Guerra da Coreia

O término da Segunda Guerra Mundial abriu portas para que as práticas de natureza neocolonial perdessem seu vigor. Entre as zonas de exploração imperialista perdidas pelo Japão, a Coreia passou a ser controlada pelo poderio militar e econômico dos norte-americanos e soviéticos. Na medida em que se desenvolvia a Guerra Fria, a presença destas duas nações em território coreano instalou a divisão política desse território.

Na porção setentrional, formou-se a República Democrática da Coreia do Norte, de orientação socialista e influenciada pelos ditames do regime socialista soviético. Na região sul, a orientação capitalista prevaleceu com a formação da República da Coreia do Sul. Divididos por uma linha situada no Paralelo 38º, esses dois países logo entraram em conflito, objetivando restabelecer a hegemonia dos territórios sob o comando de um único governo.

A primeira ação nesse sentido foi tomada pelos norte-coreanos, que inspirados pela vitória da revolução comunista de Mao Tsé-tung, resolveram tentar experiência semelhante em território coreano. Logo depois da primeira ofensiva militar que deu início ao conflito, as principais nações do mundo se reuniram em torno da Organização das Nações Unidas para discutir essa questão. O bloco capitalista, aproveitando a ausência soviética, não reconheceu a legitimidade deste conflito.

Os Estados Unidos, maiores interessados em dar fim ao conflito, enviaram um conjunto de tropas lideradas pelo general MacArthur. O propósito inicial da ofensiva norte-americana era expulsar os norte-coreanos e, logo em seguida, conquistar o restante da Coreia passando pelas fronteiras do território chinês. Inconformados com as pretensões norte-americanas, os chineses resolveram participar do conflito quando, em novembro de 1950, enviou tropas de apoio aos norte-coreanos.

A entrada dos chineses na guerra fez com que os esforços militares norte-americanos fossem intensificados. Ao longo de mais dois anos, o conflito chegou a um equilíbrio de forças que colocava em risco o interesse de ambos os lados. Dessa forma, os Estados Unidos resolveram possibilitar negociações diplomáticas que pudessem dar fim à Guerra da Coreia. Em 1953, a assinatura do Armistício de Pan-munjom encerrou os conflitos e restaurou a linha divisória no Paralelo 38º.

Entretanto, o fim da guerra não significou o fim das tensões entre a Coreia do Norte e o bloco capitalista. Ao longo do século XX, os norte-coreanos aproveitaram das discordâncias entre União Soviética e China para estabelecer um projeto de maior autonomia política. Com a queda do bloco socialista a Coreia do Norte enfrentou graves dificuldades econômicas. Entretanto, desenvolveu políticas eficientes nas áreas de educação e saúde.

Nas últimas décadas, a Coreia do Norte desenvolveu um projeto de tecnologia nuclear com fins militares. Esta atitude preocupa as nações capitalistas e órgãos internacionais, que insistem em obter maiores informações sobre os objetivos da ação norte-coreana. Indiferentes às pressões exercidas, as autoridades daquele país reivindicam os princípios de soberania nacional para negar os pedidos vindos, principalmente, dos EUA. Com isso, há pouco tempo, o presidente George W. Bush resolveu incluir a Coreia do Norte entre os países que integram o chamado “Eixo do Mal”.

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Por Rainer Sousa
Mestre em História

Guerra da Coreia: duas bandeiras separando diferentes ideologias.
Guerra da Coreia: duas bandeiras separando diferentes ideologias.
Publicado por: Rainer Gonçalves Sousa
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