Taylorismo e fordismo

 Taylorismo e fordismo são dois modelos de produção industrial desenvolvidos no início da Segunda Revolução Industrial, entre o final do século XIX e início do século XX, que tinham como objetivo principal tornar o processo produtivo mais eficaz para a diminuição de gastos. Eles foram responsáveis pela divisão de tarefas e pela especialização do trabalho. No entanto, os modelos foram concebidos por pessoas distintas com ideias que, embora parecidas, apresentavam diferenças importantes como a maneira como a produção era organizada, a estruturação do trabalho e o ritmo que ele deveria assumir no interior das unidades fabris.

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Leia também: O que foi o toyotismo?

Resumo sobre taylorismo e fordismo

  • Taylorismo e fordismo são dois modelos de produção industrial desenvolvidos entre o final do século XIX e início do século XX.

  • Eles apresentam pontos em comum, como a divisão de tarefas no interior das fábricas, a especialização dos trabalhadores, a linha de montagem e a padronização dos produtos.

  • O taylorismo foi pioneiro na proposição da divisão de tarefas, principalmente entre os gestores da fábrica, que faziam a sua administração, e os trabalhadores braçais.

  • O fordismo, no entanto, se baseou no taylorismo, e foi implementado inicialmente nas fábricas da Ford, nos Estados Unidos.

  • O fordismo introduziu as esteiras de rolagem que ditavam o tempo de trabalho do funcionário.

  • No taylorismo, isso era decidido pelos gestores a partir da observação do processo que acontecia no interior das unidades.

  • Entretanto, ambos tinham como principal objetivo aumentar a eficácia da produção para, com isso, diminuir os gastos e ampliar a margem de lucros.

  • Os princípios da administração científica do taylorismo são observados em muitas unidades fabris, mas, também, na gestão de diferentes tipos de estabelecimentos comerciais.

  • Do fordismo, muitas indústrias ainda se utilizam das esteiras de rolagem, como a automobilística, a alimentícia e a indústria de bebidas, por exemplo.

O que é taylorismo e fordismo?

Frederick Taylor, criador do taylorismo, e Henry Ford, o criador do fordismo. [imagem_principal]
Frederick Taylor, criador do taylorismo, e Henry Ford, o criador do fordismo.

Taylorismo e fordismo foram dois modelos de produção industrial desenvolvidos entre o final do século XIX e o início do século XX, durante a Segunda Revolução Industrial. Cada um deles apresentou um sistema de racionalização do trabalho fabril que tinha como objetivo aumentar a eficácia do processo de produção e diminuir os gastos. Esses são os principais pontos em comum entre os dois modelos, já que muitas das soluções de Frederick Taylor, considerado pai da administração científica e fundador do taylorismo, foram adaptadas por Henry Ford quando da implementação do fordismo nas fábricas de automóveis.

Tanto no taylorismo quanto no fordismo os trabalhadores são altamente especializados na sua própria tarefa. Isso acontece porque cada operário exerce uma única função durante todo o seu tempo naquela unidade fabril, não havendo alterações ou flexibilização. Esse, inclusive, é um dos principais pontos de crítica de ambos os modelos, que ocasionavam a alienação do trabalhador. Conforme veremos a seguir, em nenhum dos modelos é o trabalhador quem dita seu ritmo de atuação. Além disso, a produção que é desenvolvida no taylorismo e no fordismo é padronizada, o que interfere na maneira como o consumo acontece.

O taylorismo e o fordismo não produzem de acordo com a demanda. Na verdade, ambos são caracterizados pela formação de grandes estoques, os quais são escoados gradualmente. Ainda assim, por causa da divisão e especialização de tarefas e pela implementação de medidas que tornam a produção mais ágil, havia a garantia de lucros.

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Diferenças entre taylorismo e fordismo

Há muitos pontos em comum entre o taylorismo e fordismo, especialmente pelo fato de serem modelos que surgiram em um mesmo contexto histórico e com propósitos semelhantes. Contudo, é possível, sim, identificar algumas diferenças entre eles. São elas:

Taylorismo

Fordismo

Criado por Frederick Taylor (1856-1915) no final do século XIX.

Criado por Henry Ford (1863-1947) no início do século XX.

Foi considerado o pioneiro da administração científica e da racionalização do trabalho no ambiente fabril.

Esse modelo surgiu como uma adaptação das ideias de Taylor para as fábricas de automóveis norte-americanas.

O taylorismo foi o primeiro modelo a propor a divisão de tarefas no interior das fábricas. Os trabalhadores braçais eram os responsáveis pela produção propriamente dita, enquanto a gerência tinha como função administrar o processo e, inclusive, fazer a divisão das tarefas.

Como tendo se inspirado no taylorismo, a divisão de tarefas também era fundamental no modelo desenvolvido por Ford. A novidade, aqui, ficou por conta da introdução das esteiras de montagem, uma forma inicial de automação de parte do processo produtivo.

Quem determina o ritmo de trabalho dos operários são os gestores das fábricas de acordo com a observação do processo de produção no interior da unidade. Há uma grande alienação do trabalhador nesse sentido.

O ritmo de trabalho dos operários é determinado pela esteira rolante. O trabalho se torna, nesse sentido, monótono e repetitivo.

A separação entre administração e trabalho braçal, com o controle minucioso de cada etapa do processo de produção, era o que garantia maior eficácia produtiva na fábrica.

A eficácia da produção era atribuída principalmente às esteiras de rolagem, que proporcionou maior ganho de tempo durante o processo de fabricação de bens.

Havia o controle de qualidade dos produtos, que era feito nas últimas etapas do processo.

O controle de qualidade era efetuado ao final da produção, já com o bem finalizado.

Exemplos de taylorismo e fordismo

O taylorismo é o método de administração científica de uma unidade fabril ou de qualquer tipo de estabelecimento em que acontece a divisão de tarefas entre os funcionários e a separação entre o tipo de trabalho que é realizado pela gerência e por aqueles que realizam o esforço braçal. Outro aspecto do taylorismo que é identificado ainda hoje é o controle do tempo de execução de cada tarefa dentro de uma esteira ou lógica produtiva.

Embora ele não seja empregado em sua totalidade, existem estudos que discutem como determinadas franquias de fast food aplicam os princípios da administração científica em suas unidades, haja vista que a economia de tempo e a eficácia na entrega são características desse tipo de empreendimento.

Clientes em frente ao balcão de uma franquia de fast foods, em textos sobre taylorismo e fordismo.
Princípios do taylorismo podem ser identificados nos restaurantes de redes de fast food.[1]

A maioria das indústrias e fábricas, entretanto, empregam, em maior ou menor grau, princípios que foram desenvolvidos por Taylor e plenamente incorporados ao processo de produção em todo o mundo. No caso do fordismo, a própria marca de automóveis do seu criador, a Ford, foi um exemplo prático de funcionamento desse modelo de produção.

Funcionários de uma fábrica operando uma esteira de rolagem, exemplo de fordismo.
A esteira de rolagem é um dos aspectos do fordismo mantido em muitas fábricas modernas.

As fábricas no mesmo ramo de atuação, e muitas empresas como alimentícia e de bebidas, por exemplo, utilizam de técnicas que foram implementadas pelo fordismo, como é o caso da esteira de produção. Contudo, hoje em dia, o trabalho monótono e repetitivo que era característico desse modelo foi automatizado. Isso significa que, além da própria esteira de rolagem, o próprio processo de execução passou a ser realizado, parcial ou integralmente, por máquinas.

Saiba mais: Como aconteceu o processo de industrialização no mundo?

Exercícios sobre taylorismo e fordismo

Questão 1 (Fundatec)

Sobre os paradigmas taylorista e fordista de organização do trabalho (CATTANI; HOLZMANN, 2011), analise as assertivas abaixo e assinale a alternativa correta.

I. Uma das técnicas preconizadas no taylorismo é o estudo de tempos e movimentos, a fim de se definir a melhor maneira de executar uma tarefa.

II. No fordismo, a produção é desencadeada pela demanda do mercado, por meio do sistema justin-time.

III. No início do século XX, a empresa Ford organizou um Departamento de Sociologia visando avaliar o comportamento dos trabalhadores fora do local de trabalho.

IV. O fordismo representou a consagração da produção e do consumo em massa.

a) Todas estão corretas.

b) Todas estão incorretas.

c) Apenas I e IV estão corretas.

d) Apenas II e III estão corretas.

e) Apenas I, III e IV estão corretas.

Resposta: Alternativa E.

Somente a afirmativa número II é incorreta. A produção desencadeada pela demanda, que consiste no sistema just-in-time, é uma característica do Toyotismo, e não do Fordismo.

Questão 2 (IDHTEC – Adaptada)

Foram consequências do taylorismo e do fordismo no início do século XX, EXCETO:

a) Especialização da mão de obra nas fábricas e no cotidiano das pessoas.

b) Concentração de riqueza em poder da burguesia.

c) Diminuição do consumo de recursos naturais no processo de fabricação e principalmente os danos ambientais.

d) Origem de manifestações contra as péssimas condições de trabalho.

e) Aprofundar a divisão técnica do trabalho.

Resposta: Alternativa C.

Ambos os modelos foram desenvolvidos durante a Segunda Revolução Industrial, quando ainda não havia a discussão sobre os impactos ambientais do processo de industrialização.

Créditos da imagem

[1] Sorbis/ Shutterstock

Fontes

CUNHA, Tadeu Henrique Lopes da. O fordismo/taylorismo, o toyotismo e as implicações na terceirização. In: Boletim Científico ESMPU, Brasília, a. 15, n. 47, p. 183-210, jan./jun. 2016. Disponível em: http://escola.mpu.mp.br/publicacoes/boletim-cientifico/edicoes-do-boletim/boletim-cientifico-n-47-janeiro-junho-2016/o-fordismo-taylorismo-o-toyotismo-e-as-implicacoes-na-terceirizacao.

DICIONÁRIO FINANCEIRO. O que é Administração Científica? Dicionário Financeiro, [s.d.]. Disponível em: https://www.dicionariofinanceiro.com/administracao-cientifica/.

GRISOLIA, Felipe Salvador; CASTRO, Lucia Rabello de. A padronização no fast-food e seus efeitos na subjetividade do jovem trabalhador. Gerais: Revista Interinstitucional de Psicologia, v. 9, n. 2, p. 211-226, 2016. Disponível em: https://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-82202016000200005.

LUCCI, Elian Alabi. Território e sociedade no mundo globalizado, 2: ensino médio. São Paulo: Saraiva, 2016. 3ª ed.

RIBEIRO, A. de F. Taylorismo, fordismo e toyotismo. Lutas Sociais, [S. l.], v. 19, n. 35, p. 65–79, 2015. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/ls/article/view/26678.

TOMAZI, Nelson Dacio; ROSSI, Marco Antônio. Sociologia para o ensino médio: volume único. São Paulo: Saraiva, 2016. 5. ed.  

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.

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