,
A lembrar ponho-me cá;
Daquelas lindas palmeiras,
Do canto do Sabiá.

Meu país tinha primores,
Mas já não os vejo cá.
Ao lembrar –sozinho, à noite-
Quanta tristeza me dá!
Onde estão minhas palmeiras,
Onde anda o Sabiá?

Permita-me, Deus que eu morra,
Sem que tenha de ver cá;
Mais depredação das matas
E a extinção do Sabiá,
Destas matas brasileiras
Qu’igual no mundo não há.


A Paródia também é uma recriação, porém de caráter contestador, podemos dizer que se trata de um desvio em relação ao discurso, normalmente constituído sob um tom jocoso, irônico e crítico, realmente para denunciar algum tipo de insatisfação.

Observemos alguns exemplos:

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos aqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra (...)
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para são Paulo
Sem que eu veja a rua 15
E o progresso de São Paulo
Oswald de Andrade


Minha terra não tem palmeiras...
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.
Mário Quintana

Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam
um outro canto. (...)
Onde tudo é belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe.)
Carlos Drummond de Andrade


Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza. (...)
Eu morro sufocado em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas são mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!
Murilo Mendes

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Publicado por: Vânia Maria do Nascimento Duarte
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Lista de Exercícios

Questão 1

Sobre o conceito de intertextualidade, podemos afirmar:

I. Introdução de novos elementos no texto. Pode-se também retomar esses elementos para introduzir novos referentes;

II. Operação responsável pela manutenção do foco nos objetos de discurso previamente introduzidos;

III. Elemento constituinte do processo de escrita e leitura. Trata-se das relações dialógicas estabelecidas entre dois ou mais textos;

IV. Pode ocorrer de maneira implícita ou explícita;

V. Responsável pela continuidade de um tema e pelo estabelecimento das relações semânticas presentes em um texto.

Estão corretas as proposições:

a) Todas estão corretas.

b) Apenas I, II e V estão corretas.

c) Apenas III e IV estão corretas.

d) III, IV e V estão corretas.

e) I e II estão corretas.

Questão 2

(Enem – 2003)

Operários, 1933, óleo sobre tela, 150x205 cm, (P122), Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo
Operários, 1933, óleo sobre tela, 150x205 cm, (P122), Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo

Desiguais na fisionomia, na cor e na raça, o que lhes assegura identidade peculiar, são iguais enquanto frente de trabalho. Num dos cantos, as chaminés das indústrias se alçam verticalmente. No mais, em todo o quadro, rostos colados, um ao lado do outro, em pirâmide que tende a se prolongar infinitamente, como mercadoria que se acumula, pelo quadro afora.

(Nádia Gotlib. Tarsila do Amaral, a modernista.)

O texto aponta no quadro de Tarsila do Amaral um tema que também se encontra nos versos transcritos em:

a) “Pensem nas meninas/ Cegas inexatas/ Pensem nas mulheres/ Rotas alteradas.” (Vinícius de Moraes)

b) “Somos muitos severinos/ iguais em tudo e na sina:/ a de abrandar estas pedras/ suando-se muito em cima.” (João Cabral de Melo Neto)

c) “O funcionário público não cabe no poema/ com seu salário de fome/ sua vida fechada em arquivos.” (Ferreira Gullar)

d) “Não sou nada./ Nunca serei nada./ Não posso querer ser nada./À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.” (Fernando Pessoa)

e) “Os inocentes do Leblon/ Não viram o navio entrar (...)/ Os inocentes, definitivamente inocentes/ tudo ignoravam,/ mas a areia é quente, e há um óleo suave que eles passam pelas costas, e aquecem.” (Carlos Drummond de Andrade)

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