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Pré-socráticos

Os primeiros filósofos gregos foram chamados de pré-socráticos e buscaram a descoberta de um princípio originário de todo o Universo.
À esquerda, Heráclito, e à direita, Demócrito, ambos pintados pelo pintor holandês Hendrik ter Brugghen.
À esquerda, Heráclito, e à direita, Demócrito, ambos pintados pelo pintor holandês Hendrik ter Brugghen.

Os filósofos pré-socráticos foram os primeiros filósofos do Ocidente. Tales de Mileto, considerado o primeiro filósofo, não se conteve com as explicações cosmogônicas fornecidas pela mitologia grega para explicar a origem de tudo, e parte para uma observação natural em busca de um princípio racional de tudo que fizesse sentido. Sua atitude dá início à Filosofia há, aproximadamente, 2600 anos.

Os primeiros filósofos foram chamados de pré-socráticos por se situarem, cronologicamente, antes de Sócrates, o qual modificou os rumos da Filosofia grega. O período Pré-Socrático também é chamado de Cosmológico, pois os filósofos estavam buscando uma origem racional para o Universo, que, no vocabulário grego antigo, pode ser traduzido pela palavra cosmos.

Leia também: Afinal, o que é Filosofia?

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Objetivos dos pré-socráticos

Tales de Mileto, um comerciante da região da Jônia que gostava de buscar novos conhecimentos, foi considerado o primeiro filósofo. Como matemático e astrônomo, contam os historiadores que Tales teria previsto um eclipse total do Sol, no ano de 585 a.C., utilizando cálculos e conhecimentos de Astronomia. Esse momento seria, segundo os historiadores da Filosofia antiga, o ápice do amadurecimento intelectual de Tales, o que nos faz supor que a Filosofia tenha surgido, mais precisamente, em uma data próxima à da previsão do eclipse.

Tales observou a natureza e supôs que o princípio de tudo estaria contido nela própria. A sua análise foi motivada pela falta de coerência das mitologias, ao tentarem explicar o surgimento de tudo, com histórias fantasiosas que envolviam deuses e titãs. As observações de Tales o fizeram supor que o princípio de tudo seria a água, pois notou que essa substância está presente em todas as formas de vida.

A atitude de Tales o colocou no posto de primeiro filósofo e também fez florescer um proceder filosófico que impulsionou os estudos de vários outros pré-socráticos, os quais, assim como Tales, queriam descobrir a verdadeira origem do Universo. Todos eles buscaram essa origem na própria natureza, com base na observação empírica do meio em que viviam. Essa atitude fez com que o ser humano fosse parando aos poucos de creditar os fenômenos naturais pouco conhecidos a intervenções divinas e forças sobrenaturais.

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Filósofos pré-socráticos: principais ideias

Os filósofos pré-socráticos nutriam esse mesmo objetivo: encontrar o princípio gerador ou a matéria primordial de todo o Universo. Por isso, as suas ideias são bem parecidas. Os estudiosos sempre se esbarram nas dificuldades que o tempo e o modo de escrita dos pré-socráticos colocaram. Não há como fazer um estudo aprofundado de um filósofo pré-socrático, pois as obras são escassas e fragmentadas. No entanto, é notório que eles buscavam fundamentar o que chamavam de arché (princípio originário), por meio da observação da physis (natureza).

Para facilitar o estudo, os historiadores da Filosofia reuniram os pré-socráticos em “escolas filosóficas”, de acordo com sua proximidade geográfica que também coincide com a proximidade de ideias. As escolas pré-socráticas são:

  • Jônica Escola

Tales de Mileto é considerado o primeiro filósofo. [1]
Tales de Mileto é considerado o primeiro filósofo. [1]

Teve início com Tales de Mileto, na região da Jônia, que atualmente é parte da Turquia. Tales estabeleceu a água como princípio gerador de tudo. Anaximandro, que teve contato com as ideias de Tales, passou pelo mesmo processo de observação empírica da natureza e constatou que a origem de tudo estava contida num elemento infinito e indeterminável, designado pela palavra ápeiron. Seu discípulo, Anaxímenes, concordou que o elemento era infinito, mas afirmou ser possível determiná-lo, pois era o ar. O ar estaria presente em tudo, sendo, portanto, a causa material primeira.

  • Pitagórica Escola

Pitágoras foi um dos mais importantes matemáticos de todos os tempos. Sua percepção matemática, envolta por rituais místicos, levou-o a estabelecer que a origem de todo o Universo estaria em relações matemáticas, mais especificamente naquilo que dá origem a tudo na Geometria — o ponto — junto à ideia de unidade proposta pelo algarismo 1, que é o início por excelência. Seus seguidores continuaram a mística pitagórica, que envolvia Música, Matemática e Cosmologia.

  • Eleata Escola

Parmênides é considerado pelos historiadores da Filosofia como o pensador do imobilismo universal.
Parmênides é considerado pelos historiadores da Filosofia como o pensador do imobilismo universal.

Parmênides e seu discípulo, Zenão, são os principais filósofos eleatas. Para eles, a origem de tudo não estaria no estabelecimento de uma causa material primordial, mas no entendimento de que não houve início, pois não houve mudança. Eles eram imobilistas e acreditavam que a natureza era eterna e imutável, e que as mudanças que apreendemos são frutos de nossa percepção enganosa.

  • Pluralistas

Não elegeram apenas um elemento primordial, mas vários elementos que se juntaram para formar todo o Universo, de acordo com as suas teorias. Para Empédocles, a origem do Universo estaria no que ele chamou de quatro elementos básicos — terra, fogo, água e ar. Anaxágoras estabeleceu que a origem deu-se por meio da junção de sementes.

Essa junção acontecia quando havia afinidade entre diferentes sementes, mediante a relação que ele classificou como amor. Do mesmo modo, sementes que não tinham afinidade entre si separavam-se pela relação que ele chamou de ódio. Demócrito e Leucipo, talvez os mais conhecidos dentre os pluralistas, formularam a teoria atomi sta, que creditava a origem de tudo à junção de partículas invisíveis e indivisíveis, os átomos.

Importância dos pré-socráticos

Hoje, a ciência e a tecnologia estão muito desenvolvidas, e as ideias pré-socráticas parecem obsoletas e inúteis para entender a constituição natural de tudo. Porém, a importância dos pré-socráticos reside no fato de que o conhecimento racional e a atitude filosófica, que daria origem a uma atitude científica, iniciaram-se com a Cosmologia dos gregos.

A nossa ciência somente pode considerar as afirmações dos antigos filósofos obsoletas, porque eles a formularam e possibilitaram o desenvolvimento de toda a inteligência racional que temos hoje. Também devemos pensar numa importância histórica, pois, para entender o desenrolar da Filosofia e da tradição racional ocidental, é preciso olhar para a origem de tudo, de modo a perceber como chegamos aonde chegamos.

Bibliografia dos pré-socráticos

Não se tem muitos escritos dos filósofos pré-socráticos hoje. O que se tem são fragmentos escassos e, muitas vezes, desconexos. Os historiadores da Filosofia reuniram os pré-socráticos em escolas para facilitar o entendimento de seus escritos. Essa escassez deve-se, principalmente, à ação do tempo e da humanidade que — por meio de enchentes, furações, tempestades, incêndios acidentais e incêndios provocados — destruiu muitos documentos históricos da Grécia Antiga. Estima-se que muitos escritos tenham sido perdidos, por exemplo, no incêndio na Biblioteca de Alexandria.

Outro fator que dificulta o entendimento e a reunião da bibliografia dos pré-socráticos é o fato de que eles não escreviam tendo em vista a publicação como fazemos hoje. A grande maioria dos escritos do período não possui título, sendo esses diletantes sobre assuntos relacionados à Cosmologia, à Matemática, à Música, à Astronomia ou sobre qualquer outra ciência que já fosse cultivada naquele período.

Crédito de imagem

[1]  Naci Yavuz / Shutterstock

Publicado por Francisco Porfírio
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