Segunda fase do modernismo brasileiro

A segunda fase do modernismo brasileiro ou geração de 30 foi o período da literatura nacional que ocorreu de 1930 a 1945, o qual é considerado uma fase de amadurecimento e consolidação dessa escola literária. Boa parte dos críticos afirma que houve um refinamento estético na literatura dessa época.

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O movimento apresentou produção tanto na prosa quanto na poesia. Na primeira, destacou-se o romance regionalista, que passou a retratar os temas sociais e a vida dos menos favorecidos, apresentado um posicionamento crítico sobre os temas abordados. Na poesia, destacou-se a valorização dos versos livres e brancos, a discussão de temas do cotidiano, o uso da linguagem coloquial, apresentando, no entanto, um equilíbrio quanto ao diálogo com as formas tradicionais.

Leia também: Primeira fase do modernismo brasileiro — o período da literatura nacional que ocorreu entre 1922 e 1930

Resumo sobre a segunda fase do modernismo brasileiro

  • A segunda fase do modernismo brasileiro (ou geração de 30) foi o período da literatura nacional que ocorreu entre os anos de 1930 e 1945.
  • Essa fase é considerada como o período de amadurecimento e consolidação da escola literária.
  • Na prosa, destacou-se o romance regionalista, que abarca temas humanos, sociais e políticos.
  • Na poesia, destacou-se o uso de um lirismo prosaico e experimental, mas menos rebelde que os poetas da primeira fase.
  • Na prosa, destacaram-se Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado e Erico Verissimo; na poesia, Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Cecília Meireles e Jorge de Lima.
  • Essa fase ocorreu em um período histórico marcado por tensões sociais e políticas, como a queda da República Velha até a instauração do Estado Novo.
  • Algumas das principais obras da segunda fase do modernismo são Alguma poesia (1930); Menino de engenho (1932); Cacau (1933); São Bernardo (1934); Tempo e eternidade (1935); Caminhos cruzados (1935); Mar morto (1936); Capitães da areia (1937); Vidas secas (1938); Viagem (1939); Saga (1940); Sentimento do mundo (1940).

Características da segunda fase do modernismo brasileiro

[imagem_principal] Mapa mental sobre a segunda fase do modernismo brasileiro ou geração de 30.
A segunda fase do modernismo brasileiro ocorreu de 1930 a 1945. (Créditos: Gabriel Franco | Mundo Educação)

A segunda fase do modernismo brasileiro (ou geração de 30) ocorreu entre os anos de 1930 e 1945. Essa fase marcou o processo de amadurecimento da escola literária, que, sem abandonar alguns valores na primeira fase, direcionou-se a uma literatura mais realista, focada principalmente nas questões sociais e políticas que envolviam o período histórico.

Nesse sentido, há uma amenização no sentimento de rejeição aos modelos tradicionais, abrindo espaço para uma mescla de formas (tradicionais ou experimentais), focada em estabelecer uma conciliação entre forma e conteúdo.

Os escritores da segunda fase do modernismo buscavam estabelecer uma coerência entre a luta pela liberdade estética, a reivindicação primária do movimento, e o compromisso com os temas humanos, sociais e políticos que imperavam nessa época.

Na prosa, destacou-se o chamado romance de 30, o qual caracterizou-se pelo viés regionalista e social, tendo como seus principais representantes os escritores Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Jorge Amado e Erico Verissimo.

Na poesia, houve uma diminuição da "rebeldia" presente na primeira fase, sem abandonar a exploração estética de novas composições estruturais. Além disso, os poetas dessa fase falavam sobre questões filosóficas, religiosas, políticas e existenciais. Valorizou-se o cotidiano e a linguagem prosaica no lirismo desses artistas. Os principais escritores foram Carlos Drummond de Andrade, Murilo Mendes, Cecília Meireles e Jorge de Lima.

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Contexto histórico da segunda fase do modernismo brasileiro

A segunda fase do modernismo brasileiro (ou geração de 30) ocorreu em um contexto histórico marcado por tensões sociais e políticas, governos autoritários e conflitos mundiais. Em 1930, ocorreu a revolução responsável pela queda da República Velha, encerrando a política do café com leite e dando início à República Nova.

Getúlio Vargas assumiu o papel de presidente e permaneceu no poder de 1930 a 1945, período dividido em: Governo Provisório, Governo Constitucional e Estado Novo. Na última fase, Vargas instaurou uma ditadura, marcada por forte censura e perseguição política, bem como por intenso processo de industrialização.

Internacionalmente, esse momento também foi marcado pela recorrência de regimes totalitários e autoritaristas, que influenciaram também o início da Segunda Guerra Mundial. Nesse contexto, ainda havia movimentos de resistência e engajamento social que tensionaram a época.

Obras da segunda fase do modernismo brasileiro

  • Alguma poesia (1930) – Carlos Drummond de Andrade
  • Menino de engenho (1932) – José Lins do Rego
  • Cacau (1933) – Jorge Amado
  • São Bernardo (1934) – Graciliano Ramos
  • Tempo e eternidade (1935) – Murilo Mendes
  • Caminhos cruzados (1935) – Erico Verissimo
  • Mar morto (1936) – Jorge Amado
  • Capitães da areia (1937) – Jorge Amado
  • Vidas secas (1938) – Graciliano Ramos
  • Viagem (1939) – Cecília Meireles
  • Saga (1940) – Erico Verissimo
  • Sentimento do mundo (1940) – Carlos Drummond de Andrade

Autores da segunda fase do modernismo brasileiro

Monumento em homenagem a Carlos Drummond de Andrade, um dos principais nomes da segunda fase do modernismo brasileiro.
Carlos Drummond de Andrade foi um dos principais nomes da segunda fase do modernismo brasileiro.[1]

A segunda fase do modernismo brasileiro (ou geração de 30) teve intensa produção na prosa e poesia. A seguir, confira os seus principais nomes.

→ Autores da prosa da segunda fase do modernismo brasileiro

→ Autores da poesia da segunda fase do modernismo brasileiro

Quais foram as três fases do modernismo brasileiro?

O modernismo no Brasil foi uma escola literária que durou quase todo o século XX, apresentando, durante esse período, diferentes características predominantes, por isso foi classificado em três fases.

→ Primeira fase do modernismo brasileiro (1922-1930)

  • Realização da Semana de Arte Moderna
  • Experimentalismo estético
  • Ruptura com padrões tradicionais
  • Nacionalismo crítico
  • Exploração linguística das variações populares e informais

→ Segunda fase do modernismo brasileiro (1930-1945)

  • Amadurecimento estético
  • Equilíbrio com o uso e a crítica aos modelos tradicionais
  • Valorização da poética do cotidiano
  • Interesse pelas temáticas sociais
  • Ficção regionalista

→ Terceira fase do modernismo brasileiro (1945-1960)

  • Retomada de formas clássicas
  • Interesse na estética popular
  • Valorização da linguagem regional
  • Exploração da poesia concreta
  • Experimentação linguística

Acesse também: Modernismo no Brasil — mais detalhes sobre as três fases modernistas

Exercícios resolvidos sobre segunda fase do modernismo brasileiro

Questão 1

(Mackenzie) Sobre a segunda fase do Modernismo brasileiro, a qual é vinculado Jorge Amado, é INCORRETO afirmar que

A) a prosa foi afetada pelas crises sociais, econômicas e pela instabilidade política.

B) concedeu destaque para a luta a favor da abolição da escravidão negra, tema presente na maioria das produções poéticas do período.

C) os romances do período são documentos da realidade brasileira, destacando as tensões entre o eu e o mundo no qual este se situa.

D) aproveitou as conquistas literárias obtidas pela geração de 1922.

E) utilizou vocabulário de linguagens regionais típicas, conferindo um tom peculiar a uma literatura de caráter social.

Resolução:

Alternativa B.

A alternativa B está incorreta, pois a segunda fase do modernismo brasileiro não lutava pelo fim da escravidão, pois a abolição já havia ocorrido há algumas décadas. As demais alternativas apresentam afirmações verdadeiras.

Questão 2

(EsPCEx) Sobre a segunda fase do Modernismo no Brasil, é correto afirmar que

A) foi marcada pela exaltação da natureza, a volta ao passado histórico, o medievalismo e a criação do herói nacional na figura do índio.

B) se caracterizou pela linguagem rebuscada, culta, extravagante; pela valorização do pormenor mediante jogos de palavras.

C) representou um amadurecimento e um aprofundamento das conquistas da geração de 1922, resultando em uma literatura mais construtiva e mais politizada.

D) se caracterizou por ser uma literatura meramente descritiva e, como tal, sem grande valor literário, possuindo, portanto, somente interesse histórico.

E) seguiu os modelos clássicos greco-latinos e os renascentistas, retomando a mitologia pagã como elemento estético.

Resolução:

Alternativa A.

A segunda fase destacou-se pelo amadurecimento estético e aprofundamento das conquistas realizadas pelos artistas da primeira geração, mas com um viés mais realista e politizado e uma estética mais consolidada.

Crédito de imagem

[1] Isabellexdias / Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 53. ed. rev. e atual. São Paulo: Cultrix, 2019.

Escritor do artigo
Escrito por: Talliandre Matos Talliandre Matos da Silva Pereira é graduada em Letras, mestra em Estudos Literários e doutoranda em Letras. Além disso, é mãe, professora, escritora e poeta.

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