Sertão nordestino
O Sertão nordestino é uma das quatro sub-regiões do Nordeste do Brasil, formada por municípios em oito estados: Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Piauí e Bahia. A maior parcela da sua extensão está inserida no clima semiárido, que tem como principal aspecto o regime irregular de chuvas, com secas prolongadas e altas temperaturas. A Caatinga e o Cerrado formam a sua vegetação, além dos terrenos marcados pelas depressões e planaltos.
Por conta do clima semiárido, secas severas já foram registradas no Sertão Nordestino, as quais foram agravadas pela má gestão de recursos que eram destinados ao combate a esse problema. Atualmente, a região mantém o abastecimento por meio de cisternas e das águas do Rio São Francisco, transpostas para cidades do Sertão Nordestino. Marcada pelas desigualdades socioeconômicas que são refletidas no seu índice de desenvolvimento e na renda, essa sub-região tem economia baseada na agropecuária, no extrativismo vegetal e na indústria. Importantes cidades estão situadas no Sertão Nordestino, como Juazeiro do Norte, Mossoró, Petrolina e Caetité.
Leia também: Agreste — outra importante sub-região do Nordeste brasileiro
Resumo sobre o Sertão nordestino
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O Sertão Nordestino é uma sub-região do Nordeste formada parcial ou totalmente por oito estados: Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Piauí e Bahia.
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Inclui importantes cidades nordestinas brasileiras, como Fortaleza, Juazeiro do Norte, Petrolina, Mossoró e Caetité.
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Essa sub-região é caracterizada pelo clima semiárido predominante, que é quente e tem regime de chuvas irregular, com períodos de estiagem que podem durar vários meses seguidos.
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A vegetação do Sertão Nordestino é formada pela Caatinga, que possui espécies adaptadas aos intervalos de seca. Além disso, a região possui rios intermitentes, como o Jaguaribe.
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Seu relevo é formado pelas depressões e por terrenos planálticos do entorno.
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O Sertão já passou por secas muito severas ao longo da sua história, condicionadas pelo clima e agravadas por problemas como a má gestão da verba destinada ao seu combate.
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Atualmente as medidas para auxiliar a população durante as secas incluem a transposição do Rio São Francisco e a instalação de cisternas nas propriedades, principalmente no campo.
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O Sertão Nordestino é uma área que mantém economia baseada na agropecuária e no extrativismo vegetal, com indústria centrada no beneficiamento de alimentos, produção de bebidas, como vinho, e geração de energia eólica.
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É marcada pelas profundas desigualdades socioeconômicas. Esse contraste se traduz no espaço, apresentando cidades ricas e outras que entraram na lista de mais pobres do país, segundo o PIB per capita, como Manari, em Pernambuco.
O que é o Sertão nordestino?
O Sertão Nordestino é uma das quatro sub-regiões do Nordeste brasileiro, sendo a maior delas. É formado por parte de oito dos nove estados nordestinos, com exceção do Maranhão. Assim sendo, o Sertão abrange:
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todo o estado do Ceará;
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o oeste dos estados de Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco;
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o extremo oeste e noroeste de Alagoas e Sergipe;
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toda a região oeste, central e norte da Bahia;
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as terras ao leste do Piauí.
Considerando a composição regional do Nordeste, o Sertão fica entre o Meio-Norte e o Agreste, sub-regiões que estão posicionadas, respectivamente, a oeste e a leste.
Veja também: Região Sul — a menor das cinco regiões do Brasil
Mapa do Sertão nordestino
Cidades do Sertão nordestino
O Sertão nordestino abriga cidades importantes da região Nordeste, incluindo a sua maior capital, que geograficamente fica nessa área: Fortaleza, no Ceará, cidade que apresenta mais de 2,5 milhões de habitantes. A seguir, listamos outras cidades importantes que estão inseridas nessa sub-região:
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Sobral (CE); |
Caicó (RN); |
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Crato (CE); |
Canindé do São Francisco (SE); |
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Iguatu (CE); |
Nossa Senhora da Glória (SE); |
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Quixadá (CE); |
Aquidabã (SE); |
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Juazeiro do Norte (CE); |
Delmiro Gouveia (AL); |
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Canindé (CE); |
Petrolina (PE); |
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Quixeramobim (CE); |
Serra Talhada (PE); |
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Mossoró (RN); |
Cajazeiras (BA); |
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Parelhas (RN); |
Caetité (BA). |
Principais características do Sertão nordestino
O Sertão nordestino, como é possível observar no mapa, é a maior sub-região do Nordeste brasileiro, contendo o maior número de cidades dentro de seus limites. Uma de suas principais características, que a diferencia das demais sub-regiões, certamente é o clima. O Sertão se sobrepõe a uma região de planejamento denominada Semiárido brasileiro. Então, o clima predominante no Sertão é o tropical semiárido, que tem como aspecto central a baixa umidade relativa do ar, as chuvas irregulares e o calor. As temperaturas médias variam entre 25 e 27º C durante o ano, enquanto o volume pluviométrico alcança até 750 mm, com mínima, em algumas áreas, de 250 mm.
As chuvas no Sertão nordestino se concentram em um período muito curto de tempo, que é uma característica do clima semiárido. Isso significa que todo o volume esperado para o ano pode cair em poucos meses ou, ainda, em um intervalo de algumas semanas o que também causa problemas para as plantações e o solo, especialmente no caso de chuvas intensas. As estiagens, por sua vez, duram cerca de seis meses.
Vale destacar que há áreas de clima tropical típico no Sertão, especialmente próximo do litoral cearense, por exemplo, já que essa sub-região se estende por todo aquele estado. Contudo, o clima predominante do Sertão nordestino é o que condiciona a maior parte das características da geografia da região, como é o caso da sua hidrografia. A irregularidade de chuvas faz com que a maioria dos rios do Sertão seja intermitente, o que significa que eles secam durante o período da estiagem e retomam seu curso normal na época das chuvas.
O maior rio intermitente do Brasil e do mundo fica naquela parte do Nordeste, que é o Rio Jaguaribe. Existem cursos perenes, ou permanentes, que também banham parcialmente o Sertão, como é o caso do Rio São Francisco.
A composição vegetal do Sertão nordestino é igualmente resultante do clima local. Essa sub-região está inserida no bioma da Caatinga, que é parte da chamada savana brasileira. A vegetação da Caatinga é composta por muitos arbustos e árvores de pequeno porte, com espécies de plantas xerófitas, adaptadas ao período de secas. A vegetação xerófita possui estruturas que armazenam água e raízes longas e que se espalham horizontalmente, capazes de coletar água em uma área extensa durante o período chuvoso. Já a fauna da Caatinga é formada por animais como o preá, um pequeno roedor, tamanduá-mirim, asa-branca, veado-catingueiro e coruja-buraqueira.
Os terrenos do Sertão nordestino, além de recobertos pela Caatinga e, também, pelo Cerrado em trechos da Bahia e do Piauí, são marcados pela baixa altitude predominante nas unidades de depressão, incluindo a Depressão Sertaneja e a Depressão do São Francisco. As partes mais elevadas do relevo se encontram nas unidades planálticas, dentre as quais está o Planalto da Borborema, que se estende para o Sertão dos estados de Alagoas, Sergipe, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Seca no Sertão nordestino
A seca tem origem nos aspectos naturais da área, mas foi potencializada por questões de ordem política e econômica que a transformaram em um problema socioeconômico grave que acomete uma parte da população do Sertão. Longas estiagens e baixa pluviosidade são aspectos próprios do clima semiárido, os quais se somam com o relevo de depressão que dificulta a circulação de massas de ar úmidas e cria, portanto, uma área com menor umidade relativa do ar. A escassez de chuvas piora em anos de El Niño, fenômeno de origem atmosférica-oceânica que provoca secas nas regiões Norte e Nordeste do Brasil.
Os fatores naturais da seca em parte do Sertão Nordestino se unem aos fatores antrópicos, em especial à má gestão dos recursos financeiros que, originalmente, eram destinados para a construção de obras de infraestrutura com o intuito de ampliar a distribuição de água nas áreas de clima semiárido. Algumas obras implementadas beneficiaram muito pouco a população mas, ao mesmo tempo, ajudaram a enriquecer os gestores que estavam a cargo desses empreendimentos. Foi da constatação desse fato que surgiu a expressão “indústria da seca”, criada pelo jornalista Antônio Callado (1917-1997).
As secas que aconteceram entre 1877 e 1879 e entre 1979 e 1983 estão entre as piores já registradas na região, contando com milhares de mortes, incluindo aquelas por desnutrição em função da fome decorrente da perda de lavouras e do gado. É importante mencionar, também, a forte seca do período entre 1930 e 1932, que ficou marcada pela tentativa de interromper os fluxos migratórios do interior do Ceará para a sua capital mediante a construção de campos de concentração nas rotas mais utilizadas por aqueles que tentavam sobreviver à escassez de água.
Atualmente, as cisternas são o principal tipo de infraestrutura que tem auxiliado a amenizar os impactos negativos da seca no Sertão nordestino, sobretudo no meio rural, onde os moradores trabalham e retiram a subsistência da terra. A transposição do Rio São Francisco foi outro projeto desenvolvido pensando no desvio de água do curso original para abastecer cidades da região do Semiárido, atendendo a população no Sertão dos estados de Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba.
Saiba mais: Polígono das Secas — região seca e árida que ocupa parte do Nordeste e do Sudeste do Brasil
Sertão nordestino na atualidade
O Sertão é uma sub-região vasta e que concentra quase a metade da população do Nordeste do Brasil, sendo, atualmente, caracterizada pelo seu crescente dinamismo econômico. A pecuária e a agricultura se mantêm como carro-chefe da economia sertaneja desde o início da ocupação daquela região pelos colonizadores que, inclusive, foram quem utilizaram a palavra “sertão” para se referir ao interior. Hoje em dia, com as técnicas de correção de solo e a irrigação facilitam o desenvolvimento de cultivos como o das commodities agrícolas, que são encontrados principalmente nas áreas onde o Cerrado é a vegetação dominante, como no oeste da Bahia e no sul do Piauí.
As frutas também compõem a economia primária do Sertão nordestino atualmente, incluindo espécies de uva que são utilizadas para a fabricação de vinhos na região do Vale do São Francisco, notadamente no estado de Pernambuco. Ainda nesse setor, o extrativismo vegetal desponta como uma importante atividade econômica desenvolvida por grupos familiares e comunidades tradicionais do Sertão, obtendo itens como a cera de carnaúba e a castanha-de-caju. A indústria dessa sub-região, além daquela atrelada com a agropecuária, se destaca pelo Complexo de Pecém, entre São Gonçalo do Amarante e Caucaia, no litoral do Ceará, e pela geração de energia eólica.
Um aspecto do Sertão Nordestino atualmente, e que se perpetua como um problema estrutural, é a profunda desigualdade socioeconômica identificada na sub-região. Algumas das cidades brasileiras com menor PIB per capita ficam no Sertão, como Manari (PE), Mansidão (BA) e Carnaubeira da Penha (PE), concentrando, também, municípios com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) considerado baixo ou médio. Em contrapartida, apresenta uma das maiores regiões metropolitanas brasileiras, que é a de Fortaleza, capital que figura na 12ª posição entre as cidades mais ricas do país, bem como grandes economias como as de Maracanaú (CE), Luís Eduardo Magalhães (BA) e Petrolina (PE).
Vale mencionar um problema ambiental que enfrenta a sub-região sertaneja, e que tende a se agravar diante das mudanças climáticas atuais, que é a desertificação da Caatinga. A desertificação é o processo de remoção dos nutrientes do solo até o ponto em que ele se torna improdutivo, o que causa prejuízos, também, à sua estrutura física. O manejo inadequado, aliado com a abertura de novas áreas agropecuárias, são os motores da desertificação do bioma predominante no Sertão Nordestino, sendo o problema catalisado pela escassez de chuvas e recorrência de extremos climáticos.
Créditos das imagens
[2] Cacio Mutilo / Shutterstock
[3] Wikimedia Commons (reprodução)
Fontes
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