Primeira geração do Romantismo

A primeira geração do romantismo brasileiro foi um período literário que esteve em evidência de 1836 a 1853 e que ficou marcado pelo nacionalismo, pois enalteceu a nação brasileira. A poesia dessa geração apresenta caráter indianista e trata o amor a partir de uma perspectiva idealizada. As obras dos autores da primeira geração valorizam o sentimentalismo e a religiosidade. O principal poeta dessa geração é o maranhense Gonçalves Dias.

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Resumo sobre a primeira geração do romantismo brasileiro

  • A primeira geração do romantismo brasileiro é nacionalista e indianista.
  • Essa geração apresenta visão idealizada da nação, do amor e da mulher.
  • Os autores nacionalistas também valorizam elementos históricos e religiosos.
  • O poeta maranhense Gonçalves Dias é o principal representante da primeira geração romântica.
  • Suas duas principais obras são os livros Primeiros cantos e Os timbiras.

Características da primeira geração do Romantismo

  • Indianismo.
  • Nacionalismo.
  • Idealização da mulher.
  • Idealização do amor.
  • Valorização da natureza.
  • Religiosidade.
  • Sentimentalismo.
  • Caráter histórico.
  • Aspecto épico.

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Contexto histórico da primeira geração do Romantismo

A primeira geração do romantismo brasileiro esteve em evidência nos anos de 1836 a 1853, ou seja, durante o fim do Período Regencial (1831-1840) e parte do Segundo Reinado (1840-1889). Portanto, logo após a proclamação da Independência do Brasil em 1822.

Nesse contexto, houve, por parte do Estado, um estímulo a sentimentos nacionalistas, o empenho na manutenção da unidade nacional e um projeto de construção da identidade brasileira. Assim, a poesia romântica da primeira geração serviu como um dos instrumentos de construção e fortalecimento da identidade nacional.

Autores da primeira geração do romantismo

  • Gonçalves de Magalhães (1811-1882): Domingos José Gonçalves de Magalhães ou visconde de Araguaia nasceu em 13 de agosto de 1811, no Rio de Janeiro. Mais tarde, formou-se em Medicina, morou na Europa, foi professor, secretário de governo, deputado e teve uma bem-sucedida carreira diplomática. O autor, que faleceu em 10 de julho de 1882, na Itália, foi o introdutor do romantismo no Brasil com seu livro de poesias Suspiros poéticos e saudades, em 1836.
Gonçalves de Magalhães, um dos autores da primeira geração do romantismo.
Gonçalves de Magalhães, um dos autores da primeira geração do romantismo.
  • Gonçalves Dias (1823-1864): nasceu em 10 de agosto de 1823, no estado do Maranhão, e morreu, vítima de um naufrágio, em 3 de novembro de 1864. Filho de um português e de uma brasileira descendente de índios e negros, o poeta estudou em Portugal, onde compôs o seu famoso poema Canção do exílio, em 1843. Suas obras trazem uma perspectiva indianista e nacionalista, em que o índio idealizado e a floresta são símbolos máximos da nacionalidade brasileira. Além de poemas nativistas, ele escreveu poesia de cunho amoroso, em que se percebe a idealização da figura feminina tão característica do romantismo.
Poeta maranhense Gonçalves Dias, o principal nome da primeira geração romântica. [imagem_principal]
Poeta maranhense Gonçalves Dias, o principal nome da primeira geração romântica.

Obras da primeira geração do Romantismo

Suspiros poéticos e saudades (1836) é a obra inaugural do romantismo brasileiro é este livro de Gonçalves de Magalhães: .

Já Gonçalves Dias publicou estes livros de poemas:

  • Primeiros cantos (1846);
  • Segundos cantos (1848);
  • Sextilhas de frei Antão (1848);
  • Últimos cantos (1851);
  • Os timbiras (1857).

Poemas da primeira geração do Romantismo

No poema “Adeus à pátria”, do livro Suspiros poéticos e saudades, o eu lírico se despede de sua pátria, ou seja, o Brasil. Assim, deixa em evidência o saudosismo, além dos aspectos positivos de seu país:

Adeus, oh Pátria amada,
Terra saudosa, onde eu abri meus olhos
Pela vez prima ao sol americano;
Onde nos braços maternais suspenso,
O teu amor co’a vida
No albor dos anos meus fruí gostoso.

Oh margens do Janeiro,
Eu me ausento de vós com mágoa e pranto!
Adeus, brilhante céu da terra minha!
Adeus, oh serras que vinguei difícil!
Adeus, sombrias várzeas,
Que vezes passeei meditabundo.

[...]

Sim, eu te deixo, oh Pátria;
E deixo-te lutando co’as procelas,
Que no teu horizonte se abalroam.
Ah! quanta dor o coração me punge,
Por ver alguns teus filhos,
Baldos de pundonor, como te olvidam.

Teus filhos... Ah! cubramos,
Se algum há, com desprezo o seu opróbrio.
Feras serpentes qu’entre mansas aves
Se aqueceram nos ovos, e mal nascem
Dilaceram os filhos,
E as próprias aves que lhes deram vida.

Malévolos sicários,
Raça espúria, sem Pátria, ermos de brio,
Já traidores alfanges afiando,
O ensejo só aguardam favorável
De ensopá-los no sangue
Daqueles a quem bens, e honra devem.

[...]

A ti me voto inteiro,
Tu és o meu amor, minha alma é tua.
Só para te ofertar flores cultivo
Nos mágicos jardins da Poesia;
Se te apraz seu aroma,
Ah! como fico de prazer ufano!

Ah! praza a Deus que a nuvem,
Que obumbra ora teu céu, tão belo sempre,
A cólera do Eterno não desabe
Sobre as tristes cabeças de teus filhos!
Ah! praza a Deus que nunca
Teu Anjo tutelar fuja a teus lares!

Oh Senhor, tu proteges
O povo que se vota à Liberdade;
A Liberdade é dom que nem tu mesmo
Aos homens tiras; como um mortal ousa,
Erguido pó da terra,
Eclipsar os teus dons, manchar teu nome?

Cara Pátria, sem susto
Tua fronte levanta majestosa,
Como tuas montanhas, e teus bosques!
Não sejas só no mundo conhecida
Por teus ricos tesouros,
Pelos prodígios da sem-par Natura.

[...]

Como serei ditoso
Se dado ainda me for correr teus campos,
Beijar de anosos pais as mãos rugosas,
Abraçar os amigos, e arroubado
Nesse celeste instante
Novos, oh Pátria, cânticos tecer-te.

O poema “Canção do exílio” foi publicado no livro Primeiros cantos. Tal poema apresenta caráter nacionalista, idealiza o Brasil e possui aspecto saudosista. A seguir, o poema mais famoso de Gonçalves Dias:

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas tem mais flores,
Nossos bosques tem mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Por fim, um trecho do famoso poema indianista “O canto do guerreiro”, também do livro Primeiros cantos. Nesse poema, o indígena possui características heroicas, como a coragem, de forma a simbolizar o povo brasileiro:

Aqui na floresta
Dos ventos batida,
Façanhas de bravos
Não geram escravos,
Que estimem a vida
Sem guerra e lidar.
— Ouvi-me, Guerreiros.
— Ouvi meu cantar.

[...]

Quem tantos imigos
Em guerras preou?
Quem canta seus feitos
Com mais energia?
Quem golpes daria
Fatais, como eu dou?
— Guerreiros, ouvi-me.
— Quem há, como eu sou?

[...]

E o Piaga se ruge
No seu Maracá,
A morte lá paira
Nos ares frechados,
Os campos juncados
De mortos são já:
Mil homens viveram,
Mil homens são lá.
[...]

Leia também: O que marcou a segunda geração do romantismo brasileiro?

Exercícios sobre primeira geração do Romantismo

Questão 1 (Enem)

Leito de folhas verdes

Brilha a lua no céu, brilham estrelas,
Correm perfumes no correr da brisa,
A cujo influxo mágico respira-se
Um quebranto de amor, melhor que a vida!

A flor que desabrocha ao romper d’alva
Um só giro do sol, não mais, vegeta:
Eu sou aquela flor que espero ainda
Doce raio do sol que me dê vida.

DIAS, G. Antologia poética. Rio de Janeiro: Agir, 1979 (fragmento).

Na perspectiva do romantismo, a representação feminina espelha concepções expressas no poema pela

A) reprodução de estereótipos sociais e de gênero.

B) presença de traços marcadores de nacionalidade.

C) sublimação do desejo por meio da espiritualização.

D) correlação feita entre estados emocionais e natureza.

E) mudança de paradigmas relacionados à sensibilidade.

Resolução:

Alternativa D.

No poema, a mulher é comparada a uma flor em meio à natureza. No entanto, tal flor sente a necessidade do raio do sol (possivelmente, o amor) para se sentir viva. Portanto, há uma correlação entre o estado emocional da mulher e a natureza.

Questão 2 (UFLA)

I-JUCA-PIRAMA
Gonçalves Dias (1823-1864)

“Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
Nas selvas cresci;
Guerreiros, descendo
Da tribo tupi.

Da tribo pujante,
Que agora anda errante
Por fado inconstante,
Guerreiros, nasci:
Sou bravo, sou forte,
Sou filho do Norte;
Meu canto de morte,
Guerreiros, ouvi,”

[...]

— “Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o cobarde do forte;
Pois choraste, meu filho não és!
Possas tu, descendente maldito
De uma tribo de nobres guerreiros,
Implorando cruéis forasteiros,
Seres presa de vis Aimorés.”

DIAS, Gonçalves. Literatura comentada, Abril Educação, 1982, p. 47-53.

O título do poema I-Juca-Pirama, traduzido da língua tupi, equivale em português a: “O que há de ser morto, e que é digno de ser morto”. Esse poema, composto de dez partes, narra o drama vivido por um índio tupi que é feito prisioneiro pelos timbiras. As duas primeiras estrofes do texto pertencem à IV parte e a 3a estrofe, à VIII parte.

Para o guerreiro da “tribo tupi”, o medo é sinônimo de

A) decadência.

B) desânimo.

C) maldição.

D) covardia.

E) inconstância.

Resolução:

Alternativa D.

No poema, “medo” é sinônimo de “covardia”, como fica explícito no seguinte trecho: “Tu choraste em presença da morte?/ [...]/ Não descende o cobarde do forte;/ Pois choraste, meu filho não és!”.

Fontes

ABAURRE, Maria Luiza M.; PONTARA, Marcela. Literatura: tempos, leitores e leituras. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2021.

FERNANDES, Cláudio. O “povo brasileiro” no Segundo Reinado. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/o-povo-brasileiro-no-segundo-reinado.htm.

GONÇALVES DE MAGALHÃES. Suspiros poéticos e saudades. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bn000076.pdf.

GONÇALVES DIAS. Primeiros cantos. In: GONÇALVES DIAS. Poesia. São Paulo: Agir, 1969.

Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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