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Modernismo – Momento histórico da primeira fase

Após a primeira Semana da Arte Moderna, teve início a primeira fase modernista, que começou em 1922 e foi até 1930.
O Brasil vivia os últimos anos da República Velha e a economia mundial entrou em crise por causa da queda da Bolsa de Valores de Nova Iorque. Além disso, o Brasil passou por diversas revoltas sociais que culminou na Revolução de 1930 e na ascensão de Getúlio Vargas.

Nos anos compreendidos da primeira fase modernista, os imigrantes vinham ao Brasil para substituir a mão-de-obra dos ex-escravos e também para ocupar os postos de trabalho nas indústrias, que davam lugar às importações ocorridas a partir da Primeira Guerra Mundial. Contudo, os produtos importados continuavam vindo pelo porto de Santos e eram consumidos, em geral, pela população de São Paulo com maior poder aquisitivo, como os funcionários públicos.

As oligarquias rurais brasileiras dividiam as bases de poder de acordo com o estado ou região: Minas Gerais ocupava a maioria das cadeiras na Câmara dos Deputados e, portanto, decidia quanto à aprovação de projetos; o Sul possuía a força militar do país; já no Nordeste estava concentrada a produção cafeeira, enquanto São Paulo era o pólo de desenvolvimento industrial. Os latifundiários eram praticamente senhores feudais que tinham até mesmo jagunços, pistoleiros que trabalhavam para que nenhuma determinação dos “coronéis” fosse descumprida.

A Primeira Guerra Mundial trouxe instabilidade na economia mundial e somado a isso, o Brasil estava em um clima de revoltas e mobilizações radicais, inclusive foi criado o Partido Comunista Brasileiro que, como o próprio nome já diz, adotou uma filosofia partidária contrária a que se firmava: a do capitalismo. Foi quando no Rio de Janeiro aconteceu a Revolta do Forte de Copacabana, em 1922, e em São Paulo a Revolta de 1924, com o objetivo de destituir Artur Bernardes da Presidência, cujo governo foi marcado por censura à imprensa. Alguns meses depois, no Rio Grande do Sul, o capitão Luís Carlos Prestes liderou gaúchos que enfrentaram alguns combates em prol dos ideais comunistas, logo após se juntaram a tenentes paulistas, e assim a chamada Coluna Prestes foi formada.

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O objetivo da Coluna Prestes era ir contra as oligarquias. Em 1929, a Bolsa de Valores de Nova Iorque causou falência a milhares de burgueses no mundo todo, inclusive no Brasil. A burguesia brasileira encontrava-se envolta nas tradições culturais francesas, na “Belle Époque”, todo produto francês era bom e refinado.

Em meio às contradições sociais e políticas, um grupo de artistas, em São Paulo, promoveu um evento que foi um marco na literatura brasileira, bem como o começo da primeira fase do Modernismo: a Semana da Arte Moderna, que contradizia, através das obras artísticas expostas, o refinamento e padronização do então academicismo europeu literário.

Luís Carlos Prestes – revolucionário comunista
Luís Carlos Prestes – revolucionário comunista
Publicado por: Sabrina Vilarinho
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Lista de Exercícios

Questão 1

(IFBA - 2017) Leia o texto abaixo e analise as alternativas a seguir acerca do Modernismo, assinalando (V) para o que for VERDADEIRO e (F) para o que for FALSO.

“O que a crítica chama de Modernismo está condicionado por um acontecimento, isto é, por algo datado, público e clamoroso, que se impôs à atenção da nossa inteligência como um divisor de águas: A Semana de Arte Moderna, realizada em fevereiro de 1922, na cidade de São Paulo. Como os promotores da Semana traziam, de fato, ideias estéticas originais em relação às nossas últimas correntes literárias, já em agonia, o Parnasianismo e o Simbolismo, pareceu aos historiadores da cultura brasileira que modernista fosse adjetivo bastante para definir o estilo dos novos, e Modernismo tudo o que se viesse a escrever sob o signo de 22. Os termos, contudo, são tão polivalentes que acabam não dizendo muito, a não ser que determinem, por trás da sua vaguidade:

a) as situações socioculturais que marcaram a vida brasileira desde o começo do século;

b) as correntes de vanguarda europeias que, já antes da I Guerra, tinham radicalizado e transfigurado a herança do Realismo e do Decadentismo.

Pela análise das primeiras entende-se o porquê de ter sido São Paulo o núcleo irradiador do Modernismo; as instâncias ora nacionalistas, ora cosmopolitas do movimento; as duas faces ideologicamente conflitantes. Graças ao conhecimento das vanguardas europeias, podemos situar com mais clareza as opções estéticas da Semana e a evolução dos escritores que dela participaram”.

Fonte: BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 49. ed, São Paulo, Cultrix, 2013. p. 323.

(  ) O Modernismo foi lançado por um grupo de intelectuais da burguesia culta, paulista e mineira, que gozavam de condições especiais, como viagens à Europa, acesso a concertos e exposições de arte.

(  ) Trazendo elementos plásticos pós-impressionistas (cubistas e expressionistas), a exposição de Anita Malfatti, em dezembro de 1917, foi extremamente elogiada no artigo “Paranoia ou Mistificação?”, de Monteiro Lobato.

(  ) Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Menotti del Picchia, Plínio Salgado, Sérgio Milliet e Paulo Prado são autores do Modernismo.

(  ) A Semana de Arte Moderna (1922) foi, simultaneamente, o ponto de encontro de várias tendências que desde a Primeira Guerra Mundial vinham se firmando em São Paulo e no Rio de Janeiro, e a plataforma que permitiu a consolidação de grupos, a publicação de livros, revistas e manifestos, o que a tornou uma viva realidade cultural.

(  ) Futurismo, dadaísmo, surrealismo, cubismo e expressionismo são exemplos das vanguardas europeias que influenciaram o Modernismo.

(  ) O termo “modernista” veio a caracterizar um código novo, diferente do Parnasianismo e do Simbolismo; já o termo “Moderno” inclui fatores relativos à mensagem, como motivos e temas. Assim, nem tudo que antecipa traços modernos será modernista; e nem tudo que foi modernista parecerá, hoje, moderno.

a) V, F, V, V, F, V.

b) F, F, V, V, V, V.

c) V, F, F, V, V, V.

d) F, V, F, F, F, F.

e) V, V, V, F, V, F.

Questão 2

Sabe-se que a semana de arte moderna foi o divisor de águas em nossa cultura. Sobre o momento histórico da primeira fase desse período literário, é correto afirmar:

a) (  ) A Revolução de 1930, a vinda de imigrantes para a substituição da mão de obra escrava no Brasil e a criação do Partido Comunista Brasileiro foram alguns fatos históricos que marcaram o primeiro período modernista no país.

b) (  ) A publicação da obra Memórias Póstomas de Brás Cubas durante a Semana de Arte Moderna foi um marco do primeiro período modernista.

c) (  ) Nesse primeiro período modernista, certas mudanças proporcionaram o surgimento de novas ideias, sendo duas destas: o Centenário da Indepêndencia e a Guerra mundial (1914-1918).

d) (  ) Essa primeira fase é marcada também pelo Golpe Militar em 1964.

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