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Presença de ácido oxálico nos alimentos

O ácido oxálico está presente em diversos alimentos como o ruibarbo, chá-preto, nas folhas da beterraba e no chocolate
O ácido oxálico está presente em diversos alimentos como o ruibarbo, chá-preto, nas folhas da beterraba e no chocolate

O ácido oxálico é um ácido dicarboxílico descoberto em 1760 pelo químico experimental sueco Carl Wilhelme Scheele (1742-1786). Seu nome químico é ácido etanodioico, sua fórmula molecular é (C2H2O4) e sua fórmula estrutural está representada a seguir:

Fórmula estrutural do ácido oxálico (etanodioico)

Ele recebeu o nome de ácido oxálico porque vem do latim oxalis, pois a primeira vez que foi isolado foi a partir do trevo azedo (Oxalis acetosella).

Esse composto está presente em diversos alimentos, principalmente nas folhas dos vegetais, tais como a acelga suíça, o espinafre* e o ruibarbo. Também é encontrado nas folhas da beterraba, no amendoim, no cacau e, consequentemente, no chocolate. Destes, o mais conhecido por conter altos teores de ácido oxálico é o ruibarbo, porque este alimento causou a morte de pessoas durante a Primeira Guerra Mundial que se alimentaram de suas folhas.

Imagem de ruibarbo

O ácido oxálico é realmente uma substância química tóxica que pode matar, sendo que sua dose letal é de 1500 mg. No entanto, seu teor na maioria das plantas comestíveis é muito baixo para apresentar um risco sério. Por exemplo, o ruibarbo e o cacau possuem 500 mg desse ácido em cada 100 g. Assim, é praticamente impossível uma pessoa comer tanto chocolate que se envenene, ela se saciará muito antes disso acontecer.

Geralmente, consumimos 150 mg de ácido oxálico por dia, mas o consumo de chá-preto e chá-mate constantemente pode aumentar essa quantidade.

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Mas, existem outros meios de nos envenenarmos com o ácido oxálico. Por exemplo, se uma pessoa tomar o etileno glicol, usado como anticongelante em radiadores, o seu organismo irá converter essa substância em ácido oxálico e causar o seu envenenamento. Outro meio é o excesso de vitamina C, que o nosso corpo converte em ácido oxálico.

Outro resultado adverso da presença do ácido oxálico em nosso organismo é que ele atua como um antinutriente, reagindo com os íons ferro e cálcio necessários em vários aspectos para o bom funcionamento de nosso organismo. No caso do cálcio é mais perigoso, pois se forma o oxalato de cálcio mono-hidratado, que é um sal de baixa solubilidade e seus cristais crescem nos rins e na bexiga na forma de “pedras” dolorosas, conhecidas como “cálculos”.

Ainda não se conhece uma boa função para o ácido oxálico no organismo animal. Mas, uma de suas funções é como removedor de ferrugem e manchas. Por exemplo, se cozinharmos o ruibarbo em panelas de alumínio, veremos que elas ficam mais limpas e bonitas, porque o ácido oxálico dissolve o metal oxidado que fica incrustrado na superfície do recipiente.

Ele também é utilizado no tingimento de tecidos, no curtume de couro, na limpeza de materiais metálicos e na purificação de óleos e gorduras.


* Para mais informações sobre o ácido oxálico no espinafre e sobre sua ação como antinutriente em relação ao ferro, leia o texto “O espinafre deixa a pessoa mais forte mesmo?”.

Publicado por Jennifer Rocha Vargas Fogaça
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Escrito"Fator de Van’t Hoff" em fundo laranja ao lado da imagem de Van’t Hoff.
Química
Fator de Van't Hoff
Hoje falaremos de uma “correção” criada pelo físico e químico Jacobus Henricus Van’t Hoff para que possamos analisar os efeitos coligativos em substâncias iônicas, considerando que elas possuem características diferentes das moleculares, pois sofrem dissociação. O fator de Van’t Hoff é a maneira de analisarmos e calcularmos os efeitos coligativos em substâncias iônicas.