Pronome apassivador

O pronome apassivador é uma função assumida pelo pronome “se” na formação da voz passiva sintética. Ele aparece com verbos transitivos diretos ou com verbos transitivos diretos e indiretos e indica que o sujeito sofre a ação verbal.

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Leia também: Afinal, o que são os pronomes?

Resumo sobre pronome apassivador

  • Pronome apassivador é o “se” após verbos, quando usado para formar a voz passiva sintética.

  • Indica que o sujeito sofre a ação expressa pelo verbo.

  • Ocorre com verbos transitivos diretos ou com verbos transitivos diretos e indiretos.

  • Na voz passiva sintética, o termo que seria objeto direto na voz ativa passa a funcionar como sujeito paciente.

  • O verbo deve concordar com o sujeito, flexionando em número (singular ou plural).

  • Não deve ser confundido com o índice de indeterminação do sujeito, que ocorre quando o sujeito não é identificado.

O que é pronome apassivador?

O pronome apassivador é o pronome “se” usado para indicar que uma oração está na voz passiva sintética. Nessa construção, o sujeito não pratica a ação verbal; ele recebe ou sofre essa ação. Veja este exemplo:

verbo + se + sujeito paciente

Adaptou-se o romance para o cinema.

Nessa frase, “o romance” não pratica a ação de adaptar. Ele é o elemento adaptado, ou seja, sofre a ação verbal. Por isso, “o romance” é classificado como sujeito paciente. A frase equivale a:

O romance foi adaptado para o cinema.

Essa equivalência ajuda a reconhecer o pronome apassivador. Quando a construção com “se” pode ser transformada em voz passiva analítica, com locução verbal formada por “ser” + particípio, há grande chance de o “se” funcionar como pronome apassivador. Observe:

Novas temporadas da série foram anunciadas.

Anunciaram-se novas temporadas da série.

Nesse caso, o verbo “anunciar” é transitivo direto, pois exige complemento. O termo “novas temporadas da série” sofre a ação de ser anunciado, então é o sujeito paciente. Como esse sujeito está no plural, o verbo também fica no plural: “anunciaram-se”.

verbo + se + sujeito paciente

Anunciou-se uma nova temporada. → Anunciaram-se novas temporadas.

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Pronome apassivador e índice de determinação do sujeito

O pronome apassivador e o índice de indeterminação do sujeito são funções diferentes do pronome “se”. A diferença principal está na presença ou ausência de um sujeito determinado na oração.

Com pronome apassivador, há sujeito paciente. Esse sujeito sofre a ação verbal e determina a concordância do verbo.

Alugam-se quartos. = Quartos são alugados.

Nessa frase, “quartos” é sujeito paciente. Como está no plural, o verbo também fica no plural.

Com índice de indeterminação do sujeito, não há um sujeito identificado. A oração informa que alguém pratica a ação, mas esse alguém não é determinado no enunciado.

verbo + se + complemento

Precisa-se de quartos. = Precisam de quartos.

Nesse caso, “de quartos” não é sujeito, pois aparece introduzido por preposição, portanto, “de quartos” é complemento do verbo “precisar”. O sujeito é indeterminado, pois não se pode identificar quem precisa dos quartos. Assim, o verbo fica na 3ª pessoa do singular.

Veja um resumo das diferenças na tabela a seguir:

Pronome apassivador

Índice de indeterminação do sujeito

Forma a voz passiva sintética.

Indetermina o sujeito da oração.

Há um termo que sofre a ação verbal.

Há alguém que pratica a ação, mas esse agente não é identificado.

Sujeito paciente (sujeito na voz passiva).

Sujeito indeterminado.

O verbo concorda com o sujeito paciente (singular ou plural).

O verbo fica na 3ª pessoa do singular.

verbo + se + sujeito paciente

verbo + se + complemento

Verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos.

Verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação.

Pode ser reescrito na voz passiva analítica.

Não forma voz passiva analítica.

Lista de frases com pronome apassivador

Vendem-se apartamentos no centro da cidade.

Aluga-se uma sala comercial.

Divulgaram-se os resultados da pesquisa.

Construíram-se, pelo bairro, várias novas escolas.

Publicou-se o edital do concurso.

Publicaram-se os editais dos processos seletivos.

Consertam-se celulares nesta loja.

Entregou-se o relatório final à coordenação.

Entregaram-se ao responsável os documentos.

Analisou-se a proposta com cuidado.

Analisaram-se as vendas realizadas.

Comprou-se um terreno perto da praia.

Compraram-se equipamentos para o laboratório.

Reformou-se a biblioteca da escola.

Reformaram-se as salas antigas.

Explicação do que é o pronome apassivador, lista de exemplos e diferença com o índice de indeterminação do sujeito.
O pronome apassivador é necessário para formar a voz passiva sintética. (Imagem feita por IA)

Veja também: Você sabe o que são os pronomes reflexivos?

Exercícios resolvidos sobre o pronome apassivador

Questão 1

Assinale a alternativa em que o “se” funciona como pronome apassivador.

A) Aluga-se um apartamento decorado.

B) Precisa-se de novos voluntários.

C) Vive-se bem naquela cidade.

D) Trata-se de uma decisão importante.

E) Chegou-se cedo ao local da prova.

Resolução:

Alternativa A.

O verbo “alugar” é transitivo direto e “um apartamento decorado” é o sujeito paciente. A frase equivale a “Um apartamento decorado é alugado.”

Questão 2

Assinale a alternativa em que a concordância verbal está de acordo com o uso do pronome apassivador.

A) Aluga-se casas perto da universidade.

B) Divulgaram-se o nome do aprovado.

C) Reformou-se as quadras do clube.

D) Vendia-se materiais escolares usados.

E) Construíram-se novas ciclovias na cidade.

Resolução:

Alternativa E.

Nessa oração, “novas ciclovias” é o sujeito paciente, que está no plural. Por isso, o verbo também deve ficar no plural: “construíram-se”. Nas demais alternativas, o verbo deveria concordar com o sujeito paciente, seja no plural, seja no singular.

Fontes

AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Parábola, 2021.

BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 38ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.

CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.

Escritor do artigo
Escrito por: Guilherme Viana Bacharel e licenciado em Letras e em Educomunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Trabalha com produção de conteúdo didático nas áreas de língua portuguesa, literatura e redação.

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