Hipérbole (gramática)

A hipérbole é uma figura de linguagem, mais precisamente uma figura de pensamento, que produz o efeito de exagero de uma ideia para enfatizá-la ou para torná-la mais expressiva. Esse exagero não é entendido de forma literal, mas como recurso de sentido.

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Leia também: Eufemismo — figura de linguagem caracterizada por suavizar a informação de um enunciado

Resumo sobre hipérbole

  • A hipérbole é uma figura de linguagem e, mais especificamente, uma figura de pensamento.
  • Ela produz um exagero intencional, ampliando e intensificando o sentido de uma ideia.
  • É comum na linguagem literária e publicitária por seu efeito expressivo.
  • Pode expressar humor, emoção, crítica ou ênfase.
  • Difere-se da metáfora, que se baseia em uma comparação implícita.
Imagem explicando o que é hipérbole e mostrando exemplos. [imagem_principal]
A hipérbole caracteriza-se pela ênfase de uma ideia produzida a partir do exagero proposital na frase. (Créditos: Isa Galvão | Mundo Educação)

O que é hipérbole?

Hipérbole é uma figura de linguagem caracterizada pelo exagero intencional de uma ideia. Ela ocorre quando o falante deseja ampliar a dimensão de um fato, de uma sensação, de uma qualidade ou de uma ação para produzir mais impacto. Observe:

“Nossa, você me matou de susto com essa notícia!”

Aqui, para exagerar a sensação de susto tomado pelo falante, usa-se o verbo “matar”, que não pode ser entendido de forma literal, já que a pessoa continua viva.

Por ser uma figura de linguagem que cria efeitos no sentido de palavras e de expressões, a hipérbole é mais especificamente classificada como figura de pensamento.

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Exemplos de hipérbole

A seguir, veja alguns exemplos de hipérbole em diferentes contextos:

“Eu esperei a minha vida toda pela sua resposta…”

A expressão “esperar a vida toda” associada à espera pela resposta não é entendida de forma literal, mas como um exagero para reforçar o tempo de espera.

Estou doido para te contar essa fofoca!”

A expressão “estar doido para” é um exagero intencional para expressar uma vontade muito forte de fazer alguma coisa, como contar uma fofoca.

“Precisava gritar desse jeito? Você estourou meus tímpanos!”

A expressão “estourar os tímpanos” remete à surdez causada por um barulho extremamente alto. Nesse caso, embora o volume do grito tenha causado incômodo, a pessoa não ficou literalmente surda por conta dele.

“Sinta o peso da minha mochila! Eu carrego essa tonelada nas costas todos os dias para a escola...”

A palavra “tonelada” para se referir ao peso da mochila não pode ser entendida literalmente, sendo uma hipérbole para exagerar o fato de que a mochila é muito pesada.

Usos da hipérbole

A hipérbole aparece frequentemente na linguagem cotidiana e, principalmente, em textos literários, publicitários e humorísticos, devido ao efeito que ela gera, com o objetivo de reforçar uma ideia e de tornar a expressão mais marcante.

→ Uso da hipérbole no texto literário

Veja este trecho de Dom Casmurro, por exemplo:

“Se eu pudesse contar as lágrimas que chorei na véspera e na manhã, somaria mais do que todas as vertidas desde Adão e Eva.

Nesse caso, o narrador afirma que as lágrimas que chorou somariam mais do que todas as lágrimas vertidas desde Adão e Eva, que são personagens presentes em uma das versões de histórias sobre a criação da humanidade. Assim, o narrador propõe que verteu mais lágrimas do que toda a humanidade desde o seu início, um claro exagero para indicar ter chorado muito naquela vez.

→ Uso da hipérbole no texto publicitário

Observe este cartaz fictício de uma propaganda de energético:

Cartaz fictício de energético, um exemplo de hipérbole no texto publicitário.

Nesse caso, a hipérbole é feita de forma verbal e não verbal.

É verbal pelo texto “energia infinita”, “explosão de energia”, “força sobre-humana”, para convencer o público de que a marca fictícia de energético traz muita energia.

Também é não verbal pela imagem, com raios e com uma onda gigante para passar a sensação exagerada de força e de potência trazidos pela marca fictícia de energético.

Hipérbole e metáfora

Ambas são figuras de linguagem, mas com diferentes efeitos.

  • Hipérbole: baseia-se no exagero.

“Quando meu cachorrinho morreu, eu chorei tanto, que formei um mar de lágrimas...

A expressão “mar de lágrimas” é um exagero da quantidade de lágrimas para indicar que a pessoa chorou muito, intensificando seu sofrimento.

  • Metáfora: baseia-se na comparação implícita entre conceitos diferentes.

“Eu nunca lhe prometi um mar de rosas!”

A expressão “mar de rosas” é uma metáfora que aproxima dois conceitos (“mar” e “rosas”) para passar a ideia de vida tranquila, confortável ou sem dificuldades.

Acesse também: Metáfora — mais detalhes sobre essa figura de linguagem

Exercícios resolvidos sobre hipérbole

Questão 1

(UFJF – Adaptada)

“Retrato próprio”, de Manuel Maria du Bocage.

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste de face, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno:

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades:

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.

BOCAGE, Manuel Maria Barbosa du. Poemas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015. p. 130.

O texto faz uso de hipérbole no seguinte verso:

A) “Saíram dele mesmo estas verdades”

B) “Triste de face, o mesmo de figura”

C) “Bem servido de pés, meão na altura”

D) “Bebendo em níveas mãos por taça escura”

E) “(Digo, de moças mil) num só momento”

Resolução:

Alternativa E.

Ao numerar as “moças mil”, há um exagero proposital, configurando uma hipérbole.

Questão 2

(UERJ – Adaptada)

Já dois anos se passaram longe da pátria. Dois anos! Diria dois séculos. E durante este tempo tenho contado os dias e as horas pelas bagas do pranto que tenho chorado. Tenha embora Lisboa os seus mil e um atrativos, ó eu quero a minha terra; quero respirar o ar natal (...). Nada há que valha a terra natal. Tirai o índio do seu ninho e apresentai-o d’improviso em Paris: será por um momento fascinado diante dessas ruas, desses templos, desses mármores; mas depois falam-lhe ao coração as lembranças da pátria, e trocará de bom grado ruas, praças, templos, mármores, pelos campos de sua terra, pela sua choupana na encosta do monte, pelos murmúrios das florestas, pelo correr dos seus  rios. Arrancai a planta dos climas tropicais e plantai-a na Europa: ela tentará reverdecer, mas cedo pende e murcha, porque lhe falta o ar natal, o ar que lhe dá vida e vigor. Como o índio, prefiro a Portugal e ao mundo inteiro, o meu Brasil, rico, majestoso, poético, sublime. Como a planta dos trópicos, os climas da Europa enfezam-me a existência, que sinto fugir no meio dos tormentos da saudade.

(Abreu, Casimiro de. Obras de Casimiro de Abreu. Rio de Janeiro: MEC, 1955.)

A "hipérbole" é uma figura de linguagem empregada quando há intenção de engrandecer ou diminuir exageradamente a verdade das coisas, dos fatos.  A alternativa em que se usa a hipérbole como conotação do sofrimento do narrador do texto, pela duração de sua permanência fora do Brasil, é:

A) “Já dois anos se passaram longe da pátria.”

B) “Já dois anos se passaram longe da pátria. Dois anos!”

C) “Diria dois séculos.”

D) “E durante este tempo tenho contado os dias e as horas...”

Resolução:

Alternativa C.

Ao dizer que se passaram dois séculos longe da pátria, o eu lírico está exagerando o período de tempo, devido às saudades, e não falando literalmente. Esse exagero é característico da hipérbole.

Fontes

AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Parábola, 2021.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

FIORIN, José Luiz. Figuras de retórica. São Paulo: Contexto, 2019.

Escritor do artigo
Escrito por: Guilherme Viana Bacharel e licenciado em Letras e em Educomunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Trabalha com produção de conteúdo didático nas áreas de língua portuguesa, literatura e redação.

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