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Paulina Chiziane

Paulina Chiziane é uma autora moçambicana cujas obras retratam a situação da mulher na sociedade de seu país. Seu livro mais famoso é “Niketche: uma história de poligamia”.
Paulina Chiziane no Festival Latinidades, no ano de 2014. [1]
Paulina Chiziane no Festival Latinidades, no ano de 2014. [1]

Paulina Chiziane é uma escritora africana que nasceu em 4 de junho de 1955, em Manjacaze, Moçambique. Falante nativa de chope, só quando se mudou para Maputo, com seis anos de idade, aprendeu a língua portuguesa. Mais tarde, participou da Frente de Libertação de Moçambique, foi voluntária da Cruz Vermelha e fez parte do Núcleo das Associações Femininas da Zambézia.

A romancista, primeira mulher africana a ganhar o Prêmio Camões, é uma das principais vozes femininas na literatura moçambicana pós-independência. Suas obras apresentam crítica de costumes e trazem a mulher como protagonista da história, como é possível verificar no romance Niketche: uma história de poligamia.

Veja também: Pepetela — um dos principais autores de língua portuguesa do mundo

Vida de Paulina Chiziane

Paulina Chiziane nasceu em 4 de junho de 1955, na vila de Manjacaze, em Moçambique. Em 1961, foi morar em um subúrbio de Maputo. Só então aprendeu a língua portuguesa e o ronga, pois seu idioma nativo era o chope. Na capital moçambicana, a autora foi matriculada em uma escola católica.

As meninas da época eram educadas para serem boas esposas e cuidarem da casa. Essa foi a educação que a romancista recebeu tanto em casa quanto na escola. Ela também estudou na Escola Comercial de Maputo e se casou com 19 anos de idade. Durante a luta pela independência de seu país, fez parte da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).

Em seguida, durante a guerra civil, trabalhou como voluntária da Cruz Vermelha. Em 1984, publicou seus primeiros contos em jornais locais, mas seu primeiro livro — Balada de amor ao vento — só foi publicado em 1990. Assim, ela se tornou uma das poucas escritoras moçambicanas de seu tempo.

Após a criação, em 1997, do Núcleo das Associações Femininas da Zambézia (Nafeza), na cidade de Quelimane, passou a atuar junto a associações de mulheres. Desse modo, sua luta contra a opressão não esteve restrita apenas a suas obras literárias, mas se realizou também em efetivas ações políticas.

Em 2003, recebeu o Prêmio José Craveirinha, da Associação dos Escritores Moçambicanos, pelo seu romance Niketche: uma história de poligamia. Já em 2021, se tornou a primeira mulher africana a receber o maior prêmio literário em língua portuguesa: o Prêmio Camões.

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Características literárias de Paulina Chiziane

Paulina Chiziane é uma autora da literatura moçambicana pós-independência. Suas obras mostram, de forma crítica, os costumes, a pluralidade cultural e a realidade social de seu país.

Para isso, a romancista utiliza uma linguagem lírica em seus romances. Recorre também ao monólogo interior para desvendar o íntimo de suas personagens e refletir sobre o lugar ocupado pela mulher negra na sociedade de Moçambique.

Leia também: Mia Couto — outro importante escritor moçambicano

Obras de Paulina Chiziane

  • Balada de amor ao vento (1990)

  • Ventos do apocalipse (1993)

  • O sétimo juramento (2000)

  • Niketche: uma história de poligamia (2002)

  • O alegre canto da perdiz (2008)

  • As andorinhas (2009)

  • Eu, mulher: por uma nova visão do mundo (2013)

  • Ngoma Yethu: o curandeiro e o Novo Testamento (2015)

  • O canto dos escravizados (2017)

Análise da obra Niketche: uma história de poligamia, de Paulina Chiziane

 Capa do livro “Niketche: uma história de poligamia”, de Paulina Chiziane, publicado pela editora Caminho. [2]
 Capa do livro “Niketche: uma história de poligamia”, de Paulina Chiziane, publicado pela editora Caminho. [2]

O romance Niketche conta a história de Rami, seu marido Tony e as outras esposas dele. Tony é comandante de polícia, casado com Rami, mas se comporta como marido de outras mulheres. Ele, inclusive, é pai dos filhos da Julieta, que acaba ficando amiga de Rami. A protagonista também se torna amiga das outras esposas: Luísa, Saly e Mauá.

Assim, essas cinco mulheres deixam a rivalidade de lado e aceitam a poligamia de Tony. Quando Rami conhece Vito, o amante de Luísa, ela se torna amante dele também. Cada vez mais consciente da sua condição de mulher na sociedade moçambicana, Rami decide convidar todas as outras para o aniversário do marido.

Mas Tony não suporta tal situação e foge. De volta, o marido aceita a proposta das mulheres: ele deve passar uma semana em cada casa. Porém, quando parece que atingiram certa harmonia, ele encontra outra mulher, a sexta, e decide se separar de Rami, pois ela é a mais independente das seis.

Antes de o divórcio acontecer, Tony é supostamente atropelado. Viúva, Rami se deita com Levy, o irmão de seu esposo, segundo manda a tradição. Porém, Tony está vivo e volta para casa. Então, Rami descobre que está grávida de Levy. Dessa forma, a poligamia feminina (a poliandria) também se mostra possível.

→ Videoaula a obra Niketche: uma história de poligamia, de Paulina Chiziane

Créditos de imagem

[1] Wikimedia Commons (reprodução)

[2] Editora Caminho (reprodução) 

Publicado por Warley Souza
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