Linguagem não literária

A linguagem não literária apresenta especifidades que a diferem da linguagem literária, entre elas o emprego de uma linguagem convencional e denotativa.

Você sabia que os diversos textos podem ser classificados de acordo com a linguagem utilizada? A linguagem de um texto está condicionada à sua funcionalidade: se a intenção é informar, a escolha vocabular deve estar de acordo com essa finalidade; se a intenção é artística, outros recursos linguísticos mais apropriados devem ser utilizados.

Quando pensamos nos diversos tipos e gêneros textuais, devemos pensar também na linguagem adequada a ser adotada em cada um deles. Por isso existem a linguagem literária e a linguagem não literária. Essa última será nosso objeto de análise, e o Mundo Educação traz para você todas as especificidades que marcam a construção do discurso não literário.

Diferentemente do que acontece com os textos literários, nos quais há uma preocupação com o objeto linguístico e também com o estilo, os textos não literários apresentam características bem delimitadas para que possam cumprir sua principal missão, que é, na maioria das vezes, a de informar. Quando pensamos em informação, alguns elementos devem ser elencados, como a objetividade, a transparência e o compromisso com uma linguagem não literária, afastando assim possíveis equívocos na interpretação de um texto. Para ilustrar melhor as diferenças entre linguagem literária e não literária, observe dois textos cuja temática, embora comum a ambos, é abordada em diferentes perspectivas e com escolhas vocabulares bem distintas:

Texto 1 (exemplo de linguagem não literária):

Piratininga virou São Paulo: o colégio é hoje uma metrópole

Os padres jesuítas José de Anchieta e Manoel da Nóbrega subiram a Serra do Mar, nos idos de 1553, a fim de buscar um local seguro para se instalar e catequizar os índios. Ao atingir o planalto de Piratininga, encontraram o ponto ideal. Tinha “ares frios e temperados como os de Espanha” e “uma terra mui sadia, fresca e de boas águas”. Os religiosos construíram um colégio numa pequena colina, próxima aos rios Tamanduateí e Anhangabaú, onde celebraram uma missa. Era o dia 25 de janeiro de 1554, data que marca o aniversário de São Paulo. Quase cinco séculos depois, o povoado de Piratininga se transformou numa cidade de 11 milhões de habitantes. Daqueles tempos, restam apenas as fundações da construção feita pelos padres e índios no Pateo do Collegio.

Piratininga demorou 157 anos para se tornar uma cidade chamada São Paulo, decisão ratificada pelo rei de Portugal. Nessa época, São Paulo ainda era o ponto de partida das bandeiras, expedições que cortavam o interior do Brasil. Tinham como objetivos a busca de minerais preciosos e o aprisionamento de índios para trabalhar como escravos nas minas e lavouras.

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(Disponível em http://www.cidadedesaopaulo.com/sp/br/a-cidade-de-sao-paulo)

Texto 2 (exemplo de linguagem literária)

Soneto sentimental à cidade de São Paulo

Ó cidade tão lírica e tão fria! 
Mercenária, que importa - basta! - importa 
Que à noite, quando te repousas morta 
Lenta e cruel te envolve uma agonia 


Não te amo à luz plácida do dia 
Amo-te quando a neblina te transporta 
Nesse momento, amante, abres-me a porta 
E eu te possuo nua e fugidia. 

Sinto como a tua íris fosforeja 
Entre um poema, um riso e uma cerveja 
E que mal há se o lar onde se espera 

Traz saudade de alguma Baviera 
Se a poesia é tua, e em cada mesa 
Há um pecador morrendo de beleza?

(Vinícius de Moraes)

O primeiro texto, publicado em um site de informações sobre a cidade de São Paulo, é um claro exemplo de linguagem não literária. Nele predominam escolhas linguísticas cuja função é transmitir para o leitor um pouco da história da capital paulista, sem que para isso sejam empregados recursos estilísticos, como figuras de linguagem e de construção, elementos próprios dos textos literários. No segundo texto, um poema de Vinícius de Moraes, percebemos claramente que existe uma preocupação com o estilo, o que confere ao texto maior expressividade. Em ambos os textos o objeto é o mesmo, a cidade de São Paulo, no entanto, existem grandes diferenças no que diz respeito ao plano da linguagem.

As notícias, os artigos jornalísticos, os textos didáticos, os verbetes de dicionários e enciclopédias, as propagandas publicitárias, os textos científicos, as receitas culinárias e os manuais são exemplos de gêneros textuais que empregam a linguagem não literária. No discurso não literário deve predominar uma linguagem objetiva, clara e concisa a fim de que a informação seja repassada de maneira eficiente, livre de possíveis dificuldades que prejudiquem o entendimento do texto.

Sintetizando:

Características da linguagem não literária:

→ Linguagem convencional;

→ Linguagem denotativa (as palavras são empregadas com seu sentido literal);

→ Irrelevância do plano da expressão;

→ Tangibilidade, ou seja, os textos literários podem ser resumidos e parafraseados sem prejuízo das informações neles contidas.

A linguagem não literária tem como função informar de maneira clara e sucinta, desconsiderando aspectos estilísticos próprios da linguagem literária
A linguagem não literária tem como função informar de maneira clara e sucinta, desconsiderando aspectos estilísticos próprios da linguagem literária
Publicado por: Luana Castro Alves Perez
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Questão 1

Sobre as características da linguagem não literária, estão corretas as alternativas:

I. Diferentemente do que acontece com os textos literários, nos quais há uma preocupação com o objeto linguístico e também com o estilo, os textos não literários apresentam características bem delimitadas para que possam cumprir sua principal missão, que é, na maioria das vezes, a de informar.

II. Apresenta características como a variabilidade, a complexidade, a conotação, a multissignificação e a liberdade de criação. 

III. A linguagem não literária faz da linguagem um objeto estético, e não meramente linguístico, ao qual podemos inferir significados de acordo com nossas singularidades e perspectivas. É comum na linguagem não literária o emprego da conotação, de figuras de linguagem e figuras de construção, além da subversão à gramática normativa.

IV. Na linguagem não literária, a informação é repassada de maneira a evitar possíveis entraves para a compreensão da mensagem. No discurso não literário, as convenções prescritas na gramática normativa são adotadas.

V. A linguagem não literária pode ser encontrada na prosa, em narrativas de ficção, na crônica, no conto, na novela, no romance e também em verso, no caso dos poemas.

a) I e IV.

b) II, III e V.

c) I, III e IV.

d) I e V.

e) Todas as alternativas estão corretas.

Questão 2

Uma nova estrada para o turismo de natureza

“ Existe um paraíso escondido no interior do país com potencial para tornar-se uma segunda Transpantaneira - a rodovia MT-060. A nova rota é conhecida como Estrada Turística e fica próxima da fronteira entre o Brasil e a Bolívia, em Cáceres, no Mato Grosso. O desafio dessa região é similar ao de muitas áreas naturais do Brasil: implementar o turismo de natureza para gerar desenvolvimento sócioeconômico e o empoderamento das comunidades locais. Seria possível trilhar esse sonho em uma região tão distante dos grandes centros urbanos?

O Brasil tem em seu território alguns dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo.  O Pantanal, com seus 250 mil quilômetros quadrados de extensão, é um desses exemplos.  Segundo o Fórum Econômico Mundial, o Brasil é o líder em um ranking  de 140 países em belezas naturais. (...)”.

Revista Época. Acesso no dia 11/09/14. Disponível em http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-planeta/noticia/2014/09/uma-nova-estrada-bpara-o-turismo-de-naturezab.html

A notícia veiculada em uma revista de grande circulação apresenta fatos relacionados com o turismo ecológico. Nessa situação específica de comunicação, a função referencial da linguagem predomina porque o autor do texto prioriza:

a) as suas opiniões baseadas em fatos.   

b) os aspectos objetivos e precisos.   

c) os elementos de persuasão do leitor.   

d) os elementos estéticos na construção do texto.   

e) os aspectos subjetivos da mencionada pesquisa.

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