Você está aqui
  1. Mundo Educação
  2. Filosofia
  3. Senso comum

Senso comum

O senso comum possui uma importância enorme na história dos problemas filosóficos, sobretudo por estar associado à experiência tradicional.

Na história da filosofia, o problema do senso comum sempre foi um ponto de enorme importância e grandes debates. Os filósofos clássicos, como Sócrates, Platão e Aristóteles, dedicaram-se a refletir sobre isso e situar esse tema dentro dos problemas que interessam à reflexão filosófica.

Grosso modo, o sentido mais profundo da expressão “senso comum” remete ao tipo de experiência que é propriamente humana, isto é, a experiência do sofrimento ou a experiência tradicional. Um dos elementos que tornam o homem diferente das outras criaturas é a sua capacidade de refletir sobre o sofrimento, de saber que vai morrer, que pode ser acometido por catástrofes, doenças, etc. A experiencia tradicional nos dá os elementos para a compreensão de nossa condição de seres falíveis. As tragédias antigas (tão valorizadas por Aristóteles) davam conta dessa experiência. A literatura moderna e contemporânea também o faz.

Sendo assim, o senso comum é o tipo de saber que busca fornecer orientação ao homem e não deixá-lo repetir os erros do passado. Por intermédio da experiência, o homem pode exercer virtudes, como a prudência e a paciência, e aprender a não se deixar levar por aventuras emocionais, que o desviam para a irracionalidade, bem como não se deixar levar por “sonhos racionais” de progresso a qualquer custo. Como disse o pintor espanhol Goya, “O sonho da razão produz monstros”.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

O conceito de senso comum sofreu certa desvalorização após o período do Renascimento. O humanismo renascentista foi a última corrente de reflexão que levava em conta o potencial orientador do senso comum. A partir do século XVII, sobretudo com o desenvolvimento da ciência moderna e da filosofia racionalista cartesiana, o senso comum passou, de forma geral, a ser identificado como “falta de rigor metodológico” e a ser rivalizado com o “senso crítico” ou “senso científico”. Dessa forma, até o início do século XX, eram poucas as defesas filosóficas que se faziam do senso comum, haja vista que a expressão havia sido alijada de seu sentido tradicional.

Os filósofos ligados à fenomenologia e à hermenêutica do século XX, como Heidegger e Gadamer, passaram a refletir novamente sobre o senso comum, colocando-o diante do problema da historicidade, isto é, da experiência histórica humana. Autores de outras tradições, como o católico leigo G. K. Chesterton, também passaram a fazer, ao seu modo, a defesa do senso comum, sobretudo recuperando o seu sentido tradicional.

O senso comum suscita o equilíbrio entre os elementos racionais e irracionais (ou emocionais), presentes em todos os seres humanos
O senso comum suscita o equilíbrio entre os elementos racionais e irracionais (ou emocionais), presentes em todos os seres humanos
Publicado por: Cláudio Fernandes
Assista às nossas videoaulas
Assuntos relacionados
Existencialismo
Aprenda o que é o existencialismo e quais são suas características. Conheça os principais pensadores dessa corrente filosófica e sua aplicação em outras áreas.
Com a nomeação de Moritz Schlick para a cadeira de Filosofia da Ciência em Viena, um grupo de pensadores juntou-se a ele. Surgia o Círculo de Viena
17 tópicos fundamentais sobre a Filosofia do Círculo de Viena
Leia e descubra 17 pontos fundamentais da filosofia do Círculo de Viena.
Filosofia da ciência
Clique aqui e aprenda o que é filosofia da ciência e quais as implicações desse campo de estudos da filosofia nas bases e nos fundamentos das diversas ciências.
Idealismo
Clique aqui e conheça o idealismo, uma corrente filosófica complexa que defende a separação entre a realidade material e a realidade imaterial ou ideal.
Dogmatismo
Clique aqui para descobrir o que é dogmatismo, o que é ser dogmático, e entender onde o dogmatismo localiza-se enquanto postura epistemológica e moral na filosofia.
À esquerda, Heráclito, e à direita, Demócrito, ambos pintados pelo pintor holandês Hendrik ter Brugghen.
Pré-socráticos
Clique aqui para saber quem foram e o que fizeram os filósofos pré-socráticos da Grécia Antiga.
A violência excessiva é resultante da decadência da moralidade.
A decadência da moralidade
A decadência da moralidade, o que é moralidade, o desprendimento das condutas morais, a participação dos meios de comunicação na decadência da moralidade, onde a decadência está estampada, o dever da sociedade em revolucionar.
Afresco Escola de Aristóteles, de Gustav Spangenberg, retrata os discípulos do Liceu, escola de Filosofia fundada pelo escritor da Metafísica.
Metafísica de Aristóteles
Clique aqui para entender o que é e compõe a Metafísica, de Aristóteles. Aprenda sobre partes da obra e o conceito em si de Metafísica.
Indústria cultural
Aprenda a definição do termo indústria cultural, de acordo com a Escola de Frankfurt. Saiba o que é cultura de massa e como os estudos dessa área ocorrem atualmente.